“Vinde comigo”

“Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus”. Parece, com verdade, ter pressa, pois, no seu dizer, “cumpriu-se o tempo”. E não há tempo a perder quando o anúncio é a Boa Nova do Reino !Não estranhamos, pois, que, em caminhada na margen do lago de Genesaré, Jesus encontre gente a trabalhar. Eram pescadores. Homens de tez bronzeada, de mãos rudes e calejadas, que asseguravam o seu sustento na pesca. Certamente não eram letrados, nem pertenciam às elites religiosas ou civis, mas chamou-os e eles seguiram-no, sem porquê nem para quê. Simplesmente. A resposta foi pronta e generosa, apesar da estranheza da promessa: “Farei de vós pescadores de homens”.Passado todo este tempo, Jesus continua a convidar, com as mesmas palavras dirigidas aos apóstolos. E ainda com mais pressa e sem cansar, porque as mudanças são rápidas, os ouvintes numerosos e as necessidades urgentes. Haja, porém, muitos, que respondam com a determinação e a confiança dos apóstolos. P. Fausto in Diálogo nº. 1852 (Domingo III do Tempo Comum – Ano...

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“Que procurais?”

A cena passa-se junto do Jordão. É João Baptista, o Precursor, que dá a conhecer Jesus: “Eis o Cordeiro de Deus”. De imediato, dois dos seus discípulos começaram a seguir Jesus, que, voltando-se, perguntou-lhes: “que procurais?” Palavras de Jesus, repetidas também a cada um de nós, especialmente no princípio de mais um ano.“Que procurais”? Saúde, dinheiro, casa…? A pergunta faz-nos perceber que há qualquer coisa que nos falta e que responde ao vazio que experimentamos dentro de nós mesmos.Então, que fazer? Jesus, como aos discípulos, não pede que adiramos a uma nova doutrina, não pede esforços, renúncias ou sacrifícios; responde apenas: “vinde ver”. E eles, ao que viram e ouviram, logo partilharam com outros a gratificante experiência realizada neste primeiro encontro.No princípio da sua vida pública e no início de ano, também Jesus se dirige a nós, ricos de tantas coisas, para nos ensinar desejos mais altos do que as coisas, e a não nos contentarmos só com o pão, com o bem-estar ou com um pouco mais de sucesso e poder. P. Fausto in Diálogo nº. 1851 (Domingo II do Tempo Comum – Ano...

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Em Jubilosa Esperança !

Na Epifania continuamos a celebrar o Natal de Deus, que entrou no mundo, sem defesas nem mordomias, para ficar connosco, tantas vezes sem ressonância e sem resposta, ou até para permanecer incógnito e de todos desconhecido, “apesar de vir para os seus e os seus não O receberem”.Como ontem, acontece hoje. E Jesus continua, de lanterna na mão, sem jamais desistir, à procura do homem, de todos os homens, por becos, vielas ou estradas. Porque é a LUZ.O ano novo mal nasceu e a aventura é longa, insegura e surpreendente. Bem precisamos da Luz Divina que ilumina e dá segurança ao caminho, inspira coragem nas dificuldades, dispõe-nos às surpresas e assegura-nos o conforto de Deus, que Se oferece, em todas as circunstâncias, como Companheiro de viagem. Para todos, então, votos ardentes de Luminosa e Santa Epifania. P. Fausto in Diálogo nº. 1850 (Solenidade da Epifania do Senhor – Ano...

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A Mais Inspiradora Família !

Escrupulosamente cumpridores da Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor e oferecerem em sacrifício o que na Lei estava previsto. Era o que faziam os pais dos meninos primogénitos. Os de Jesus não foram excepção.Curiosamente, no templo, ninguém os acolheu. A sua presença passou despercebida a todos, excepto a Simeão que, “movido pelo Espírito Santo”, se dirige, naquela hora, ao templo, e os saúda com todo o respeito. Apesar de ancião, as suas palavras não sabem a nostalgia por tempos há muito passados, nem são conselhos piedosos àqueles jovens pais, mas fala-Lhes do futuro salvífico e luminoso daquele Menino que têm nos braços. O mesmo aconteceu à velhinha Ana, que, entretanto, veio ao templo fazer a sua oração.Até agora, só os olhos dos pastores, dos pobres, dos humildes, dos anciãos, reconhecem naquele Menino, com alegria, o Salvador. Hoje não é diferente, pois são numerosos os distraídos, os indiferentes, os agnósticos e os descrentes, que, mesmo baptizados, não têm tempo para contemplar o Presépio e descobrir na Sagrada Família a fonte de Bênçãos e a inesgotável inspiração para a vida pessoal e familiar. P. Fausto in Diálogo nº. 1849 (Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José – Ano...

