Das pedras à luz

Do deserto de pedras ao monte da luz. Da tentação à transfiguração. Eis o caminho que nos indica o Evangelho dos dois primeiros domingos da Quaresma, para que esta seja, mais que tempo de luto e penitência, conversão à luz.Agora é o tempo favorável da nossa transfiguração, o tempo de nos virarmos para a LUZ !A LUZ não é nossa, mas se nos expusermos e montarmos a nossa tenda diante de Cristo Luminoso, a escuta da Palavra, a Oração mais fervorosa e a Caridade mais diligente, tornar-nos-ão também luminosos, como os apóstolos.Se assim for, estaremos, ao fim da Quaresma, mais preparados para celebrar a Páscoa, que fará rolar a pedra e cantar a certeza de que a noite foi vencida para sempre. P. Fausto in Diálogo nº. 1946 (Domingo II da Quaresma – Ano...

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Tentações !

No Evangelho do 1° Domingo da Quaresma somos sempre convidados a acompanhar Jesus ao deserto, onde, tentado pelo demónio, jejuou 40 dias, teve fome e passou frio. Apenas o Espírito Santo estava presente.Tentação, palavra fora de moda, que a publicidade usa a propósito de coisas fúteis, tem um significado muito importante e actual: significa escolher como viver, ordenar as próprias escolhas, pois é escolhendo que somos livres.Com a primeira tentação, Jesus quebra a ilusão de que os bens, por si só, enchem a vida. O pão é um bem inquestionável, é verdade, mas Jesus aumenta a parada ao dizer que “nem só de pão vive o homem”. O pão é bom, contudo melhor é a Palavra de Deus, que suscita no coração humano sede e fome de céu.Mas não se fica por aqui o diabo, que, de Bíblia na mão, no pináculo do templo, desafia: “atira-te daqui abaixo”, pois Deus tomará conta de ti. Aquilo que parecia o mais elevado acto de fé e confiança em Deus, não passa de uma caricatura, uma pura busca do próprio proveito.Por fim, o diabo eleva ao máximo a parada: “tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares”. O diabo, ao contrário de Deus, entra em negociações com o homem e promete-lhe dinheiro fácil, uma poltrona cómoda, um pouco de poder. Tudo efémero, a troco, tantas vezes, do desrespeito pela dignidade da própria pessoa! P. Fausto in Diálogo nº. 1945 (Domingo I da Quaresma – Ano...

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Cuidar o coração !

Se as Bem-aventuranças nos parecem difíceis de praticar, o Evangelho de hoje não fica atrás. Consola-nos, porém, a palavra de Jesus, também de Mateus (11, 28): “Vinde a mim, todos vós que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei”, a garantir-nos que o Evangelho é também para gente normal e não só para heróis.Não se trata de uma nova moral, mais exigente, ou de uma nova lei, mas, ao anunciar princípios, que radicalmente mudam o estilo de vida apenas regido pelo permitido e proibido, Jesus vai ao fundo e aponta horizontes de heroicidade possíveis a quem não se contenta com parâmetros de mediania.No Evangelho deste Domingo, Jesus, ao dizer que não vem revogar mas completar tudo, quer chamar a nossa atenção para a importância do coração, que é preciso cuidar como verdadeiro laboratório, de onde se gera o que no dia a dia se expressa por pensamentos, palavras, actos e omissões.Preparemo-nos, então, porque, o que Deus verdadeiramente nos pede, desde o princípio da Quaresma, é a conversão do coração, a que nos desafia o rito da imposição das Cinzas. P. Fausto in Diálogo nº. 1944 (Domingo VI do Tempo Comum – Ano...

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Sal da terra e luz do mundo !

