Para ser discípulo !

  Jesus continua hoje com a mensagem que desconcertara Pedro no domingo passado e que parece provocar resistências também nos outros discípulos. Ao discutirem entre si sobre quem tem o melhor curriculum e apresenta mais credenciais para ser o maior, parecem pouco interessados no discurso do Mestre e bem mais preocupados com o futuro de cada um. A sua ambição era vencer o “campeonato” do poder e não o de servir. Jesus, porém, não julga, não repreende os discípulos, nem se mostra ofendido, ao saber da conversa alimentada, em surdina, por todos, quando regressavam a casa, em Cafarnaúm. Há muito que sabia quem escolhera e escolhera livremente homens portadores das debilidades de qualquer mortal, que continuavam ainda, apesar de tudo o que viam e ouviam, de coração empedernido e cabeça dura. Longe de Jesus, porém, desanimar ou dispensar qualquer deles. Chegados a casa, diz-lhes: “Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos”. E nada mais acrescenta. O gesto de acolhimento e de ternura de Jesus a uma criança, indicará claramente aos discípulos e aos homens de todos os tempos, o caminho da humildade e da confiança, da simplicidade e da generosidade… para se ser discípulo. P. Fausto in Diálogo 1623 (XXV Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Sem ruído !

  Hoje acompanhamos Jesus, que vem dos lados de Tiro em direcção ao mar da Galileia. No caminho há um encontro curioso com um surdo-mudo, apresentado por uns amigos, que suplicam a Jesus apenas que lhe imponha as mãos. E Jesus, afastando-se da confusão dos mirones, acede imediatamente a libertar o surdo-mudo da prisão que o condenava ao silêncio, a vida inteira. Tudo se passa longe da multidão, sem ruído, a sós. Porque o bem não faz barulho e gosta muito da discrição, Jesus recomenda “que não contassem nada a ninguém”. “Mas, quanto mais lho recomendava, tanto mais intensamente eles o apregoavam”, porque não continham o assombro provocado pelos gestos e palavras de Jesus. De assombro se enche mais tarde também o coração de muitos que vêem o comportamento dos cristãos da comunidade de Jerusalém. O gosto pela Palavra, a fidelidade ao ensino apostólico, a alegria com que celebravam a fé e partilhavam os bens e a amizade que reinava entre todos eram contagiantes… Por aqui também passa hoje o segredo da nova evangelização que deve comprometer todos os baptizados. P. Fausto in Diálogo 1621 (Domingo XXIII do Tempo Comum – ano B)  ...

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Primado da pessoa !

  Ao encontro de Jesus vinha sempre muita gente de longe e de perto. Hoje é numeroso um grupo de fariseus e escribas, que vem propositadamente de Jerusalém para pôr uma questão: “Porque não seguem os teus discípulos a tradição dos antigos, e comem sem lavar as mãos?” E a resposta não tardou, com palavras do Profeta Isaías: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim”. E chamou-os “hipócritas”. Resposta dura da parte de Jesus, mas plena de razão. Para quem defende o primado absoluto das leis e costumes e cultiva as aparências, descuidando a consciência e o coração, como os fariseus e outros, Jesus proclama bem claro, mais uma vez, o primado da pessoa humana que, mesmo doente, pobre, emigrante ou marginal, nunca perde a sua dignidade. E diz claramente a todos que mais importante que a preocupação por lavar as mãos, os copos, os jarros ou as vasilhas, é a formação da consciência e o cuidado do coração, porque “não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro”, mas somente o que sai do seu íntimo. É isso que torna verdadeiramente o homem indigno. Com esta posição, Jesus também nos alerta para a necessidade de cuidarmos a nossa “nascente”, preferindo sempre o serviço à pessoa e não o culto das aparências, ainda que respeitáveis e legais. P. Fausto in Diálogo 1620 (XXII Domingo do Tempo Comum – Ano...

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“Descansai um pouco” !

  Jesus sabe que os apóstolos não são super-homens, por isso, no meio da gente que vai e vem à procura de uma palavra de conforto, um gesto de cura ou um momento de atenção, diz-lhes: “Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco”. Na verdade, mal tinham acabado uma bela, bem sucedida mas extenuante missão “dois a dois” e nem tempo tinham para comer! “Vinde e descansai um pouco”. Jesus não quer espremer os apóstolos, nem tão pouco a nós, dois mil anos passados destes acontecimentos na margem do Lago de Genesaré; quer-nos felizes, cansados por fazermos tudo o que está ao nosso alcance, mas conscientes de que a última palavra é sempre de Deus. Quer-nos cansados, é verdade, mas não exaustos e incapazes para novas aventuras. Com este “Diálogo” interromperemos a publicação da nossa folha semanal. Retoma-la-emos nos princípios de Setembro. Até lá a actividade litúrgica e sacramental da Paróquia não pára. Para todos o desejo sincero de um bom e abençoado tempo de descanso, de modo que possamos retomar os trabalhos do próximo ano apostólico, com redobrado vigor e criatividade. P. Fausto in Diálogo 1619 (XVI Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Leves para servir !