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Celebremos o Natal !

A sorte do mundo não é decidida na Roma Imperial, mas em Nazaré, na Galileia, um recanto perdido na periferia das periferias do imenso império romano. Numa sociedade estruturalmente maxista, em que o poder é dos homens anciãos, Deus dirige-Se, quem diria, a uma jovem rapariga, propondo-lhe aceitar a mais bela e desejada missão: Ser a Mãe do Salvador. E assim aconteceu !Em Belém, onde se fora recensear com o esposo, Maria deu à luz o seu Filho primogénito. “Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura”, por não haver outro lugar para nascer. Assim, Deus abandona-se nas mãos de uma jovem mulher, e esta, com a solicitude providente e amorosa do esposo José, alimenta-O de leite, de carícias e de sonhos. Que Família tão Sagrada, cuja contemplação nos ajuda a reorganizar a vida !No Natal Deus recomeça uma nova ordem e entra no mundo precisamente a partir dos últimos, a partir do ponto mais baixo, para que ninguém, por mais difícil que seja a vida, se sinta abaixo dEle e marginalizado por Ele.Celebremos, então, o Natal, para que, sendo a mais humana e terna festa do calendário litúrgico, nos traga a Alegria doce da presença do Emanuel e nos encha o coração da Esperança que nos compromete na construção de um Mundo Novo de fraternidade, de justiça e de paz.Para todos um Santo e Feliz Natal. P. Fausto in Diálogo nº. 1848 (IV Domingo de Advento – Ano...

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“Quem és tu ?”

Quem és tu, perguntavam a João Baptista, intrigados pelo que fazia e pela maneira como vivia. Afinal de contas não és o Messias, não és Elias ou outro profeta, e andas p’raí a baptizar, com que autoridade? Não é por nada, mas é para respondermos a quem nos perguntar sobre a tua pessoa e o que fazes.Eu não sou quem pensais, responde João Baptista. Não sou profeta, nem filho de profetas, nem tão pouco tenho pergaminhos de família que me abonem. Sou apenas voz que dá voz ao que o profeta Isaías já dizia: “Endireitai o caminho do Senhor”! Apesar de tudo, mesmo que ninguém me queira ouvir, não me calarei. A minha missão é ajudar quem deseja preparar a vinda do Messias.Assim como a voz de João Baptista, que converte uns e perturba outros, seja também hoje incómoda a nossa voz, como testemunhas do Messias que já veio e está presente, das mais diversas maneiras, nas pessoas com que nos encontramos ou passam ao nosso lado. P. Fausto in Diálogo nº,. 1847 (Domingo III do Advento – Ano...

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Atentos e vigilantes !

No Domingo passado, com o cap. 25 do Evangelho de S. Mateus, terminámos um ano liturgico, e neste começamos outro, sob o olhar atento de S. Marcos.Como sempre, o Advento, tempo curto de pouco mais de três semanas, é especialmente propício à conjugação do verbo “aproximar”, porque tudo parece, neste tempo, tornar-se mais próximo: Deus de nós, nós uns dos outros, e cada um consigo mesmo. Se não formos capazes ou não quisermos aprender esta gramática, viveremos este mês a pensar nas prendas. E isso não é o Advento.As luzes já nos confundem e o estímulo à compra é insistente e, sem nos apercebermos, esqueceremos a parábola de hoje, em que o senhor parte, deixa a sua casa, dá plenos poderes aos servos, atribui a cada um a sua tarefa, e volta quando entender, esperando de cada um o cumprimento dos seus deveres.O Senhor da parábola é o nosso Deus, Deus que nos confia o mundo e confia-nos uns aos outros, para que responsavelmente cuidemos da casa comum, onde ninguém se deveria sentir excluído, mas amorosamente acolhido e cuidado. Dessa responsabilidade há-de pedir-nos contas quando vier em glória e majestade. Até lá é o nosso tempo, o tempo do Advento. P. Fausto in Diálogo nº. 1745 (Domingo I do Advento – Ano...

