“Convertei-vos!”

Ao chegarmos quase ao meio da quaresma, a liturgia alerta–nos para a necessidade de redobrarmos o esforço de conversão, como condição para nos abrirmos a Jesus Cristo e vivermos a Páscoa. A confiança que logo no início da celebração exprimimos em Deus, de Quem esperamos compaixão, é fundamental no caminho percorrido e a percorrer. A mesma solicitude, protecção e proximidade afectiva tem Deus hoje, como outrora teve com o Seu povo, pela mão de Moisés, que, contra tudo e contra todos, leva a cabo a grande “maravilha” que marcou a história de Israel: a passagem do Mar Vermelho, a travessia do deserto a caminho da pátria prometida e a renovação da Aliança. Ao evocarmos a história da Salvação é porque acreditamos que Deus é fiel à Aliança, como outrora, não é de humores nem esgotou a paciência connosco, e, se é verdade que o futuro a Deus pertence, é no presente, neste tempo e neste ano jubilar de misericórdia, que Deus espera de nós um esforço maior de conversão, aproveitando as oportunidades de salvação que nos são proporcionadas. Jesus no Evangelho parece lembrar-nos que o cuidado de Deus não está em livrar-nos do sofrimento e da morte, mas no de enxugar paciente e amorosamente as lágrimas de todos os homens, alertando ao mesmo tempo para o risco de vidas de medo, vazias e sem sentido, verdadeiramente mortas, a quem não aproveita bem o tempo de que não é dono e de que deve prestar contas. A terceira semana da quaresma é tempo avançado neste processo de preparação próxima para a Páscoa. Não a desperdicemos. P. Fausto in diálogo 1507  (III Domingo da Quaresma – Ano...

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Verdades que doem!

Entrámos na Quaresma, uma espécie de retiro de 40 dias, tantos como os de Jesus no deserto, no início da Sua vida pública. Não sendo chamados a fazer a mesma experiência, não podemos, porém, deixar de criar momentos de silêncio à nossa volta, para ouvirmos melhor a voz de Deus e Lhe falarmos na oração, senão corremos o risco duma vida sem sentido, reduzida apenas à marcha dos ponteiros do relógio, vazia e estéril. A experiência de Jesus no deserto, não sendo propriamente um passeio, ensina-nos que a austeridade, palavra hoje proscrita e ” politicamente incorrecta”, é para os cristãos condição para se viver segundo o Evangelho, que nos pede atenção redobrada ao consumismo e à busca do bem-estar a qualquer preço, para se prover às necessidades dos outros. Ainda que nos pareçam estranhas, as tentações têm muito a ver connosco, porque são de ontem e de hoje; quem as não sente? A quaresma é essa oportunidade, esse retiro em que aprendemos não a exorcizar as tentações, mas a enfrentá-las com as mesmas armas de Jesus no deserto: a oração, o jejum e a partilha, que hoje se deve traduzir especialmente nas obras de misericórdia. À tentação de resumirmos os nossos sonhos a pão, dinheiro, poder ou bem-estar…, há que responder, agradecidos pelo pão de cada dia, que há um Pão Maior, que é a Palavra de Deus que não dispensamos, sob pena de vivermos sem norte e morrermos espiritualmente à míngua, e que o Deus em quem acreditamos não nos salva da dor, mas na dor, nem mesmo nos salva da cruz, mas na cruz, como fez com Jesus. Por mais que nos doa, e muitos não entendam, esta é a verdade. P. Fausto in diálogo 1505 (I Domingo da Quaresma – Ano...

