Aproxima-se o termo do Tempo Pascal e a Igreja insiste no discurso de Jesus aos discípulos, na Última Ceia, recordado, certamente, depois da Ressurreição.Como então, também hoje há muita coisa que nos aflige, desconforta, faz sofrer e experimentar plenamente actuais as Palavras de Jesus: “Não vos deixarei órfãos”.Sim. “Não vos deixarei órfãos: voltarei para junto de vós”. Como quem diz: nunca Me vou separar; vou apenas preparar-vos um lugar nas muitas moradas que tem a casa de meu Pai. E vós sabeis que falo sempre a Verdade.Entretanto, continua Jesus: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos”, fazendo vosso o meu projecto e estilo de vida. Sem castigos, imposições, medos ou falsas promessas, mas livres, confiantes, alegres, ainda que frágeis e “Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Defensor, para estar sempre convosco”. Nas horas de tristeza e de alegria. Em todas as circunstâncias.Palavras de Jesus que inspiram confiança, dão conforto e levantam o ânimo aos discípulos de todos os tempos. P. Fausto in Dialogo nº. 1824 (Domingo VI da Páscoa – Ano...
Learn MoreAs dúvidas e o desconforto em relação ao futuro são tema cada vez mais recorrente nas conversas dos discípulos entre si. É verdade que Jesus aparece regularmente, mas será sempre assim?No V Domingo do Tempo Pascal, Jesus, ao ver estampadas todas estas dúvidas, responde pacientemente: “Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em mim. Em casa de meu Pai há muitas moradas… Vou preparar-vos um lugar…”.Tomé, sempre ele, desejando indicações claras sobre o caminho para a cidade prometida, obtém de Jesus como resposta “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. E nada mais acrescenta.A mesma resposta continua Jesus a dar-nos para entendermos a existência como estrada com dificuldades e obstáculos, é certo, mas com sentido e horizontes tão largos como o coração de Deus. Na verdade, só com Ele, “Caminho, Verdade e Vida” somos felizes e aprendemos a viver, apesar dos medos e bloqueios, que, por si, nos condenariam à esterilidade de uma vida inútil e sem sentido. P. Fausto in Diálogo n.º 1823 (Domingo V da Páscoa – Ano...
Learn MoreO Tempo Pascal já vai longo e não tem sido fácil. Já não há dúvidas sobre a Ressurreição, mas há medos a vencer e, sobretudo, o desconforto do futuro começa a notar-se, à medida que o tempo vai passando. Jesus sabe bem disso, sabe das capacidades e medos, dos defeitos, virtudes e ritmos dos que escolheu. Sabe e não repreende nem julga, bem pelo contrário. Adapta-se. É enorme a Sua paciente pedagogia !Neste Domingo, o quarto do Tempo Pascal, Jesus parece começar a preparar o coração dos discípulos para a “partida”, ao lembrar-lhes a catequese, então não compreendida mas sempre actual, do Bom Pastor. Bem necessário se torna, em todos os tempos e circunstâncias, trazer à memória a Catequese em que Jesus se afirma, com verdade e autoridade, não ser um pastor que persegue e ralha com as ovelhas, mas as precede, as seduz com o seu caminhar e as fascina com o seu exemplo, sem deixar nenhuma para trás. E não descansa sem encontrar a que se perdeu, e, quando a encontra, não a fecha ou castiga, mas carrega-a aos ombros, amorosa e livremente, de volta ao rebanho.Catequeses como esta pacificam o coração e convidam-nos ainda hoje e sempre a seguir este Pastor que cuida de todos nós. P. Fausto in Diálogo nº. 1822 (Domingo IV da Páscoa – Ano...
Learn MoreFoi complicada e violenta a última semana da vida de Jesus, a avaliar pelas marcas profundas, que tornou os discípulos incapazes de ler os sinais da ausência do corpo sepultado. Não é, pois, de estranhar a procura do aconchego do grupo e a segurança das trancas à porta à aventura de saber o porquê do sepulcro encontrado aberto e vazio, na noite do primeiro dia da semana.O tempo vai passando e cresce também o número dos que se encontraram já com o Ressuscitado, mas ainda há quem duvide, e outros, como os dois rapazes, a caminho de Emaús, regressam à família e à terra com a pesada bagagem da nostalgia e da desilusão.É triste, na verdade, o caminho, sem os horizontes que só a Páscoa de Jesus nos garante! Estes rapazes provam-no bem antes de abrirem o coração às Escrituras, mas, quando, já em casa, na oração e no partir do pão, reconhecem o Ressuscitado no companheiro de viagem, tudo se ilumina e ganha horizontes. E partem imediatamente de regresso a Jerusalém. Já não há fadiga nem noite, mas apenas a ânsia de chegar depressa para partilhar a Alegria de Jesus Vivo.Essa é a Alegria que nos cabe viver, celebrar e comunicar sempre, mas especialmente no Tempo Pascal, porque os homens e as Igrejas sem alegria são insignificantes, porque são homens e Igrejas sem Deus. P. Fausto in Diálogo nº. 1821 (Domingo III da Páscoa – Ano...
