O nosso caminho !

No domingo passado encontramos Jesus em pleno deserto. À sua volta só areia, pedras e silêncio! Hoje contemplamo-Lo, com alguns discípulos, no alto de um monte, cheio de Luz, como quem diz que o caminho de Cristo tem momentos de tudo, de solidão, silêncios e comunhão, de pedras e deserto, de trevas e luz. É também este o caminho do homem, o nosso caminho.A Quaresma, mais que um tempo de luto e de penitência, é um tempo de conversão da tentação à transfiguração, à Luz Pascal, inspirados no exemplo antigo e sempre luminoso de Abraão, que tem a coragem de se entregar totalmente nas mãos de Deus, sem fazer contas ou pedir explicações.O cristão, consciente dos seus limites e imperfeições, sabe que o processo da sua transfiguração passa pela penitência, pela austeridade, pela generosidade no cumprimento do seu dever, pela fidelidade ao Evangelho. Se a Quaresma for assim vivida e celebrada, torna-se, então, a melhor maneira de nos prepararmos para a Transfiguração Pascal do Senhor. P. Fausto in Diálogo nº.1814 (Domingo II da Quaresma – Ano...

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Respostas com VIDA

Como sempre, o Evangelho do primeiro domingo da Quaresma é o do retiro de Jesus no deserto, no princípio da Sua vida pública. É o Evangelho das tentações.O pão está em todas as mesas e não há refeição sem pão. No entanto, em pleno jejum no deserto, Jesus responde ao tentador que ” nem só de pão vive o homem”, como que a dizer que há fomes mais importantes e profundas que a do estômago, que só Deus pode saciar. Portanto, iludem-se aqueles que pensam que os bens materiais, por si só, bastam para encher a vida e tornar o homem feliz.Mas o diabo não desarmou e voltou a tentar: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo… porque Deus mandará aos Seus Anjos que te recebam”. A resposta de Jesus vem pronta, dizendo que Deus não é milagreiro, nem se submete à nossa vontade, desejos, caprichos ou mesmo necessidades. O “Tempo” de Deus é outro e o projecto que Deus propõe não é necessariamente coincidente com o de cada um, mas é sempre projecto de felicidade, que requer liberdade e confiança.O diabo, porém, não desarma, e volta à tentação para negociar com Jesus o preço do poder: “Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares”. Como de outras vezes, também a reacção foi imediata e determinante: “Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a Ele prestarás culto”. E desta vez o diabo retirou-se.Entrados neste período sagrado de preparação para o Tríduo Pascal, aprenderemos com Jesus a enfrentar também as nossas tentações, ancorados sempre na Palavra de Deus e atentos aos mais pobres. P. Fausto in Diálogo nº. 1813 (Domingo I da Quaresma – Ano...

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“Sede Perfeitos… “

No Evangelho do domingo passado, Jesus dissera que não vinha revogar nada, mesmo da Lei de Deus, mas tudo levar à perfeição. E dava exemplos.Hoje vai ao máximo e eleva a fasquia das exigências ao extremo para deixar a cada um horizontes de infinito. Afinal de contas, o que Jesus nos propõe é um projecto de vida sem filtros, armadilhas ou trincheiras, sempre desarmados, sem fazer sombra ou meter medo a ninguém.A moral que Jesus nos propõe não nega a alegria de viver, nem nos quer doentiamente passivos e tolhidos pelo medo quais servos que só se humilham e sacrificam, pelo contrário, é a moral de homens que se querem livres, que não pagam na mesma moeda e ousam quebrar a corrente de violência que só gera violência e, porque vivem desarmados, não fazem sombra nem metem medo.Enfim, ao lermos o Evangelho de hoje, damo-nos facilmente conta da importância dos verbos amar, orar, oferecer, bendizer, emprestar… tanto a amigos como a inimigos. Ainda que usados no imperativo, não são ordens ou imposição, mas proposta de felicidade. Saber conjugá-los é o que nos identifica como discípulos de Jesus Cristo. P. Fausto in Diálogo nº. 1812 (Domingo VII do Tempo Comum – Ano...

