Ser + para Servir melhor !

Jesus, na perspectiva de S. Marcos, iniciou, a partir de Cesareia de Filipe, a viagem que vai terminar em Jerusalém. Os que O seguem já são poucos, e, mesmo dos mais próximos, alguns ainda acalentam esperanças de poder e glória, a começar por Pedro, como vimos no domingo passado.Jesus, porém, parece ter um plano bem definido e não omite uma palavra do mistério de sofrimento, paixão e morte que O aguarda.Apesar da clareza de linguagem em assunto tão sério quanto dramático, os discípulos, todos sem excepção, manifestam ter outros interesses e ocupam-se de outros assuntos. Jesus apercebe-se bem, mas aguarda para melhor oportunidade, já em casa, o devido esclarecimento.“Que discutíeis no caminho?”, pergunta Jesus, sem impaciência nem azedume. A resposta foi o silêncio. E todos ficaram calados. Até Pedro!Jesus, nem com os seus melhores amigos, a quem partilha o drama que O espera, pode efectivamente contar! Mas não se ofende por isso, não desiste deles, não os acusa, apenas aproveita o momento para lhes lembrar, e a todos nós também, que desejar e fazer por ser o primeiro é muito bom, desde que seja para servir e servir melhor a todos. É isto que caracteriza o verdadeiro discípulo de Jesus Cristo. P. Fausto in Diálogo nº 1746 (XXV Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Quem sou Eu para ti ?

Ainda longe, mas já estamos, segundo S. Marcos, na reta final da vida pública de Jesus. Houve encontros ricos e felizes e também desencontros, alguns de enorme tensão, especialmente com os sábios e os poderosos.Ultimamente o número de ouvintes é bastante menor, mas Jesus não se intimida e hoje vemo-LO, com os discípulos, a caminho das terras de Cesareia de Filipe.O caminho é longo e proporciona muitos temas de conversa. Às tantas, Jesus pergunta, em jeito de sondagem, “Quem dizem os homens que Eu sou?” E os discípulos lá foram respondendo, segundo o que ouviam dizer. E Jesus, de novo: “E vós, quem dizeis que Eu sou?” Apenas Pedro, surpreendentemente, respondeu: “Tu és o Messias”.Mais de 2 mil anos passados, Jesus também pergunta a cada baptizado: “Quem sou Eu para ti?” Não valem definições abstractas ou fórmulas decoradas. Não servem livros, nem catecismos. A resposta não é académica, é experiência. Se assim não for, os baptizados não passam o nível da religião, patamar de “cristãos parados” ou espectadores mais ou menos passivos, diante da realidade, cada vez mais veloz e mutável.“Quem sou Eu para ti?” Não será a dificuldade na resposta também razão para o vazio das nossas Igrejas? P. Fausto in Diálogo nº 1745 (XXIV Domingo do Tempo Comum – Ano...

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“Descansai um pouco”

“Nem tinham tempo para comer”! Era assim a agenda diária de Jesus. Daí o convite aos apóstolos: “Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco”.Mas face à multidão que O seguia por todo o lado, sem mesmo o deixar descansar, “encheu-se de compaixão por aquelas pessoas, porque eram como ovelhas sem pastor”.Assim era Jesus, sem eira nem beira, nem tempo para comer e descansar, mas sempre com Tempo para estar com o Pai, acontecesse o que acontecesse. Aos apóstolos, porém, aconselha a que considerem o descanso como parte da missão. E assim deve ser.Também o Concílio Vaticano II nos diz numa das suas Constituições: “depois de haver aplicado a um trabalho o seu tempo e as suas forças, de uma maneira conscienciosa, todos devem gozar de um tempo de repouso e de descanso suficiente para se dedicarem à vida familiar, cultural, social e religiosa”.Aproveitemos, então, o tempo de férias para descansar, ler, conviver e rezar, a fim de enfrentarmos com coragem e ânimo redobrado os desafios do próximo ano. P. Fausto in Diálogo nº 1744 (XVI Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Uma experiência radical

