Ninguém fica atrás…

Apesar de anunciada, a Ressurreição apanhou de surpresa toda a gente, os discípulos inclusivé. Cheios de medo, por causa dos judeus, e de vergonha, certamente, pelo comportamento que tiveram nos momentos mais difíceis e dolorosos da vida do Mestre e Amigo, é trancados a sete chaves que Jesus os encontra, como relata o Evangelho deste domingo. Porque não escolheu homens de letras, três anos de catequese permanente não foram suficientes para consolidar conhecimentos e transformar os corações. Por isso, Jesus inicia, sem demora, um processo para “recuperar” aqueles que escolheu para serem suas testemunhas privilegiadas. Processo delicado, só conseguido pela misericordiosa paciência de Jesus, sempre atento às capacidades e ritmos de cada um dos discípulos. Jesus ama–os sinceramente. Ama-os como são, com defeitos, medos e hesitações… e começa por Tomé, que apresenta mais dúvidas que certezas. Sem discursos ou lições de moral, Jesus abre a camisa e estende-lhe as mãos: “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo mas crente”. Não sabemos se Tomé tocou, mas “olhou”, e bastou para lhe arrancar a mais bela profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus”. P. Fausto in Diálogo 1730 (Domingo II da Páscoa – Ano...

Learn More

“Não vos assusteis” !

Foi uma semana dramaticamente agitada. Nem tempo houve para fazer luto e preparar o corpo para o sepulcro. Por exigências sabáticas, o corpo de Jesus, descido da cruz, foi rapidamente depositado no túmulo de um amigo de última hora, José de Arimateia. A voz incómoda de Jesus calara-se definitivamente. Para muitos era o fim. Algumas mulheres, porém, entre elas Maria Madalena, nem por um momento deram à noite o coração sossegado, e, antes do amanhecer, aventuram-se ao caminho para o sepulcro, sem se importarem do que pensaria quem as visse, por esses atalhos, tão apressadas, àquela hora. Nas mãos os aromas e no coração a ansiedade. E cansadas chegam ao sepulcro. Não sabem quem, como ou quando, mas vêem a grande pedra revolvida e o sepulcro vazio. Lá dentro, um jovem, vestido com uma túnica branca, diz-lhes com voz clara e doce:”Não vos assusteis. Procurais a Jesus de Nazaré, o Crucificado? Não está aqui. Ressuscitou.” Ide dizer aos discípulos de todos os tempos que a morte não é o fim de tudo e que em nenhuma circunstância, por mais adversa que seja, Deus nos abandona. Porque é Fiel, é dEle, sempre, a última palavra. P. Faustoin Diálogo 1729 (Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor – Ano...

Learn More

Amar sem fim…

Decorridas 5 semanas da Quaresma, chegámos à Semana Santa, semana maior e central do ano litúrgico. Semana desconcertante, com palmas e hossanas, apupos e vaias, vindos das mesmas vozes. Recebido triunfalmente em Jerusalém, Jesus, dias depois, atravessará a cidade, a caminho do Calvário, vaiado pelos mesmos que O receberam em triunfo. Vamos celebrar uma semana densa, dolorosa e perturbadora, com momentos de extrema solidão e beijos de traição, com o julgamento de conveniência e mentira a que sujeitam Jesus, com sentença iníqua e execução de farsa. Tudo aconteceu naquela semana. Até Pedro O nega e os discípulos O abandonam. E Jesus mantém-se fiel. Até ao fim. Se queres entender quem é Deus, pára e contempla uma cruz, como só o centurião fez, ao vê-LO expirar daquela maneira, na tarde de sexta-feira: “Na verdade, este homem era Filho de Deus”. Pe. Fausto in Diálogo 1728 (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor – Ano...

Learn More

Cruz: pesadelo ou salvação ?

Ao aproximarmo-nos da Páscoa, a Liturgia orienta progressivamente os cristãos para a contemplação da Paixão e Ressurreição do Senhor. E bem oportuno se torna num tempo em que a expectativa das pessoas vai mais para as “vacinas” que para a espiritualidade própria da quinta semana da Quaresma. O Evangelho deste Domingo mostra-nos Jesus em Jerusalém, no templo, poucos dias antes da Paixão. Alguns gentios, porque querem conhecer Jesus, dirigem-se a Filipe e pedem-lhe que os apresente ao Mestre. As circunstâncias, porém, não aconselham entrevistas nem sessões de cumprimentos. A hora é solene e o tempo é escasso. Há que aproveitar a presença da multidão para uma última mensagem: “Em verdade, em verdade vos digo, se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto”. Nem toda a gente entendeu e se apercebeu da presença de Jesus, mas ficou para a história a mensagem de que nem o sofrimento nem a morte têm a última palavra. A esta luz, apesar da perturbação e desconforto que o sofrimento e a morte provocam, contemplar um crucifixo deixa de ser, para os cristãos, um pesadelo, mas fonte de vida e certeza de salvação. P. Fausto in Diálogo n.º1727 (Domingo V da Quaresma – Ano...