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“Eis-me aqui”(Is 6,8)

A liturgia da Palavra deste Domingo fala-nos da preocupação de salvação universal que Deus sempre teve e continua a revelar, suscitando para isso, em cada momento, os profetas, apóstolos e evangelizadores, escolhidos não em função dos seus méritos e capacidades, mas por um acto insondável de Amor e Misericórdia. Assim aconteceu com Isaías, Paulo, Pedro e os outros apóstolos, referidos nas leituras da Missa de hoje. Aqueles que Deus chama, sempre indignos e impreparados, capacita-os para a missão, concedendo-lhes as graças necessárias para superarem as limitações, ainda que continuem a ser homens e mulheres limitados e com defeitos, porque o chamamento não muda a natureza, nem os transforma em santos. É um mistério de Liberdade e Amor de Deus, acolhido com humildade e generosidade por quem é chamado. O chamamento foi e há-de ser sempre mistério de duas liberdades que se amam e respeitam, porque assim como Deus é livre em chamar, também o homem é em responder. E nos exemplos de hoje, como foi pronta e generosa a resposta! “… eles deixaram tudo e seguiram Jesus”. E nenhum deles se arrependeu, porque o Amor de Deus os transformou sem lhes tirar a liberdade, a alegria e a beleza de viver. Apesar das propostas múltiplas e tentadoras da sociedade, Deus ainda não desistiu e continua a chamar… Rezemos para que os chamados sejam prontos e generosos na resposta e perseverantes no seguimento. Isto depende de Deus, sem dúvida, mas também dos próprios e de toda a comunidade cristã.   P. Fausto in diálogo 1504 (V Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Haja Profetas!

A distância entre umas palmadinhas nas costas e um pontapé ao fundo das mesmas é apenas de um palmo; isto para dizer que podemos passar depressa da euforia à prostração, do entusiasmo ao desencanto… Aconteceu também acerca de Jesus que, em toda a parte elogiado, ouvido com prazer e acolhido com alegria, foi desprezado na Sua terra: “Faz também na tua terra o que fizeste em Cafarnaúm”. Atentos ao princípio, depressa se quiseram livrar dEle e por pouco O linchavam. Do entusiasmo à agressão, das palmas às vaias, do acolhimento ao linchamento, tão curta é a distância, ontem e hoje! Mas Jesus não se intimidou, não amaldiçoou, não desistiu. O que interessava os seus conterrâneos não era a Boa Nova mas milagres, muitos milagres, que resolvessem os problemas económicos, de saúde e outros, que afligiam o povo. Queriam um Deus ao alcance da mão e dos interesses de cada um, bem diferente do Deus que Jesus vinha anunciar. E as origens de Jesus, sobejamente conhecidas por todos, não abonavam as “palavras cheias de graça que saíam da sua boca”, daí a incredulidade, a expulsão e a tentativa de linchamento. Também hoje continua muito “boa gente” a querer um Deus que dê segurança, facilite a vida e nos evite o sofrimento, um Deus ao nosso jeito, mas o Deus anunciado por Jesus não faz isso, não nos substitui e resguarda-Se para que brilhe a vida de quantos O seguem e escutam a Sua Palavra. Esses são profetas. Que não se calem os profetas. E se lhes faltar a voz, nunca lhes falte a força do testemunho. P. Fausto in diálogo 1503 (IV Domingo do Tempo Comum – Ano...

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“Tempos Novos”

A 1ª leitura da Missa de hoje fala-nos dum momento marcante da vida do Povo de Deus: o momento em que, depois do cativeiro, o povo se reuniu na praça para ouvir a Lei e os Profetas. O ambiente era fervoroso e festivo, tão grande a alegria e comoção de quantos ouviam a Palavra de Deus! Palavra bem dita e proclamada, clara e distintamente, pelos Leitores e devidamente explicada. Todos escutavam com entusiasmo e todos respondiam em uníssono com um Amem jubiloso e audível pelos campos em redor. Era uma verdadeira Festa! E a festa não se confinou à celebração, mas prolongou-se na alegria da refeição abundante, partilhada e inclusiva, para fazer de cada sábado o Dia por excelência festivo e consagrado ao Senhor. Também para Jesus a Palavra de Deus era central e hoje encontramo-Lo a proclama-la na Sinagoga da Sua terra, rodeado por conterrâneos ávidos e atentos às Suas palavras, que revelam pela primeira vez o seu projecto de vida: “anunciar a boa nova aos pobres, a proclamar a libertação aos cativos, e a vista aos cegos, a mandar em liberdade os oprimidos…”. É um “Tempo Novo” que Jesus vem inaugurar, sem preceitos nem pesos que tornem penosa a existência, mas apenas disposto a oferecer à humanidade pobre, cega, oprimida e prisioneira a Liberdade dos Filhos de Deus. Hoje, Deus continua a falar-nos de muitos modos e em muitas ocasiões, mas a Sua Palavra é às vezes tão mal tratada por quem A lê, que até nos custa a acreditar que seja verdadeiramente Palavra de Deus. P. Fausto in diálogo 1502 (III Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Uma festa quase perfeita!

