Depois de tantas catequeses, ainda a tentação do poder e a sede de privilégios dominam o coração dos mais íntimos de Jesus. Jesus, porém, sem os recriminar, com sábia pedagogia e infinita paciência, chama-os à parte para dizer: “Quem quiser tornar-se grande entre vós, será vosso servo”. Estas palavras sábias e amorosas, então dirigidas aos discípulos, continuam a ecoar, séculos fora,como alerta vigoroso para o risco dos apetites de domínio e de poder, sempre resistentes no nosso coração mais profundo.Jesus não quer discípulos apoucados e humilhados, mas simples, livres e generosos de coração, para poderem, como o Mestre, assumir no seu projecto de vida uma única ambição: Servir.Grandes só no serviço e no amor posto em tudo o que se faz. E isto não se compadece com a busca de privilégios e honras, mas com uma vida sóbria, honesta, humilde, confiante, livre e generosa. E os discípulos aprenderam a lição.Aprendamos nós, também, para que a ambição do nosso projecto de vida não se resuma a questões de poder, saúde e dinheiro. Porque esse não pode ser o projecto dos discípulos de Jesus Cristo. P. Fausto in Diálogo nº.1750 (XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn More“Falta-te apenas uma coisa”. Fora a resposta de Jesus a um homem que, cheio de entusiasmo e reverência, se aproxima e pergunta: “Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna”?O homem ouviu a resposta em silêncio e com respeito, mas retirou-se triste e cabisbaixo, apesar do olhar intenso e afectuoso de Jesus.Que se passara então? Não se tratava de um homem irrepreensível cumpridor da lei? Sim, era irrepreensível desde a sua juventude, mas tinha algo que não o deixava voar e o mantinha inconscientemente aprisionado: “Era muito rico”.E será mal ser rico? Não. Jesus não quer homens despojados de tudo, mas sonha com homens livres e desamarrados o mais possível para poderem servir. E há muitas amarras, e algumas bem subtis, que bloqueiam a vontade e impedem de seguir Jesus.Era bom homem, sim, mas no prato da sua balança pesavam mais as contas bancárias e os movimentos bolsistas… Daí a dificuldade em responder à aventura proposta por Jesus para abraçar um projecto de vida em que as pessoas valem mais que as coisas e em que a pobreza e a liberdade são condições indispensáveis para servir e ser feliz. P. Fausto in Diálogo 1749 (XXVIII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn More“No princípio da Criação, Deus fê-los homem e mulher. Por isso, o homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa, e os dois serão uma só carne”, assim começa o Evangelho deste XXVII Domingo do Tempo Comum, resumindo o sonho de Deus para a família.Estas palavras, assumidas integralmente por Jesus, propõem a família como espaço privilegiado para a realização do sonho de felicidade que Deus oferece ao homem.Na realização deste sonho há um homem e uma mulher que se procuram, que se encontram, que se amam e que se tornam uma só carne. E crescem juntos, lado a lado, diferentes mas iguais em dignidade, com direitos e deveres reciprocamente reconhecidos e assumidos, amadurecendo com alegrias e extases, mas também com sofrimentos, tristezas e silêncios… até se tornarem uma só carne. E assim o marido “faz” a esposa e esta “faz” o marido, constituídos cúmplices numa verdadeira comunhão de duas liberdades.Aos fariseus apenas interessava a salvaguarda dos direitos do homem sobre a mulher, que lhe conferiam um estatuto privilegiado na relação conjugal, mas o problema para Jesus não está em repudiar ou não a mulher por parte do homem, mas em manter vivo, por parte de ambos, o sonho original de Deus.