“Eu sou o Bom Pastor”, assim se define Jesus neste Domingo IV do Tempo Pascal, com que se encerra a Semana de Oração pelas Vocações.Não apenas pastor, e muito menos comerciante de ovelhas, Jesus afirma-se como o Bom Pastor, porque conhece cada ovelha e só está bem quando cada uma das ovelhas se sente bem. A todas defende e ama por igual e por todas dá a vida.Jesus é o Bom Pastor que não veio pregar uma doutrina, trazer um sistema de pastoreio rentável ou impôr um conjunto de regras, mas ensinar como devemos ser pastores, embora de um rebanho menor, cuidando uns dos outros e desta nossa casa comum.Só seremos bons pastores se tivermos sempre presente o exemplo do Bom Pastor, que não apenas cuida de todas as ovelhas, mas está disposto a dar a vida por cada uma delas.Continuando a pedir a Deus pastores segundo o Coração de Jesus, não faltarão na Igreja padres, religiosos, religiosas, missionários, missionárias e leigos que sirvam a família, segundo o projecto de Deus, e integrem outros serviços e ministérios, tão urgentes quanto necessários, na Igreja de hoje. Pe. Fausto in Diálogo nº. 1865 (Domingo IV da Páscoa – Bom Pastor – Ano...
Learn MoreBela saudação para quem está espantado e com medo! Assim saudou Jesus os discípulos no encontro que hoje relata S. Lucas. A surpresa do momento e a vergonha pelo comportamento de todos quando o Mestre e Amigo mais deles precisava, fechavam as portas do coração à Paz, que Jesus apenas queria oferecer.Não sou espírito nem fantasma… vede as minhas mãos e os meus pés… tocai-me. “Não tendes nada paracomer?”Jesus bem sabia que acreditar na Ressurreição não resulta de discurso filosoficamente consistente, mas de Fé estruturada em experiência, daí o recurso aos verbos tocar, ver e comer, para vencer os medos e ultrapassar as dúvidas. E os discípulos logo passam à alegria, à admiração e ao êxtase.Cabe-nos hoje a tarefa de testemunhar, como os apóstolos então, que Jesus não é um fantasma, não é produto de imaginação piedosa ou religiosidade doentia. Está vivo e presente em cada pessoa, mas especialmente nos mais pobres, doentes e marginalizados. Servi-los é tocar hoje os pés e as mãos do Crucificado e Ressuscitado. P. Fausto in Diálogo nº. 1864 (Domingo III da Páscoa – Ano...
Learn MoreDepois do desassossego que o sepulcro vazio provocou, os discípulos trancaram-se em casa, de portas fechadas. Era grande o medo dos judeus e grande também a vergonha uns dos outros, porque a traição, a negação e o abandono do Mestre deixaram marcas a sangrar.Sem se fazer anunciar, Jesus apresentou-se no meio deles, surpreendentemente, na tarde daquele primeiro dia da semana. No seu rosto há doçura e as suas palavras são de conforto e de paz. Não pede satisfações e nem sequer se mostra agastado pelas atitudes da semana anterior. E dá-lhes a Paz. E dá-lhes o Espírito Santo. E confia-lhes o serviço da Misericórdia. Assim como entrou, depois de os saudar, também saiu. Surpreendentemente.Tomé, porém, estava ausente e era preciso reconciliá-lo com o grupo. Passados oito dias Jesus voltou, e, saudando a todos, dirige-se a Tomé: “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos… e não sejas incrédulo mas crente”. Não sabemos se tocou o corpo de Jesus, mas a resposta não se fez esperar: “meu Senhor e meu Deus !” O que não tinha acreditado, o que tinha desconfiado, era agora humilde e sincero adorador.Nesta segunda aparição, o Senhor, sem deixar de ser condescendente com o apóstolo hesitante e tentado pelas dúvidas, quer exaltar claramente a atitude dos que crêem sem ver, sem pôr condições ou exigir sinais… Esses somos nós. P. Fausto in Diálogo nº. 1863 (Domingo II da Páscoa – Ano...
