“O Reino dos Céus” continua a ser o tema central das parábolas de Jesus, dirigidas especialmente aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo. Desta feita, o “assunto” da catequese é um banquete, minuciosamente preparado por um rei em homenagem ao seu filho.Tudo foi preparado para que a festa fosse verdadeiramente um “banquete de estado”, mas a sala, à hora, permaneceu vazia e triste, porque os convidados não apareceram! Mas o rei não desistiu.Assim é Deus, o nosso Deus, Deus da Comunhão, que vive para criar alegria, mas partilhada, diz aos servos: ide por ruas, becos e vielas…, e convidai todos os que encontrardes. É dispensado o fato de cerimónia, mas a roupa, mesmo que usada, tem de ser limpinha e cheirosa. Todos são bem-vindos. “E a sala do banquete encheu-se de convidados”.Deus não se cansa de nós, e o Seu convite, parecendo casual, exprime precisamente a vontade de que ninguém seja excluído. Podemos aceitar ou não, mas, quem não aceitar arrisca-se a ser excluído. Porque Deus respeita a nossa liberdade. P. Fausto in Diálogo n.º 1970 (Domingo XXVIII do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreA parábola da vinha deste domingo dá que pensar. A vinha é Israel, mas não é só. Somos nós todos. Somos vinha e desilusão de Deus, que, cuidando devidamente da vinha que somos, na expectativa de bons frutos, na hora das vindimas são mais os cardaços.Deus, que fez tudo por nós, esperando boas uvas, continua a sonhar não com uma história em que a vinha, cuidada com tanto amor, não produza uvas vermelhas de sangue e amargas de lágrimas ou cardaços secos, que para nada mais prestam, mas uvas de boa qualidade, com frutos de bondade, de justiça, de alegria, de paz…Este é o sonho de que Deus não desiste, apesar das nossas dúvidas, resistências e infidelidades. A sua realização depende de mim e de ti, Depende de todos nós. P. Fausto in Diálogo n.º1969 (Domingo XXVII do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreA parábola deste domingo refere um lavrador que se dirige a cada um dos filhos: “Filho, vai hoje trabalhar na vinha”.Um, de imediato, respondeu: “Não quero”, mas arrependeu-se e foi. O outro dispôs-se a ir, mas não foi.Talvez o primeiro seja rebelde, mas reflectiu e obedeceu, enquanto o segundo, pensando cair nas boas graças, não passa de mero servil. Ambos fazem do pai um patrão, um pai que só sabe dar ordens, a quem importa obedecer cegamente.Na parábola dirigida aos príncipes dos sacerdotes e anciãos do povo, Jesus, com clareza e sem rodeios, termina com uma das frases mais duras, mas também mais consoladoras, “Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o Reino de Deus”.A frase não é apenas dura para a gente “bem comportada”, instruída e importante daquele tempo, mas também para nós, que muitas vezes dizemos, aconselhamos e celebramos o que não vivemos. Para “os cristãos de fachada” fica, então, o vigoroso alerta do Evangelho deste domingo. P. Fausto in Diálogo nº. 1968 (Domingo XXVI do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreO Evangelho dos próximos três domingos apresenta-nos Jesus a contar parábolas sobre a vinha.O Evangelho, aliás, está cheio destas imagens que nos fazem entender que somos simultâneamente a vinha e também os operários da mesma, chamados a colaborar no projecto de Deus, que, desde o amanhecer até à noite, vem à nossa procura, sem nunca se cansar. E na hora do pagamento começa pelos últimos, dando-lhes o mesmo que aos primeiros.Deus não é um patrão, nem mesmo contabilista, é o Deus da bondade sem razões, que não hesita transgredir as regras do mercado, apenas porque é bom. É um Deus surpreendente para uns, e para outros parece injusto, porque não segue a lógica da justiça, para nos dar mais.Cuidado, pois, com a mentalidade farisaica que está muito dentro de nós, porque somos bons, rezamos muito, damos muitas ofertas e fazemos sacrifícios, enquanto outros não dão a Deus quase nada, estranhamos que as contas finais não sejam quantitativas. Não são, de facto, quantitativas, porque a Bondade do Senhor da vinha ultrapassa, contra todas as expectativas, os limiares da justiça. P. Fausto in Diálogo nº. 1967 (Domingo XXV do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreJesus ama os campos de trigo e alegra-se com as grandes extensões de espigas, com papoilas pelo meio, onde, como na parábola deste domingo, cresce também o joio semeado por um mau vizinho. E a seara cresce e o tempo da ceifa aproxima-se. E agora?Os servos perguntam ao patrão: “Queres que vamos arrancar o joio? Não! – disse ele – não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo. Deixai-os crescer ambos até à ceifa.”Duas formas de ver o problema e resolver a situação: os servos vêem, antes de mais, as ervas daninhas, o negativo, o perigo, e o patrão, pelo contrário, vê em primeiro lugar o trigo, apesar do joio.O Deus que Jesus revela nesta parábola não se mostra severo, exigente e duro, mas doce, compreensivo, paciente, ainda que ao fim, no tempo da colheita, o trigo seja para guardar e o joio para queimar.Todos temos trigo e joio. Todos devemos cultivar a Indulgência, porque não há ninguém sem joio no coração, isto é, sem defeitos. Todos chamados à santidade, mas santos são apenas os que procuram cobrir o mal com o bem que fazem. P. Fausto in Diálogo nº. 1966 (Domingo XVI do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreCada um de nós, criado à imagem e semelhança de Deus, é um torrão de terra boa, apta para dar vida às sementes de Deus.Contudo, tornamo-nos tantas vezes como um caminho de terra batida, com pedras, mato e silvas, e cultivamos no coração espinheiros em vez de árvores de bom fruto. Assim, sempre a correr e controlados pelo relógio, como pode em nós frutificar a Palavra de Deus, que nos pede um minuto de paragem, de silêncio, de contemplação?Um coração apressado é um coração que não vê, não acolhe, não aprofunda, não conserva, é um coração que vive no mundo de sensações e imediatismos, incapaz de descobrir e saborear as coisas simples e belas da vida.O centro, porém, da parábola não está em nós, nos nossos erros, resistências, ilusões e frustrações, mas na generosidade de Deus, que, apesar das pedras e da aridez da nossa existência, não se cansa de semear, vendo sempre em cada um de nós terra capaz de acolher, florescer e frutificar.Este é o nosso Deus, o Deus revelado por Jesus Cristo, que, semeando generosamente na nossa vida, tão pouco de nós recolhe. Apesar de tudo não desiste. Ama-nos sem medida e semeia sem cansar. P. Fausto in Diálogo n.