Jesus ama os campos de trigo e alegra-se com as grandes extensões de espigas, com papoilas pelo meio, onde, como na parábola deste domingo, cresce também o joio semeado por um mau vizinho. E a seara cresce e o tempo da ceifa aproxima-se. E agora?Os servos perguntam ao patrão: “Queres que vamos arrancar o joio? Não! – disse ele – não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo. Deixai-os crescer ambos até à ceifa.”Duas formas de ver o problema e resolver a situação: os servos vêem, antes de mais, as ervas daninhas, o negativo, o perigo, e o patrão, pelo contrário, vê em primeiro lugar o trigo, apesar do joio.O Deus que Jesus revela nesta parábola não se mostra severo, exigente e duro, mas doce, compreensivo, paciente, ainda que ao fim, no tempo da colheita, o trigo seja para guardar e o joio para queimar.Todos temos trigo e joio. Todos devemos cultivar a Indulgência, porque não há ninguém sem joio no coração, isto é, sem defeitos. Todos chamados à santidade, mas santos são apenas os que procuram cobrir o mal com o bem que fazem. P. Fausto in Diálogo nº. 1966 (Domingo XVI do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreCada um de nós, criado à imagem e semelhança de Deus, é um torrão de terra boa, apta para dar vida às sementes de Deus.Contudo, tornamo-nos tantas vezes como um caminho de terra batida, com pedras, mato e silvas, e cultivamos no coração espinheiros em vez de árvores de bom fruto. Assim, sempre a correr e controlados pelo relógio, como pode em nós frutificar a Palavra de Deus, que nos pede um minuto de paragem, de silêncio, de contemplação?Um coração apressado é um coração que não vê, não acolhe, não aprofunda, não conserva, é um coração que vive no mundo de sensações e imediatismos, incapaz de descobrir e saborear as coisas simples e belas da vida.O centro, porém, da parábola não está em nós, nos nossos erros, resistências, ilusões e frustrações, mas na generosidade de Deus, que, apesar das pedras e da aridez da nossa existência, não se cansa de semear, vendo sempre em cada um de nós terra capaz de acolher, florescer e frutificar.Este é o nosso Deus, o Deus revelado por Jesus Cristo, que, semeando generosamente na nossa vida, tão pouco de nós recolhe. Apesar de tudo não desiste. Ama-nos sem medida e semeia sem cansar. P. Fausto in Diálogo n.º1965 (Domingo XIV do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreO Evangelho deste domingo faz supor que o ambiente à volta de Jesus começa a ser de incompreensão, senão mesmo de hostilidade e rejeição. Entretanto, João fora preso, e a mensagem confirmada por tantos milagres não era acolhida.Consciente deste ambiente, Jesus não se atemoriza, antes aproveita a ocasião para nos dirigir o mais precioso dos conselhos: “Vinde a mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei”. Aqui não há obrigações nem proibições, mas apenas a certeza de paz, quando o cálice das dificuldades e do sofrimento nos parece transbordar.“Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração”, isto é, aprendei do meu modo de amar sem arrogância e sem violência, porque o repouso da existência nasce desse amor manso e humilde, que espalha à volta um sentimento de serenidade e de paz no calor da vida.Se a literacia académica é importante para o sucesso, muito mais importante é aprofundar a literacia do coração para um projecto de vida alegre, pacífico e feliz. É isso que hoje, particularmente, nos ensina Jesus. P. Fausto in Diálogo nº. 1964 (Domingo XIV do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreTiradas do seu contexto, as palavras de Jesus dirigidas aos apóstolos, enviados em missão, são demasiado exigentes e podem-nos assustar.Apesar de proferidas ao arrepio de sonhos e realidades do nosso mundo, Jesus não adocica as palavras, nem baixa a fasquia das exigências e mantém o que disse: “Quem ama o pai, a mãe… o filho ou a filha, mais que a mim, não é digno de mim. Quem não toma a sua cruz para me seguir, não é digno de