“E não deram por nada” !

“Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento… e não deram por nada”. Palavras de Jesus, no Evangelho deste 1° Domingo do Advento, em jeito de alerta para todos nós, relativas aos tempos de Noé.Jesus não faz juízos de valor, não fala de pecados, de injustiças e de guerras, mas apenas do quotidiano. Nada de vícios ou excessos, mas apenas de vida sem profundidade, mera gestão corrente, sem futuro. É para isto que Jesus nos alerta, depois de um longo tempo litúrgico comum.“Os dias de Noé” são os nossos dias, quando lutamos apenas pela satisfação básica das nossas necessidades, desinteressados pelo que se passa no mundo e, até mesmo, à nossa porta. Dias vividos absorvidos nos nossos projectos, necessidades, desejos e dificuldades, que facilmente nos desligam dos outros, absorvem e desviam a atenção, de tal modo que vivemos sem darmos por nada, e, até, sem sabermos porquê.O Tempo do Advento que hoje iniciamos é uma campainha a alertar-nos para o Nascimento de Jesus, que veio inaugurar para nós um Tempo Novo de fraternidade, de justiça e de paz. Vivê-lo é desafio de todos os dias para celebrarmos o Mistério do Natal. P. Fausto in Diálogo nº. 1800 (Domingo I do Advento – Ano...

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Rei e Senhor do Universo !

O ano litúrgico termina com a solenidade de Jesus Cristo, Rei e Senhor do Universo, que ocorre neste domingo, segundo S. Lucas, sem nada de régio, de opulência, de triunfo ou de glória.Na colina do calvário são frequentes as execuções pela cruz, dos mais reles criminosos, que juntam sempre muita gente que opina, grita, chora e diverte-se. Aconteceu também com a crucificação de Jesus e com a dos malfeitores que Lhe faziam companhia. Desta vez, porém, algo diferente aconteceu, só percebido por um dos condenados, que suplica “Jesus, lembra-te de mim, quando vieres com a tua realeza.”O que converte este malfeitor não é a pregação de Jesus ou qualquer milagre, mas o Seu sofrimento, que, sendo igual ao dos outros, é vivido pelos outros com amor. Sem uma palavra de ódio, rancor ou vingança. Nem sequer um grito de inocência!Foi esse Jesus, de rosto doce, sereno e pacífico, que converte o ladrão “justamente” condenado, e, ao garantir-lhe “Hoje mesmo, estarás comigo no paraíso”, Se revela, na cruz, como Senhor da vida e da morte e Único Árbitro do homem e do seu destino. E isto só de um Verdadeiro Rei e Senhor do Universo! P. Fausto in Diálogo nº. 1799 (Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo – Ano...

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Nada ficará de pé

Um dia virá em que de todas as obras de arte e engenharia, catedrais e lugares de culto, trincheiras, palácios ou conventos, “não ficará pedra sobre pedra”, diz-nos Jesus, hoje, no Evangelho.Não há construção humana alguma que seja eterna, por mais sólida e defendida que esteja, mas o homem, sim, é eterno, apesar dos terramotos, inundações e guerras. No fim, temos a promessa de nem um só cabelo da nossa cabeça se perder. Tudo passa, mas a última palavra é sempre de Deus.Jesus, não responde à curiosidade dos discípulos sobre o dia do fim do mundo, mas alerta para a nossa responsabilidade, enquanto por cá andamos. O cristão está no mundo, não foge do mundo, mas cuida dele, neste processo permanente de nascer e morrer.Para lá das guerras, do ódio e cataclismos, para lá da própria morte, temos um Deus, que se preocupa connosco, não nos abandona e nos garante amorosamente a Sua fidelidade e atenção aos mais insignificantes pormenores da vida. Esta certeza, que nos dá paz e inspira confiança, não nos desresponsabiliza da tarefa de cuidarmos deste mundo, de modo a tornar-se cada vez mais a casa comum, onde todos se deveriam sentir mais felizes. P. Fausto in Diálogo nº. 1798 (Domingo XXIII do Tempo Comum – Ano...

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Vida eterna e plenamente feliz!

