Há dias e dias !

Há dias e dias. Há dias verdadeiramente cinzentos que convidam, mesmo os valentes, a desistir. Jesus também os experimentou.Para uns era o profeta de Deus, para outros estava possuído pelo diabo e para a família o que precisava era de uma boa cura de sono. No meio de tudo isto, a sensação de solidão e incompreensão!Mas Jesus não desarma e aproveita a ocasião para esclarecer que no seu projecto de felicidade, sem dispensar e muito menos hostilizar a família, há algo mais importante que os laços de sangue e promete o cêntuplo a quem tiver “deixado pai, mãe, mulher ou filhos e também os campos”, para O seguir. Promete um coração multiplicado e um mundo finalmente afectuoso, numa nova arquitectura das relações humanas!É este o Jesus que hoje nos desafia e que, para uns e para outros, não passa de louco e endemoninhado, apesar da multidão que O segue e persegue, a ponto de nem tempo Lhe dar para comer.Como na nossa vida, também na vida de Jesus há momentos de solidão, incompreensão e amargura, mas nunca de desânimo e desistência, porque sabe que só vence e é verdadeiramente feliz quem faz a vontade do Pai. E Jesus bem o sabia por experiência. P. Fausto in Diálogo nº.1872 (Domingo X do Tempo Comum- Ano...

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Cura ao sábado

De sábado fala hoje a primeira leitura e o Evangelho. O sábado, o dom mais precioso e original de Israel, tornou–se a norma que marca o ritmo de trabalho e de festa, o ritmo septenário do homem e de Deus, de tal modo respeitado, que não permitia qualquer tipo de actividade, nem sequer acender o lume ou levar o gado a beber.Por ser tão sagrado, colher espigas ao sábado para matar a fome, como fez David e os seus companheiros, ou curar a mão do homem, como Jesus fez na sinagoga, eram infracções graves à santidade do sábado e razão para o escândalo dos fariseus.Ao curar a mão do homem num sábado, Jesus não se insurge apenas com as excentricidades jurídicas e religiosas, então em vigor, mas, ao proclamar o primado da pessoa humana, mesmo doente e frágil, anuncia-se como Senhor do sábado e reconhece que veio ao mundo para estar sempre ao lado dos doentes, dos pobres e dos servos. Nunca da lei. Para escândalo de todos. P. Fausto in Diálogo nº. 1871 (Domingo IX do Tempo Comum – Ano...

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“Deus Uno e Trino”

Depois do Pentecostes, evocamos neste primeiro domingo o mistério fundamental da fé, o Mistério da Santíssima Trindade.Foi Jesus quem nos revelou o mistério da vida divina. Falou-nos do Pai que nos ama e quer ver felizes; Ele próprio se apresentou como Filho, o enviado do Pai e anunciou a vinda do Espírito Santo, que viria continuar a Sua obra, e, ao subir ao Céu, não podia ser mais claro, ao confiar a missão aos discípulos.O Evangelho sobre a Trindade não apresenta fórmulas, mas apenas um breve relato do que se passou num monte da Galileia, ainda com dúvidas por parte de alguns discípulos. Contudo as dúvidas não detêm o Senhor de se aproximar e confiar-lhes o mandato de ensinar e baptizar todas as nações “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo“. Sem sermões, recriminações ou censuras, deixa uma certeza: “Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos”.Deste mesmo mandato somos nós, hoje, responsáveis, graças ao Espírito Santo, que nos foi enviado pelo Pai e por Seu Filho, Jesus Cristo. P. Fausto in Diálogo nº- 1870 (Solenidade da Santíssima Trindade – Ano...

