“A seara é grande…”

“Jesus ao ver as multidões encheu-se de compaixão”. E que lhes oferece? Discursos, normas, ameaças, promessas? Oferece a sua piedade e inaugura o ministério da compaixão. E é para esse ministério que convoca os doze, porque “a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos”.O que é a seara de que fala Jesus? É a seara das pessoas cansadas, abatidas, sem pastor, sem esperança, das vagas de refugiados e emigrantes abandonados à sua sorte e sujeitos ao poder e à corrupção dos poderosos… É a essa seara que Jesus envia os doze, fazendo-os operários de um trabalho que o próprio Jesus sintetiza no Evangelho deste domingo em 6 verbos: proclamar, curar, ressuscitar, sarar, libertar, dar. Tudo verbos cuja conjugação nos exige gestos concretos que anunciam e revelam o Deus próximo, que não se demonstra com raciocínios e discursos, mas com a vida.Pedir ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara não é um convite a rezarmos só pelas vocações sacerdotais, religiosas ou missionárias, porque a seara cresce para lá da sacristia e dos adros das nossa Igrejas. E é para essa seara que Jesus pede operários. E todos somos chamados. E nunca somos demais. P. Fausto in Diálogo n.º 1961 (Domingo XI do Tempo Comum – Ano...

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“Segue-me”

Reentrados há pouco no Tempo Comum, assistimos a um encontro improvável: “Jesus ia a passar, quando viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança dos impostos, e disse-lhe: Segue-me. Ele levantou-se e seguiu Jesus“.Todos ficaram admirados. Na cidade, todos desfilavam diante daquele homem, duplamente detestado pela profissão que exercia a favor do ocupante romano. Agora é ele que se levanta, deixa o seu negócio e os seus milhões, e vai.O olhar de Jesus nada tem a ver com o dos contribuintes, tem qualquer coisa de diferente. Sem promessas e sem discursos, apenas um verbo: “Segue-me“.Se Mateus tivesse olhado só para si não se teria movido, faria contas certamente ao negócio ou ter-se-ia refugiado na sua indignidade ou impreparação, mas, aceitando o desafio, ganhou vida nova e transformou a sua casa em lugar de comunhão e de festa.Agora não são os ricos e poderosos a sentarem-se à mesa. Agora a casa enche-se de publicanos e de pecadores e proporciona a Jesus ocasião para a Sua mais bela e feliz mensagem: “Prefiro a misericórdia e não o sacrifício. Não vim para os sãos mas para os doentes“. P. Fausto in Diálogo n.º1960 (Domingo X do Tempo Comum – Ano...

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Deus Uno e Trino

Ao reentrarmos no Tempo Comum, interrompido com a Quaresma e o Tempo Pascal, dedicamos o primeiro domingo livre a celebrar a SANTÍSSIMA TRINDADE: “UM SÓ DEUS EM TRÊS PESSOAS”.Se perguntarmos a um cristão, “em quem é que tu acreditas?”, a resposta esperada é: Creio em Deus Pai, creio em Jesus Cristo, seu Filho, creio no Espírito Santo. O apóstolo João, porém, dá uma resposta diferente: o cristão é aquele que crê no amor. E tem razão, porque o caminho para se chegar à Trindade não é o das fórmulas ou dos conceitos, mas o da experiência.Para quem não acredita no amor, Deus é um só e não relação e comunhão e arrisca-se a uma vida sem beleza, sem sentido, sem fecundidade, sem encanto. Tudo ao contrário do que o Evangelho de hoje nos diz: “Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho Unigénito… não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele”.Contemplando o mistério de “Deus Uno e Trino”, descobrimos que os verbos amar e dar se equivalem e que na vida somos tão mais felizes quanto menos nos interrogarmos sobre o que podemos receber dos outros e mais sobre o que nós próprios podemos dar aos outros para serem felizes. Assim mostramos que somos “criados à imagem e semelhança de Deus”. P. Fausto in Diálogo n.º 1959 (Solenidade da Santíssima Trindade – Ano...

