Apesar do ambiente de alegria fácil e exterior, que muitas vezes pouco tem de cristão, o Natal continua a marcar a vida de povos e nações, ainda que haja iluminados nesta Europa, farta e cada vez mais sem alma, com vontade de pôr o Natal no sótão ou no congelador da nossa memória colectiva e cristã.Natal quer dizer presença de Jesus, o Filho de Deus que Se fez homem para salvar o homem. Todos os homens. Sem deixar de ser Deus, vem habitar no meio de nós, mesmo que tenhamos dificuldade em reconhecê-Lo e em compreendê-Lo, apesar de ter escolhido o caminho da pobreza, da incomodidade e da fraqueza, para compartilhar das condições em que viviam e ainda vivem muitos homens.Talvez porque a porta escolhida por Deus, para vir até nós, não foi a do poder, da riqueza ou da glória, o NATAL continua a inspirar, depois de tantos anos, nobres e diversos sentimentos, ao mesmo tempo que dá aos cristãos razões de sobra para a ALEGRIA, para a SOLIDARIEDADE e para a PAZ. P. Fausto in Diálogo nº. 1760 (Solenidade do Natal do Senhor – Ano...
Learn MoreJá não falta uma semana para a festa de Natal e a Igreja convida-nos à preparação mais intensa da festa, mesmo que acarrete de cada um e das nossas famílias um esforço acrescido. Esforço e não correria, como sempre acontece, à medida que o tempo passa, na ânsia da última prenda.Sabendo que, além da justiça, como claramente anunciava João Baptista, no deserto, a caridade é o melhor caminho para o Presépio, não se estranha a presença de Maria na liturgia dos últimos dias do Advento, realçada neste domingo com a sua visita à prima Isabel.Não temos nesta preparação modelo mais perfeito que Aquela que “esperou com inefável amor” o nascimento de Seu Filho, e que, logo que soube, se pôs apressadamente a caminho das montanhas, sem olhar a riscos e dificuldades, para ajudar Isabel, como que a dizer-nos que os pobres devem ter sempre prioridade.A meditação do Evangelho deste domingo ajuda-nos, com certeza, a preparar a Festa da Vida que o Menino do presépio traz à humanidade, sempre com Maria e Isabel, ambas grávidas de modo impossível, a convidar-nos à alegria agradecida que o Menino provoca no coração de quem O acolhe e prepara a Festa de Nascimento. P. Fausto in Diálogo nº. 1579 (Domingo IV do Advento – Ano...
Learn MoreCom este domingo, o terceiro do Advento, começa a segunda fase em que a Igreja nos orienta progressivamente para a festa de Natal. Ao perto e ao longe, realisticamente, os motivos para a alegria não parecem muitos, mas não deixa de ser este o “Domingo da Alegria”, apesar das circunstâncias adversas que todos sentimos.O cristão, a partir da fé, tem sempre motivos para cultivar a alegria, mesmo de lágrimas nos olhos. E o maior de todos, é a presença do Senhor Jesus, que veio já ao nosso encontro, que está sempre connosco, mesmo sem O vermos, e que há-de vir solenemente um dia, no fim dos tempos. É nesta perspectiva que queremos preparar o Natal, atentos à voz de João Baptista, que nos indica o caminho da justiça e da caridade para chegarmos ao Presépio.A voz que bradou no deserto continua vigorosa, para que, sensíveis às exigências da caridade fraterna, estejamos em condições de reconhecer no Menino do presépio o Salvador mundo. Se assim não for, a alegria do Natal não passará de circunstância social em que as luzes e a abundância da ceia mais ou menos alargada dão sabor. P. Fausto in Diálogo nº 1758 (Domingo III do Advento – Ano...
