Deus em primeiro !

O cap. 10 de S. Mateus continua a centrar a nossa atenção, mesmo sentindo o discurso de Jesus cada vez mais exigente. E hoje parece que a fasquia foi levantada muito alto: “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim”. E o mesmo se diz em relação aos filhos. Com estas palavras, parece, à primeira vista, que Jesus anda carenciado e ressentido, a ponto de desvalorizar as relações mais profundas e sagradas que se constroem na familia. Nada disso.Jesus não instaura no coração humano qualquer competição entre afectos. Não rouba nada. O que diz hoje claramente é que a felicidade não depende de termos uma família, carros, casa, saúde, bom emprego e futuro risonho, mas da generosidade e capacidade de conjugar o verbo AMAR, segundo a nossa vocação e estado de vida.Não nos assustemos com as exigências do Evangelho. São difíceis, mas não impossíveis. Prova-o a história da Igreja que está cheia de homens e mulheres que encarnaram séria e fielmente estas exigências.Apesar de ser grande o grau de dificuldade, não nos dispensemos de manter o mais alto possível a fasquia proposta por Jesus aos seus discípulos, sendo certo que nem um copo de água fresca, dada com amor, deixa de ser recompensado.Porque nunca perdemos com Deus, nada devemos antepor a Deus, como nos diz Jesus e recorda o mestre S. Bento. P. Fausto in Diálogo nº. 1831 (Domingo XIII do Tempo Comum – Ano...

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“Não temais…”

O Evangelho de hoje está cheio de expressões e imagens que confortam e inspiram uma amorosa confiança na Providência de Deus, que em todas as circunstâncias da vida tem a última palavra: “Não se vendem dois passarinhos por uma moeda? E nem um deles cairá por terra sem consentimento do vosso Pai. Não temais os que matam o corpo… até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados”.Apesar de tudo, os passarinhos continuam a cair e a violência parece levar a melhor, os ricos são cada vez mais ricos e os pobres mais e mais pobres… e a vida está sempre mais dura. E isto mete medo, e faz-nos vacilar, tantas vezes!O medo não é contrário à fé. O Senhor sabe bem que temos medo e que há muitas razões para isso. O próprio Jesus experimentou duramente medo no Monte das Oliveiras, a ponto de suar sangue. Mas longe de se deixar bloquear e levar pelo medo, abandonou-se nas mãos do Pai (Lc. 22,42), porque também sabia que todos os seus cabelos estavam contados.Sentindo nós medo por tanta coisa que nos assusta e aflige, no presente e no futuro, ouçamos Jesus que nos diz que, depois de fazermos tudo o que está ao nosso alcance, só nos resta confiar em Deus, cuja palavra será sempre de Amor e Misericórdia. P. Fausto in Diálogo nº. 1830 (Domingo XII do Tempo Comum – Ano...

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“Como ovelhas sem pastor”

Jesus dava frequentemente conta de que havia muita gente que vivia fatigada e abatida, desanimada, sem alma, sem liderança, sem esperança. Verdadeiramente como ovelhas sem pastor. E isso chocava-O profundamente e enchia-lhe o coração de compaixão.Não faltavam mestres da lei e sacerdotes do culto e as sinagogas enchiam-se a cada sábado, mas as pessoas continuavam cansadas e abatidas, porque os seus problemas e preocupações não obtinham resposta de nenhum poder, inclusivé religioso. Ninguém cuidava delas.Hoje, o retrato social não é assim tão diferente. A messe é maior e mais complexa e faz também aumentar consideravelmente as multidões que vivem como ovelhas sem pastor, por não verem atendidos os seus problemas e esperanças. Dessas, que Deus também ama e a quem nos envia, nos constituiu particularmente responsáveis.Jesus não pedia no Evangelho funcionários mas trabalhadores. Funcionários havia muitos. Hoje também não é tanto de funcionários que precisamos, mas de pastores “com cheiro a ovelha”, na feliz expressão do Papa Francisco. Pedi-los, é cada vez mais necessário e urgente. P. Fausto in Diálogo nº. 1289 (Domingo XI do Tempo Comum – Ano...

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Um Olhar diferente!

