O exemplo vem de cima…

O cerco aperta-se cada vez mais e Jesus já não sai de Jerusalém ou das cercanias do Templo, sempre rodeado de povo a quem continua a anunciar, com desassombro, a Boa Nova. Os fariseus e os escribas, esses apenas espreitam a ocasião para O acusar e condenar.
A mulher surpreendida em adultério é o pretexto para realizarem os seus intentos: “Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?” Jesus diante da mulher, a tremer de medo e de vergonha e despudoradamente exposta à multidão, nada responde, nem sequer lhe pergunta se está arrependida. Apenas se inclina e escreve misteriosamente no chão, bem mais sensível ao sofrimento que disposto a pôr a nu o seu pecado. Não acusa. Não julga. Apenas escreve no chão.
“Quem de entre vós estiver sem pecado, atire a primeira pedra”. Com esta resposta, com que ninguém contava, Jesus lembra claramente que o exemplo deve começar por cima e que os defensores da Lei devem ser os primeiros a praticá-la. “E foram-se todos embora, a começar pelos mais velhos”.
“Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou? Ninguém, Senhor”. “Nem Eu te condeno”.
Sem repreensões, ameaças ou castigos, Jesus manda a mulher em paz, como que a dizer aos que só sabem julgar e condenar, sempre com pedras escondidas no bolso ou na mão para atirar, que estão a mais e não podem ser Seus discípulos.


P. Fausto

in Diálogo n.º1774 (V Domingo da Quaresma – Ano C)

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