Learn MoreMaria Madalena, em pleno coração da noite, no primeiro dia da semana, sai de casa e vai ao sepulcro. S. João diz que vai sozinha e nada leva nas mãos, nem sequer um pau para se amparar no íngreme caminho do Calvário. No seu coração só há lugar para um momento misterioso de solidão e comunhão com o seu Amor Crucificado. “E viu a pedra retirada do sepulcro”. E ninguém por perto.“Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predilecto de Jesus”, que, de imediato e a toda a pressa, se dirigiram também ao sepulcro e confirmaram a versão de Maria Madalena.E assim começou uma manhã, que se antevia de dor e saudade, misteriosamente transformada em alvoroçada certeza de um Mundo Novo, porque O CRUCIFICADO É O RESSUSCITADO. O SEPULCRO está VAZIO PARA SEMPRE.Cabe-nos a nós, hoje, celebrar, testemunhar e alimentar o alvoroço dessa manhã, para que a Ressurreição de Jesus Cristo seja alegria e esperança no coração de todos os homens. P. Fausto in Diálogo nº. 1862 (Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor – Ano...
Learn MoreO relato da paixão e morte de Jesus na cruz, que se proclama na “Missa de Ramos”, introduzindo-nos na semana central do ano litúrgico, a “Semana Santa”, não é apenas auxiliar da memória, mas forte apelo à nossa participação no Mistério que, especialmente, celebramos neste tempo.Porque a agonia de Jesus se perpetua em cada homem que sofre, a crucifixão continua em todos os seus irmãos bombardeados na Ucrânia, na Síria, na Palestina…, esfomeados no Sudão, no Iémen, no Haiti, em Gaza…, explorados em tantos países incapazes de defender os seus recursos das potências ricas e hegemónicas. E os náufragos do Mediterrâneo? E o cortejo infindável de vítimas de toda as formas de violência? Tudo isto não actualiza a paixão de Jesus Cristo?A esta luz, rezar o Evangelho da Paixão torna-se não apenas a melhor introdução ao Mistério de Amor pleno e universal de Jesus Cristo por toda a humanidade, mas o melhor guião que ajuda cada um a viver mais profundamente esta Semana, que é por natureza a mais Santa. P. Fausto in Diálogo nº. 1861 (Domingo de Ramos na paixão do Senhor – Ano...
Learn MoreO Evangelho de hoje mostra-nos Jesus em Jerusalém, no templo, poucos dias antes da Paixão e alguns gentios curiosos para verem Jesus. Pela resposta dada, não parece que os tenha atendido: “Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto… e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna”.Discurso estranho e desconcertante, só entendido no contexto dramático da Paixão, que, podendo originar uma certa religiosidade fundada no sacrifício, no sofrimento e na renúncia, não deixa de ser uma proclamação vigorosa de que o sofrimento não é fatalidade e a morte não tem a última palavra, porque tudo se encaminha para frutos abundantes.Apesar de difícil, o discurso de Jesus vai-nos dizendo, contra a lógica corrente, que o que torna a vida rica e luminosa não é o que retemos para nós, mas o que damos aos outros; por isso, são fracassados os projectos de vida num mundo onde prevalece o mais astuto, o mais rico e o mais forte. Quem alinhar por estes critérios torna a sua vida fútil e sem futuro, porque, apesar de estranhas e duras, as Palavras de Cristo são de vida eterna. P. Fausto in Diálogo nº. 1860 (Domingo V da Quaresma – Ano...
Learn More“Deus amou tanto o mundo que entregou o Seu Filho Unigénito”, e, mais à frente na Sua catequese a Nicodemos, Jesus dá a razão: “Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele”. E o mundo não são apenas os homens, mas também os animais e as plantas. Toda a criação. É a este mundo que Jesus foi enviado por amor e que Deus continua a amar.A esta luz não somos cristãos porque amamos Deus, mas porque acreditamos que Deus nos ama, ao ponto de nos enviar o Seu Filho Unigénito. É esta a razão fundamental da nossa alegria.Os cristãos crêem, então, no Amor, porque só no amor há condições para o mundo ser mais equilibrado, harmonioso e feliz. Se assim não for, o individualismo, a competição, o poder, a força… tornam cada vez mais desordenado, injusto, desigual e imundo, o que foi criado por Deus para todos. P. Fausto in Diálogo nº.1859 (Domingo IV da Quaresma – Ano...
