A alegria de Caná

É impensável ver João Baptista a participar numa festa de casamento, mas Jesus, logo no início da sua vida pública, fê-lo em Caná, fazendo-se acompanhar pelos seus discípulos. A alegria era enorme e os convivas estavam felizes. Nos bastidores, porém, as coisas não eram tanto assim.Maria, Mãe de Jesus, também convidada, apercebendo–se de que algo importante começava a faltar, com discrição e resoluta confiança sussurrou ao Filho “não têm vinho”. E mais não disse. Nem precisava. Apenas aos serventes recomenda “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Cumprida a ordem, ninguém deu por nada, a não ser que o vinho servido era bem melhor.Caná é convite a saborearmos os momentos de alegria verdadeira, sem nunca esquecermos que Deus não está ausente e Nossa Senhora distraída quando a vida não parece sorrir. P. Fausto in Diálogo nº. 1763 (Domingo II do Tempo Comum – Ano...

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“Tu és meu filho…”

Neste Domingo já não vemos o presépio, nem a mensagem dos Céus é a da noite de Natal, porque uma voz no deserto, vigorosa e determinada, aponta para um jovem que na fila dos penitentes aguarda vez para ser “baptizado”: Jesus de Nazaré, filho de Maria e também conhecido por filho do carpinteiro.Com uma experiência familiar em tudo feliz, começa, por volta dos trinta anos, uma nova etapa do seu projecto de vida e escolhe o deserto para ouvir, como tantos outros, da boca de João Baptista, palavras sábias e apelos fortes à conversão. De nada disto precisava, mas, ao fazê-lo, permitiu-nos ouvir a mais bela e universal das mensagens celestes: “Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência”.“Cristo não recebeu o Espírito Santo para Si, mas antes para nós em Si, pois é por Ele que recebemos todos os bens, como escreve S. Cirilo de Alexandria” (sec.V).E que bem maior e notícia mais bela tem o Pai do Céu para nos dar que declarar-nos realmente, em Cristo, no dia do nosso Baptismo, Seus Filhos? Ainda que por adopção nunca deixaremos de ser verdadeiramente filhos, por mais voltas que a vida der, e sempre amados, por maiores que sejam os nossos fracassos. P. Fausto in Diálogo nº. 1762 (Festa do Baptismo do Senhor – Ano...

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“Nós vimos a sua estrela”

Oito dias passados do Natal, celebrámos a Festa da Sagrada Família e agora a Solenidade da Epifania. Quase não temos tempo para saborear os encantos que o Tempo de Natal proporciona, mas continuamos a celebrar o mistério da Encarnação, ao evocarmos uma das manifestações do Senhor, como é a deste domingo.Enquanto no Natal Jesus se revela aos “da casa“, hoje revela-Se sobretudo aos que “vêm de longe“, representados nos Magos, verdadeiras “primícias da nossa vocação e da nossa fé“, como lhes chama S. Leão Magno. Estes homens misteriosos, que vieram de longe para adorar o Menino, são exemplo de boa-vontade e constância em corresponder ao apelo que Deus dirige a todos os homens. As dificuldades, longe de abalar a sua fidelidade, bem pelo contrário, estimularam-nos a prosseguir a caminhada até encontrarem o Senhor.O exemplo destes homens há-de inspirar-nos permanentemente na nossa caminhada de fé, apesar das dúvidas que sempre se misturam, sem nunca desistirmos do ideal, mesmo com desilusões e obstáculos. P. Fausto in Diálogo nº. 1761 (Solenidade da Epifania do Senhor – Ano...

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Quem tem medo do NATAL ?