Learn MoreO sepulcro encontrado aberto e vazio, na madrugada daquele primeiro dia da semana, levantou interrogações, alimentou perplexidades, gerou boatos e encheu de medo o coração dos discípulos, entretanto refugiados e trancados em casa.Tudo se passara de noite, e, apesar de anunciada, a Ressurreição do Senhor foi algo inesperado e surpreendente. Na mesma tarde, porém, a insegurança e o medo de represálias por parte dos judeus deram lugar à alegria dos discípulos pela certeza de que Aquele que fora Crucificado e sepultado estava Vivo no meio deles. De todos menos um.Tomé, também chamado Dídimo, ausente no momento, afirmava convictamente, apesar do testemunho alegre e feliz dos demais: “Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei”.E tudo se resolveu oito dias depois, estando igualmente as portas fechadas. Desta vez ninguém faltava. Saudados os presentes, Jesus dirige-se a Tomé, mostra-lhe as mãos e o lado, e convida-o simplesmente, sem repreender ou levantar a voz, a olhar e tocar os sinais do Amor Crucificado e Ressuscitado. Tomé compreendeu finalmente!Das chagas das mãos e do lado já não jorram sangue e água, mas Luz e Misericórdia, que lhe arrancam do coração a mais breve e profunda profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus”. P. Fausto in Diálogo nº. 1820 (Domingo II da Páscoa (Divina Misericórdia) – Ano...
Learn MoreA noite foi de desassossego para Maria Madalena que não pregou olho, e, antes que o sol nascesse, dirigiu-se ao túmulo onde o Amigo fora depositado. Ao seu redor apenas a noite e o silêncio quebrado pelas pedras roliças do caminho do Calvário.Quando chega e se dá conta de que a pedra fora retirada e o sepulcro aberto e vazio, uma angústia de morte enche o seu coração ainda ofegante. E agora? À sua volta não há sinal de vida e os primeiros raios de sol anunciam uma surpreendente manhã radiosa.Perplexa com tudo isto, Maria Madalena não hesita, e eis que desata, de novo, a correr, para que Simão Pedro e João se certifiquem do que se passava: “Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram”. Também estes não se poupam e correm quanto podem para chegar ao destino. Chegaram e viram o sepulcro aberto e, dentro, tudo arrumado, as ligaduras e o sudário, mas do Crucificado e sepultado nem sinais.E agora, a quem perguntar, a quem recorrer? Questões que alimentavam a aflição e tornavam cada vez mais perplexos os discípulos, que “ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.”Sim, o sepulcro está aberto e vazio. Ninguém viu, ninguém sabe como, mas está vazio para sempre. Não foi obra de homem, mas de Amor e Fidelidade do Pai Àquele que, por Amor e Fidelidade, assumiu a nossa natureza, foi crucificado e morreu por todos – Jesus Cristo Ressuscitado. P. Fausto in Diálogo nº, 1819 (Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor – Ano...
Learn MoreComeça hoje, Domingo de Ramos ou da Paixão do Senhor, a Semana Santa, por muitos também chamada “maior”, não por ter mais dias, mas porque nela celebramos os acontecimentos mais importantes da História da Salvação: a Morte e Ressurreição de Cristo.É a ultima semana da vida de Jesus, que eleva à sua expressão máxima o amor e a dor e torna estes dias verdadeiramente originais, vividos como um todo, desde a entrada triunfal em Jerusalém até à corrida de Maria de Magdala ao sepulcro, na madrugada da Páscoa.Hoje, Domingo de Ramos, há festa com palmas e hossanas pelas mesmas vozes que, mais tarde, hão-de pedir a libertação de Barrabás e a condenação de Jesus. Hoje os discípulos acompanham o Amigo e alegram-se com o triunfo e as aclamações da multidão, mas, quinta-feira, à noite, no Jardim das Oliveiras, dormem, e, ao outro dia, não há um que dê a cara para defender o Mestre… Nesta semana há beijos falsos, medos envergonhados, acusações infundadas, juras de fidelidade pelos mesmos que desertam e fogem, olhares de escárnio e palavras malditas…Há de tudo. Mas há também um pequeno grupo, constituído maioritariamente por mulheres, que não desiste e acompanha Jesus, e, por fim, também há um soldado que não se contém e reconhece que o Crucificado é realmente o Filho de Deus.É com estes que desejamos viver especialmente esta Semana, que será tanto mais santa, quanto mais conscientemente participarmos nas suas celebrações. P. Fausto in Diálogo nº. 1818 (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor – Ano...