Jesus passou à frente da banca do cobrador de impostos e disse-lhe: “Segue-me”. E ele levantou-se e seguiu Jesus. O cobrador era Mateus, da classe dos publicanos, de profissão pouco recomendada e nada apreciada, porque cobrava os impostos a entregar ao ocupante romano.Considerado pecador público e habituado ao olhar de desdém e aos comentários pouco abonatórios por quem se aproximava, Mateus viu que o olhar de Jesus era diferente e não hesitou em segui-Lo. Pela primeira vez sentiu-se olhado com respeito, sem recriminações ou ameaças. E a sua vida mudou. Mudou radicalmente!Agora já não o vemos a cobrar impostos e rodeado por pessoas de mau humor e com má vontade, mas a encher a sua casa de convivas, publicanos e pecadores, todos sentados à mesa, a partilhar com alegria a presença de Jesus e o pão da amizade e do respeito de uns com os outros.Há olhares e olhares. O de Jesus, hoje como ontem, não se impõe, não intimida, não repreende, não julga, não violenta, mas liberta, pacifica e convida a segui-Lo como Mateus, que trocou tudo e esqueceu a banca por um projecto de vida boa, alegre e feliz. P. Fausto in Diálogo nº. 1828 (Domingo X do Tempo Comum – Ano...

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“Deus é Amor”

Ao retomarmos o Tempo Comum, interrompido com a Quaresma e o Tempo Pascal, dedicamos o primeiro domingo livre a celebrar a Santíssima Trindade.Toda a Liturgia é dirigida ao Pai, por intermédio do Filho, no Espírito Santo. Todos os actos da Igreja, a começar pelos sacramentos, são realizados e celebrados mediante a invocação da Trindade Santa.Este mistério, que pode parecer distante, toca a vida no nosso íntimo mais profundo, porque Deus não se revela solidão mas comunhão. É Família. É Trindade. Um só Deus em três Pessoas. Nenhuma cátedra ou púlpito definiu tão bem Deus como o apóstolo S. João: “Deus é Amor“.Não se é, pois, cristão, por se saber muita doutrina, com fórmulas e conceitos mais ou menos elaborados e decorados, mas por se acreditar que “Deus amou tanto o mundo, que entregou o Seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita nele não pereça, mas tenha a vida eterna”, como disse Jesus a Nicodemos.Que a celebração da solenidade da Santíssima Trindade nos faça penetrar mais profundamente neste Mistério de Amor e descobrir o valor e a necessidade de nos benzermos sempre bem, porque até o simples gesto de nos benzermos, tantas vezes feito de modo ligeiro, maquinal e rotineiro, se torna, quando feito conscientemente, verdadeiro acto de Fé no Mistério de Deus. P. Fausto in Diálogo nº. 1827 (Solenidade da Santíssima Trindade – Ano...

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Pentecostes

A vida dos discípulos ao longo dos últimos cinquenta dias foi razoavelmente tranquila, com momentos de medo que os tolhiam e barricavam e com dúvidas, algumas delas persistentes. Tudo pacientemente foi superado por Jesus.Com o Pentecostes, porém, algo aconteceu, que virou do avesso estes homens, peritos nas artes da pesca e pouco dados às letras. Sem serem profissionais da palavra, nem ágeis na eloquência, falavam com uma alegria e convicção, que encantava e convertia, a ponto de passarem por ébrios. E não se calavam, apesar de mal tratados.O Espírito Santo continua presente e vivo. Com efeito, a Igreja, que estava reunida no Cenáculo, esperando que se cumprisse a promessa de Jesus, continua a viver hoje da acção do Espírito Santo, única garantia de fidelidade ao projecto de Cristo. P. Fausto in Diálogo nº. 1826 (Domingo de Pentecostes – Ano...

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Este é o nosso Tempo !

Celebramos neste Domingo a solenidade da Ascensão de Jesus. O ambiente é de festa, ainda que não seja habitual tanta alegria em momentos de despedida. Não se trata, porém, de uma verdadeira despedida, porque Jesus não foi para uma qualquer zona afastada do cosmo, cansado e agastado pelas nossas resistências e dificuldade e saudoso dos braços do Pai.Na Ascensão, Jesus não partiu para lá das nuvens, mas para lá das formas. Doravante, não aparecerá aos discípulos no primeiro dia da semana, nem os acompanhará fisicamente, mas deixa claro que não estarão nunca sozinhos, haja o que houver, aconteça o que acontecer.Gosto de pensar nesta Festa em que Jesus mostra a Sua total confiança num grupinho de pessoas, mulheres e homens, alguns ainda amedrontados e desconfiados, a quem entrega o mundo e confia a missão de ensinar todas as nações e baptizar “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.A mesma missão nos cabe, também hoje, apesar dos nossos pecados, infidelidades e resistências. A missão é enorme, é mesmo humanamente incomportável, mas as palavras de Jesus dirigidas aos discipulos mantém-se actuais: “Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos”. Então, mãos à obra. Este é o nosso tempo! P. Fausto in Diálogo nº. 1825 (Solenidade da Ascensão do Senhor (Domingo VII da Páscoa) – Ano...