Na vida pública de Jesus há encontros e desencontros, debates sinceros e questões armadilhadas, como a que hoje Lhe põe um grupo de saduceus, acerca da Ressurreição.A questão, posta para ridicularizar a vida para além da morte, dá a Jesus oportunidade para afirmar, mais uma vez, que Deus, o nosso Deus, é dos vivos e quer-nos plenamente vivos, ainda que essa plenitude de vida, que não é mera continuidade desta, só se atinja para lá do tempo e do espaço.Na história do Céu, continua Jesus, não há meu nem teu, não há lugar a gestos de tomar ou de ter, ninguém é posse de ninguém, marido, esposa, ou filhos, não há grupos, mas todos possuídos plenamente por Deus, que a todos Se dá plenamente, para seremos todos plenamente felizes, uns com os outros, sem invejas, exclusões, limites ou nostalgias. Eternamente.Se assim não fosse, a vida para além da morte seria mais do mesmo. E isto não seria Vida Plena e Feliz. P. Fausto in Diálogo nº. 1797 (Domingo XXXII do Tempo Comum – Ano...

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Sem medo…

Jesus por onde passa deixa sempre a sua marca. Ninguém fica indiferente. Uns pela curiosidade, outros com más intenções e muitos com o coração aberto, acotovelam-se para ouvir Jesus, como hoje, na sua passagem por Jericó.Não havia música a tocar, foguetes no ar ou bandeirinhas a acenar, mas aguardava-O a multidão ávida de uma palavra, de um gesto de cura ou de uma bênção, que nem deu conta de um homem, bem conhecido na terra, correr à frente e subir a uma árvore. Era Zaqueu, o chefe de publicanos da cidade, que fica como exemplo de quem luta criativamente pelas coisas que se desejam, que não desiste, apesar da sua pequenez física, nem se deixa amarrar com medo da multidão. Queria apenas ver Jesus. Certamente era o único que verdadeiramente O queria ver.“Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa”. Ao olhar de Jesus, que apenas pede, não julga, não condena, nem humilha, responde estupefacto Zaqueu com a descida apressada, escancarando-Lhe a porta de casa e o coração a rebentar de alegria.Em semana dos Seminários não é demais rezar para que aqueles a quem Jesus continua a chamar respondam, como Zaqueu, sem medo e com generosidade. P. Fausto in Diálogo nº. 1796 (Domingo XXXI do Tempo Comum – Ano...

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Aprender com o publicano

Nestes últimos domingos, Jesus tem falado da oração. No domingo passado disse-nos que é preciso “orar sempre e sem desanimar” e convidou-nos para a escola de oração de uma pobre viúva, que não se calou enquanto um juíz corrupto não lhe fez justiça.Hoje põe-nos em confronto com duas pessoas. Um era fariseu e o outro publicano. Ambos foram ao templo para orar. O fariseu, de pé, não se calou enquanto não desfiou completamente o rol das suas obras e virtudes, como que a lembrar Deus dos seus méritos… Não precisava de Deus nem de ninguém. Só ele contava… e todos os outros eram uma desgraça.O publicano, pelo contrário, à distância, de olhos baixos e a bater no peito, apenas rezava “Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador”. E nada mais dizia.De regresso a casa, o publicano saiu justificado e o fariseu saiu pior do que entrara, rematou Jesus. É que a nossa oração, além de perseverante, tem que ser humilde e confiante para chegar ao coração de Deus. P. Fausto in Diálogo nº. 1795 (Domingo XXX do Tempo Comum – Ano...

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Orar sempre ?

Jesus, para mostrar que a oração é fundamental para a vida do cristão, recorre ao exemplo de uma viúva pobre e indefesa, que apenas quer do juiz ateu, egoísta e corrupto, que lhe faça justiça. E não se resigna à inoperância do mesmo. E não se exaspera pelo decurso do tempo. E não a demove a falta de resultados.Em suma, estamos perante uma mulher que sabe o que quer, que nos ensina a ter fome de justiça e a buscá-la sempre, mesmo quando tudo aconselha a desistir. E venceu a inoperância do juiz, que acabou por responder aos seus legítimos anseios, para deixar de ser por ela importunado.E Jesus remata: “E Deus não haveria de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite ?”“Clamar por Ele dia e noite” é o mesmo que “orar sempre sem desanimar”. Como é, então, isso possível, quando o dia é um corre corre… e mal se tem tempo para descansar?É possível e é necessário, porque a vida de oração não se mede pelo número de orações e não significa passar o dia a repetir fórmulas e invocações.Com o coração em Deus e Deus no coração, as nossas mãos rezam, porque fazemos com amor o que Deus nos pede no cumprimento dos nossos deveres. P. Fausto in Diálogo n.º 1794 (Domingo XXIX do Tempo Comum – Ano...