Learn MoreJesus tem pouco a ver com a imagem doce de certas pagelas. Sempre houve a tentação de “domesticar” Deus e aqueles que se aproximam de Deus…Jesus, porém, tem história, é judeu, pertence a um povo e a sua vida confunde-se com a vida habitual dos seus contemporâneos. Assim é o Deus cristão. Como nos ensinam as Escrituras, é um Deus que se fez carne.Hoje temos Jesus de chicote na mão! Alguém imagina tal cena, tão habituados a ver Jesus de rosto sempre rosado, de cabelos encaracolados, olhos vivos e azuis…? Esquecemos, porventura, as suas mãos calejadas, a sua voz determinada e firme e a sua vida próxima da vida das pessoas que vai encontrando no caminho?Jesus não é subserviente e não raro usa linguagem que faz estalar o verniz social e até escandalizar muitos. Sabe dizer “NÃO” quando é preciso, a ponto de pegar nas cordas para pôr em ordem as pessoas que fazem do templo um mercado onde pouco se reza e tudo se vende e troca. O que Jesus disse e fez no templo, diz hoje a cada um de nós: Não façais da vida um tempo em que o verbo amealhar prevalece sobre o dar, nem penseis que a dignidade de um homem depende da sua fortuna, pois, se os pobres não levam nada, os ricos deixam cá tudo. Então, apenas vale a CARIDADE, O AMOR QUE TRANSFORMA. P. Fausto in Diálogo nº. 1858 (Domingo III da Quaresma – Ano...
Learn MoreNo Domingo passado, Jesus, depois da sua experiência de 40 dias no deserto, dizia-nos, alto e bom som, “Convertei-vos e acreditai no Evangelho”, e hoje, 2° domingo da Quaresma, chegam-nos ao coração as palavras ouvidas pelos três apóstolos convidados a acompanhar Jesus ao monte: “Este é o meu Filho muito amado: Escutai-O”.Neste verbo se resume tudo o que é necessário para vivermos a Quaresma e prepararmos a Páscoa.O que dizemos, porém, para a Quaresma, podemos dizê-lo em qualquer circunstância da nossa vida, pois, nos momentos mais altos ou nos mais baixos, Deus está sempre do nosso lado e Jesus é sempre o nosso Mestre.Escutá-Lo não significa só ouvi-Lo, mas fazer nossas as Suas escolhas, as Suas preferências e o Seu jeito de viver e servir. Só assim, nos tornamos também luminosos. P. Fausto in Diálogo nº. 1857 (Domingo II da Quaresma – Ano...
Learn MoreNa quarta-feira a Igreja inaugurou já a Quaresma, com o rito penitencial das Cinzas. Contudo, para a grande parte dos fiéis é a celebração deste domingo que os integra neste tempo sagrado, até porque, infelizmente, para muitos, o carnaval continua com os seus festejos, com a ajuda da meteorologia.A propósito da Quaresma, convém ter presente que não é a mera observância de certos costumes tradicionais ou a participação em algumas celebrações religiosas habituais que tornam santa a Quaresma, mas a Palavra de Deus ouvida com mais frequência, a oração pessoal e comunitária com mais insistência e a caridade praticada com maior diligência.Apesar do ritmo de vida desenfreado a que nos obrigam tantos compromissos, não nos dispensemos do esforço em encontrar momentos mais adequados para a meditação da Palavra de Deus e para a Oração, aprendendo com Jesus o segredo para vencermos os obstáculos e as dificuldades de que a vida é tão fértil. E não temos outro tempo mais favorável que a Quaresma. Vivê-lo, desde o princípio, é o desafio para quem se quer preparar para a Páscoa. P. Fausto in Diálogo nº. 1856 (Domingo I da Quaresma – Ano...
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