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Graças ao Espírito Santo

Com a solenidade do Pentecostes termina o Tempo Pascal, período de cinquenta dias, em que celebramos em ambiente de alegria a glória de Cristo Ressuscitado e recordamos a vida das primeiras comunidades cristãs.Hoje, à luz da Páscoa, evocamos o Dom do Espírito Santo, “o grande desconhecido”, como considerava S. Paulo VI, que Jesus prometera aos seus discípulos, ainda impreparados para a missão.Apesar da intensa e longa catequese e dos encontros semanais depois da Ressurreição, Jesus não teve a pretensão de dizer tudo aos discípulos, não porque não soubesse, mas, por respeito aos que escolhera, deixa ao Espírito Santo a tarefa da verdade plena.Para a missão não bastam saberes e só o Espírito Santo, como Dom do Pai e do Filho, dá força, coragem e intrepidez proféticas e põe fogo no coração daquele punhado de homens e mulheres, fazendo-lhes abrir as portas de casa para darem início à Missão, com redobrado alento e largueza de horizontes. E nunca mais foram os mesmos. Sem medos, nem cálculos, “partiram a pregar por toda a parte”. A nós cabe fazer o mesmo. Graças ao Espírito Santo. P. Fausto in Diálogo nº. 1869 (Solenidade do Pentecostes – Ano...

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Todos em Missão !

Na solenidade da Ascensão do Senhor, segundo S. Marcos, parece que Jesus tem pressa de fazer chegar ao coração de toda a criatura a novidade radiosa do Evangelho, ao confiar tão ingente tarefa a um grupo de onze homens, porventura amedrontados e confusos, e apoiados por um grupo de mulheres corajosas e fiéis. Continuam limitados, é verdade, mas a Graça torna-os alicerces inabaláveis e continuadores intrépidos do projecto de salvação, para toda a humanidade.Hoje, apesar das imperfeições e de a nossa fé ser frágil, cabe a cada um de nós a missão, então confiada aos Apóstolos, de anunciar o Evangelho. Anunciar Jesus Cristo. Nada mais. Com a certeza consoladora da Sua presença, até ao fim dos tempos.É esta certeza que torna feliz a “despedida”, que a Igreja celebra na solenidade da Ascensão, que não é desistência e afastamento, mas forma nova de presença atenta, permanente e não menos eficaz de Jesus. “E eles partiram a pregar por toda a parte”. A nós cabe, hoje, simplesmente, continuar a mesma obra. P. Fausto in Diálogo nº. 1868 (Solenidade da Ascensão do Senhor – Ano...

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Amar sem medida

O Evangelho de hoje, fazendo parte da mensagem de Jesus na Ceia Pascal, era, certamente, recordada pelos discípulos, à medida que estes pressentiam mais próxima a partida do Mestre para o Pai.Sendo palavras oportunas para serenar e confortar o coração dos discípulos, não deixam de ser, para todos os tempos e lugares, a essência do Evangelho, porque não basta amar. Há amor e amores, ciúmes e violências… e tudo, diz-se, por amor.Jesus acrescenta hoje, e para sempre, o que faz a diferença cristã, ao dizer que: – o meu mandamento é “que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei“. Assim, tomar a Deus como medida do nosso amor, leva-nos a amar todos sem medida, como Santo Agostinho ilustremente nos lembra.O específico cristão não é, então, simplesmente amar. Muitos o fazem de muitos modos. O específico cristão é amar como Cristo. Ao jeito de Cristo. Apenas. Gratuitamente. Sem barreiras. Só isto nos dá alegria e nos faz garantidamente felizes. P. Fausto in Diálogo n.º 1867 (Domingo VI da Páscoa – Ano...

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“Eu sou a verdadeira vide”

O Tempo Pascal corre para o fim e o Evangelista João, de quem vimos seguindo, nestes últimos domingos, o Evangelho, lembra aos cristãos do seu tempo, então já duramente perseguidos, expressões que Jesus aplicou a Si mesmo na Última Ceia e se mantêm plenas de actualidade.Neste domingo, sem hesitações, diz-nos “Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que está em Mim e não dá fruto e limpa todo aquele que dá fruto para que dê ainda mais fruto”.Podar a vinha, toda a gente sabe, não é amputar, não é simplesmente cortar astes, mas limpar, orientar, ordenar, para que, mais viçosa e saudável, possa a videira dar mais e melhor fruto. E, se duvidamos, o melhor é ir ao campo.No campo, facilmente verificamos que uma vinha não podada está triste, abandonada e doente, e os ramos, cada vez mais esguios e enredados, não apresentam, na hora da vindima, senão poucas e cada vez mais fracas uvas. Bem ao contrário a vinha cuidada.Também a nossa vida, se não unida e alimentada pela seiva do Vivente, que é Jesus Cristo, se torna insignificante e corre o risco de esterilidade, à medida que o espaço para Deus for diminuindo. P. Fausto in Diálogo nº.1866 (Domingo V da Páscoa – Ano...