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A saúde não é tudo !

No caminho para Jerusalém, com os discípulos, algures entre a Galileia e a Samaria, um grupo de 10 homens grita ao longe “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós”. Eram leprosos. Mal os viu, Jesus disse: “Ide mostrar-vos aos sacerdotes”. Obedeceram, e, no caminho, todos ficaram curados, mas um voltou atrás, “glorificando a Deus em alta voz, e prostrou-se de rosto em terra aos pés de Jesus, para Lhe agradecer”. Era um samaritano.A este, ao contrário dos outros, não bastava ter saúde para ser feliz. Não lhe bastava também poder regressar aos seus, aos amigos, à vida normal, ao aconchego familiar, ao seu lugar na comunidade…Este samaritano, procedendo assim, mostra-nos que ninguém é verdadeiramente feliz se não souber dizer Obrigado a Deus e aos outros. E voltou atrás para glorificar, bendizer e agradecer…, mesmo antes de celebrar a alegria, pelo dom da cura, com a família e os amigos.Dos dez curados, só um, além da cura, foi salvo: aquele a quem Jesus não hesitou em dizer “A tua fé te salvou”. P. Fausto in Diálogo nº. 1793 (Domingo XXVIII do Tempo Comum – Ano...

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“Servos inúteis”

Os Apóstolos, a dada altura, pediram ao Senhor que lhes aumentasse a fé. E o Senhor respondeu que, se tivessem “fé como um grão de mostarda”, fariam coisas grandiosas.A fé não nos é dada, porém, para fazermos milagres, coisas grandes e espectaculares, nem mesmo para transplantarmos amoreiras para o mar… mas é animados pela fé, como um graozinho de mostarda, que somos capazes de fazer, todos os dias, o milagre de não nos rendermos às fragilidades ou cedermos aos fracassos que a vida nos pode trazer.“Somos inúteis servos”. Expressão usada por Jesus no Evangelho de hoje, que, parecendo desajustada, injusta e desmotivadora, quer sobretudo ser apelo ao cumprimento do dever, sem pretensões a prémios ou medo de castigos, sem esperar recompensas ou buscar vantagens e resultados. O serviço apenas por amor. Gratuitamente. Generosamente. Sem utilidade. Somos, assim, “servos inúteis” e verdadeiros discípulos de Jesus Cristo. P. Fausto in Diálogo nº. 1792 (Domingo XXVII do tempo Comum – Ano...

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A riqueza não é tudo !

Nestes últimos domingos somos brindados por Jesus com histórias que nos movem e incomodam. Na de hoje são protagonistas um rico, que vivia “à grande e à francesa”, e um pobre, que não tinha onde cair morto.Ao contrário do rico avarento, que não tem nome porque se identifica apenas com a sua riqueza, o pobre, apesar de não ter mesmo nada, tem dignidade, tem nome, Lázaro, que, por acaso ou talvez não, é o nome do grande Amigo de Jesus, que reside em Betânia.Mal vai a sociedade em que são os teres e haveres ou mesmo os saberes que conferem dignidade e respeito a cada um! A esta tentação também muitos cristãos não resistem…Por fim, o rico e o pobre morrem e têm destinos diferentes, porque, à hora de prestar contas, ninguém se pode esconder, desculpar ou dispensar… É assunto que só a cada um diz respeito.Ao rico não faltou nada na vida. Até nem era má pessoa. Não fazia mal a ninguém, porque mal tinha tempo para preparar as suas festas e viver o seu luxo. Fora dos muros do seu castelo ninguém existia e nada acontecia. Tudo lhe era indiferente. Até o pobre Lázaro.A riqueza facilmente torna o homem suficiente e insensível. Este foi o grande pecado do rico avarento. P. Fausto in Diálogo nº. 1791 (Domingo XXVI do Tempo Comum – Ano...

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