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Vinde Espírito Santo

Cinquenta dias depois da Páscoa aconteceu algo que mudou radicalmente os apóstolos: um grupo desiludido, amedrontado e barricado em casa, encontra de repente a audácia para enfrentar a cidade e para pregar abertamente uma coisa inacreditável: “Aquele Jesus que matastes está Ressuscitado !” (Act. 4,10)E não eram profissionais da palavra, nem tinham dotes especiais de oratória ou frequência de qualquer escola teológica, apenas gente humilde que buscava na pesca o sustento da família.Não se apoiavam na sua sabedoria ou habilitações académicas, mas em algo diferente, que, como conta o livro dos Actos dos Apóstolos, os fazia passar por ébrios, ultrapassando os limites do razoável. Esse algo, que armou os seus corações e os enche ao ponto de parecerem embriagados, é o Espírito Santo.Aquilo que sucedeu, cinquenta dias depois da Páscoa em Jerusalém, continua a acontecer na Igreja, ainda que seja grande o número de baptizados que, embora confirmados, encerram o Espírito Santo na arca ou no congelador do frigorífico das suas casas. P. Fausto in Diálogo nº. 1958 (Solenidade do Pentecostes – Ano...

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E agora ?

A Ascensão é uma festa difícil, porque se trata da partida de alguém muito querido, que os discípulos ouviram e acompanharam alguns anos e que, após uma semana dramática de paixão e morte na cruz, reconhecem agora Ressuscitado. Apesar de tudo, alguns ainda duvidam.O Senhor, que ainda no domingo passado garantia que nunca nos deixaria órfãos, não foi refugiar-se num qualquer recanto cósmico, não partiu para lá das nuvens, mas para lá das formas. Por incrível que pareça está mais próximo, porque, se antes estava fisicamente junto dos seus, agora está dentro deles.E agora? Agora regressa ao Pai e deixa um grupinho de homens, com alguns ainda amedrontados e desconfiados, e um pequeno grupo de mulheres fortes e fiéis, a quem confia o mundo e a continuidade da Missão: “Baptizai e ensinai a viver tudo quanto vos mandei”.A mesma Missão cabe-nos hoje assumir, apesar dos nossos medos, resistências e infidelidades, graças ao Espírito Santo que o Ressuscitado, antes de partir, prometeu enviar. Agora o tempo é nosso. Agora é a nossa vez. P. Fausto in Diálogo nº. 1957 (Solenidade da Ascensão do Senhor – Ano...

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“Não vos deixarei órfãos”

A conclusão que podemos tirar do Evangelho do domingo que precede a solenidade da Ascensão do Senhor é a de que o homem pode dizer não a Deus, inclusivé pode negá-lo, mas Deus não pode dizer “não” ao homem. Se o fizesse negar-se-ia a si mesmo.Não se trata de conclusão leviana a partir de frases feitas para amenizar o ambiente de despedida, mas certeza consoladora de um claro compromisso de amor e fidelidade assumido por Jesus: “Não vos deixarei órfãos“.Não sois agora órfãos, nem nunca sereis, parece-nos dizer Jesus, mas acrescenta “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos”. Não se trata de uma imposição, de mais uma ordem, mas de uma constatação e esclarecimento para quem quer ser realmente Seu discípulo.Assim sendo, não se compreendem os cristãos “à carta”, de conveniência, de oportunidade ou de circunstância, porque os verdadeiros discípulos amam, testemunham e vivem a Fé com fidelidade, com esperança e com alegria, mesmo quando a vida não sorri e as lágrimas correm pelo rosto. P. Fausto in Diálogo nº. 1956 (Domingo VI da Páscoa – Ano...

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Um lugar para todos !

Aos apóstolos, habituados à visita dominical, Jesus é peremptório: “Não se perturbe o vosso coração… Acreditai em mim… Vou preparar-vos um lugar, para que, onde Eu estou, estejais vós também”.Como são reconfortantes estas palavras de Jesus, que, ao ver claros sinais de preocupação no rosto dos discípulos, assegura que vai preparar, na casa do Pai, um lugar quente, familiar, acolhedor, feliz e aberto a todos. Um lugar de comunhão, de alegria e de festa !Sim, tudo muito bem… mas onde, por onde e quando? A este respeito, Jesus responde a Tomé: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”.Nunca ninguém disse “eu” com a força de Jesus que arremata: “Não se perturbe o vosso coração. Tende confiança.”Dirigidas também a nós, estas palavras, se inspirassem o nosso primeiro pensamento matinal, bem diferentes tornariam os nossos dias, em que por vezes nos levantamos à pressa e corremos para o trabalho, sem levantar sequer um pensamento para Deus. P. Fausto in Diálogo nº. 1955 (Domingo V da Páscoa – Ano...

