“Pedro, amas-me ?”

A Páscoa já vai na terceira semana e Jesus vai-se encontrando com os discípulos sempre no primeito dia, o Domingo. Desta feita é nas margens do mar de Tiberíades, na madrugada de uma noite de pesca, sem sucesso, que Jesus se apresenta aos discipulos. Era a terceira vez que o fazia, depois de ter ressuscitado dos mortos.
Chegou discreto e ninguém O reconheceria, não fora a quantidade de peixes capturados que, surpreendentemente, punham em risco os próprios barcos… Em terra, Jesus prepara tudo, inclusivé as brasas e o pão, para o almoço matinal, que os trabalhos de uma faina tão prolongada merecem.
A refeição correu saudavelmente bem disposta e amiga, mas a razão do encontro era outra. Jesus queria encontrar-se a sós com Pedro, na presença de todos, para que todos ouvissem a sua declaração de amor, indispensável ao serviço de guarda de todo o rebanho.
Jesus, dirigindo-se a Pedro, não o condena, não o censura, não pede explicações, apenas o interpela três vezes, em jeito determinado mas doce: “Pedro, filho de João, amas-me?” Pedro comove-se com a insistência – talvez lembrado da tríplice negação do Mestre há três semanas atrás – e as lágrimas lavam-lhe mais uma vez o coração e os olhos e preparam-no para o serviço incondicional até ao fim. Até ao martírio.

P. Fausto

in Diálogo nº. 1778 (Domingo III da Páscoa – Ano C)

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