º1965 (Domingo XIV do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreO Evangelho deste domingo faz supor que o ambiente à volta de Jesus começa a ser de incompreensão, senão mesmo de hostilidade e rejeição. Entretanto, João fora preso, e a mensagem confirmada por tantos milagres não era acolhida.Consciente deste ambiente, Jesus não se atemoriza, antes aproveita a ocasião para nos dirigir o mais precioso dos conselhos: “Vinde a mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei”. Aqui não há obrigações nem proibições, mas apenas a certeza de paz, quando o cálice das dificuldades e do sofrimento nos parece transbordar.“Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração”, isto é, aprendei do meu modo de amar sem arrogância e sem violência, porque o repouso da existência nasce desse amor manso e humilde, que espalha à volta um sentimento de serenidade e de paz no calor da vida.Se a literacia académica é importante para o sucesso, muito mais importante é aprofundar a literacia do coração para um projecto de vida alegre, pacífico e feliz. É isso que hoje, particularmente, nos ensina Jesus. P. Fausto in Diálogo nº. 1964 (Domingo XIV do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreTiradas do seu contexto, as palavras de Jesus dirigidas aos apóstolos, enviados em missão, são demasiado exigentes e podem-nos assustar.Apesar de proferidas ao arrepio de sonhos e realidades do nosso mundo, Jesus não adocica as palavras, nem baixa a fasquia das exigências e mantém o que disse: “Quem ama o pai, a mãe… o filho ou a filha, mais que a mim, não é digno de mim. Quem não toma a sua cruz para me seguir, não é digno de mim… quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la”. Jesus conhece-nos bem, e, para não assustar ninguém, acrescenta uma frase dulcíssima: “E se alguém der de beber, nem que seja um copo de água fresca… não perderá a sua recompensa”.A cruz e um copo de água. Dar tudo, toda a vida, e dar quase nada, são dois extremos de um mesmo movimento, que nos ajuda a descobrir que na lógica do Evangelho amar traduz-se pelo verbo dar.Se até um copo de água fresca é recompensado, quanto maior não será a recompensa daqueles que põem Deus acima de tudo e de todos e que jogam a vida pelo Evangelho!Não seremos todos chamados ao martírio, mas, porque baptizados, deveríamos estar sempre dispostos a dar razões da nossa fé e da nossa esperança, até, se fosse necessário, com o preço da própria vida. P. Fausto in Diálogo nº. 1963 (Domingo XIII do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreJesus abre hoje o coração e revela-nos um Deus que até cuida dos passarinhos e que se perde na contagem amorosa dos cabelos da nossa cabeça. Imagens da Providência cheias de doçura.Contudo, passarinhos continuam a cair, inocentes continuam a morrer, crianças continuam a ser vendidas, exploradas e arrancadas à vida mal levantam voo… Apesar de tudo isto, Jesus diz tranquilamente: “Não temais os que matam o corpo, não tenhais medo dos homens, não sintais temor”.Ele sabe que a realidade dolorosa e imensamente dramática em que vivemos nos atemoriza, também sabe que o medo faz parte da fé, mas, a avaliar pela sua experiência de agonia, no jardim das oliveiras, não se deixou vencer pelo medo, antes se abandonou nas mãos do Pai: “Seja feita a Tua vontade“.Muitas, demasiadas coisas acontecem contra a vontade de Deus, mas nada acontece sem que Deus o saiba, porque “até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temais”. P. Fausto in Diálogo nº. 1963 (Domingo XII do Tempo Comum – Ano...
Learn More“Jesus ao ver as multidões encheu-se de compaixão”. E que lhes oferece? Discursos, normas, ameaças, promessas? Oferece a sua piedade e inaugura o ministério da compaixão. E é para esse ministério que convoca os doze, porque “a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos”.O que é a seara de que fala Jesus? É a seara das pessoas cansadas, abatidas, sem pastor, sem esperança, das vagas de refugiados e emigrantes abandonados à sua sorte e sujeitos ao poder e à corrupção dos poderosos… É a essa seara que Jesus envia os doze, fazendo-os operários de um trabalho que o próprio Jesus sintetiza no Evangelho deste domingo em 6 verbos: proclamar, curar, ressuscitar, sarar, libertar, dar. Tudo verbos cuja conjugação nos exige gestos concretos que anunciam e revelam o Deus próximo, que não se demonstra com raciocínios e discursos, mas com a vida.Pedir ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara não é um convite a rezarmos só pelas vocações sacerdotais, religiosas ou missionárias, porque a seara cresce para lá da sacristia e dos adros das nossa Igrejas. E é para essa seara que Jesus pede operários. E todos somos chamados. E nunca somos demais. P. Fausto in Diálogo n.º 1961 (Domingo XI do Tempo Comum – Ano...
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