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Não basta cumprir…

A liturgia deste domingo faz-nos reflectir sobre a Lei de Deus, tratada na primeira leitura, em termos de liberdade, morte e vida, e no Evangelho, por Jesus, em termos de perfeição, pois, segundo as Suas próprias palavras, não veio para revogar nada, mas aperfeiçoar tudo quanto se refere à Lei de Deus.Enquanto para os fariseus, escribas e outros mestres, bastava o mero cumprimento da Lei, isto é, fazer ou não fazer, para Jesus a vida não se deve pautar entre o permitido e o proibido, porque o cumprimento da Lei de Deus é, antes de mais, uma questão de amor.Jesus, pelo que vemos na Sua longa catequese de hoje, não impôe uma nova lei, nem propõe uma moral mais exigente, mas diz-nos, com autoridade própria, que não é do agrado de Deus o mero cumprimento da Lei, como ensinavam os mestres, sem reconhecer o primado da pessoa e sem passar do exterior, isto é do parecer, ao interior, isto é ao coração, que é a fonte de tudo quanto pode contaminar as nossas relações com Deus, com os homens e com a própria natureza.Não basta, numa palavra, uma “religião” do mero fazer, que privilegia o exterior e procura o parecer, como os fariseus… porque a única “religião” que agrada a Deus é a que transforma a observância dos mandamentos numa verdadeira relação de amor. É nisto que consiste a plenitude da Lei, que Jesus vem trazer. P. Fausto in Diálogo nº. 1811 (Domingo VI do Tempo Comum – Ano...

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Somos sal e luz?

Rodeado pelos discípulos, Jesus dirigiu-lhes hoje palavras que nunca tinham ouvido e certamente não alcançaram de todo: “Vós sois o sal da terra. Vós sois a luz do mundo”. Interessante notar que o verbo é “sois” e não “deveis ser ou esforçai-vos por ser”.Ser luz e sal não é, assim, um elogio, mas uma graça, que, não sendo propriamente resultado de um processo de conversão, é algo que nos responsabiliza, porque se o sal perde o sabor é a lixeira o seu destino . E o mesmo acontece com a luz. Para que serve uma candeia apagada?Consola-nos o facto de sabermos que, apesar dos nossos limites e fragilidades, Jesus não muda o discurso e mantém também para nós as afirmações dirigidas directamente aos discípulos.Conscientes disto, cabe-nos, pelo exercício das obras de misericórdia, mais do que por palavras, ser verdadeira luz no mundo e sal da terra. P. Fausto in Diálogo n.º 1810 (Domingo V do Tempo Comum – Ano...

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Para ser feliz

Toda a gente quer ser feliz. E no tempo de Jesus também. O horizonte e o caminho é que divergem.A esta questão Jesus não é alheio e propõe bem cedo como caminhos, que geram a felicidade e tornam o mundo melhor, as Bem-aventuranças, verdadeiro coração do Evangelho, em que se repete 9 vezes, em texto tão curto, a palavra “Bem-aventurados”.A proposta de Jesus é inesperada, podemos dizer mesmo “contra a corrente”, impossível de realizar num mundo em que todos correm e se atropelam para chegar primeiro, subir mais alto e dominar mais…Apesar do fascínio da sua escuta, a realização das Bem-aventuranças parece-nos um caminho em “contra mão”, ao arrepio dos cânones que regem a sociedade. Jesus, porém, não alterou uma palavra, e a Igreja também não, porque, pensando bem, chegaremos à conclusão de que seríamos felizes se o mundo fosse construído nos alicerces da paz, da justiça, da verdade…, por homens de coração puro e misericordioso.Na verdade, este nosso mundo nunca será a casa comum em que o homem experimenta ser feliz, sob a lei do mais forte ou do mais rico, mas graças apenas a quem o torne melhor. E isto só é possível na prática das Bem-aventuranças. P. Fausto in Diálogo nº. 1809 (Domingo IV do Tempo Comum – Ano...

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Estranho chamamento !

Jesus não perde tempo, nem tão pouco se deixa intimidar pela notícia da prisão de João Baptista. Sabe ao que vem e nada O parece demover do anúncio da Boa Nova.Hoje encontramo-Lo em terras de Cafarnaum, numa das caminhadas ao longo do mar da Galileia, dando de caras com Simão e o irmão André, que lançavam as redes ao mar, no início de mais uma faina. E chamou-os. Um pouco mais à frente, viu outros dois irmãos, Tiago e João, a consertar as redes. Também eram pescadores de profissão. E chamou-os. Todos deixaram os seus trabalhos para seguir Jesus.Para esta escolha, não contaram informações rabínicas sobre os melhores alunos, nem a origem, riqueza ou estatuto social das famílias dos chamados.Jesus passa e não vê apenas 2 barcos e 4 pescadores, de mãos calejadas e concentrados no trabalho. Olha de forma diferente, olha o futuro e qualifica aqueles que chama para a missão. E eles deixaram tudo e seguiram Jesus, que lhes aponta novos mares e uma nova faina: “Farei de vós pescadores de homens”. Não sabemos se perceberam totalmente o desafio, mas seguiram Jesus e não se arrependeram. P. Fausto in Diálogo nº. 1808 (Domingo III do Tempo Comum – Ano...