  Deus mostra-nos neste Domingo que não abandona a humanidade, por isso, atento e solícito, escolhe, em cada tempo, livremente, os mensageiros, para mostrar a luz da verdade e o bom caminho. Assim aconteceu com Amós (sec.VIII a.C.) ou os Apóstolos, de que trata hoje a Liturgia da Palavra, pessoas que, à partida, nem a linhagem nem a cultura recomendariam a sua escolha. Os critérios de Deus são insondáveis e surpreendentes, porque muitas vezes não parece recair a escolha nos mais capazes. Assim vemos Amós, livre e corajoso, consciente das suas incapacidades mas apoiado na força de Deus, erguer a sua voz contra ricos e poderosos; assim os Apóstolos que, enviados sem pão, sem alforge, sem dinheiro, sem nada, mostram que a eficácia da pregação e da acção apostólica não vem dos meios humanos, mas da força de Cristo que envia. Ser escolhido e enviado por Deus dá aos profetas, aos apóstolos e aos missionários de todos os tempos a liberdade, a ousadia e o direito de desempenharem a missão fielmente, apesar dos constrangimentos, apenas ancorados na força do Alto. Sem pão, sem alforge, sem dinheiro, apenas uma muda de roupa, umas sandálias nos pés e um cajado na mão, parecem-nos exigências “exageradas” nos tempos que correm, mas são simplesmente desafios à busca permanente do mais profundo e essencial no homem, porque, como dizia Santa Teresa de Calcutá, “tudo o que não serve, pesa”. E quanto mais “leves”, mais libertos, mais audazes e com mais fogo no coração para a missão. É destes mensageiros que o nosso mundo precisa. P. Fausto in Diálogo 1618 (XV Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Experiência frustrante?

  Jesus não esquecera os caminhos da sua terra, nem perdera as raízes familiares e de vizinhança, por isso, não é de estranhar que O vejamos, hoje, em Nazaré. As expectativas do reencontro eram altas, alimentadas com a fama dos milagres e a sabedoria do discurso. Bem cedo, porém, se percebeu que o coração daquela gente estava fechado à Boa Nova e mais interessado na manutenção ritualística dos preceitos religiosos, que na novidade radiosa da mensagem que Jesus, deles bem conhecido, era portador. A expectativa deu lugar à dúvida, à incredulidade, ao juízo, à indiferença… E Jesus admirou-se da falta de fé daquela gente! Apesar do desconforto, porém, não se exaltou, não acusou… e, constatando que não tinha condições para fazer na sua terra o bem que desejava, retirou-se. “E percorria as aldeias dos arredores, ensinando”. Para os que “medem” o sucesso pelos resultados obtidos ou “semeiam” com direito a colher ou se envolvem se tiverem palco… terá sido uma experiência frustrante. Não para Jesus. Para Jesus este “insucesso” não O bloqueou, enervou ou desgastou, mas motivou para ir a outras terras e alargar horizontes. Outra não pode ser a nossa atitude, hoje, ainda que a sociedade nos pareça cada vez mais longínqua e indiferente. P. Fausto in Diálogo 1617 (XIV Domingo do Tempo Comum – Ano...

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“Não temas”

  Depois de uma atribulada viagem, que, apesar dos momentos de pânico e desespero de muitos, Jesus aproveitou para dormir tranquilamente na popa de um dos barcos, todos chegaram finalmente “à outra margem do lago”. O descanso, porém, foi breve, pois, mal puseram pé em terra, logo uma multidão rodeou Jesus e choveram pedidos aflitos de socorro, com um a merecer prioridade, que O leva apressadamente a dirigir-se a casa de Jairo, o chefe da sinagoga, que tinha a filha a morrer. No caminho, uma mulher, há muitos anos doente e sem esperança de cura, é atendida. A vida de Jesus era assim um corrupio permanente, em que os milagres confirmam uma das mais belas mensagens que calam no íntimo do coração dos homens. Deus não dorme e, mesmo quando já não há esperança e nada aconselha a lutar, continua a dizer hoje o que Jesus disse à filha de Jairo: “Levanta-te e anda”. É dificil aceitar a morte de uma filha aos 12 anos… é difícil aceitar uma doença que vai consumindo inexoravelmente a vida e os bens… é difícil compreender que ao mais profundo desejo de vida, tantas e tantas vezes a realidade responde com sofrimento e morte… é muito difícil resistir à tentação de perguntar “Deus, onde estás?” A resposta humilde de Deus será sempre a mesma: “Levanta-te e anda”. Estou contigo no mesmo barco e na mesma luta. “Não temas; basta que tenhas fé”. P. Fausto in Diálogo 1616 (Domingo XIII do Tempo Comum – Ano...