Não levar mais nada que o absolutamente necessário, porque o que não se usa só complica e torna o caminho mais penoso, é o que aconselha, no início do exercício, qualquer amante do atletismo.No Evangelho de hoje, Jesus também propõe aos discípulos uma experiência radical e “ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser o bastão” e uma mochila de sonhos, cheia de alegria, entusiasmo e confiança em Deus. Apenas.E os discípulos, de cajado na mão, lá foram, dois a dois, para esta experiência missionária e “pregaram o arrependimento, expulsaram muitos demónios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos”.Homens sem coisas, sem supérfluos, que nos convidam permanentemente ao discernimento sobre o que é essencial na vida e contestam todos os nossos projectos apostados no sucesso pela acumulação de riqueza. Homens que acreditam verdadeiramente que a qualidade de vida não depende da quantidade de bens…No Evangelho de hoje, Jesus não nos convida tanto a fazer a caminhada dos discípulos, mas antes uma viagem ao nosso interior, onde se experimenta e celebra a verdadeira liberdade, só possível sem os supérfluos que vamos acumulando e sempre atrapalham. P. Fausto in Diálogo nº1743 (XV Domingo do Tempo Comum – Ano...

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A estranheza de Jesus!

Hoje, Jesus parece ter ido à terra matar saudades. Não sendo a de origem, era a de adopção, onde vivia a maior parte da família e era sobejamente conhecido. Não há rua ou pessoa, em Nazaré, estranho a Jesus, mas o que não esperava era a “falta de fé daquela gente”.Afinal, o que é que deixa perplexa aquela gente, conhecida e amiga de Jesus?O Jesus, bem conhecido por todos, piedoso e com esmerada educação e cultura religiosa, não passava de filho do carpinteiro, saído duma família humilde e trabalhadora. É certo que falava de Deus de modo diferente, com desassombro, alegria e entusiasmo contagiantes, mas escandalizava muitos pela sua humanidade e proximidade com pecadores, doentes e marginais e mesmo as curas que realizava eram por alguns atribuídas ao diabo.A vida pública de Jesus não se mostra nada fácil, nem mesmo na sua terra. Ouvido por muitos com prazer, também escandaliza outros com a sua pregação. E continua a escandalizar quem não aceita um Deus que busca a ovelha perdida, que aguarda e abraça o filho pródigo e que, em Jesus de Nazaré, cura leprosos e outros doentes, convive com publicanos e com gente pouco recomendável. Porque, dizia, não veio para condenar mas para salvar…Era este Deus que Jesus anunciava aos seus contemporâneos e continua a escandalizar ainda hoje muitos que se dizem cristãos. P. Fausto in Diálogo nº 1742 (XIV Domingo do Tempo Comum – Ano...

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“Levanta-te !”

Apesar do final feliz, a travessia do Mar da Galileia, relatada por S. Marcos no domingo passado, foi desgastante e assustadora, mas nem por isso houve direito a descanso, porque eram muitos os que aguardavam Jesus, no outro lado, na margem.O entusiasmo era geral, mas nem sempre pelos melhores motivos.Todos esperavam uma palavra, um gesto, um olhar, um toque, uma bênção, e Jesus desdobrava-se em atenção e cuidados, respondendo a cada um conforme as suas necessidades. Assim aconteceu com a mulher desenganada há muito pelos médicos, que levava a cruz de uma doença incurável, ou com Jairo, aflito, porque a sua filha de 12 anos estava a morrer. A estes reconheceu Jesus fé viva e confiança plena e não hesitou em responder generosamente aos seus pedidos.Com estes exemplos, S. Marcos diz-nos que, qualquer que seja a porção de dor que nos afecte ou de morte que nos habite, Deus dir-nos-á sempre o que disse à menina, filha de Jairo: “levanta-te e anda”. Mas ainda que não sejamos atendidos nos pedidos de saúde, ou outros, Deus não deixará de nos dar a força e a coragem necessárias, para levarmos a cruz, serenamente confiantes, ainda que nos seja particularmente pesada. P. Fausto in Diálogo nº1740 (XIII Domingo do Tempo Comum – Ano...

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“Ainda não tendes fé?”

Ao ouvirmos hoje a Palavra de Deus, sentimo-nos envergonhados porque, como os apóstolos, também julgamos muitas vezes que o Mestre dorme, está longe, não intervém…Quantas vezes temos a impressão de que Deus não se importa muito connosco. Quantas vezes uma doença súbita, a morte de um familiar ou amigo, uma tragédia, não empurram para o desespero e levam a negar a própria existência de Deus?Quantas vezes, diante da injustiça e da violência gritamos vingança, exigimos castigo e acusamos Deus?Ainda há pouco, quando o mundo mais gemia com a pandemia, tantos se interrogavam se Deus não dormia…Em todas as circunstâncias, há que aprender a lição que Jesus deu aos apóstolos para não perdermos a serenidade e a confiança, mesmo nos momentos difíceis, e não merecermos também a censura de Jesus no Evangelho de hoje: “Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?“ P. Fausto in Diálogo nº 1740 (XII Domingo do Tempo Comum – Ano...

