A distância entre umas palmadinhas nas costas e um pontapé ao fundo das mesmas é apenas de um palmo; isto para dizer que podemos passar depressa da euforia à prostração, do entusiasmo ao desencanto… Aconteceu também acerca de Jesus que, em toda a parte elogiado, ouvido com prazer e acolhido com alegria, foi desprezado na Sua terra: “Faz também na tua terra o que fizeste em Cafarnaúm”.
Atentos ao princípio, depressa se quiseram livrar dEle e por pouco O linchavam. Do entusiasmo à agressão, das palmas às vaias, do acolhimento ao linchamento, tão curta é a distância, ontem e hoje! Mas Jesus não se intimidou, não amaldiçoou, não desistiu.
O que interessava os seus conterrâneos não era a Boa Nova mas milagres, muitos milagres, que resolvessem os problemas económicos, de saúde e outros, que afligiam o povo. Queriam um Deus ao alcance da mão e dos interesses de cada um, bem diferente do Deus que Jesus vinha anunciar. E as origens de Jesus, sobejamente conhecidas por todos, não abonavam as “palavras cheias de graça que saíam da sua boca”, daí a incredulidade, a expulsão e a tentativa de linchamento.
Também hoje continua muito “boa gente” a querer um Deus que dê segurança, facilite a vida e nos evite o sofrimento, um Deus ao nosso jeito, mas o Deus anunciado por Jesus não faz isso, não nos substitui e resguarda-Se para que brilhe a vida de quantos O seguem e escutam a Sua Palavra. Esses são profetas. Que não se calem os profetas. E se lhes faltar a voz, nunca lhes falte a força do testemunho.
P. Fausto
in diálogo 1503 (IV Domingo do Tempo Comum – Ano C)
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