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O Bom Pastor

O Evangelho do 4° Domingo da Páscoa, conhecido também como o Domingo do Bom Pastor, tem palavras que ouvimos dos próprios lábios de Cristo a indicar como Ele, claramente, concebe e exerce o ofício de pastor: “chama as suas ovelhas cada uma delas pelo seu nome, caminha à sua frente e leva-as para fora”.Assim se revela Jesus, que nos conhece mais que nós mesmos e sabe do que somos capazes. Não nos julga e, em vez disso, chama-nos. Chama cada um pelo nome e leva-nos para fora. Para a liberdade. Para a felicidade.Assim é Jesus, o Bom Pastor. Não é um Deus de sacristia e recintos fechados, mas Pastor de liberdade, que não quer ninguém encerrado por medo, porque sabe que nunca se escolhe nada de relevante na vida por medo, por muito justificado que seja.O nosso Pastor caminha à nossa frente e não atrás. Não é um Pastor que espicaça, ralha ou ameaça para se fazer seguir, mas um Pastor que nos precede, que seduz com o seu caminhar, que fascina com o seu exemplo e, se paramos, senta-se e espera-nos sorridente.Este é o nosso Pastor, Jesus, o Ressuscitado, que caminha connosco e nos diz amorosamente quando caímos ou desanimamos: Vem daí, levanta-te e anda. “Eu estou sempre contigo.” P. Fausto in Diálogo nº. 1954 (Domingo IV da Páscoa (Domingo do Bom Pastor) – Ano...

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De coração ardente !

De Jerusalém a Emaús bastam duas horas de caminho em ritmo acelerado. Foi o tempo gasto por dois jovens, na tarde do Domingo de Páscoa, quando regressavam a casa desiludidos e com ar muito triste.Apesar de terem seguido com entusiasmo e escutado Jesus, com atenção, tantas vezes, agora, no coração, só há vazio, silêncio e perguntas sem resposta. Tudo parece ter acabado em sexta-feira.Tudo, porém, se alterou com a presença discreta e luminosa do forasteiro que os ajudou, enquanto caminhavam, a entender que a cruz não foi mero resultado de um processo iníquo ou ponto final numa existência de puro altruismo, mas plenitude do amor, que muda a compreensão de Deus e dos homens.A palavra, que lhes inflamou o coração no caminho, e o pão partido em casa, que lhes abriu os olhos, fizeram-nos voltar para Jerusalém. E a triste fuga de ambos torna-se agora jubilosa corrida. Já não há fadiga nem noite, apenas pressa em comunicar aos onze a BOA NOVA surpreendente de que ELE ESTÁ VIVO.Reconhecêmo-LO nós também, em cada domingo, na Missa em que participamos? P. Fausto in Diálogo nº. 1953 (Domingo II da Páscoa – Ano...

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As dúvidas de Tomé !

Os apóstolos, passados oito dias da primeira aparição do Ressuscitado que lhes ofereceu o dom da Reconciliação e da Paz, continuam vencidos pelo medo, mas, apesar das portas bem trancadas, Jesus visita-os de novo, com Tomé, desta vez, também presente.Sem delongas, depois da saudação pascal, Jesus dirige-se a Tomé: “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo mas crente“. Três verbos simples e concretos: olha, põe, toca! Não há recriminações nem sermões. Não há ordens. Apenas compreensão e disponibilidade para a mais bela e fecunda experiência.Aquele que antes duvidava e exigia a prova dos factos, passa agora da incredulidade ao êxtase: “Meu Senhor e meu Deus“.Na mão de Tomé, que certamente treme enquanto se aproxima dos sinais do amor, estão também todas as nossas mãos e as nossas dúvidas. Consola-nos, porém, a Bem-aventurança com que termina o Evangelho do Domingo da Misericórdia: “Felizes os que acreditam sem terem visto”. P. Fausto in Diálogo nº. 1952 (Domingo II da Páscoa (da Divina Misericórdia) – Ano...

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