Orar sempre ?

Jesus, para mostrar que a oração é fundamental para a vida do cristão, recorre ao exemplo de uma viúva pobre e indefesa, que apenas quer do juiz ateu, egoísta e corrupto, que lhe faça justiça. E não se resigna à inoperância do mesmo. E não se exaspera pelo decurso do tempo. E não a demove a falta de resultados.Em suma, estamos perante uma mulher que sabe o que quer, que nos ensina a ter fome de justiça e a buscá-la sempre, mesmo quando tudo aconselha a desistir. E venceu a inoperância do juiz, que acabou por responder aos seus legítimos anseios, para deixar de ser por ela importunado.E Jesus remata: “E Deus não haveria de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite ?”“Clamar por Ele dia e noite” é o mesmo que “orar sempre sem desanimar”. Como é, então, isso possível, quando o dia é um corre corre… e mal se tem tempo para descansar?É possível e é necessário, porque a vida de oração não se mede pelo número de orações e não significa passar o dia a repetir fórmulas e invocações.Com o coração em Deus e Deus no coração, as nossas mãos rezam, porque fazemos com amor o que Deus nos pede no cumprimento dos nossos deveres. P. Fausto in Diálogo n.º 1794 (Domingo XXIX do Tempo Comum – Ano...

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A saúde não é tudo !

No caminho para Jerusalém, com os discípulos, algures entre a Galileia e a Samaria, um grupo de 10 homens grita ao longe “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós”. Eram leprosos. Mal os viu, Jesus disse: “Ide mostrar-vos aos sacerdotes”. Obedeceram, e, no caminho, todos ficaram curados, mas um voltou atrás, “glorificando a Deus em alta voz, e prostrou-se de rosto em terra aos pés de Jesus, para Lhe agradecer”. Era um samaritano.A este, ao contrário dos outros, não bastava ter saúde para ser feliz. Não lhe bastava também poder regressar aos seus, aos amigos, à vida normal, ao aconchego familiar, ao seu lugar na comunidade…Este samaritano, procedendo assim, mostra-nos que ninguém é verdadeiramente feliz se não souber dizer Obrigado a Deus e aos outros. E voltou atrás para glorificar, bendizer e agradecer…, mesmo antes de celebrar a alegria, pelo dom da cura, com a família e os amigos.Dos dez curados, só um, além da cura, foi salvo: aquele a quem Jesus não hesitou em dizer “A tua fé te salvou”. P. Fausto in Diálogo nº. 1793 (Domingo XXVIII do Tempo Comum – Ano...

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“Servos inúteis”

Os Apóstolos, a dada altura, pediram ao Senhor que lhes aumentasse a fé. E o Senhor respondeu que, se tivessem “fé como um grão de mostarda”, fariam coisas grandiosas.A fé não nos é dada, porém, para fazermos milagres, coisas grandes e espectaculares, nem mesmo para transplantarmos amoreiras para o mar… mas é animados pela fé, como um graozinho de mostarda, que somos capazes de fazer, todos os dias, o milagre de não nos rendermos às fragilidades ou cedermos aos fracassos que a vida nos pode trazer.“Somos inúteis servos”. Expressão usada por Jesus no Evangelho de hoje, que, parecendo desajustada, injusta e desmotivadora, quer sobretudo ser apelo ao cumprimento do dever, sem pretensões a prémios ou medo de castigos, sem esperar recompensas ou buscar vantagens e resultados. O serviço apenas por amor. Gratuitamente. Generosamente. Sem utilidade. Somos, assim, “servos inúteis” e verdadeiros discípulos de Jesus Cristo. P. Fausto in Diálogo nº. 1792 (Domingo XXVII do tempo Comum – Ano...

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A riqueza não é tudo !