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“Não vos deixarei órfãos”

Aproxima-se o termo do Tempo Pascal e a Igreja insiste no discurso de Jesus aos discípulos, na Última Ceia, recordado, certamente, depois da Ressurreição.Como então, também hoje há muita coisa que nos aflige, desconforta, faz sofrer e experimentar plenamente actuais as Palavras de Jesus: “Não vos deixarei órfãos”.Sim. “Não vos deixarei órfãos: voltarei para junto de vós”. Como quem diz: nunca Me vou separar; vou apenas preparar-vos um lugar nas muitas moradas que tem a casa de meu Pai. E vós sabeis que falo sempre a Verdade.Entretanto, continua Jesus: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos”, fazendo vosso o meu projecto e estilo de vida. Sem castigos, imposições, medos ou falsas promessas, mas livres, confiantes, alegres, ainda que frágeis e “Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Defensor, para estar sempre convosco”. Nas horas de tristeza e de alegria. Em todas as circunstâncias.Palavras de Jesus que inspiram confiança, dão conforto e levantam o ânimo aos discípulos de todos os tempos. P. Fausto in Dialogo nº. 1824 (Domingo VI da Páscoa – Ano...

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“Eu sou o Caminho…”

As dúvidas e o desconforto em relação ao futuro são tema cada vez mais recorrente nas conversas dos discípulos entre si. É verdade que Jesus aparece regularmente, mas será sempre assim?No V Domingo do Tempo Pascal, Jesus, ao ver estampadas todas estas dúvidas, responde pacientemente: “Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em mim. Em casa de meu Pai há muitas moradas… Vou preparar-vos um lugar…”.Tomé, sempre ele, desejando indicações claras sobre o caminho para a cidade prometida, obtém de Jesus como resposta “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. E nada mais acrescenta.A mesma resposta continua Jesus a dar-nos para entendermos a existência como estrada com dificuldades e obstáculos, é certo, mas com sentido e horizontes tão largos como o coração de Deus. Na verdade, só com Ele, “Caminho, Verdade e Vida” somos felizes e aprendemos a viver, apesar dos medos e bloqueios, que, por si, nos condenariam à esterilidade de uma vida inútil e sem sentido. P. Fausto in Diálogo n.º 1823 (Domingo V da Páscoa – Ano...

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O Bom Pastor

O Tempo Pascal já vai longo e não tem sido fácil. Já não há dúvidas sobre a Ressurreição, mas há medos a vencer e, sobretudo, o desconforto do futuro começa a notar-se, à medida que o tempo vai passando. Jesus sabe bem disso, sabe das capacidades e medos, dos defeitos, virtudes e ritmos dos que escolheu. Sabe e não repreende nem julga, bem pelo contrário. Adapta-se. É enorme a Sua paciente pedagogia !Neste Domingo, o quarto do Tempo Pascal, Jesus parece começar a preparar o coração dos discípulos para a “partida”, ao lembrar-lhes a catequese, então não compreendida mas sempre actual, do Bom Pastor. Bem necessário se torna, em todos os tempos e circunstâncias, trazer à memória a Catequese em que Jesus se afirma, com verdade e autoridade, não ser um pastor que persegue e ralha com as ovelhas, mas as precede, as seduz com o seu caminhar e as fascina com o seu exemplo, sem deixar nenhuma para trás. E não descansa sem encontrar a que se perdeu, e, quando a encontra, não a fecha ou castiga, mas carrega-a aos ombros, amorosa e livremente, de volta ao rebanho.Catequeses como esta pacificam o coração e convidam-nos ainda hoje e sempre a seguir este Pastor que cuida de todos nós. P. Fausto in Diálogo nº. 1822 (Domingo IV da Páscoa – Ano...

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