Learn More

Encontros…

Terminado o Tempo de Natal com a solenidade da Epifania, entramos no Tempo Comum, ao longo do qual celebramos o mistério de Cristo no seu conjunto. Particularmente atentos à Sua actividade apostólica, em cada Domingo, Dia do Senhor, somos desafiados a acertar o passo com o do Mestre, que, apesar de andar depressa, tem sempre tempo e paciência para nós. Como aprendizes que sempre seremos, dispomo-nos, logo à partida, a segui-lO com todo o interesse, como aconteceu com André e João, apresentados por João Baptista ao “Cordeiro de Deus”, junto do rio Jordão. Não sabemos bem o que se passou naquele dia, mas a verdade é que foi feliz, muito feliz, o encontro com Jesus, a avaliar pelo entusiasmo de André, partilhado, de imediato, com o irmão Simão: “Encontrámos o Messias”. E não descansou, enquanto não o levou a Jesus. Se é importante realçar a atitude de João Baptista em apontar o “Cordeiro de Deus” aos seus discípulos, não o é menos a prontidão e obediência reveladas por estes, que, seguindo Jesus por curiosidade, depressa se deixam fascinar pelo convívio com a pessoa excepcional, que tinham acabado de conhecer. Há encontros e encontros. Há encontros e encontrões. Quem se deixa encontrar por Jesus nunca se arrepende. Que o digam esta semana João e André. Que o diga também Pedro, a quem Jesus, olhos nos olhos, mudou o próprio nome. P. Fausto in Diálogo 1926 (II Domingo do Tempo Comum – Ano...

Learn More

Pequenos/Grandes Gestos

    As manhãs apresentam-se bastante frias e as portas da nossa Igreja estão, como é habitual, abertas, permitindo observar a vida que corre e escorre no adro e na praça em frente. Tal facto não me distrai e até me sinto bem a celebrar a Eucaristia “no meio do mundo”, mesmo com o ruído do trânsito, que às vezes é bem grande. Entre tantos que no decurso da Missa passam pelo adro, há sempre quem pare e se benza. Não sei quem são, o que fazem e para onde vão, mas sei que, sem saberem, me ajudam duplamente a celebrar a Eucaristia. Gestos simples, breves, espontâneos e plenos de actualidade num ambiente cada vez mais diluído e rarefeito de Deus! Gestos de gente que não tem vergonha de mostrar que é cristã, mesmo quando corre para o trabalho e o tempo urge. Na festa do Baptismo de Jesus faz -nos bem tomar consciência de que para ser cristão não basta constar no livro de registos de Baptismos da Paróquia, pois de pouco nos vale, mesmo sabendo muito de religião e até de teologia, se não expressamos no quotidiano, mais pelo exemplo que pelo discurso, aquilo em que acreditamos. Não sei se algum dia poderei felicitar os que se benzem ou tiram reverentemente o chapéu quando passam pela Igreja, mas dou graças a Deus por gestos, que me edificam como estes, de quem não tem vergonha de mostrar que é cristão. P. Fausto in Diálogo 1725 (Festa do Baptismo do Senhor – Ano...

Learn More

A nossa Luz é Cristo

  O COVID 19 vergou a humanidade, alterou comportamentos, paralisou em grande parte a economia e fez-nos experimentar quão pequeno e frágil é o ser humano, que, apesar dos avanços da ciência, continua nu e desprotegido. Felizmente a ciência entendeu-se e os instrumentos financeiros apareceram para produzir resposta rápida ao combate de algo que, não sendo vivo, roubou tantas vidas e deixou sequelas tão graves. E apareceu finalmente a vacina! Damos graças a Deus por todo este caminho, mas não esqueçamos que a vacina não é a salvação do homem, nem mesmo a “luz ao fundo do túnel”, como dizem muitos. Com cobertura tão exaustiva em todos os meios de comunicação social, parece que a vacina é o verdadeiro messias recém-nascido, portador da salvação universal, ainda que faseada. É verdade que o acontecimento merecia destaque, mas, convenhamos, é obsessivamente grande a cobertura dada, como se aparecesse um guarda chuva eficaz e protector de todas as doenças e pandemias. Continuaremos, vencido o Covid, a ser frágeis e pobres e desiguais e egoístas e soberbos e violentos… e a viver na escuridão, se não tivermos em conta a Mensagem que nos vem da Verdadeira Luz do mundo, Jesus, nascido em Belém. Ao celebrarmos a solenidade da Epifania, aprendamos não com Herodes mas com os magos, que se aventuram, não desistem, mesmo quando deixam de ver a Estrela, e perguntemos-lhes o segredo para prosseguirem viagem até ao presépio e voltarem para a sua terra por outro caminho, com o coração cheio a transbordar de alegria e de paz. P. Fausto in Diálogo 1724 (Solenidade da Epifania do Senhor  Ano...

