Não basta cumprir…

A liturgia deste domingo faz-nos reflectir sobre a Lei de Deus, tratada na primeira leitura, em termos de liberdade, morte e vida, e no Evangelho, por Jesus, em termos de perfeição, pois, segundo as Suas próprias palavras, não veio para revogar nada, mas aperfeiçoar tudo quanto se refere à Lei de Deus.
Enquanto para os fariseus, escribas e outros mestres, bastava o mero cumprimento da Lei, isto é, fazer ou não fazer, para Jesus a vida não se deve pautar entre o permitido e o proibido, porque o cumprimento da Lei de Deus é, antes de mais, uma questão de amor.
Jesus, pelo que vemos na Sua longa catequese de hoje, não impôe uma nova lei, nem propõe uma moral mais exigente, mas diz-nos, com autoridade própria, que não é do agrado de Deus o mero cumprimento da Lei, como ensinavam os mestres, sem reconhecer o primado da pessoa e sem passar do exterior, isto é do parecer, ao interior, isto é ao coração, que é a fonte de tudo quanto pode contaminar as nossas relações com Deus, com os homens e com a própria natureza.
Não basta, numa palavra, uma “religião” do mero fazer, que privilegia o exterior e procura o parecer, como os fariseus… porque a única “religião” que agrada a Deus é a que transforma a observância dos mandamentos numa verdadeira relação de amor. É nisto que consiste a plenitude da Lei, que Jesus vem trazer.

P. Fausto

in Diálogo nº. 1811 (Domingo VI do Tempo Comum – Ano A)

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