Nestes últimos domingos somos brindados por Jesus com histórias que nos movem e incomodam. Na de hoje são protagonistas um rico, que vivia “à grande e à francesa”, e um pobre, que não tinha onde cair morto.Ao contrário do rico avarento, que não tem nome porque se identifica apenas com a sua riqueza, o pobre, apesar de não ter mesmo nada, tem dignidade, tem nome, Lázaro, que, por acaso ou talvez não, é o nome do grande Amigo de Jesus, que reside em Betânia.Mal vai a sociedade em que são os teres e haveres ou mesmo os saberes que conferem dignidade e respeito a cada um! A esta tentação também muitos cristãos não resistem…Por fim, o rico e o pobre morrem e têm destinos diferentes, porque, à hora de prestar contas, ninguém se pode esconder, desculpar ou dispensar… É assunto que só a cada um diz respeito.Ao rico não faltou nada na vida. Até nem era má pessoa. Não fazia mal a ninguém, porque mal tinha tempo para preparar as suas festas e viver o seu luxo. Fora dos muros do seu castelo ninguém existia e nada acontecia. Tudo lhe era indiferente. Até o pobre Lázaro.A riqueza facilmente torna o homem suficiente e insensível. Este foi o grande pecado do rico avarento. P. Fausto in Diálogo nº. 1791 (Domingo XXVI do Tempo Comum – Ano...

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Conciliação impossível!

Ao lermos o Evangelho deste domingo, surpreende-nos o elogio à esperteza dum administrador desonesto. Jesus não aprova tais comportamentos, mas, ao contar esta parábola, chama a atenção para a dimensão social dos bens e indica-nos que a vida não é mais feliz por termos muitas riquezas mas por termos muitos amigos. E isso é uma verdade que o administrador compreendeu bem cedo.Ainda que desconcertante, a parábola termina com uma frase que nunca devemos esquecer: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. Na verdade, quem se torna escravo do dinheiro privilegia verbos como acumular, contar e recontar, acrescentar, multiplicar…, pensando que está nisso o segredo da felicidade e a segurança do seu futuro. Mas engana-se, porque nada disso levará…Na hora da verdade, no momento de prestar contas, também entra pela “porta estreita” quem, sendo rico, faz o bem com o que tem. P. Fausto in Diálogo nº. 1790 (XXY Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Marta ou Maria ?

Jesus dirige-se para Jerusalém. A viagem é longa. Hoje a paragem é em Betânia, em casa de pessoas muito próximas e amigas, muito queridas mesmo.Dadas as boas-vindas, começa o alvoroço para preparar a refeição. Marta lidera o processo e desdobra-se num vaivém entre tachos e panelas, enquanto a sua irmã, Maria, sentada aos pés de Jesus, embebecida, nem dá pelo tempo a passar. Enquanto isto, Marta corre e sua, e, cansada, deixa escapar o desabafo: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me”. A resposta afectuosa de Jesus não se fez esperar: “Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária”.Jesus compreende o serviço e reconhece a generosidade de Marta, mas alerta para o esvaziamento interior e pobreza espiritual que traz todo o projecto de vida agitado e sob pressão, com demasiado trabalho, demasiadas coisas e muitas correrias… e pouco tempo para Deus, para os outros e para nós.Maria, pelo contrário, percebendo perfeitamente o primado do serviço da escuta e da pessoa em relação às coisas…, sentada aos pés do mestre, escolhe a melhor parte. P. Fausto in Diálogo nº. 1789 (Domingo XVI do Tempo Comum – Ano...

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“Faz isso e viverás.”

No Evangelho de hoje sobressai uma parábola, uma das muitas que Jesus conta para comunicar mais claramente a mensagem e, no centro da parábola, um homem assaltado, roubado e maltratado, a pedir desesperadamente auxílio.De passo apressado, um sacerdote desce pelo mesmo caminho, vê e passa adiante. E o mesmo comportamento tem um levita.Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto do homem, “encheu-se de compaixão, aproximou-se, ligou-lhe as feridas, colocou-o sobre a sua montada, levou-o para uma estalagem, cuidou dele” e assumiu todos os encargos do internamento.Tantos verbos para declinar, com exactidão, o verbo amar! O samaritano, sem o saber, soube fazê-lo. O sacerdote e o levita não. E nós?Não basta saber o que está prescrito, não basta saber o alcance da Palavra de Deus. É preciso pô-La em prática: “Fazer o mesmo”. Mas isto não é só para padres e freiras. É para todos os discípulos de Jesus Cristo. P. Fausto in Diálogo nº. 1788 (Domingo XV do Tempo Comum – Ano...