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“Eu sou o Bom Pastor”

“Eu sou o Bom Pastor”, assim se define Jesus neste Domingo IV do Tempo Pascal, com que se encerra a Semana de Oração pelas Vocações.Não apenas pastor, e muito menos comerciante de ovelhas, Jesus afirma-se como o Bom Pastor, porque conhece cada ovelha e só está bem quando cada uma das ovelhas se sente bem. A todas defende e ama por igual e por todas dá a vida.Jesus é o Bom Pastor que não veio pregar uma doutrina, trazer um sistema de pastoreio rentável ou impôr um conjunto de regras, mas ensinar como devemos ser pastores, embora de um rebanho menor, cuidando uns dos outros e desta nossa casa comum.Só seremos bons pastores se tivermos sempre presente o exemplo do Bom Pastor, que não apenas cuida de todas as ovelhas, mas está disposto a dar a vida por cada uma delas.Continuando a pedir a Deus pastores segundo o Coração de Jesus, não faltarão na Igreja padres, religiosos, religiosas, missionários, missionárias e leigos que sirvam a família, segundo o projecto de Deus, e integrem outros serviços e ministérios, tão urgentes quanto necessários, na Igreja de hoje. Pe. Fausto in Diálogo nº. 1865 (Domingo IV da Páscoa – Bom Pastor – Ano...

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“A paz esteja convosco”

Bela saudação para quem está espantado e com medo! Assim saudou Jesus os discípulos no encontro que hoje relata S. Lucas. A surpresa do momento e a vergonha pelo comportamento de todos quando o Mestre e Amigo mais deles precisava, fechavam as portas do coração à Paz, que Jesus apenas queria oferecer.Não sou espírito nem fantasma… vede as minhas mãos e os meus pés… tocai-me. “Não tendes nada paracomer?”Jesus bem sabia que acreditar na Ressurreição não resulta de discurso filosoficamente consistente, mas de Fé estruturada em experiência, daí o recurso aos verbos tocar, ver e comer, para vencer os medos e ultrapassar as dúvidas. E os discípulos logo passam à alegria, à admiração e ao êxtase.Cabe-nos hoje a tarefa de testemunhar, como os apóstolos então, que Jesus não é um fantasma, não é produto de imaginação piedosa ou religiosidade doentia. Está vivo e presente em cada pessoa, mas especialmente nos mais pobres, doentes e marginalizados. Servi-los é tocar hoje os pés e as mãos do Crucificado e Ressuscitado. P. Fausto in Diálogo nº. 1864 (Domingo III da Páscoa – Ano...

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De portas fechadas…

Depois do desassossego que o sepulcro vazio provocou, os discípulos trancaram-se em casa, de portas fechadas. Era grande o medo dos judeus e grande também a vergonha uns dos outros, porque a traição, a negação e o abandono do Mestre deixaram marcas a sangrar.Sem se fazer anunciar, Jesus apresentou-se no meio deles, surpreendentemente, na tarde daquele primeiro dia da semana. No seu rosto há doçura e as suas palavras são de conforto e de paz. Não pede satisfações e nem sequer se mostra agastado pelas atitudes da semana anterior. E dá-lhes a Paz. E dá-lhes o Espírito Santo. E confia-lhes o serviço da Misericórdia. Assim como entrou, depois de os saudar, também saiu. Surpreendentemente.Tomé, porém, estava ausente e era preciso reconciliá-lo com o grupo. Passados oito dias Jesus voltou, e, saudando a todos, dirige-se a Tomé: “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos… e não sejas incrédulo mas crente”. Não sabemos se tocou o corpo de Jesus, mas a resposta não se fez esperar: “meu Senhor e meu Deus !” O que não tinha acreditado, o que tinha desconfiado, era agora humilde e sincero adorador.Nesta segunda aparição, o Senhor, sem deixar de ser condescendente com o apóstolo hesitante e tentado pelas dúvidas, quer exaltar claramente a atitude dos que crêem sem ver, sem pôr condições ou exigir sinais… Esses somos nós. P. Fausto in Diálogo nº. 1863 (Domingo II da Páscoa – Ano...

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