Estamos a dar ainda os primeiros passos com Jesus, na Sua vida pública, e – quem diria! – eis-nos convidados para um casamento. Uma festa quase perfeita, não fora a falta de vinho, que apanhara de surpresa o responsável pelo “catering” e de que alguns se aperceberam. Uma festa de final feliz, porque, entre os convidados, alguém, com imensa atenção, solicitude e discrição, procura remédio para o sucedido: a Mãe de Jesus, a Senhora do Socorro. Absolutamente convicta de que Deus não vive de costas para nós, desinteressado do nosso quotidiano, alheio aos nossos problemas e aflições e indiferente às nossas alegrias, foi bater à porta certa e confiar ao coração de Seu Filho a resposta para o problema. E não se enganou. Jesus, que não tinha planos para confirmar, por milagres, tão cedo, a verdade da Sua Mensagem, ao intervir, revela que Deus é próximo, Alguém que celebra a vida, preza a alegria e não enjeita momentos de boa disposição e de boa companhia. É um Deus que aprecia a Festa e é capaz de provocar Festa no coração, mesmo quando a vida dói. Não é um Deus amargo, implacável e justiceiro, mas de coração bondoso e cheio de misericórdia. É este o Deus revelado por Jesus em palavras e milagres. É Este o nosso Deus. P. Fausto in diálogo 1501 (II Domingo do Tempo Comum – Ano...

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A alegria de sermos Filhos de Deus

  O Deus revelado por Jesus é Alguém de quem não se foge por medo ou evita por vergonha, mas com Quem e para Quem corremos com alegria e confiança. Tal como um bebé corre para o pai que o chama, e acolhe de braços abertos e sorriso rasgado, assim deveria ser a nossa atitude em relação a Deus, de quem somos filhos pelo Baptismo. Porque baptizados, mesmo que dessa graça não tenhamos grande consciência, somos amados com a mesma totalidade, intensidade e alegria com que Deus Pai ama o Seu Unigénito e continua a amar-nos sem interrupções, apesar das “desilusões” que Lhe causamos, nada querendo de nós senão deixarmo-nos amar totalmente por Ele. Mas, atenção: Não nos salvamos por constarmos do rol dos baptizados desta ou daquela paróquia, mas por vivermos como baptizados, onde quer que estejamos. O Baptismo não é um direito ou tábua de salvação, nem dá créditos, é uma grande responsabilidade para os Pais e Padrinhos, para o próprio… e para toda a comunidade cristã. Muitos queixam-se de que os Casamentos e Baptismos têm diminuído; é verdade, e não se pode escamotear o problema, mas o que nos tem de preocupar verdadeiramente é o facto de muitos dos baptizados viverem à margem das exigências do Baptismo, fazendo da Fé mero assunto do foro privado, sem implicações ou vínculos de fidelidade quanto aos valores e opções de vida. Não nos alegram muitos Baptismos. Alegram-nos, sim, que os Baptizados descubram a graça de serem Filhos de Deus e a vivam com alegria e coerência. Isso é o mais importante e é para isso que temos de investir como famílias e comunidades. P. Fausto in diálogo 1500 (Festa do Baptismo do Senhor – Ano...

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“Nós vimos a Sua estrela!”