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Uma pergunta obrigatória !

    Este ano interrompemos o curso dos Domingos do Tempo Comum para celebrarmos o Nascimento do filho de Isabel e Zacarias, juntando as nossas às razões de contentamento e alegria dos vizinhos e parentes, pela dádiva que Deus lhes concedera de um filho, apesar de avançados na idade. O nome que Isabel escolhera, antes mesmo de ser consultado o marido, ao arrepio da tradição e costumes familiares, João, quer mesmo dizer “Dom de Deus”. E não seria apenas a circunstância de idade dos seus progenitores a motivar a pequena aldeia à alegria e à festa, pois todos se interrogavam “Quem virá a ser este menino?” Anos mais tarde é Jesus quem responde: “o maior entre os filhos de mulher”. A pergunta que toda a gente fazia mais ou menos explicitamente àcerca do pequenino João dever-se-ia fazer sempre diante de qualquer berço e cuja resposta não depende apenas dos pais, porque um filho, sendo sempre um Dom para a família, é-o também para a sociedade. Numa sociedade em que animais já disputam a atenção e a centralidade no agregado familiar e em que os seus direitos falam cada vez mais alto, é imperioso que se defenda a dignidade da vida humana, se reclame cada vez mais tempo, espaço e ternura para os filhos e se criem condições que tornem cada ser humano verdadeiramente um Dom único e irrepetível. P. Fausto in Diálogo 1615 (Solenidade do Nascimento de S. João Baptista – Ano...

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Deus e(m) nós !

  Neste Domingo, XI do Tempo Comum, Jesus surpreende-nos com duas parábolas: a da semente e a do grão de mostarda. É o seu estilo de pregação, com linguagem acessível a partir da vida, mas sempre disponível para esclarecer os discípulos, em lugar mais sereno e recolhido. Que actualidade têm, dois mil anos depois, estas parábolas, para nós, que vivemos na cidade ou no campo, independentemente da idade, profissão ou habilitações literárias? Muita, concerteza, porque é grande a tentação de impôr o nosso relógio, objectivos e programas a Deus, esquecendo-nos, com frequência, do Seu plano de salvação, de que não desiste, apesar dos nossos desvios e lógicas. Isto mesmo recorda a 1° leitura deste domingo, lembrando que é sempre de Deus a iniciativa amorosa, a condução paciente e a eficácia plena desse desígnio de salvação de toda a humanidade. Longe de serem convite à passividade, estas parábolas são desafio à criatividade, diligência e gratidão permanentes, porque sabemos que Deus não nos dispensa deste processo salvífico e liberta-nos da pressão e da tensão pela sua eficácia. Cabe-nos sempre “fazer a lavoura”, a tempo e horas. A colheita outros a farão, se não a pudermos fazer nós. No fim ninguém é prejudicado. O que importa é que seja abundante e de qualidade. Por isso não nos tiram o sono, nem bloqueiam as contradições e os obstáculos do caminho. Se assim não fosse, restariam a desilusão e o fracasso. P. Fausto in Diálogo 1614 (XI Domingo do Tempo Comum – Ano B)  ...

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Deus em primeiro

  Era tão intensa a vida diária de Jesus que muitas vezes não tinha tempo para comer ou dormir. Mas arranjava sempre tempo para estar com o Pai. Este ritmo, porém, trazia inquietos os familiares, e a Sua Mãe inclusivé, enquanto outros o achavam movido por uma qualquer força diabólica. É verdade que para todos a vida de Jesus parecia uma corrida contra o tempo, tão intensa que o obriga hoje a dar-lhes a resposta adequada. Aos que O diziam possuído por Belzebú, responde que a sua missão é precisamente combater satanás e destruir o seu poder, pelo que não serão as calúnias e as insinuações maliciosas dos escribas que o podem afastar do seu caminho. Quanto aos familiares que o julgavam “fora de si e se puseram a caminho para o deter”, olhando-os com infinita paciência, afirma solenemente que, sem desmerecimento dos laços de sangue, o mais importante é escutar a Palavra de Deus e cumprir a Sua vontade e esse é que é “meu irmão, minha irmã e minha Mãe”, como quem diz: acima de tudo e de todos só Deus e, com Deus em primeiro lugar, tudo no coração está devidamente ordenado para fazer o que se deve, no tempo que Deus nos dá. P. Fausto in Diálogo 1613 (X Domingo do Tempo Comum – Ano...

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