Learn MoreCom tanta gente sábia, influente e bem instalada, como refere o Evangelista Lucas neste domingo, a Palavra de Deus é dirigida a João, filho de Zacarias e Isabel, em pleno deserto.João não pertence ao clube dos ricos e poderosos, não vive num palácio nem tem criados ao serviço, mas foi o escolhido para dar voz ao anúncio próximo da salvação de Deus.Como sempre, e hoje também, Deus não escolhe por se ser rico, muito dotado ou capaz. Ninguém é demasiado pequeno ou demasiado pobre para não ser escolhido por Deus, que apenas pede que nos deixemos tocar, seduzir e conquistar. O resto é com Ele. Assim foi com João Baptista. Assim continua hoje.Tempo de Advento. Dá em cada dia um pouco mais de espaço e tempo a Deus e não terás medo dos desertos e encruzilhadas da vida, nem te faltará ardor e força para dares voz ao pregão, que especialmente no Advento devemos escutar: “Preparai o caminho do Senhor”, e que levava João Baptista a viver, sem medo nem parança, as agruras do deserto. P. Fausto in Diálogo nº. 1757 (Domingo II do Advento – Ano...
Learn MoreO primeiro Evangelho do Advento é dramático, como têm sido os desta última semana: terramotos, fomes, guerras, perseguições e traições… Tudo em cores bem sombrias. O Evangelho, porém, não fala do fim do mundo, mas do sentido da história: “Erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima.”Com isto, Jesus pede-nos um olhar mais alto e mais ao longe, para não ficarmos bloqueados na teia dramática da existência ou perdidos no labirinto das nossas lágrimas.Virão coisas terríveis, sim. Quanto ao tempo e ao modo, Jesus não se pronuncia, mas alerta-nos para o modo como devemos viver o tempo, cada tempo, o nosso tempo. Sempre “em jubilosa esperança”, porque sabemos que Deus, tomando a iniciativa, vem ao nosso encontro, apesar dos muros que construímos, das guerras que provocamos e dos desmandos que cometemos na relação de uns com os outros e com a natureza.Iniciámos o Tempo Litúrgico do Advento. Que nos permita a experiência de, além de cidadãos do mundo, estrangeiros e passageiros, verdadeiros peregrinos do absoluto, chamados a viver de coração “atento e leve” o Tempo belo e feliz do Advento. P. Fausto in Diálogo nº. 1756 (Domingo I do Advento – Ano...
Learn MoreA Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo, que encerra o ano litúrgico, proporciona-nos um encontro entre dois personagens. Um frente a frente original. De um lado, Pilatos, sentado no trono, rodeado de guardas fortemente armados e ancorado no direito do poder romano, no outro, de pé, Jesus, desarmado e só.O ambiente não intimida Jesus, que nunca frequentara palácios, nem tribunais, nem jamais participara em convívios do jet set de então. Bem pelo contrário, eram os pobres, os pecadores e os doentes, os privilegiados do seu convívio. Diante de Pilatos nem um assomo de medo, nervosismo ou hesitação, antes uma serenidade, confiança e paz, que não passaram despercebidas ao detentor do poder.“Então, Tu és rei”, dispara Pilatos, tentando entender quem tinha à sua frente. “O meu reino não é deste mundo”, responde Jesus, com voz solene e determinada. E Pilatos ficou baralhado.Na verdade, o Reino de Jesus é radicalmente diferente. Não se impõe.Cresce em liberdade no íntimo de cada um. A sua força não está no exército, na economia ou mesmo no direito, mas no amor e no serviço, especialmente aos mais pobres.Pilatos não enxerga tão longe e apresenta-O à varanda do palácio apenas como homem. Para nós, porém, é também o Filho de Deus, condenado à morte, para poder na cruz, com os braços abertos, abraçar a todos e a todos garantir um lugar no Seu coração. P. Fausto in Diálogo nº 1755 (Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo – Ano...
