Na sua vida pública, os encontros de Jesus com os escribas eram frequentemente polémicos e tensos.Hoje, porém, com um deles houve franqueza, respeito e até sintonia, em relação ao primeiro de todos os mandamentos.A resposta de Jesus com as palavras do Deuteronómio mereceu o assentimento do interlocutor, para quem o amor a Deus acima de todas as coisas e o amor ao próximo como a si mesmo, tinha mais valor que todos os holocaustos e sacrifícios.O comentário inteligente do escriba leva Jesus a concluir que o Reino de Deus e a felicidade do homem não são questões de regras e ritos, mas de amor. Tão só de amor. E que não é possível dissociar o amor a Deus do amor ao próximo, porque se amo a Deus, amo o que Deus ama e o que Deus mais ama é o homem. Cada homem e todos os homens. Por isso, “não há nenhum mandamento maior que estes”, que se resumem apenas no verbo amar. A Deus e ao próximo. P. Fausto in Diálogo nº. 1886 (Domingo XXXI do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreJesus nunca virou as costas e deixou de atender quem quer fosse. Hoje ia a sair de Jericó, em direcção aJerusalém, rodeado por muita gente, quando ouviu alguém a gritar com plenos pulmões: “Jesus, Filho deDavid, tem piedade de mim”. Tratava-se de um cego, pobre e sentado na berma da estrada, chamadoBartimeu.Era grande e ruidosa a multidão, mas ninguém o faz calar: “Filho de David, tem piedade de mim”. Jesus,sempre atento ao que se passa, pára e manda-o chamar. E tudo se transforma. De um salto, e atirando fora a capa em que enrolava o seu pobre corpo, precipita-se para a voz que o chama. Vai sem ver, mas sabe que caminha na direcção certa.Com a atenção dada ao cego, pobre e desanimado Bartimeu, Jesus parece querer dizer-nos, no princípiodeste ano pastoral, que o gemido de quem está mal, o lamento dos pobres, a solidão dos idosos e o olhar triste e ausente dos sem esperança, também são Palavra de Deus, que importa ouvir e responder de forma articulada, criativa e eficaz. P. Fausto in Diálogo nº. 1885 (Domingo XXX do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreMais uma vez Jesus se revela um magnífico gestor de conflitos, mesmo entre os discípulos, como no Evangelho de hoje, com os filhos de Zebedeu e os demais: “Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua direita e outro à tua esquerda… E os outros dez, ouvindo isto, começaram a indignar-se contra Tiago e João”, ao verem naquelas palavras sonhos de grandeza e expectativas de futura promoção.Com infinita paciência, Jesus chama a todos e diz “quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo, e quem quiser entre vós ser o primeiro, será escravo de todos”.Sonhar com o poder e procurar o poder não é mau, o que é mau é exercer o poder “como os grandes da terra”. Ao contrário, Jesus veio para servir e não ser servido… e dar a vida… Esta é a glória que Jesus propõe e o verdadeiro ensinamento, que quer deixar a todos os seus discípulos. P. Fausto in Diálogo nº. 1884 (Domingo XXIX do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreTinha tudo para um final feliz o encontro do homem com Jesus, relatado por S. Marcos neste domingo. Mas não teve. Tratava-se de alguém de vida religiosa irrepreensível e materialmente desafogada, com saúde e bem conceituado, que sente necessidade de algo mais e diferente para se realizar e sentir feliz.“Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna ?” À questão tão genuína e importante, responde Jesus com um olhar profundo, meigo e cheio de afeição: “Falta-te apenas uma coisa: vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no Céu. Depois, vem esegue-me”. E diz o Evangelho que o homem se retirou triste por ter muitos bens.Cristo não nos chama a uma vida de sacrifícios e despojamentos, nem nos quer árvores secas, sem ramos e frutos, mas homens e mulheres livres, de coração livre e desapegado de coisas, riquezas e até de pessoas, capazes de acolherem o convite a deixar tudo para se ter tudo.O homem rico do Evangelho de hoje não descobriu que era a partilha e não a pobreza, a liberdade e não a renúncia, a que Jesus o chamava, porque, no prato da sua balança, o que possuía pesava mais que tudo. E retirou-se pesaroso. P. Fausto in Diálogo nº. 1883 (Domingo XXVIII do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreApesar de numerosas e pacíficas, algumas catequeses de Jesus foram tensas e polémicas. Não estranhemos, pois, que, hoje, alguns fariseus se tenham aproximado de Jesus “para o porem à prova”, sobre um assunto consensual e juridicamente fundamentado em lei dos tempos de Moisés: “Pode ou não um homem repudiar a sua mulher?”Pressentindo as suas intenções, Jesus não foge à questão e passa a lembrar-lhes o sonho de Deus, já expresso no Livro do Génesis: “Deus fê-los homem e mulher. Por isso, o homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa, e os dois serão uma só carne… Portanto, não separe o homem o que Deus uniu”.O sonho de Deus são os dois que se procuram, os dois que se encontram, os dois que se amam e que se tornam uma só carne. E crescem juntos, lado a lado, com dificuldades e com alegrias, assumindo as diferenças como riqueza na realização de um projeto de comunhão crescente de duas liberdades que não se demitem nem desistem. Assim sendo, na realização deste sonho, não há para o homem ou para a mulher lugar ao divórcio.Não sabemos se a catequese convenceu os fariseus, mas foi uma oportunidade óptima para Jesus expôr o sonho de felicidade, que Deus oferece a quem é chamado à aventura da Comunhão Conjugal. P. Fausto in Diálogo nº. 1882 (Domingo XXVII do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreOs discípulos andam “numa de queixinhas” uns com os outros, e desta vez é João a queixar-se a Jesus de um homem que realizava coisas extraordinárias, inclusivé exorcismos, mas, por não ser do grupo, devia ser admoestado e impedido. A resposta do Mestre não se fez esperar: “Não o proibais… quem não é contra nós é por nós”.Enquanto que para Jesus o importante é acudir às necessidades das pessoas, porque o bem é sempre bem, vindo de onde vier, para os apóstolos o mais importante é pertencer ao “grupo dos doze”. A tentação dos discípulos, porém, de levantar barreiras, erguer cercas e defender o grupo, também é de hoje. Não repitamos os seus erros.Quantos no mundo, pelo bem que fazem, seguem a Cristo sem o saber! Não pertencem ao Grupo, é verdade, não são homens da Igreja, nem mesmo são baptizados, mas, pelo esforço em tornar o mundo melhor, fazem acontecer o Reino de Deus e seguem Cristo, que nos deixa o mandamento do Amor, como sinal de pertença ao Reino, sem barreiras nem fronteiras. P. Fausto in Diálogo nº.1881 (Domingo XXVI do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreNuma das últimas caminhadas com os seus melhores amigos, Jesus confidencia algo vital: “O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens e eles vão matá-lo”. Os discípulos, porém, em vez de acolherem e partilharem este drama, falam de carreiras, e, completamente desinteressados da partilha dramática de Jesus, discutem sobre “qual deles era o maior”.Qualquer um de nós, além de triste e desiludido, ficaria ofendido com tal situação. Mas Jesus não se ofende, não acusa, não censura os discípulos e sabe, pela reacção de Pedro, no domingo passado, que os discípulos ainda não estão maduros para aceitar e compreender o sofrimento e a morte do Messias, nem a regra de ouro do Mestre: “Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos”.Apesar de tudo, Jesus não omite nem se cala nesta matéria, porque não quer seguidores incautos, desprevenidos e carreiristas, mas discípulos generosos, humildes e conscientes, sempre dispostos a aprender como as crianças, e a resistir à tentação das luzes da ribalta ou do púlpito mais alto para serem mais vistos e melhor ouvidos. P. Fausto in Diálogo nº. 1880 (Domingo XXV do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreNa escola de Jesus todos os momentos são importantes, mesmo o tempo das longas e suadas caminhadas, como a de hoje em terras de Cesareia de Filipe. Sem guião mas sempre com objectivos claros, Jesus não perde tempo e, em jeito de sondagem, pergunta aos discípulos: “Quem dizem os homens que Eu sou?”