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O Reino de Deus

“O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se, noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como”.É assim que Jesus fala de coisas grandes. Sem raciocínios. Com verdade e simplicidade desarmantes, sempre a partir da vida, de modo a fazer-se entender por todos, mesmo os sem instrução. Não admira, pois, que as multidões se acotovelem, tantas vezes, à Sua volta, sedentas de palavras vivas e com sentido.Numa sociedade cada vez mais automatizada e sujeita ao simples premir de botão, num tempo em que “tudo, já e agora” é tarde, falar do Reino de Deus como sementeira realizada pelo lavrador, com cuidados, amor e paciência, sempre na expectativa de boa colheita, tantas vezes não conseguida, é linguagem ultrapassada e incompreensível, mas é a que Jesus adopta para falar da sábia pedagogia de Deus na realização da história da salvação.Deus não desiste de semear, e com abundância, sementes que, devidamente cultivadas no coração de cada um, dão frutos de alegria, paz e fraternidade, frutos preciosos do Reino de Deus em que todos, pelo Baptismo, devemos estar empenhados. P. Fausto in Diálogo n.º 1739 (XI Domingo do Tempo Comum – Ano...

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“Quem é minha Mãe ?”

Celebrado o Pentecostes, retomamos o Tempo Comum e bem cedo damos conta do ambiente difícil em que Jesus desempenha a Sua missão. Por um lado, a multidão que seguia o Senhor sequiosa da Sua palavra; por outro, os escribas que não hesitavam em caluniá-lO como possesso do demónio. Também os próprios familiares não O compreendiam. E os discípulos, no meio de tudo isto, iam fazendo o seu caminho, não sem dificuldades e hesitações.Jesus, porém, sem desânimo, queixumes ou intimidações, prossegue a Sua missão. Não hesita mesmo, sem renegar os Seus parentes, em especial a Sua Mãe, a apelar para um plano superior, onde não contam os laços de sangue, mas a fidelidade à vontade do Pai: “Quem fizer a vontade de Deus, é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.Não parece que todos tenham entendido e acolhido a mensagem, mas a verdade é que Jesus, sem desmerecer os laços familiares, aproveita, desde logo, para dizer que não são os títulos e brasões de família, a riqueza, a posição social, ou outra qualquer coisa, que dão estatuto a uma pessoa, mas sim o facto de sermos Filhos de Deus. É isso que nos enobrece, Independentemente das circunstâncias. Ainda que às vezes nos custe. P. Faustoin Diálogo n.º 1738 (X Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Deus verdadeiro…

Com a Solenidade da Santíssima Trindade retomamos o Tempo Comum, o mais longo do ano litúrgico. É o regressar à normalidade com os olhos postos em Jesus, arauto e peregrino do Reino e nossa referência permanente no quotidiano surpreendente e muitas vezes doloroso.“Neste vale de lágrimas “, como se diz na Salvé Rainha, faz-nos sempre muito bem a frase de Jesus, proferida em contexto de envio e despedida, hoje recordada no Evangelho: “Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos”. Nunca a esqueçamos, porque é como se Jesus nos dissesse: nos teus sonhos e ilusões, nos medos e frustrações, estou presente. Quando te sentes abandonado e só, estou presente…“Eu estarei convosco todos os dias”, assegura Jesus. Sempre. Sem condições, nem sermões. Em todas as circunstâncias, mesmo de dúvidas.É este o Deus em que acreditamos, apesar da nossa incapacidade de abarcar o mistério de Deus, Uno e Trino. Deus, verdadeiramente Uno e Único, é Trindade. É Pai, Filho e Espírito Santo. É Família. É Comunhão e não solidão.É este Deus revelado por Jesus Cristo, que nos torna da sua família pelo Baptismo, que celebramos festivamente neste domingo. P. Fausto in Diálogo nº. 1737 (Solenidade da Santíssima Trindade – Ano...

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