Deus é assim !

Não admira que os publicanos e os pecadores se acotovelem para escutar Jesus, enquanto os fariseus e os escribas murmuram, escandalizados com esta proximidade e familiaridade. É, de facto, sublime e libertadora a mensagem de um Deus diferente, de um Deus diferente não só para os escribas e farises do tempo, mas também da imagem de Deus que tantos alimentam ainda no seu coração!Não há criança da catequese que desconheça a parábola do “filho pródigo”, contada por Jesus no Evangelho de hoje. Só que o centro da parábola não é o filho pródigo, mas o Pai bondoso, que “ama sem medida, de modo ilógico e quase injusto”, que só espera ansiosamente o regresso do filho para lhe demonstrar toda a ternura do seu amor paterno. Sem complexos e desmedidamente.No reencontro desta pequena história, onde transparece magistralmente o coração de Deus e se expõe o drama do homem, sempre faminto de liberdade e peregrino da felicidade no efémero das suas aventuras, reside também a alegria, que caracteriza este 4° Domingo da Quaresma e que nos motiva a um redobrado esforço de conversão que passa sempre pela celebração do Sacramento da Reconciliação. P. Fausto in Diálogo nº. 1773 (Domingo IV da Quaresma – Ano...

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Deus, sempre à espera !

Estamos quase no meio da Quaresma e a liturgia recorda-nos a necessidade de conversão, como condição para nos abrirmos a Jesus Cristo e para vivermos a Páscoa. A confirmar tudo isto, a palavra de Cristo do Evangelho de hoje reveste-se de especial vigor: “se não vos converterdes, morrereis”.Conversão a Deus e conversão aos irmãos. Começando tudo dentro de nós, é trabalho de todo o ano, mas especialmente da quaresma.Quantas vezes pensamos que Deus é um juíz, sempre à espreita para condenar, castigar ou vingar-se? Quantas vezes se diz “que mal fiz eu a Deus para merecer isto? Face à injustiça, violência e guerras … onde está Deus, que permite tais coisas?”Enfim, em situações de conflito e sofrimento pessoal ou colectivo, Deus, mesmo que nos pareça em silêncio e distante, não deixa de estar atento e sempre ao nosso lado. Caminha e sofre connosco. Esta é realidade de que às vezes duvidamos tanto! Apesar de tudo, Deus, infinitamente paciente, lento para a ira e rico em misericórdia, está sempre à espera de frutos de arrependimento. A nossa conversão passa por acolher este Deus, revelado, hoje, por Jesus Cristo, na parábola da figueira. P. Fausto in Diálogo nº. 1772 (Domingo III da Quaresma – Ano...

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“ESCUTAI-O” !

Jesus subiu ao monte para orar. Fazia-o, sozinho ou acompanhado, em todos os lugares que Lhe proporcionassem o necessário silêncio. Hoje levou consigo Pedro, Tiago e João.O monte é um lugar importante na Bíblia. É lugar privilegiado e luminoso ao proporcionar amplas paisagens e testemunhar como ninguém todas as auroras e os mais belos ocasos. É lugar de encontros luminosos. Assim aconteceu com Jesus: “Enquanto orava, alterou-se o aspecto do rosto e até as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente”.Entretanto, acordado, Pedro exclama: “como é bom estarmos aqui “. Tudo em Jesus era luz e luminosos também eram Moisés e Elias.Na vida, porém, há luz e sombras. Há dúvidas e perplexidades, angústias e frustrações, catástrofes, doenças e violências… Nuvens densas que paralisam e apagam horizontes. E no meio das nossas luzes e medos, a mesma voz: “Este é o meu Filho, o meu Eleito. Escutai-O”.Ouvir Cristo é tornar-se como Ele. É esforçar-se por ser Seu discípulo. É aprender com Ele a relacionar-se com Deus, com os outros e com toda a criação. É viver o Evangelho. E isto é tarefa de todos os dias, mas especialmente na Quaresma. P. Fausto in Diálogo nº. 1771 (Domingo II da Quaresma – Ano...