mim… quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la”. Jesus conhece-nos bem, e, para não assustar ninguém, acrescenta uma frase dulcíssima: “E se alguém der de beber, nem que seja um copo de água fresca… não perderá a sua recompensa”.A cruz e um copo de água. Dar tudo, toda a vida, e dar quase nada, são dois extremos de um mesmo movimento, que nos ajuda a descobrir que na lógica do Evangelho amar traduz-se pelo verbo dar.Se até um copo de água fresca é recompensado, quanto maior não será a recompensa daqueles que põem Deus acima de tudo e de todos e que jogam a vida pelo Evangelho!Não seremos todos chamados ao martírio, mas, porque baptizados, deveríamos estar sempre dispostos a dar razões da nossa fé e da nossa esperança, até, se fosse necessário, com o preço da própria vida. P. Fausto in Diálogo nº. 1963 (Domingo XIII do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreJesus abre hoje o coração e revela-nos um Deus que até cuida dos passarinhos e que se perde na contagem amorosa dos cabelos da nossa cabeça. Imagens da Providência cheias de doçura.Contudo, passarinhos continuam a cair, inocentes continuam a morrer, crianças continuam a ser vendidas, exploradas e arrancadas à vida mal levantam voo… Apesar de tudo isto, Jesus diz tranquilamente: “Não temais os que matam o corpo, não tenhais medo dos homens, não sintais temor”.Ele sabe que a realidade dolorosa e imensamente dramática em que vivemos nos atemoriza, também sabe que o medo faz parte da fé, mas, a avaliar pela sua experiência de agonia, no jardim das oliveiras, não se deixou vencer pelo medo, antes se abandonou nas mãos do Pai: “Seja feita a Tua vontade“.Muitas, demasiadas coisas acontecem contra a vontade de Deus, mas nada acontece sem que Deus o saiba, porque “até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temais”. P. Fausto in Diálogo nº. 1963 (Domingo XII do Tempo Comum – Ano...
Learn More“Jesus ao ver as multidões encheu-se de compaixão”. E que lhes oferece? Discursos, normas, ameaças, promessas? Oferece a sua piedade e inaugura o ministério da compaixão. E é para esse ministério que convoca os doze, porque “a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos”.O que é a seara de que fala Jesus? É a seara das pessoas cansadas, abatidas, sem pastor, sem esperança, das vagas de refugiados e emigrantes abandonados à sua sorte e sujeitos ao poder e à corrupção dos poderosos… É a essa seara que Jesus envia os doze, fazendo-os operários de um trabalho que o próprio Jesus sintetiza no Evangelho deste domingo em 6 verbos: proclamar, curar, ressuscitar, sarar, libertar, dar. Tudo verbos cuja conjugação nos exige gestos concretos que anunciam e revelam o Deus próximo, que não se demonstra com raciocínios e discursos, mas com a vida.Pedir ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara não é um convite a rezarmos só pelas vocações sacerdotais, religiosas ou missionárias, porque a seara cresce para lá da sacristia e dos adros das nossa Igrejas. E é para essa seara que Jesus pede operários. E todos somos chamados. E nunca somos demais. P. Fausto in Diálogo n.º 1961 (Domingo XI do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreReentrados há pouco no Tempo Comum, assistimos a um encontro improvável: “Jesus ia a passar, quando viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança dos impostos, e disse-lhe: Segue-me. Ele levantou-se e seguiu Jesus“.Todos ficaram admirados. Na cidade, todos desfilavam diante daquele homem, duplamente detestado pela profissão que exercia a favor do ocupante romano. Agora é ele que se levanta, deixa o seu negócio e os seus milhões, e vai.O olhar de Jesus nada tem a ver com o dos contribuintes, tem qualquer coisa de diferente. Sem promessas e sem discursos, apenas um verbo: “Segue-me“.Se Mateus tivesse olhado só para si não se teria movido, faria contas certamente ao negócio ou ter-se-ia refugiado na sua indignidade ou impreparação, mas, aceitando o desafio, ganhou vida nova e transformou a sua casa em lugar de comunhão e de festa.Agora não são os ricos e poderosos a sentarem-se à mesa. Agora a casa enche-se de publicanos e de pecadores e proporciona a Jesus ocasião para a Sua mais bela e feliz mensagem: “Prefiro a misericórdia e não o sacrifício. Não vim para os sãos mas para os doentes“. P. Fausto in Diálogo n.