Depois da proclamação das Bem-aventuranças, Jesus volta a surpreender-nos ao dizer aos discípulos: “Vós sois o sal da terra. Vós sois a luz do mundo”.Não diz vós deveis ser ou esforçai-vos por ser… mas Vós sois já luz, porque a luz não é favor ou dever, mas fruto espontâneo de quem respira Deus.Apesar dos nossos limites, também a nós, neste domingo, Jesus diz que somos luz do mundo e sal da terra, não por mérito, mas por graça de Deus que nos capacita a tornar nosso o programa de vida das Bem-aventuranças.Alerta-nos, porém, para a eventualidade de nos tornarmos insignificantes, apagados ou insípidos. Neste caso para que serve o sal no saleiro ou a luz debaixo do alqueire? Absolutamente para nada.Estamos às portas da Quaresma. Não será oportuno desde já começar a pensar no nosso programa de vida pessoal e familiar quaresmal ? P. Fausto in Diálogo nº. 1943 (Domingo V do Tempo Comum – Ano...

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Em contramão…

Seguramente que não encontraremos ninguém que não queira ser feliz, mas há caminhos e caminhos… e nem todos respondem ao mais profundo dos nossos desejos.Jesus dá-nos a sua resposta no Evangelho de hoje, como de costume inesperada, contra a corrente, quase a deixar-nos sem fôlego: bem-aventurados os pobres, os mansos, os que lutam pela justiça, os promotores da paz, os puros, os que escutam pacientemente…As Bem-aventuranças parecem-nos poeticamente fascinantes, mas depressa nos apercebemos de que, nesta terra tão agressiva e dura, Jesus propõe o manifesto mais difícil e perturbador, mais em contramão, que se possa imaginar. No entanto, já é feliz quem não se escandaliza com esta proposta completamente diferente de ser homem, de um mundo feito de paz, de sinceridade, de justiça, de corações puros…O mundo não se manterá, sob a lei do mais forte e do mais rico, mas daquela multidão silenciosa, que, não vindo nos jornais, nem participando nos foros internacionais, constrói a paz no trabalho, em casa, nas instituições, perdoa e ajuda, tem fome de justiça para si e para os outros e cultiva a honestidade, até nas pequenas coisas…São estes e não os exércitos armados dos povos mais fortes que constroem o mundo com mais paz, justiça e fraternidade, porque, para este mundo que sonhamos, são construtores só os que fazem das Bem-aventuranças o seu programa de vida. P. Fausto in Diálogo nº. 1942 (Domingo IV do Tempo Comum – Ano...

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“Vinde e segui-Me”

Apresentado e batizado por João Baptista, Jesus, sem perder tempo, começa a percorrer a Galileia anunciando a Boa Nova e curando todo o tipo de doenças. A sua mensagem fresca, clara, feliz e radiosa, batia fundo no coração dos ouvintes.Não se estranha, pois, a pronta e generosa resposta dada por Pedro e por seu irmão André e, pouco mais à frente, por Tiago e João. Dois pares de irmãos, dois barcos e o mesmo convite: Vinde após Mim. Uns e outros deixaram tudo !Como Jesus não deixa ainda de convidar quem, apesar das suas debilidades, aceite dar rosto e voz à mensagem salutar do Evangelho, aproveitaremos mais intensamente esta Semana para pedir o dom das Vocações Consagradas.Num tempo em que os grandes disputam a casa comum entre si para mais facilmente a explorar, numa sociedade cada vez mais individualista em que a solidariedade, a justiça, o respeito de uns pelos outros… se tornam valores mais raros no vocabulário existencial de pessoas, instituições, povos e nações, a Boa Nova do Evangelho quer gente corajosa, feliz e generosa, para fazer chegar ao coração dos homens e mulheres deste tempo a novidade sempre radiosa da Mensagem de Jesus. P. Fausto in Diálogo nº. 1941 (Domingo III do Tempo Comum – Ano...