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Para o programa quaresmal

Inaugurada a Quaresma em quarta-feira de cinzas, a Igreja convida-nos a viver este tempo, inspirados no “retiro” de quarenta dias, com que Jesus iniciou a sua vida pública.Deserto, jejum, oração e tentações… são temas bem sugestivos para vivermos todo este período quaresmal. Com efeito, cada vez mais, precisamos de criar ambientes de silêncio para intensificarmos a oração, de praticar a austeridade para vivermos o Evangelho e vencermos as tentações. Sim, porque humanas, as tentações não foram apenas de Jesus, são de ontem e de hoje, e a quaresma é o tempo favorável para aprendermos a lidar com elas.“Manda a esta pedra que se transforme em pão”, sugere o diabo. Jesus responde que nem de pedras nem só de pão vive o homem, porque somos feitos para coisas maiores e ai daqueles que centram preocupações e projectos de vida em dinheiro e coisas… Mais importante que o pão para a boca é a Palavra de Deus.“Eu te darei todo este poder e glória e reinos… se te prostrares diante de mim”, promete o diabo. Não é subtil e também actual a tentação a que muitos cristãos se submetem para conquistar o poder ou defender a sua carreira…? E com que custos e consequências!Adora-se o diabo sempre que se escolhe o caminho da mentira, da duplicidade, do engano, da violência, da agressividade…, justificando-se os meios em função dos fins.E a que foi submetido Jesus no pináculo do Templo de Jerusalém, também não é actual? A tentação de um Deus milagreiro está sempre à espreita, quando surge uma doença, acontece um acidente ou uma catástrofe… e estranhamos que Deus não dê uma mãozinha e intervenha.Enfim, não faltam motivos para o nosso projecto de vida nesta Quaresma. P. Fausto in Diálogo nº1770 (Domingo I da Quaresma – Ano...

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Palavras sábias !

Jesus, neste domingo, parece dirigir-se ao povo simples com palavras de sabor sapiencial, ao jeito de quem explica a sabedoria dos provérbios.Assim, quando fala do perigo de um “cego guiar outro cego”, quem descarta a necessidade de formação permanente, para cada um poder servir e cuidar melhor do outro? Porventura, não somos comunidade e todos corresponsáveis e cuidadores uns dos outros?Quando Jesus fala em limpar primeiro a vista para podermos limpar a dos outros, não nos quererá alertar para a tentação frequente em realçarmos os defeitos e omitirmos as qualidades alheias? Quem pode dizer que está imune a tentações como esta?O segredo está no coração. Há que cuidá-lo, porque “o homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, da sua maldade tira o mal…”Não precisamos de muitas mais palavras de Jesus para vivermos em paz. Formação, Sinceridade e Coerência são ingredientes indispensáveis para uma vida pacífica e feliz. P. Fausto in Diálogo nº. 1769 (Domingo VIII do Tempo Comum – Ano...

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Fasquia ao Máximo !

Os ouvintes continuam numerosos e atentos ao discurso de Jesus. Nem dão pelo tempo a passar!O Evangelho de hoje, no seguimento das bem-aventuranças, constitui uma das páginas mais belas, e também mais exigentes e difíceis, da mensagem do Mestre, ao levantar ao máximo a fasquia da misericórdia.Jesus sabe que é difícil, mas nem por isso deixa de apontar a cada um de nós este ideal, que passa por amar e fazer bem mesmo aos que nos fazem mal, suportar serenamente as injúrias e esquecer as ofensas… E tudo de cara alegre. Sim, porque a caridade não pode ser praticada com olhar pesaroso e triste.Esta página do Evangelho constitui para os cristãos um programa de vida, tanto mais difícil quanto mais à nossa volta o egoísmo, a ambição e a vingança prevalecem sobre a compaixão e o perdão. Jesus sabe disto, repito, mas, ao apontar para o infinito Amor do Pai, que é Bom e Misericordioso, mesmo para os maus, desafia-nos a um santo e sadio inconformismo, confiantes sempre, apesar da nossa pequenez e miséria, na grandeza e magnanimidade do Seu Amor. P. Fausto in Diálogo nº 1768 (Domingo VII do Tempo Comum – Ano...

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Um mundo diferente

Até agora são frequentes os banhos de multidão que Jesus aproveita para proclamar a Boa Nova. Trata -se, certamente, de pessoas simples, de mãos calejadas e de rosto queimado pelo sol intenso das jornas. Pessoas com vida dura e sofredora, sem grandes projectos nem futuro.É a esta gente, que se comprime para O ouvir, que Jesus abre o coração e revela o sonho de um mundo feito de bondade, de sinceridade, de paz, de justiça. Um mundo em tudo diferente de sermos homens.Para uns será mero exercício de utopia, para outros apenas fruto de ingenuidade, mas para os cristãos continua pleno de actualidade.Quem Deus ama é a pessoa, cada pessoa, e não a pobreza, o sofrimento e as lágrimas, que nos tornam a vida em calvário, mas Jesus, ao declarar felizes os que, apesar da sua penúria e sofrimentos, não dão espaço à inveja e ambição, pôem a sua confiança em Deus e esperam dEle a força para continuarem a lutar, propõe o ideal evangélico como único caminho de felicidade.Nada disto é fácil, mas é possivel e continua actual. Que o diga Francisco de Assis, que o digam tantos e tantas que ao longo da história da Igreja não se cansam de dizer que correm sérios riscos de insatisfação e frustração, os projectos de vida, sob aparência de felicidade, ancorados no dinheiro, no poder ou na violência. P. Fausto in Diálogo nº. 1767 (Domingo VI do Tempo Comum – Ano...

