“Vou partir, mas voltarei”

O tempo está a esgotar-se, mas Jesus não tem pressa. Ele faz em cada momento o que deve, isto é, a vontade do Pai. Já lá vão seis semanas que ressuscitou e o mais importante está conseguido: “recuperar” o grupo dos discípulos. Atingido plenamente este objectivo, graças aos encontros que, no primeiro dia de cada semana, lhes proporcionou, a tarefa, agora, é preparar a Sua partida eminente.Não parece que Jesus esteja preocupado com “a matéria” que deixou por dar… Propositadamente não disse tudo, mas disse tudo o que os discipulos podiam acolher. Não quis mesmo ter a última palavra. Deixou-a ao Espírito Santo e aos Apóstolos. Então e hoje também.Preocupou-se, isso sim, em dar-lhes, e a todos nós, a Sua Paz e a tarefa de a construirmos, na fidelidade à Palavra e ao Espírito Santo, com a garantia solene de que a Sua partida não é fracasso, desistência ou desinteresse, mas presença ainda mais íntima, inspiradora e permanente: “Não se perturbe nem se intimide o vosso coração… Vou partir, mas voltarei para junto de vós”.Ao desconforto compreensível de qualquer partida, Jesus contrapõe a Paz e a Alegria próprias de quem vive em comunhão com Deus, com os outros e consigo mesmo. Apesar das crises e tribulações. P. Fausto in Diálogo nº. 1781 (Domingo VI da Páscoa – Ano...

Learn More

ADN Cristão

Entrámos na quinta semana após as mulheres encontrarem o sepulcro vazio. Desde então, Jesus apareceu sempre no mesmo dia, respondeu às dúvidas e venceu as resistências dos mais cépticos. Todos O reconhecem Ressuscitado.Agora o tempo é de preparar a partida e nada melhor que lembrar parte do discurso proferido na ultima Ceia Pascal: “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos”.Apesar de as circunstâncias em que foram proferidas não terem ajudado os discípulos a compreender as suas exigências, tais palavras ficaram para a história como verdadeiro testamento ou, se quisermos, Carta Magna para o agir cristão.Não é fácil o seu cumprimento, porque não se trata simplesmente de amar, mas de amar ao jeito de Jesus. Sem barreiras nem fronteiras. Sem ideologias nem simpatias. Gratuitamente. E sempre.Apesar de ser difícil amar como Jesus e impossível amar quanto Jesus, não podemos rasgar esta página do Evangelho. Se o fizermos, deixaremos de ser cristãos. P. Fausto in Diálogo n.º1780 (V Domingo da Páscoa – Ano...

Learn More

Escutar…

Na empresa há objectivos a atingir e prazos a cumprir. Em casa há tarefas diárias, roupas, refeições, transporte dos filhos/netos às milhentas actividades, não falando dos compromissos sócio-religiosos pessoais… E o que resta para respirar? Muito pouco, com certeza.A esta sociedade de correrias, onde quem manda é o relógio e o tempo se torna cada vez mais escasso, onde não se educa para o silêncio, nem se valoriza a escuta, Jesus diz palavras no Evangelho de hoje, que nos parecem fora da realidade: “As minhas ovelhas escutam a minha voz… e elas seguem-Me”.Ainda que nos pareçam ao arrepio, não deixa o verbo “escutar” de ser do número dos verbos mais importantes, oportunos e difíceis de conjugar na gramática da vida. Não temos tempo para nada…Escutar alguém é dizer-lhe que o meu tempo é teu, é dizer-lhe que tu existes e és importante… Escutar torna-se, então, o primeiro dos serviços. E a Deus também, porque, se rezar é falar com Deus, quem não sabe escutar não sabe rezar, nem sabe responder…Rezar com o rei Salomão, que bem cedo percebeu o valor da escuta ao pedir a Deus, em vésperas de iniciar o seu reinado, “um coração que soubesse escutar”, é cada vez mais importante e necessário. P. Fausto in Diálogo n.º1779 (Domingo IV da Páscoa – Ano...

Learn More

“Pedro, amas-me ?”

