Como sempre, o Evangelho do primeiro domingo da Quaresma é o do retiro de Jesus no deserto, no princípio da Sua vida pública. É o Evangelho das tentações.
O pão está em todas as mesas e não há refeição sem pão. No entanto, em pleno jejum no deserto, Jesus responde ao tentador que ” nem só de pão vive o homem”, como que a dizer que há fomes mais importantes e profundas que a do estômago, que só Deus pode saciar. Portanto, iludem-se aqueles que pensam que os bens materiais, por si só, bastam para encher a vida e tornar o homem feliz.
Mas o diabo não desarmou e voltou a tentar: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo… porque Deus mandará aos Seus Anjos que te recebam”. A resposta de Jesus vem pronta, dizendo que Deus não é milagreiro, nem se submete à nossa vontade, desejos, caprichos ou mesmo necessidades. O “Tempo” de Deus é outro e o projecto que Deus propõe não é necessariamente coincidente com o de cada um, mas é sempre projecto de felicidade, que requer liberdade e confiança.
O diabo, porém, não desarma, e volta à tentação para negociar com Jesus o preço do poder: “Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares”. Como de outras vezes, também a reacção foi imediata e determinante: “Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a Ele prestarás culto”. E desta vez o diabo retirou-se.
Entrados neste período sagrado de preparação para o Tríduo Pascal, aprenderemos com Jesus a enfrentar também as nossas tentações, ancorados sempre na Palavra de Deus e atentos aos mais pobres.
P. Fausto
in Diálogo nº. 1813 (Domingo I da Quaresma – Ano A)
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