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Eis o Cordeiro de Deus…

No domingo passado com a celebração do Baptismo de Jesus terminou o Tempo de Natal. E agora? Á questão responde João Baptista: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”.Repetidas sempre na Missa, estas palavras representam uma viragem total trazida por Jesus. Na verdade, em todas as religiões o homem sacrifica sempre algo por Deus, agora, porém, é Deus que se torna cordeiro, vítima, sacrifício pelo homem.Solidário e contemporâneo de todos os homens, é apresentado como Cordeiro que tira o pecado do mundo. O verbo não é passado ou futuro, mas presente.Aqui chegados, começa o “nosso trabalho de casa”: acompanhar a par e passo e aprender de Jesus regras de vida incomuns, que tiram o pecado do mundo, vencem as guerras, constroem a paz, promovem a fraternidade…Estamos dispostos a ouvir a Sua mensagem e a segui-Lo? Ninguém melhor nos pode ajudar nesta tarefa de todos os dias e de todos os tempos. P. Fausto in Diálogo nº 1940 (Domingo II do Tempo Comum – Ano...

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E agora ?

Sim, “vimos a Sua estrela”, tivemos por estes dias mesa farta e casa aberta aos amigos. Apesar do frio, sentimos o calor da lareira e da amizade de uns com os outros. Trocámos prendas e tudo. Foi bom o Natal deste ano.E agora? Terá valido a pena tantos preparativos, canseiras e investimentos? O que fica de tudo isto?A lição dos Magos é para levar a sério. Há que regressar ao quotidiano “por outro caminho”. Se não for, tudo ficou na festa, sem nada ficar para a vida. Assim, adeus natal até ao ano.Para nós, cristãos, Jesus nasceu, mas estamos dispostos a ouvi-Lo, dispostos a segui-Lo, dando ouvidos à voz do Alto que neste Domingo nos convida a acompanhar e seguir Aquele que aceita o Baptismo de João no deserto?Preparemo-nos. A caminhada não será fácil, mas será exaltante, porque o final será de Ressurreição e Festa. P. Fausto in Diálogo nº. 1939 (Festa do Baptismo do Senhor – Ano...

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“Nós vimos a sua estrela” !

“Onde está, perguntaram os Magos vindos do Oriente, o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela… Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado”.Herodes vivia em Jerusalém, a pouca distância de Belém, tinha acesso às Escrituras, tinha possibilidade de interpretar os sinais do Messias, e, contudo, tudo lhe escapa. Ele não vê a estrela, nem ouve os anjos, porque olhará para o Menino como ameaça, apostado como está em eliminar todos os obstáculos ao seu poder.Ao contrário de Herodes, os Magos desinstalados, de coração desarmado, sábios e curiosos, lançam-se à aventura de caminhos desconhecidos, sempre atentos ao que se passa para lá das suas fronteiras. Como não aprender com estes personagens, que, deixando de ver a estrela, transformam as crises em expectativa, em abertura, em procura?Mais um ano à nossa frente. Haverá momentos de tudo, luminosos e sombrios quando nos parece que a estrela se esconde, mas o importante é não abandonarmos a viagem.Evidências e momentos luminosos fazem parte do nosso percurso, mas também os de obscuridade, de dúvidas e de fragilidades. Apesar de tudo isto, seguirá sempre à nossa frente a Luz Santa do Natal. P. Fausto in Diálogo nº. 1938 (Solenidade da Epifania do Senhor – Ano...

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“Levanta-te”…

Bem depressa o Natal se torna dramático, porque Herodes procura o Menino para o matar. E José, depois do sonho, “levantou-se de noite, tomou o Menino e sua Mãe e partiu para o Egipto“. Não há garantias de futuro, não há indicações sobre o caminho, nem data para o regresso.José, que não hesita nem pede para ver tudo claro, mas apenas se apressa porque a vida do Menino corre perigo, representa todos os justos da terra, homens e mulheres, que, sem contar medos e fadigas, se entregam por amor a cuidar dos outros.A fuga da Família Sagrada, de noite, para o Egipto, sugere-nos que Deus não veio para nos proteger ou livrar do deserto, mas garantir que nos nossos desertos e noites, nunca falte a força, a coragem e a confiança necessárias, para prosseguirmos na realização do sonho de Deus a respeito de cada um e de todas as famílias da terra.Para todas as Famílias, especialmente às da Paróquia, peço a abundância das Graças do Céu e formulo votos de um Abençoado ano de 2026. P. Fausto in Diálogo nº. 1937 (Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José – Ano...

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