.Com a resposta bela, mas não satisfatória, vem outra pergunta: “Mas vós, quem dizeis que Eu sou?” Pedro, que não andara em nenhuma escola rabínica, nem seriam profundos os seus conhecimentos teológicos, responde com desassombro: “Tu és o Messias”.Jesus não quer, em verdade, que os discipulos se contentem com aquilo que ouvem dizer, não pede definições abstractas ou fórmulas aprendidas de cor, mas o relato de uma verdadeira experiência. E foi o que aconteceu com Pedro.Que resposta daríamos a Jesus, se nos perguntasse: quem sou Eu para ti? Os livros e catecismos são importantes, mas a resposta é de carácter pessoal, resultante de uma verdadeira experiência de encontro com o Senhor, sem a qual poderemos saber muitas coisas de Jesus, mas não seremos verdadeiramente Seus discipulos. P. Fausto in Diálogo nº. 1879 (Domingo XXIV do Tempo Comum – Ano...
Learn More“Nem tinham tempo para comer”! Era assim a agenda diária de Jesus. Daí o convite aos apóstolos: “Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco”.Mas face à multidão que O seguia por todo o lado, sem mesmo o deixar descansar, “encheu-se de compaixão por aquelas pessoas, porque eram como ovelhas sem pastor”.Assim era Jesus, sem eira nem beira, nem tempo para comer e descansar, mas sempre com Tempo para estar com o Pai, acontecesse o que acontecesse. Aos apóstolos, porém, aconselha a que considerem o descanso como parte da missão. E assim deve ser.Também o Concílio Vaticano II nos diz numa das suas Constituições: “depois de haver aplicado a um trabalho o seu tempo e as suas forças, de uma maneira conscienciosa, todos devem gozar de um tempo de repouso e de descanso suficiente para se dedicarem à vida familiar, cultural, social e religiosa”.Aproveitemos, então, o tempo de férias para descansar, ler, conviver e rezar, a fim de enfrentarmos com coragem e ânimo redobrado os desafios do próximo ano. P. Fausto in Diálogo nº. 1878 (Domingo XVI do tempo Comum – Ano B) (do Diálogo...
Learn MoreSempre houve pessoas extraordinárias, carismáticas, reconhecidamente proféticas. A profecia de cada baptizado, porém, é a chamada profecia do quotidiano, exercida na família, na profissão, no contexto em que se vive, e não depende do grau de instrução ou da posição social, mas sim de um coração generoso, de uma consciência reta e de um grande amor à verdade.Os habitantes de Nazaré, embora reconhecendo a sabedoria e o discurso de Jesus e os Seus feitos admiráveis, não Lhe dão valor, incapazes de ultrapassar os preconceitos familiares e a humildade profissional que os calos das mãos revelavam. É que o Messias não podia vir de uma família em tudo igual às demais, conhecida por todos, e apresentar-se com mãos de carpinteiro. “E ficavam perplexos a seu respeito”.O que para nós é graça leva os nazarenos à rejeição, que, honestamente, Jesus não esperava dos seus conterrâneos, mas nem isso O demoveu de curar alguns doentes, apesar de estranhar “a falta de fé daquela gente”.“E percorria as aldeias dos arredores, ensinando”. Assim termina o Evangelho deste XIV Domingo do Tempo Comum, segundo S. Marcos, a dizer-nos que Jesus, o Filho de Deus, apesar dos revezes, não castiga, não se cansa de anunciar a Boa Nova, não desiste de nós e não alimenta rancores de ninguém. P. Fausto in Diálogo nº. 1876 (Domingo XIV do Tempo Comum – Ano...
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