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“Eis o Cordeiro de Deus”

Jesus, na sua humanidade, cresceu, como qualquer criança, adolescente ou jovem, inclusivé espiritual e religiosamente. Neste tempo tão curto do Natal pudemos acompanhá-Lo neste crescimento, em que a família se comprometeu no Seu processo educativo, de tal modo esmerado, que se torna para todas as famílias um verdadeiro ícone.Hoje já vemos Jesus, por volta dos trinta, sozinho, em pleno deserto. Parece procurar alguém, que, entretanto, ainda ao longe, O reconhece e apresenta: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Era João Baptista que Jesus procurava.No início do ano que ainda há bem pouco começámos, esta apresentação de Jesus por João tem o sabor de convite, que nos é dirigido em todas as Celebrações Eucarísticas, com as mesmas palavras proferidas naquele longínquo encontro, em pleno deserto.Agora já não é João, mas a Igreja, que, ancorada no seu testemunho e na Escritura e assistida pelo Espírito Santo, continua a proclamar que é Jesus, o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. “Tira”. E o verbo continua sem futuro, nem passado, porque conserva validade e eficácia o único remédio que salva o mundo, vence o ódio e promove a justiça e a paz: o Amor. Foi por isto que Jesus deu a cara e a vida e Se tornou para todos “Cordeiro que tira o pecado do mundo”. P. Fausto in Diálogo nº. 1807 (II Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Que ficou do Natal ?

Prestes a terminar o Tempo do Natal, o Evangelho da Epifania do Senhor, segundo S. Mateus, indica-nos, ao observarmos o comportamento de Herodes e dos Magos, diferentes caminhos e atitudes para acolher e viver o Mistério de Deus Menino.A Herodes nada faltava. Além de poder e riqueza, tinha acesso às Escrituras e a quem lhas interpretasse, e, apesar de viver perto de Belém, não viu a estrela, nem ouviu os anjos. Para Herodes nada se passou. O que lhe importava era a coroa e a matança dos inocentes não é senão a tentativa desvairada de defender o seu poder absoluto.Não nos escandalizemos, porém, com Herodes, porque, também, às vezes, tão absorvidos e exclusivos andamos com os nossos problemas, projectos e correrias, que não enxergamos Deus, que passa por debaixo das nossas barbas.Celebrámos o Natal. Que ficou desta celebração? A prenda, a consoada, um dia de aconchego à lareira? Tudo isto é importante, e, sobretudo, muito gostoso, mas já foi. E agora? Que lugar, objectivamente, ficou Jesus a ter na nossa vida? Estamos dispostos a ouvi-Lo e a acertar o passo por Ele? Se sim, aprendendo sempre com os Magos, damos reais passos como discípulos de Cristo, ao longo do ano; se não, foi apenas mais um Natal. P. Fausto in Diálogo nº. 1806 (Solenidade da Epifania do Senhor – Ano...

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Feliz 2023 !

No oitavo dia da festa do Natal, a Igreja, sem deixar de contemplar o mistério de Deus feito Homem, fixa a sua atenção em Maria, a Mãe de Jesus e Mãe da Igreja.Nesta Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, que é, provavelmente, a festa mariana mais antiga da Igreja de Roma, celebramos também a circuncisão e a imposição do Nome de Jesus, e, mais recentemente, desde S. Paulo VI, o Dia Mundial de Oração pela Paz, confiando, assim, a Nossa Senhora, Raínha da Paz, a aventura de mais um ano. E bem necessário se torna fazê-lo, para que o sonho de Deus nos leve a enterrar as armas e abrir as mãos e o coração à fraternidade, à justiça e à paz, que são o coração da Boa Nova que os Anjos trouxeram, na noite santa de Natal, e que as resistências dos homens retardam e tantas vezes bloqueiam.A guerra na Ucrânia aflige-nos, e até nos provoca, compreensivelmente, sentimentos pouco cristãos, e noutros pontos do mundo também. Não podendo, porém, fazer grandes coisas em favor da paz entre as nações, não nos podemos dispensar de fazer algo pela paz na nossa terra, no ambiente em que trabalhamos, no seio da nossa família…Não será muito, mas será o contributo que cada um de nós pode e deve dar, para que o 2023, com a bênção da Mãe de Deus, Rainha da Paz, seja para todos mais feliz. P. Fausto in Diálogo nº. 1805 (Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus – Ano...

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