Learn More

À luz do Natal

  O Natal é uma festa muito especial, que provoca no coração, mesmo dos não crentes, os mais belos sentimentos. Para os cristãos, porém, não se trata de mera festa sentimental, é a revelação do novo ordenamento de toda a criação, porque Jesus, o Filho Unigénito de Deus, ao entrar no mundo a partir do ponto mais baixo, não deixa ninguém de fora e a todos alcança pelo mesmo abraço de amor. O Criador que tinha moldado o homem, no jardim, com o pó da terra, faz-se ele próprio, no mistério da Encarnação, argila do mesmo pó de que somos feitos, e, assim, Criador e criatura se abraçam e unem para sempre na partilha da humana natureza. Para que ninguém se sinta prejudicado ou favorecido. Em dignidade somos todos iguais. Logo a seguir ao Natal, vem a festa da Sagrada Família, que o Papa Leão XIII, em 1892, instituiu para levar as famílias cristãs a olharem para a Família de Nazaré, a fim de imitarem os seus exemplos, e, desse modo, contribuírem para a santificação da sociedade, que já sentia fortes dificuldades em torno da instituição familiar. Cem anos passados, a situação não melhorou. Importa, pois, mais que nunca, celebrar a Festa da Sagrada Família de Nazaré, invocar a Sua protecção e imitar o Seu exemplo, porque o panorama familiar apresenta-se bem carregado e mais sombrio. P. Fausto in Diálogo 1723 (Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José – Ano...

Learn More

Está a chegar…

  Quase na véspera do Natal, este último domingo do Advento convida-nos à preparação imediata da festa. A Palavra de Deus que nos orienta, a oração insistente que fazemos pessoalmente e em família, a participação fervorosa e consciente na Eucaristia, são outros tantos meios que nos ajudarão a preparar e a viver o Natal. E se com tudo isto nos deixarmos seduzir pelo exemplo de Nossa Senhora, então a nossa preparação para o Natal é verdadeiramente admirável, porque ninguém melhor soube conjugar os verbos que tornaram possível a Encarnação e Nascimento do Salvador. É o que nos diz o Evangelho deste último domingo do Advento. Com efeito, a Virgem de Nazaré, contra todas as expectativas e projectos pessoais de vida, ao dar sem reservas o assentimento à mensagem que o Arcanjo Gabriel lhe comunica, torna-se misteriosamente Mãe do Verbo de Deus. Porque incondicionalmente acreditou e livremente consentiu no cumprimento de quanto lhe foi revelado, é o modelo acabado para quem deseja preparar e celebrar o Natal. P. Fausto in Diálogo 1722 (IV Domingo de Advento – Ano...

Learn More

Alegrai-vos !

Com este Domingo começa a segunda fase do tempo do Advento, em que a Igreja nos orienta para a Alegria do Natal, mas não necessariamente para a da noite de consoada. Ainda que importante, e os promissores avanços da ciência e o aligeiramento das medidas de saúde pública permitam que a mesa da consoada se alargue, o momento que vivemos pede prudência e cuidados, e João Baptista não se cansa de nos convidar a viver o Advento, conjugando sabiamente a sobriedade de vida com a solidariedade activa a favor dos pobres. O que não pode faltar também é a Alegria, mesmo sem consoada e mesa alargada. Sim. Não deixemos, então, que nenhuma pandemia, com todos os seus dissabores, nos roube a Alegria, porque “o Senhor está perto”. Ainda que Deus nos pareça, às vezes, distante, clandestino ou em silêncio, nunca está longe e desatento. São certezas como estas que levam S. Paulo a dizer aos cristãos de Tessalónica: “Vivei sempre alegres, orai sem cessar, dai graças em todas as circunstâncias”. Palavras sábias para todos e para todos os tempos. E também para o Advento. P. Fausto in Diálogo nº. 1721 (III Domingo de Advento – Ano...

Learn More