Learn More“Jesus comoveu-se profundamente e chorou”. E quantos acompanhavam Marta e Maria reconheceram a grande amizade de Jesus por esta família. Tudo isto se passou em Betânia, junto do sepulcro onde Lázaro fora sepultado havia já quatro dias.Jesus nunca escondeu os sentimentos que mais nos caracterizam, mas hoje, em Betânia, parece ter-se excedido, pois, comove-se, perturba-se e chora. Não tem vergonha das suas lágrimas, que ficam como a expressão mais genuína e inconformada pela amizade alimentada com Lázaro e suas irmãs. Porém, lembrando Marta e os presentes que é o Senhor da Vida e da morte, do Hoje e do Amanhã, não se fica em palavras de consolação e circunstância e ordena: “Lázaro, sai para fora”. E ele saiu de mãos e pés enfaixados e o rosto envolvido num sudário, segundo as regras de sepultamento dos judeus. “Desligai-o e deixai-o ir”. E assim aconteceu.Todos pensavam que já nada havia a fazer, nem mesmo Marta e Maria, pois já era o quarto dia de falecimento. Para Deus, porém, nunca é tarde. Porque não usa os nossos cronómetros, nem se submete às nossas leis, nem mesmo se escandaliza das fragilidades que nos atam e tantas vezes bloqueiam, não hesita em desatar Lázaro de todos os laços, incluindo o da morte, e restituir-lhe a vida livre e feliz. O mesmo acontece a nós, se O reconhecermos verdadeiramente como “o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo”. P. Fausto in Diálogo nº. 1817 (Domingo V da Quaresma – Ano...
Learn MoreNeste quarto domingo da Quaresma encontramos Jesus em Jerusalém com um cego de nascença, e, sem ser rogado, toca-o e manda lavar os olhos na piscina de Siloé. E ele foi. E ficou curado e livre.Na verdade, quem vê sente-se seguro e livre, distingue as cores, aprecia as flores e as árvores, vê as pessoas com sorrisos e lágrimas; ao contrário, o cego, sempre inseguro, depende de um ombro amigo, de um muro sólido, de uma mão generosa, de uma bengala forte que o ajude a caminhar.Jesus, compadecido, aproxima-se, e, sem explicações, toca este cego, cuja presença foi por todos ignorada, e cura-o, apesar de ser sábado.Ninguém deu por nada, nem se alegrou pelos “olhos novos” do que fora cego de nascença, a não ser os fariseus a quem apenas importava a observância das leis, especialmente a do sábado, incapazes de compreender que a glória de Deus não está no cumprimento dos preceitos, mas no homem vivo e feliz.Os fariseus, pensando e agindo assim, ficam para a história como alguém que pode ser muito praticante e escrupuloso cumpridor das normas, ocupar cargos de responsabilidade na comunidade e até “administrar” o sagrado, mas ser “analfabeto de coração”, por não ter piedade nem compaixão.Para Deus, revelado em Jesus Cristo, o homem não é criado para a lei, ainda que seja a de sábado, mas para ser Livre e Feliz. E sê-lo-á tanto mais, quanto melhor conjugar o verbo Servir. P. Fausto in Diálogo nº1816 (Domingo IV da Quaresma – Ano...
Learn MoreNeste domingo surpreendemos Jesus em terras da Samaria, terras ocupadas por samaritanos, gente de outra tradição e religião, em diálogo franco e respeitoso com uma mulher, indiferente às consequências dos tabus sócio-religiosos dominantes. Tudo se passa à borda de um poço comunitário, em hora de grande cansaço e calor.Ao pedido de Jesus, “Dá-me de beber”, responde a mulher admirada: “Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?” A conversa, iniciada por Jesus, foi longa e fica para a história como modelo de diálogo fecundo, verdadeiramente salvífico, capaz de ultrapassar barreiras sociais, religiosas e jurídicas.Neste encontro inesperado, Jesus, apesar do seu estatuto religioso e de homem judeu, não se afirma com a superioridade de um rico, mas com a humildade de um pobre. E a samaritana, que não se sente julgada, nem humilhada, nem criticada pelo seu presente e passado, larga o seu cântaro, porque dessa água já não tem sede, e corre à cidade a anunciar que encontrou a Fonte da Água Viva, que enche o coração e dá sentido à vida.Aprender de Jesus a difícil arte do diálogo e da samaritana a coragem e a alegria de anunciar Jesus Cristo é assunto para todos os dias, mas especialmente para quem quer viver a sério a Quaresma. P. Fausto in Diálogo nº. 1815 (Domingo III da Quaresma – Ano...
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