Apesar do ambiente de alegria fácil e exterior, que muitas vezes pouco tem de cristão, o Natal continua a marcar a vida de povos e nações, ainda que haja iluminados nesta Europa, farta e cada vez mais sem alma, com vontade de pôr o Natal no sótão ou no congelador da nossa memória colectiva e cristã.Natal quer dizer presença de Jesus, o Filho de Deus que Se fez homem para salvar o homem. Todos os homens. Sem deixar de ser Deus, vem habitar no meio de nós, mesmo que tenhamos dificuldade em reconhecê-Lo e em compreendê-Lo, apesar de ter escolhido o caminho da pobreza, da incomodidade e da fraqueza, para compartilhar das condições em que viviam e ainda vivem muitos homens.Talvez porque a porta escolhida por Deus, para vir até nós, não foi a do poder, da riqueza ou da glória, o NATAL continua a inspirar, depois de tantos anos, nobres e diversos sentimentos, ao mesmo tempo que dá aos cristãos razões de sobra para a ALEGRIA, para a SOLIDARIEDADE e para a PAZ. P. Fausto in Diálogo nº. 1760 (Solenidade do Natal do Senhor – Ano...

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Vamos todos preparar !

Já não falta uma semana para a festa de Natal e a Igreja convida-nos à preparação mais intensa da festa, mesmo que acarrete de cada um e das nossas famílias um esforço acrescido. Esforço e não correria, como sempre acontece, à medida que o tempo passa, na ânsia da última prenda.Sabendo que, além da justiça, como claramente anunciava João Baptista, no deserto, a caridade é o melhor caminho para o Presépio, não se estranha a presença de Maria na liturgia dos últimos dias do Advento, realçada neste domingo com a sua visita à prima Isabel.Não temos nesta preparação modelo mais perfeito que Aquela que “esperou com inefável amor” o nascimento de Seu Filho, e que, logo que soube, se pôs apressadamente a caminho das montanhas, sem olhar a riscos e dificuldades, para ajudar Isabel, como que a dizer-nos que os pobres devem ter sempre prioridade.A meditação do Evangelho deste domingo ajuda-nos, com certeza, a preparar a Festa da Vida que o Menino do presépio traz à humanidade, sempre com Maria e Isabel, ambas grávidas de modo impossível, a convidar-nos à alegria agradecida que o Menino provoca no coração de quem O acolhe e prepara a Festa de Nascimento. P. Fausto in Diálogo nº. 1579 (Domingo IV do Advento – Ano...

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“ALEGRAI-VOS !”

Com este domingo, o terceiro do Advento, começa a segunda fase em que a Igreja nos orienta progressivamente para a festa de Natal. Ao perto e ao longe, realisticamente, os motivos para a alegria não parecem muitos, mas não deixa de ser este o “Domingo da Alegria”, apesar das circunstâncias adversas que todos sentimos.O cristão, a partir da fé, tem sempre motivos para cultivar a alegria, mesmo de lágrimas nos olhos. E o maior de todos, é a presença do Senhor Jesus, que veio já ao nosso encontro, que está sempre connosco, mesmo sem O vermos, e que há-de vir solenemente um dia, no fim dos tempos. É nesta perspectiva que queremos preparar o Natal, atentos à voz de João Baptista, que nos indica o caminho da justiça e da caridade para chegarmos ao Presépio.A voz que bradou no deserto continua vigorosa, para que, sensíveis às exigências da caridade fraterna, estejamos em condições de reconhecer no Menino do presépio o Salvador mundo. Se assim não for, a alegria do Natal não passará de circunstância social em que as luzes e a abundância da ceia mais ou menos alargada dão sabor. P. Fausto in Diálogo nº 1758 (Domingo III do Advento – Ano...

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Haja Profetas !

Com tanta gente sábia, influente e bem instalada, como refere o Evangelista Lucas neste domingo, a Palavra de Deus é dirigida a João, filho de Zacarias e Isabel, em pleno deserto.João não pertence ao clube dos ricos e poderosos, não vive num palácio nem tem criados ao serviço, mas foi o escolhido para dar voz ao anúncio próximo da salvação de Deus.Como sempre, e hoje também, Deus não escolhe por se ser rico, muito dotado ou capaz. Ninguém é demasiado pequeno ou demasiado pobre para não ser escolhido por Deus, que apenas pede que nos deixemos tocar, seduzir e conquistar. O resto é com Ele. Assim foi com João Baptista. Assim continua hoje.Tempo de Advento. Dá em cada dia um pouco mais de espaço e tempo a Deus e não terás medo dos desertos e encruzilhadas da vida, nem te faltará ardor e força para dares voz ao pregão, que especialmente no Advento devemos escutar: “Preparai o caminho do Senhor”, e que levava João Baptista a viver, sem medo nem parança, as agruras do deserto. P. Fausto in Diálogo nº. 1757 (Domingo II do Advento – Ano...