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Sentença Final

Com a visão majestosa do “Juízo Final” termina o ano litúrgico pela mão do Evangelista Mateus. Cena dramática e universal que ensina a verdade última do homem. Na verdade, o que resta da vida quando não resta mais nada? Só resta o amor, o amor ao próximo.Tive fome, sede, era estrangeiro, estava nu, doente, na prisão… e ajudaste-me, porque “quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizeste”, respondeu Jesus aos que Lhe perguntavam onde e como acontecera.Surpreendente é também a atitude dos outros que não fizeram mal aos pobres, não ameaçaram, não maltrataram, não humilharam… e foram condenados. Porque? Simplesmente nada fizeram. Andaram a vida inteira absorvidos com os seus negócios e projectos e não tiveram tempo para mais nada.Esquecendo que os olhos dos pobres são os olhos de Deus, tiveram como sentença “Afastai-vos de mim”. Não vos conheço. P. Fausto in Diálogo n.º1844 (Domingo XXXIV do Tempo Comum – Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo – Ano...

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As contas de Deus !

Quase no termo do ano litúrgico, Jesus brinda-nos com uma parábola, a dos talentos.Talentos não são só as nossas capacidades e virtudes, mas também a natureza e as pessoas são dons, quais talentos que devemos fazer crescer e desenvolver sem medo, porque o medo paralisa e torna-nos vencidos e estéreis, como aquele a quem foi confiado apenas um talento.Somos, então, convidados no Evangelho de hoje a não termos medo, a não metermos medo e a libertarmo-nos do medo. E o medo dos medos é o medo de Deus, que, ao devolver aos servos os talentos que confiou, acrescidos do que ganharam, não se revela um patrão exigente e rigoroso, mas largamente generoso: “Servo bom. Foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes”.Esta sorte, porém, não merecera o servo que recebera apenas um talento, que escondeu e enterrou com medo do seu Senhor, pensando que assim cumpriria o dever. Enganou-se. Foi traído e bloqueado pelo medo. Esqueceu-se de que somos todos diferentes, com talentos diferentes, mas todos com a responsabilidade de os valorizar maximamente.As contas de Deus não são quantitativas mas qualitativas, dependendo do amor e empenho em tudo quanto se faz… P. Fausto in Diálogo nº. 1843 (Domingo XXXIII do Tempo Comum – Ano...

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O tempo é de vigilância

“O reino dos Céus pode comparar-se a dez virgens… cinco eram insensatas e cinco eram prudentes”. Assim começa a parábola que Jesus nos traz neste XXXII domingo, que, lida superficialmente, até nos parece algo injusta e nada solidária. Mas não. Todas as jovens foram convidadas, esmeraram-se nos vestidos e aguardavam ansiosas a chegada do noivo e o início da festa. A noite, porém, antecipou-se. E todas adormeceram !“Aí vem o esposo; ide ao seu encontro”. Estremunhadas, mal tiveram tempo de agarrar a candeia e o necessário convite para a entrada. À cautela, cinco preveniram-se com mais azeite, e, de candeias acesas, percorreram com segurança o caminho que as levava à festa. E entraram a tempo e sem dificuldades. As outras cinco, porém, à procura do azeite para as suas lâmpadas, atrasaram-se e encontraram a porta fechada.Jesus não explica o que é o azeite das lâmpadas. Cabe a cada um fazê-lo. Uma coisa é certa: todos estamos convidados para a festa, mas o caminho íngreme, e às vezes pouco iluminado, da nossa vida, exige sempre vigilância, responsabilidade e cuidados que só cada um deve ter, senão, como as virgens insensatas que escolheram uma vida superficial, desleixada e descuidada, arriscamo-nos a encontrar fechada a porta de acesso ao local da festa. P. Fausto in Diálogo nº.1842 (Domingo XXXII do Tempo Comum – Ano...

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