A Páscoa já vai na terceira semana e Jesus vai-se encontrando com os discípulos sempre no primeito dia, o Domingo. Desta feita é nas margens do mar de Tiberíades, na madrugada de uma noite de pesca, sem sucesso, que Jesus se apresenta aos discipulos. Era a terceira vez que o fazia, depois de ter ressuscitado dos mortos.Chegou discreto e ninguém O reconheceria, não fora a quantidade de peixes capturados que, surpreendentemente, punham em risco os próprios barcos… Em terra, Jesus prepara tudo, inclusivé as brasas e o pão, para o almoço matinal, que os trabalhos de uma faina tão prolongada merecem.A refeição correu saudavelmente bem disposta e amiga, mas a razão do encontro era outra. Jesus queria encontrar-se a sós com Pedro, na presença de todos, para que todos ouvissem a sua declaração de amor, indispensável ao serviço de guarda de todo o rebanho.Jesus, dirigindo-se a Pedro, não o condena, não o censura, não pede explicações, apenas o interpela três vezes, em jeito determinado mas doce: “Pedro, filho de João, amas-me?” Pedro comove-se com a insistência – talvez lembrado da tríplice negação do Mestre há três semanas atrás – e as lágrimas lavam-lhe mais uma vez o coração e os olhos e preparam-no para o serviço incondicional até ao fim. Até ao martírio. P. Fausto in Diálogo nº. 1778 (Domingo III da Páscoa – Ano...

Learn More

“Meu Senhor e meu Deus” !

A semana da Paixão do Senhor foi intensa e dramática. Houve de tudo, e, oito dias passados, as marcas eram ainda bem visíveis.O sepulcro vazio, apesar do testemunho jubiloso de algumas mulheres, mergulhou na perplexidade uns e na incredulidade outros, e em todos provocou uma grande insegurança, a ponto de se barricarem em casa, com medo dos judeus.As mulheres, essas não se cansavam de dizer que tinham visto o Mestre e Amigo, agora Ressuscitado. Mas o seu testemunho nem pelos discípulos era levado a sério.O tempo também cura, mas ainda não curou o suficiente para encher de paz e de alegria o coração de todos os discípulos. Tomé era o mais resistente.Oito dias depois de o sepulcro ter sido encontrado vazio, Jesus vem de novo, estando as portas fechadas, e desta vez todos estavam presentes. No seu rosto não há queixumes, acusações, sermões ou castigos, apenas luz, serenidade e paz. E depois de breve saudação, sem perder tempo, dirigindo-se a Tomé, convida-o a tocar as chagas, como que a dizer: Eu sou o CRUCIFICADO E RESSUSCITADO que conheceste. E Tomé rende-se, com a bela Profissão de Fé: “Meu Senhor e meu Deus”.Não sabemos se tocou ou não o corpo de Jesus, mas, passando da incredulidade ao êxtase, Tomé tornou-se luz e conforto para as nossas dúvidas e exemplo para os discípulos de todos os tempos. P. Fausto in Diálogo n.º 1777 (Domingo II da Páscoa – Ano...

Learn More

A vitória da Cruz

“Estamos aqui reunidos para darmos início à celebração do mistério pascal do Senhor, isto é, da Sua Paixão e Ressurreição”.É com estas palavras que se abre a liturgia do Domingo de Ramos e da Paixão e se inicia uma semana em que é difícil ser-se mero espectador.Semana de contradições, de hossanas e apupos, de mentiras e acusações, de beijos e de traições, de julgamentos e execuções sumárias…Todos os dramas da humanidade estão presentes nesta semana em que Jesus nos mostra que a cruz se torna verdadeiro pesadelo, se não for levada com amor. É por isso que a contemplamos e adoramos, mesmo sem a compreendermos.A crueldade, os gritos, os gemidos, as lágrimas… e a própria morte, podem parecer uma derrota, mas, se estivermos unidos ao Crucificado, temos o poder, mesmo sem o sabermos, de fazer estremecer a pedra que fecha cada um dos sepulcros, por maior que seja, como na manhã radiosa, no primeiro dia da semana, em Jerusalém.Que nos sirva de inspiração, para vivermos este tempo, o que escreve Pascal: “o que me leva a crer é a cruz, mas aquilo em que acredito é a vitória da Cruz: A RESSURREIÇÃO”. P. Fausto in Diálogo nº. 1775 (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor – Ano...

Learn More

O exemplo vem de cima…

O cerco aperta-se cada vez mais e Jesus já não sai de Jerusalém ou das cercanias do Templo, sempre rodeado de povo a quem continua a anunciar, com desassombro, a Boa Nova. Os fariseus e os escribas, esses apenas espreitam a ocasião para O acusar e condenar.A mulher surpreendida em adultério é o pretexto para realizarem os seus intentos: “Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?” Jesus diante da mulher, a tremer de medo e de vergonha e despudoradamente exposta à multidão, nada responde, nem sequer lhe pergunta se está arrependida. Apenas se inclina e escreve misteriosamente no chão, bem mais sensível ao sofrimento que disposto a pôr a nu o seu pecado. Não acusa. Não julga. Apenas escreve no chão.“Quem de entre vós estiver sem pecado, atire a primeira pedra”. Com esta resposta, com que ninguém contava, Jesus lembra claramente que o exemplo deve começar por cima e que os defensores da Lei devem ser os primeiros a praticá-la. “E foram-se todos embora, a começar pelos mais velhos”.“Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou? Ninguém, Senhor”. “Nem Eu te condeno”.Sem repreensões, ameaças ou castigos, Jesus manda a mulher em paz, como que a dizer aos que só sabem julgar e condenar, sempre com pedras escondidas no bolso ou na mão para atirar, que estão a mais e não podem ser Seus discípulos. P. Fausto in Diálogo n.º1774 (V Domingo da Quaresma – Ano...