Learn MoreA cimeira de Glasgow está a chegar ao fim. Como sempre as promessas são muitas e poucos os compromissos. Quem manda, ao fim e ao cabo, é a economia, e quem sofre é o planeta, a casa comum de que Deus nos constituiu responsáveis. Uns mais que outros. Mas todos.O Evangelho de hoje fala-nos de um abalo cósmico, que há-de acontecer queiramos ou não, para nos chamar a atenção de que tudo é finito, relativo. O sol, a lua, as estrelas… “cairão do céu”, mas a sociedade, as instituições, a economia, os regimes… também. Tudo é frágil. E em cada dia há um mundo que morre e outro que nasce, com as inevitáveis dores de um parto permanente, até à plenitude dos tempos.A esta luz não há-de ser o medo a vencer-nos, porque “quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do Homem está perto, está mesmo à porta”, diz-nos Jesus, no Evangelho. A nossa âncora é, então, Deus. A nossa esperança está em Deus, que continua actuante no mundo, apesar dos atropelos dos homens ao processo criador, de que Deus nos constituiu responsáveis. P. Fausto in Diálogo nº 1754 (XXXIII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreJesus sabe perfeitamente que o Seu tempo está a chegar ao fim e aproveita todos os momentos para deixar a sua mensagem. Hoje vemo-LO no templo de Jerusalém, no meio da multidão, a aconselhar cautela com os escribas, que, na sua maioria, gostam de honrarias e de primeiros lugares, e se fazem passar por pessoas virtuosas, quando, na realidade, não olham a meios para enriquecer, mesmo à custa dos mais pobres. E tudo em nome de Deus.O Evangelho, porém, não acaba, sem que antes Jesus mostre o seu apurado espírito de observação e deixe mais uma lição de vida, ao observar como as pessoas deitavam o dinheiro na caixa das esmolas. Os ricos lançavam grande quantidade de moedas, que, chocalhando, faziam notar a sua presença generosa. Mas também havia gente remediada e pobre, como aquela viúva, que deixou apenas duas pequenas moedas. Não se deteve e delicadamente deixou cair a sua oferta, como alguém que apenas quer ficar na sombra e desaparecer por detrás de uma das colunas do templo…Esta mulher foi, de todos, quem deu mais, disse Jesus aos discípulos. Porque todos os outros deram do que lhes sobrava e ela deu do que precisava. Era “tudo o que possuía para viver”.O exemplo desta mulher far-nos-á sempre sentir que só tem valor o que se dá / faz com amor. Mesmo as coisas mais simples. E sempre com humildade e discrição. P. Fausto in Diálogo nº1753 (XXXII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn More“Qual é o primeiro de todos os mandamentos”, perguntava a Jesus um certo escriba.Normalmente as interrogações dos fariseus, doutores da lei, príncipes dos sacerdotes e outros, não passavam de pura provocação. Desta vez, não. E Jesus, percebendo a reta intenção do escriba, remata: “Não estás longe do Reino de Deus”.Para o escriba “Deus é único e não há outro além dEle. Amá-lo com todo o coração, com toda a inteligência e com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, vale mais que todos os holocaustos e sacrifícios”.Jesus reconhece a resposta inteligente e não acrescenta mais nada à Lei antiga, redigida no Livro do Deuteronómio, mas sublinha a unidade intrínseca do amor a Deus e do amor ao próximo. Um é, assim, a prova do outro. São inseparáveis. Separá-los foi e será sempre a origem dos nossos males. Portanto, quem ama a Deus, se é coerente, ama aquilo que Deus ama. E o que Deus mais ama é o homem. Cada homem. E também tudo quanto foi criado para que o homem seja feliz. P. Fausto in Diálogo nº1752 (31º Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreHoje, em Jericó, um verdadeiro banho de multidão aguardava Jesus, que se dirigia para Jerusalém com os discípulos. No caminho, todos iam falando e ninguém se ouvia, até que uma voz clara e determinada grita: “Jesus, Filho de David tem piedade de mim”. Era Bartimeu, cego e mendigo, quem gritava, sentado, na berma do caminho.O tempo não era de paragens, mas Bartimeu não desiste e grita cada vez mais alto. Não exige privilégios. Não se revolta com a vida. Pede apenas um momento de atenção redentora. E não se enganou.Como não aprender hoje com Bartimeu, que nos convida a não desistirmos dos nossos ideais, apesar das dificuldades? Como não aprender com Bartimeu a lutar e confiar em Deus, na certeza firme de que é sempre dEle a última palavra? Como não aprender com Bartimeu a seguir Jesus sem olhar para trás?Muito temos a aprender com este cego e mendigo, que, à beira do caminho, não precisava só de um minuto de atenção e uma moeda no bolso, mas de sentido para a sua vida. E este dera-lho Jesus, que Bartimeu logo seguiu com entusiasmo e confiança. P. Fausto in Diálogo nº1751 (XXX Domingo do Tempo Comum – Ano...
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