É aqui que reside, ainda hoje, o verdadeiro problema, porque o amor é fragil, exige cuidados diários, pede atenção permanente a um e a outro dos cônjuges… Não é tarefa fácil. Mas é possível com a Graça de Deus. P. Fausto in Diálogo 1748 (XVII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn More“Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demónios, em teu nome e procurámos impedir-lho, porque ele não anda connosco”, dizia João, com um ar muito convencido.Para os apóstolos o mais importante não era o bem praticado, mas a pertença ao “nosso grupo”. A esta mentalidade, Jesus responde: “Não o proibais”.O bem é sempre bem, venha de onde vier, e, mesmo feito por um não crente, é sempre obra de Deus. Esquecemos muitas vezes que se pode ser de Cristo sem pertencer ao grupo dos “doze”!Não repitamos o erro dos discípulos que separam, põem cercas, não constroem pontes, que “medem” o bem, conforme o grau de integração num determinado grupo. Esta mentalidade é farisaica.Há, na verdade, muito gente boa, que, sem ser crente e baptizada, age segundo a sua consciência, rectamente formada, e faz muito bem. Estes também pertencem ao Reino de Deus, maior que a Igreja, que terá o seu fim. Ao contrário, o Reino de Deus jamais acabará porque é fundado no Amor, mesmo quando se dá num simples copo de água. P. Fausto in Diálogo nº 1747 (XXVI Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreJesus, na perspectiva de S. Marcos, iniciou, a partir de Cesareia de Filipe, a viagem que vai terminar em Jerusalém. Os que O seguem já são poucos, e, mesmo dos mais próximos, alguns ainda acalentam esperanças de poder e glória, a começar por Pedro, como vimos no domingo passado.Jesus, porém, parece ter um plano bem definido e não omite uma palavra do mistério de sofrimento, paixão e morte que O aguarda.Apesar da clareza de linguagem em assunto tão sério quanto dramático, os discípulos, todos sem excepção, manifestam ter outros interesses e ocupam-se de outros assuntos. Jesus apercebe-se bem, mas aguarda para melhor oportunidade, já em casa, o devido esclarecimento.“Que discutíeis no caminho?”, pergunta Jesus, sem impaciência nem azedume. A resposta foi o silêncio. E todos ficaram calados. Até Pedro!Jesus, nem com os seus melhores amigos, a quem partilha o drama que O espera, pode efectivamente contar! Mas não se ofende por isso, não desiste deles, não os acusa, apenas aproveita o momento para lhes lembrar, e a todos nós também, que desejar e fazer por ser o primeiro é muito bom, desde que seja para servir e servir melhor a todos. É isto que caracteriza o verdadeiro discípulo de Jesus Cristo. P. Fausto in Diálogo nº 1746 (XXV Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreAinda longe, mas já estamos, segundo S. Marcos, na reta final da vida pública de Jesus. Houve encontros ricos e felizes e também desencontros, alguns de enorme tensão, especialmente com os sábios e os poderosos.Ultimamente o número de ouvintes é bastante menor, mas Jesus não se intimida e hoje vemo-LO, com os discípulos, a caminho das terras de Cesareia de Filipe.O caminho é longo e proporciona muitos temas de conversa. Às tantas, Jesus pergunta, em jeito de sondagem, “Quem dizem os homens que Eu sou?” E os discípulos lá foram respondendo, segundo o que ouviam dizer. E Jesus, de novo: “E vós, quem dizeis que Eu sou?” Apenas Pedro, surpreendentemente, respondeu: “Tu és o Messias”.Mais de 2 mil anos passados, Jesus também pergunta a cada baptizado: “Quem sou Eu para ti?” Não valem definições abstractas ou fórmulas decoradas. Não servem livros, nem catecismos. A resposta não é académica, é experiência. Se assim não for, os baptizados não passam o nível da religião, patamar de “cristãos parados” ou espectadores mais ou menos passivos, diante da realidade, cada vez mais veloz e mutável.“Quem sou Eu para ti?” Não será a dificuldade na resposta também razão para o vazio das nossas Igrejas? P. Fausto in Diálogo nº 1745 (XXIV Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn More“Nem tinham tempo para comer”! Era assim a agenda diária de Jesus. Daí o convite aos apóstolos: “Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco”.Mas face à multidão que O seguia por todo o lado, sem mesmo o deixar descansar, “encheu-se de compaixão por aquelas pessoas, porque eram como ovelhas sem pastor”.Assim era Jesus, sem eira nem beira, nem tempo para comer e descansar, mas sempre com Tempo para estar com o Pai, acontecesse o que acontecesse. Aos apóstolos, porém, aconselha a que considerem o descanso como parte da missão. E assim deve ser.Também o Concílio Vaticano II nos diz numa das suas Constituições: “depois de haver aplicado a um trabalho o seu tempo e as suas forças, de uma maneira conscienciosa, todos devem gozar de um tempo de repouso e de descanso suficiente para se dedicarem à vida familiar, cultural, social