Learn More

Deus é assim !

Não admira que os publicanos e os pecadores se acotovelem para escutar Jesus, enquanto os fariseus e os escribas murmuram, escandalizados com esta proximidade e familiaridade. É, de facto, sublime e libertadora a mensagem de um Deus diferente, de um Deus diferente não só para os escribas e farises do tempo, mas também da imagem de Deus que tantos alimentam ainda no seu coração!Não há criança da catequese que desconheça a parábola do “filho pródigo”, contada por Jesus no Evangelho de hoje. Só que o centro da parábola não é o filho pródigo, mas o Pai bondoso, que “ama sem medida, de modo ilógico e quase injusto”, que só espera ansiosamente o regresso do filho para lhe demonstrar toda a ternura do seu amor paterno. Sem complexos e desmedidamente.No reencontro desta pequena história, onde transparece magistralmente o coração de Deus e se expõe o drama do homem, sempre faminto de liberdade e peregrino da felicidade no efémero das suas aventuras, reside também a alegria, que caracteriza este 4° Domingo da Quaresma e que nos motiva a um redobrado esforço de conversão que passa sempre pela celebração do Sacramento da Reconciliação. P. Fausto in Diálogo nº. 1773 (Domingo IV da Quaresma – Ano...

Learn More

Deus, sempre à espera !

Estamos quase no meio da Quaresma e a liturgia recorda-nos a necessidade de conversão, como condição para nos abrirmos a Jesus Cristo e para vivermos a Páscoa. A confirmar tudo isto, a palavra de Cristo do Evangelho de hoje reveste-se de especial vigor: “se não vos converterdes, morrereis”.Conversão a Deus e conversão aos irmãos. Começando tudo dentro de nós, é trabalho de todo o ano, mas especialmente da quaresma.Quantas vezes pensamos que Deus é um juíz, sempre à espreita para condenar, castigar ou vingar-se? Quantas vezes se diz “que mal fiz eu a Deus para merecer isto? Face à injustiça, violência e guerras … onde está Deus, que permite tais coisas?”Enfim, em situações de conflito e sofrimento pessoal ou colectivo, Deus, mesmo que nos pareça em silêncio e distante, não deixa de estar atento e sempre ao nosso lado. Caminha e sofre connosco. Esta é realidade de que às vezes duvidamos tanto! Apesar de tudo, Deus, infinitamente paciente, lento para a ira e rico em misericórdia, está sempre à espera de frutos de arrependimento. A nossa conversão passa por acolher este Deus, revelado, hoje, por Jesus Cristo, na parábola da figueira. P. Fausto in Diálogo nº. 1772 (Domingo III da Quaresma – Ano...

Learn More

“ESCUTAI-O” !

Jesus subiu ao monte para orar. Fazia-o, sozinho ou acompanhado, em todos os lugares que Lhe proporcionassem o necessário silêncio. Hoje levou consigo Pedro, Tiago e João.O monte é um lugar importante na Bíblia. É lugar privilegiado e luminoso ao proporcionar amplas paisagens e testemunhar como ninguém todas as auroras e os mais belos ocasos. É lugar de encontros luminosos. Assim aconteceu com Jesus: “Enquanto orava, alterou-se o aspecto do rosto e até as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente”.Entretanto, acordado, Pedro exclama: “como é bom estarmos aqui “. Tudo em Jesus era luz e luminosos também eram Moisés e Elias.Na vida, porém, há luz e sombras. Há dúvidas e perplexidades, angústias e frustrações, catástrofes, doenças e violências… Nuvens densas que paralisam e apagam horizontes. E no meio das nossas luzes e medos, a mesma voz: “Este é o meu Filho, o meu Eleito. Escutai-O”.Ouvir Cristo é tornar-se como Ele. É esforçar-se por ser Seu discípulo. É aprender com Ele a relacionar-se com Deus, com os outros e com toda a criação. É viver o Evangelho. E isto é tarefa de todos os dias, mas especialmente na Quaresma. P. Fausto in Diálogo nº. 1771 (Domingo II da Quaresma – Ano...

Learn More