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Experiência radical !

No domingo passado, Jesus toma a decisão de se dirigir para Jerusalém e o seu discurso, sem endurecer, torna-se mais exigente. É assim que hoje convida 72 dos discípulos para uma experiência radical, quase de sobrevivência, “sem bolsa nem alforge nem sandálias”. Sem coisas, mesmo as mais úteis.E, de passo apressado, lá se foram os 72, levando apenas como bagagem a paz e a alegria, para cumprirem a missão, segundo as instruções de Jesus.No fim, cansados, “os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria”. A missão fora um êxito e encheu a todos as medidas…, até os demónios obedeciam.Jesus, porém, para evitar euforias fugazes e combater tentações de poder e de vaidade, sempre inconvenientes, remata: “não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus”. Como que a dizer aos discípulos, e a nós também, que a razão da alegria não deve assentar no êxito, mas no cumprimento da vontade de Deus. Só quando queremos e fazemos o que Deus quer, somos felizes e nos sentimos realizados. P. Fausto in Diálogo nº.1787 (Domingo XIV do Tempo Comum – Ano...

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“Seguir-te-ei”

Jesus não deixa ninguém indiferente. Tem sempre muita gente a escutá-Lo, uns com mais entusiasmo que outros. Para todos, porém, há sempre a palavra adequada, como, hoje, aos três rapazes, bem dispostos e descontraídos, com inquietações vocacionais e fome de felicidade.“Seguir-te-ei para onde quer que fores”, diz um deles, entusiasmado. Ao que Jesus, sem querer pôr “água na fervura”, recomenda calma e diz que não tem “eira nem beira”, mas apenas Deus, a quem se confia e em cujo coração descansa.A ninguém promete riqueza, carreira, poder, facilidades… mas garante felicidade, apesar das dúvidas e dificuldades do caminho, aos que, sem olhar para trás, não se deixem bloquear pelo medo, pelo círculo dos afectos familiares ou amarrar pela nostalgia.As palavras de Jesus, no Evangelho de hoje, mesmo que nos pareçam duras e humanamente incompreensíveis, não sendo para heróis, serão sempre desafio a quem sonha com horizontes de “vida+”, escancarados e largos, de alegria e felicidade. P. Fausto in Diálogo 1786 (XIII Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Quem sou Eu para ti ?

As perguntas que Jesus fez aos discípulos, e hoje também a nós, dominam a liturgia deste domingo: “Quem dizem as multidões…” e “Quem dizeis vós que Eu sou?” Jesus não confunde as questões, não parece interessado naquilo que a gente diz, nem pretende assentar a pregação em estudos de opinião…A resposta é pessoal. Não valem as fórmulas decoradas ou ressonâncias de pensamentos alheios. Não servem estudos, leituras ou catecismos, para a resposta sempre aberta, inacabada, a dar por cada um, condicionado pelas suas circunstâncias.Cristo não é o que pensam ou dizem dele, nem mesmo o que dele digo, mas do que dele vivo: “Quem sou Eu para ti?” Esta é a questão que se torna ainda mais actual ao reentrarmos no Tempo Comum, em que nos é indicada, desde logo, a condição para ser discípulo de Jesus: “Se alguém quiser vir comigo, tome a sua cruz todos os dias…”A linguagem é estranha e o convite não é simpático, mas, longe de ser apelo à resignação e exaltação do sofrimento, é alerta vigoroso para as dificuldades, momentos de desânimo e tentações de desistência, normais nas grandes aventuras. E a de seguir Jesus, sendo de todas a Maior, é a que traz mais alegria e dá felicidade. P. Fausto in Diálogo nº. 1785 (XII Domingo do Tempo Comum – Ano...

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