e religiosa”.Aproveitemos, então, o tempo de férias para descansar, ler, conviver e rezar, a fim de enfrentarmos com coragem e ânimo redobrado os desafios do próximo ano. P. Fausto in Diálogo nº 1744 (XVI Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreNão levar mais nada que o absolutamente necessário, porque o que não se usa só complica e torna o caminho mais penoso, é o que aconselha, no início do exercício, qualquer amante do atletismo.No Evangelho de hoje, Jesus também propõe aos discípulos uma experiência radical e “ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser o bastão” e uma mochila de sonhos, cheia de alegria, entusiasmo e confiança em Deus. Apenas.E os discípulos, de cajado na mão, lá foram, dois a dois, para esta experiência missionária e “pregaram o arrependimento, expulsaram muitos demónios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos”.Homens sem coisas, sem supérfluos, que nos convidam permanentemente ao discernimento sobre o que é essencial na vida e contestam todos os nossos projectos apostados no sucesso pela acumulação de riqueza. Homens que acreditam verdadeiramente que a qualidade de vida não depende da quantidade de bens…No Evangelho de hoje, Jesus não nos convida tanto a fazer a caminhada dos discípulos, mas antes uma viagem ao nosso interior, onde se experimenta e celebra a verdadeira liberdade, só possível sem os supérfluos que vamos acumulando e sempre atrapalham. P. Fausto in Diálogo nº1743 (XV Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreHoje, Jesus parece ter ido à terra matar saudades. Não sendo a de origem, era a de adopção, onde vivia a maior parte da família e era sobejamente conhecido. Não há rua ou pessoa, em Nazaré, estranho a Jesus, mas o que não esperava era a “falta de fé daquela gente”.Afinal, o que é que deixa perplexa aquela gente, conhecida e amiga de Jesus?O Jesus, bem conhecido por todos, piedoso e com esmerada educação e cultura religiosa, não passava de filho do carpinteiro, saído duma família humilde e trabalhadora. É certo que falava de Deus de modo diferente, com desassombro, alegria e entusiasmo contagiantes, mas escandalizava muitos pela sua humanidade e proximidade com pecadores, doentes e marginais e mesmo as curas que realizava eram por alguns atribuídas ao diabo.A vida pública de Jesus não se mostra nada fácil, nem mesmo na sua terra. Ouvido por muitos com prazer, também escandaliza outros com a sua pregação. E continua a escandalizar quem não aceita um Deus que busca a ovelha perdida, que aguarda e abraça o filho pródigo e que, em Jesus de Nazaré, cura leprosos e outros doentes, convive com publicanos e com gente pouco recomendável. Porque, dizia, não veio para condenar mas para salvar…Era este Deus que Jesus anunciava aos seus contemporâneos e continua a escandalizar ainda hoje muitos que se dizem cristãos. P. Fausto in Diálogo nº 1742 (XIV Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreApesar do final feliz, a travessia do Mar da Galileia, relatada por S. Marcos no domingo passado, foi desgastante e assustadora, mas nem por isso houve direito a descanso, porque eram muitos os que aguardavam Jesus, no outro lado, na margem.O entusiasmo era geral, mas nem sempre pelos melhores motivos.Todos esperavam uma palavra, um gesto, um olhar, um toque, uma bênção, e Jesus desdobrava-se em atenção e cuidados, respondendo a cada um conforme as suas necessidades. Assim aconteceu com a mulher desenganada há muito pelos médicos, que levava a cruz de uma doença incurável, ou com Jairo, aflito, porque a sua filha de 12 anos estava a morrer. A estes reconheceu Jesus fé viva e confiança plena e não hesitou em responder generosamente aos seus pedidos.Com estes exemplos, S. Marcos diz-nos que, qualquer que seja a porção de dor que nos afecte ou de morte que nos habite, Deus dir-nos-á sempre o que disse à menina, filha de Jairo: “levanta-te e anda”. Mas ainda que não sejamos atendidos nos pedidos de saúde, ou outros, Deus não deixará de nos dar a força e a coragem necessárias, para levarmos a cruz, serenamente confiantes, ainda que nos seja particularmente pesada. P. Fausto in Diálogo nº1740 (XIII Domingo do Tempo Comum – Ano...
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