Enquanto no Natal Jesus Se revela aos “de casa”, hoje vemo-Lo manifestar-se sobretudo aos que vêm “de longe”, possibilitando assim a cada um, em qualquer tempo e lugar, sentir-se representado pelos “Reis Magos”. É a Epifania do Senhor, em que todos reconhecem em Jesus o Salvador e nEle adoram Deus feito homem. É neste ambiente natalício, que a solenidade da Epifania se torna ao mesmo tempo festa de Cristo – Rei e festa missionária, porque a alegria da presença de Deus no meio de nós deve comprometer cada cristão a testemunhar e levar essa mesma alegria a todos os que não sabem do amor infinito de Deus, que encarnou para ser a Luz de todos os homens. Centrados ainda em Jesus, Luz do mundo, não nos passam despercebidos, porém, os personagens que vieram “de longe” adorar o Menino – Deus e se tornam para todos verdadeiro exemplo de constância e boa -vontade em corresponder aos apelos de Deus no mais íntimo da consciência. As dificuldades não os abalam na sua fidelidade, os obstáculos não os demovem dos seus propósitos, as traições não esmorecem o seu empenho nem quebram a sua vontade, bem ao contrário, estimulam-nos a prosseguir na caminhada até encontrarem o Senhor. E porque não desistiram, conseguiram! Seguindo estes exemplos, e com a bênção de Jesus, Maria e José, de certo que o ano de 2016 será para todos abençoado e feliz. P. Fausto in diálogo 1499 (Solenidade da Epifania do Senhor – Ano...

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A Família de Jesus

Ainda sobressaltados pelos acordes solenes dos Anjos e não refeitos da alegria do Natal, eis-nos a celebrar já a Festa da Sagrada Família, extasiados pela moldura humana que pela primeira vez se apresenta à humanidade na Noite Santa, e que as famílias aproveitam para saborear a alegria do encontro e da intimidade que só em família se pode experimentar. É ocasião excelente para que, contemplando a Família de Jesus, as nossas famílias A imitem e se tornem verdadeiras Igrejas domésticas. O panorama da família no mundo em que vivemos é carregado: amor profanado, egoísmo, lares desfeitos, crianças abandonadas e outras feitas armas de arremesso, porque disputadas por interesses egoístas dos seus progenitores, violências múltiplas e até… morte. É muito o sofrimento que os telhados encobrem e que só as paredes testemunham! Mas o projecto que Deus tem para a família não é este, mas o de Jesus, Maria e José. Família como as demais, sem dúvida, segundo a lei, mas em que sempre se conjugou sabiamente o tripé indispensável para uma família feliz e santa: RESPEITO, CONFIANÇA e LIBERDADE, numa atmosfera de profunda comunhão com Deus. Foi neste ambiente familiar que Jesus nasceu, cresceu e fez a mais bela experiência humana de família que O moldou para se tornar o rosto autêntico da Bondade e da Misericórdia do Pai. P. Fausto in diálogo 1498 (Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José – Ano...

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Está a chegar!

Quase na véspera do Natal, este último Domingo do Advento convida-nos à preparação imediata da festa. A Palavra de Deus que nos orienta, a oração insistente que fazemos, a participação fervorosa e consciente na Eucaristia, o recurso ao Sacramento da Confissão, especialmente importante neste Ano da Misericórdia, são outros tantos meios que nos ajudarão a preparar e a viver o Natal. Nestes poucos dias que nos restam, a Igreja não deixa de olhar para Maria, que vive os últimos dias de gravidez, longe da Sua terra e família, apenas na companhia de Seu Esposo, José, e totalmente confiada à Providência de Deus. Sempre com o coração em Deus, e com Deus no Seu ventre, Maria, sem descurar os deveres domésticos e familiares, acorre, como nos relata o Evangelho de hoje, à Sua prima, Isabel, cuja situação recomendava apoio e especial atenção. Maria não olha a meios nem a distâncias, não calcula riscos nem se faz rogada quando se trata de exercer as “Obras de Misericórdia” mas agora, prestes a dar à luz, apoiada apenas pelo esposo, mendiga em vão um cantinho onde possa, com mais dignidade, apresentar ao mundo o Seu/nosso Menino. Não houve, porém, lugar para Eles, não houve lugar para Deus. Mas não desanimou, porque sabia, de antemão, que Deus ainda não tinha dito a última Palavra. “Feliz daquela que acreditou…” Sem dúvida, Maria é a mais feliz das criaturas, porque mais que ninguém acreditou no “cumprimento de quanto lhe foi dito da parte do Senhor” e melhor que ninguém nos pode ajudar a preparar e a viver o Natal. P. Fausto in diálogo 1497 (IV Domingo do Advento – Ano...

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