º1960 (Domingo X do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreAo reentrarmos no Tempo Comum, interrompido com a Quaresma e o Tempo Pascal, dedicamos o primeiro domingo livre a celebrar a SANTÍSSIMA TRINDADE: “UM SÓ DEUS EM TRÊS PESSOAS”.Se perguntarmos a um cristão, “em quem é que tu acreditas?”, a resposta esperada é: Creio em Deus Pai, creio em Jesus Cristo, seu Filho, creio no Espírito Santo. O apóstolo João, porém, dá uma resposta diferente: o cristão é aquele que crê no amor. E tem razão, porque o caminho para se chegar à Trindade não é o das fórmulas ou dos conceitos, mas o da experiência.Para quem não acredita no amor, Deus é um só e não relação e comunhão e arrisca-se a uma vida sem beleza, sem sentido, sem fecundidade, sem encanto. Tudo ao contrário do que o Evangelho de hoje nos diz: “Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho Unigénito… não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele”.Contemplando o mistério de “Deus Uno e Trino”, descobrimos que os verbos amar e dar se equivalem e que na vida somos tão mais felizes quanto menos nos interrogarmos sobre o que podemos receber dos outros e mais sobre o que nós próprios podemos dar aos outros para serem felizes. Assim mostramos que somos “criados à imagem e semelhança de Deus”. P. Fausto in Diálogo n.º 1959 (Solenidade da Santíssima Trindade – Ano...
Learn MoreCinquenta dias depois da Páscoa aconteceu algo que mudou radicalmente os apóstolos: um grupo desiludido, amedrontado e barricado em casa, encontra de repente a audácia para enfrentar a cidade e para pregar abertamente uma coisa inacreditável: “Aquele Jesus que matastes está Ressuscitado !” (Act. 4,10)E não eram profissionais da palavra, nem tinham dotes especiais de oratória ou frequência de qualquer escola teológica, apenas gente humilde que buscava na pesca o sustento da família.Não se apoiavam na sua sabedoria ou habilitações académicas, mas em algo diferente, que, como conta o livro dos Actos dos Apóstolos, os fazia passar por ébrios, ultrapassando os limites do razoável. Esse algo, que armou os seus corações e os enche ao ponto de parecerem embriagados, é o Espírito Santo.Aquilo que sucedeu, cinquenta dias depois da Páscoa em Jerusalém, continua a acontecer na Igreja, ainda que seja grande o número de baptizados que, embora confirmados, encerram o Espírito Santo na arca ou no congelador do frigorífico das suas casas. P. Fausto in Diálogo nº. 1958 (Solenidade do Pentecostes – Ano...
Learn MoreA Ascensão é uma festa difícil, porque se trata da partida de alguém muito querido, que os discípulos ouviram e acompanharam alguns anos e que, após uma semana dramática de paixão e morte na cruz, reconhecem agora Ressuscitado. Apesar de tudo, alguns ainda duvidam.O Senhor, que ainda no domingo passado garantia que nunca nos deixaria órfãos, não foi refugiar-se num qualquer recanto cósmico, não partiu para lá das nuvens, mas para lá das formas. Por incrível que pareça está mais próximo, porque, se antes estava fisicamente junto dos seus, agora está dentro deles.E agora? Agora regressa ao Pai e deixa um grupinho de homens, com alguns ainda amedrontados e desconfiados, e um pequeno grupo de mulheres fortes e fiéis, a quem confia o mundo e a continuidade da Missão: “Baptizai e ensinai a viver tudo quanto vos mandei”.A mesma Missão cabe-nos hoje assumir, apesar dos nossos medos, resistências e infidelidades, graças ao Espírito Santo que o Ressuscitado, antes de partir, prometeu enviar. Agora o tempo é nosso. Agora é a nossa vez. P. Fausto in Diálogo nº. 1957 (Solenidade da Ascensão do Senhor – Ano...
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