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“Erguei-vos e Levantai a cabeça!”

O primeiro Evangelho do Advento é dramático, como têm sido os desta última semana: terramotos, fomes, guerras, perseguições e traições… Tudo em cores bem sombrias. O Evangelho, porém, não fala do fim do mundo, mas do sentido da história: “Erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima.”Com isto, Jesus pede-nos um olhar mais alto e mais ao longe, para não ficarmos bloqueados na teia dramática da existência ou perdidos no labirinto das nossas lágrimas.Virão coisas terríveis, sim. Quanto ao tempo e ao modo, Jesus não se pronuncia, mas alerta-nos para o modo como devemos viver o tempo, cada tempo, o nosso tempo. Sempre “em jubilosa esperança”, porque sabemos que Deus, tomando a iniciativa, vem ao nosso encontro, apesar dos muros que construímos, das guerras que provocamos e dos desmandos que cometemos na relação de uns com os outros e com a natureza.Iniciámos o Tempo Litúrgico do Advento. Que nos permita a experiência de, além de cidadãos do mundo, estrangeiros e passageiros, verdadeiros peregrinos do absoluto, chamados a viver de coração “atento e leve” o Tempo belo e feliz do Advento. P. Fausto in Diálogo nº. 1756 (Domingo I do Advento – Ano...

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REINO de AMOR e de PAZ !

A Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo, que encerra o ano litúrgico, proporciona-nos um encontro entre dois personagens. Um frente a frente original. De um lado, Pilatos, sentado no trono, rodeado de guardas fortemente armados e ancorado no direito do poder romano, no outro, de pé, Jesus, desarmado e só.O ambiente não intimida Jesus, que nunca frequentara palácios, nem tribunais, nem jamais participara em convívios do jet set de então. Bem pelo contrário, eram os pobres, os pecadores e os doentes, os privilegiados do seu convívio. Diante de Pilatos nem um assomo de medo, nervosismo ou hesitação, antes uma serenidade, confiança e paz, que não passaram despercebidas ao detentor do poder.“Então, Tu és rei”, dispara Pilatos, tentando entender quem tinha à sua frente. “O meu reino não é deste mundo”, responde Jesus, com voz solene e determinada. E Pilatos ficou baralhado.Na verdade, o Reino de Jesus é radicalmente diferente. Não se impõe.Cresce em liberdade no íntimo de cada um. A sua força não está no exército, na economia ou mesmo no direito, mas no amor e no serviço, especialmente aos mais pobres.Pilatos não enxerga tão longe e apresenta-O à varanda do palácio apenas como homem. Para nós, porém, é também o Filho de Deus, condenado à morte, para poder na cruz, com os braços abertos, abraçar a todos e a todos garantir um lugar no Seu coração. P. Fausto in Diálogo nº 1755 (Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo – Ano...

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Entre o medo e a Esperança

A cimeira de Glasgow está a chegar ao fim. Como sempre as promessas são muitas e poucos os compromissos. Quem manda, ao fim e ao cabo, é a economia, e quem sofre é o planeta, a casa comum de que Deus nos constituiu responsáveis. Uns mais que outros. Mas todos.O Evangelho de hoje fala-nos de um abalo cósmico, que há-de acontecer queiramos ou não, para nos chamar a atenção de que tudo é finito, relativo. O sol, a lua, as estrelas… “cairão do céu”, mas a sociedade, as instituições, a economia, os regimes… também. Tudo é frágil. E em cada dia há um mundo que morre e outro que nasce, com as inevitáveis dores de um parto permanente, até à plenitude dos tempos.A esta luz não há-de ser o medo a vencer-nos, porque “quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do Homem está perto, está mesmo à porta”, diz-nos Jesus, no Evangelho. A nossa âncora é, então, Deus. A nossa esperança está em Deus, que continua actuante no mundo, apesar dos atropelos dos homens ao processo criador, de que Deus nos constituiu responsáveis. P. Fausto in Diálogo nº 1754 (XXXIII Domingo do Tempo Comum – Ano...

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