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Uma jornada em cheio

Jesus na sua vida pública viveu momentos belos e também os houve de desencontro e tensão. Neste domingo, nas margens do lago de Genesaré, a jornada foi em cheio. Eram tantos os que se comprimiam para ouvir a Palavra de Deus, que Jesus teve de se socorrer do barco de Pedro para não ser sufocado pela multidão.Entretanto Pedro, Tiago e João, depois de uma noite de trabalho e sem qualquer resultado, preparavam, apesar de cansados, tudo para nova faina. “Faz-te ao largo, e lançai as redes para a pesca”, diz Jesus. Mais por obediência que por convicção, Pedro aceitou o desafio. E as redes inexplicavelmente se encheram !Surpreendido, Pedro sente-se agraciado e indigno: “Senhor, afasta-te de mim, que sou um homem pecador” e Jesus, sem julgar, desculpar ou absolver, apenas lhe diz, olhos nos olhos, que não é por mérito que o escolhe e remata em seguida: “Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens”. E eles deixaram tudo e seguiram Jesus.Deus continua a chamar, independentemente do mérito ou das capacidades de quem é chamado. Chama quem entende, sem ter que dar contas, e capacita quem chama. O remate é o de sempre: “Não temas”. P. Fausto in Diálogo nº. 1766 (V Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Queremos milagres !

Jesus mostra, desde o princípio, que não se deixa prender pela fama ou desanimar pela critica, não procura arruadas nem se deixa levar por sondagens.Isto mesmo acontece na sua primeira visita a Nazaré, onde, na sinagoga, expõe o seu programa de vida e assume pessoalmente a realização de todas as profecias messiânicas.Bem cedo Jesus aprende quão fácil é passar da admiração à crítica e do acolhimento à agressão! Nazaré é a prova. Com efeito, todos O ouviam, mas o que pediam verdadeiramente é que fizesse na sua terra o que fizera nas outras, sob pena de não passar de retórica piedosa a Boa Nova de Alegria, de Libertação e de Paz, proclamada como ninguém até então, e já anunciada por Isaías.“Nenhum profeta é bem recebido na sua terra”, responde Jesus às pretensões dos seus conterrâneos, que não querem ver nEle senão o filho de José, o carpinteiro, com mãos bem calejadas pelo trabalho e sem qualquer pergaminho familiar sócio-religioso que o recomendasse.Também nós, muitas vezes, como então os de Nazaré, queremos um Deus de milagres, um Deus que se imponha pelo poder e castigue quem prevarica, um Deus que nos facilite a vida e nos dispense do esforço da busca. E este não é o Deus anunciado por Jesus Cristo. P. Fausto in Diálogo nº.1765 (IV Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Programa sempre actual

Em maré de eleições todos os partidos, com mais ou menos visibilidade, se têm esforçado por passar a sua mensagem e dizer ao que vêm. Aproveitam cada momento para vincar diferenças, realçar lacunas, levantar suspeições uns sobre os outros… Tudo à “caça do voto” no próximo dia 30.Não foi assim com Jesus ao apresentar solenemente o seu programa numa celebração de sábado, na Sinagoga de Nazaré, em que declara que as profecias messiânicas se cumprem integralmente nEle. Não fala em pecadores, não inventa preceitos, nem acrescenta pesos aos muitos que o povo já carregava. A sua linguagem não é moralista, mas proclamação alegre e vigorosa de uma Boa Nova de Liberdade, de Luz e de Paz da parte de Deus, que tem um Amor preferencial pelos pobres e aflitos.Com uma mensagem desde o princípio tão luminosa, prenhe de paz, justiça e liberdade, não admira que tenha provocado no coração dos ouvintes tão grande fama e respeito. E ainda por cima tudo de graça e sem contrapartidas…O programa de Jesus continua a ser o da Igreja, cabendo a cada um dos batizados realizá-lo, com ardor, criatividade e ousadia. P. Fausto in Diálogo nº 1764 (Domingo III do Tempo Comum – Ano...

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