Palavras sem Tempo !

  Se atendermos à linguagem, parece que Jesus se levantou hoje de mau humor. A sua proposta é clara e radical. Não há meios termos ou respostas parciais em matéria obrigatória: “ouvistes o que foi dito… Eu, porém, digo-vos…” E não vale queixar-se ao Mestre que o sumário é grande, porque depressa nos responde que não dispensa nada da matéria anterior, ao dizer-nos como então: “se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus”. É o próprio Mestre que diz que veio para aperfeiçoar quanto estava escrito, ao libertar a Lei dos abusos e interpretações farisaicas e insistir no primado da Caridade para com Deus e para com o próximo. A esta luz é santo não o que se contenta meramente em cumprir a lei, mas quem faz o que deve com amor. No Evangelho de hoje parecem-nos duras e carregadas as palavras de Jesus, mas, por tão humanas, estão ao alcance de todos para sermos felizes, porque “quem quer o que Deus quer tem tudo quanto quer”. É essa felicidade que Jesus propõe em palavras que, parecendo-nos exageradas e radicais, não deixam de ser palavras de Vida Eterna. P. Fausto in Diálogo 1688 (VI Domingo do Tempo Comum – Ano...

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“Vós sois…!”

  O Evangelho deste domingo contém afirmações surpreendentes a que, convenhamos, ainda não estamos habituados: “Vós sois o sal da terra… vós sois a luz do mundo”. Jesus diz “Vós sois…” e não vós deveis ser… ou esforçai-vos por ser… São afirmações e não elogios, que responsabilizam particularmente os baptizados, porque, continua o texto, “se o sal perder a força, com que há-de salgar-se?… Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens”. E quanto a sermos luz? De facto, somos luminosos, os mais luminosos entre todas as criaturas, mas a nossa luz não é própria, porque a recebemos de Deus, e podemos, sem perder a nossa dignidade de criaturas e filhos, deixar de iluminar os nossos ambientes de vida. Importa que cada um de nós, responsavelmente, saiba descobrir como há-de ser luz, pois, se a maneira como vivemos não orienta para o bem e para Deus, arriscamo-nos a ser como o sal estragado ou a luz debaixo do alqueire, porque nos tornamos insípidos, insignificantes e inúteis. P. Fausto in Diálogo 1687 (V Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Alegres e luminosos!

  Este ano, no 4° Domingo do Tempo Comum, celebramos a Festa da Apresentação do Senhor no templo, em Jerusalém, por seus pais, Maria e José. É festa da Luz, com benção de velas, que, acesas no Círio Pascal, hão-de traduzir a vontade de sermos luz na Luz, que é Jesus. E não há modo mais genuíno e radical de o fazer que viver as Bem-aventuranças. São o coração do Evangelho e a autêntica Carta Magna, que Jesus deixa aos homens, e não apenas aos cristãos, para serem Felizes. O velho Simeão intuiu este mundo novo inaugurado por Cristo, hoje apresentado no templo e reconhecido como Luz para todos os povos, e alegrou-se ao experimentar antecipadamente a felicidade de habitar num mundo, onde mais importante que ter riqueza ou poder, é ser misericordioso, puro, sincero, pobre, justo,… um mundo não de poderosos que disputam lideranças, mas de homens que promovem a solidariedade, a justiça e a paz. A Festa da Apresentação do Senhor é ocasião privilegiada para renovarmos a nossa Fé em Cristo, Luz para o mundo, cujos cantos, por mais recônditos, se tornarão, com a nossa presença, mais luminosos, se vivermos as Bem-venturanças. E isto só se consegue, como recomenda o Papa Francisco, com evangelizadores alegres e cheios de vida. P. Fausto in Diálogo 1686 (Festa da Apresentação do Senhor (4ºDTC) – Ano...

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Ser de Cristo

  Apresentado por João Baptista, no deserto, Jesus não perde tempo, e depressa O vemos, sem receios, a dar voz ao que vinha: “Arrependei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus”. Não é no templo de Jerusalém que inicia a sua pregação, nem mesmo na sinagoga da sua terra, mas fora e em terras adversas, sem a segurança de assembleias dispostas à escuta, nem o conforto de espaços familiares. Era na rua ou à beira-mar, e a pessoas anónimas, que dirigia a Palavra. Assim aconteceu hoje, para os lados de Cafarnaúm, onde encontrou pescadores, uns em plena faina de pesca e outros, em terra, a consertar as redes. E chamou-os. E todos deixaram tudo e seguiram-nO. Foi intensa e provocante a proposta, decidida e corajosa a resposta ! A partir de agora, veremos Pedro e André, João e Tiago e os outros que, entretanto chamados, disseram também sim ao chamamento de Jesus, para se inscreverem na Sua escola. E todos foram assíduos. E todos, excepto um que desistiu, aprenderam que pertencer a um grupo ou seguir tal tendência é legítimo e compreensível; mas sê-lo de maneira exclusiva, a ponto de não aceitar os outros ou de não os reconhecer, é dar a pessoas ou a ideias um valor absoluto, que só a Cristo pertence. P. Fausto in Diálogo 1685 (III Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Ainda que seja deserto !

    Com o Baptismo, Jesus inicia um período curto mas intenso comummente chamado vida pública. Se até agora era em Nazaré e em família que decorriam os seus anos, a partir do encontro, no deserto, com João Baptista, o horizonte geográfico alarga-se e os laços familiares, continuando a ser importantes, deixam de ser determinantes. Esperam-nos momentos de alegria e de tensão, de encontros e desencontros, de banhos de multidão e noites de oração a sós, dias desgastantes e momentos criativos e salutares de lazer. Tudo faz parte deste período muito curto, mas intensamente vivido por Jesus, que vamos revisitar, nos Domingos do Tempo Comum. Preparemo-nos, porque o Mestre tem Palavras de Vida Eterna, que não convém esquecer. Talvez por isso, enquanto houver mundo, a voz de João Baptista nunca se há-de calar, para indicar o Único que vale a pena ouvir e seguir, Jesus Cristo, “o Cordeiro de Deus”. P. Fausto in Diálogo 1684 (II Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Baptizados e Cristãos !

  O tempo da meninice, adolescência e juventude de Jesus já lá vai. Doravante percorre aldeias e cidades, calcorreia caminhos e encontra-se com multidões. É a vida pública. Hoje, porém, há um encontro muito especial no deserto entre dois primos, que primam pela humildade. Surpreendido por ver Jesus na fila dos penitentes, João Baptista exclama “Eu é que preciso de ser baptizado por ti e Tu vens ter comigo?”. E a resposta de Jesus, sem comentários nem explicações, é apenas “deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça”. E João, ao ministrar o baptismo de purificação a Jesus, no rio Jordão, torna-se testemunha qualificada da Epifania Trinitária de Deus. E assim começa a vida pública de Jesus. A voz, vinda do Céu, que declara Jesus “o Filho muito amado”, é a mesma voz que, mesmo sem se ouvir, também nos reconhece, no dia do nosso Baptismo, Seus filhos muito amados. Amados com o mesmo amor, intensidade e ternura, com que Deus Pai ama Jesus. Amados imerecida e sempre gratuitamente, mesmo quando viramos costas e nos afastamos de Deus. É esta Boa Nova, que nos dá tanta alegria e conforto, que importa acolher, agradecer, celebrar e viver na fidelidade, porque o caminho para nos realizarmos como Filhos de Deus passa pela nossa fidelidade à Palavra de Cristo. Só assim é que merecemos o nome de cristãos. P. Fausto in Diálogo nº. 1683 (Festa do Baptismo do Senhor – Ano...

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Sonhos de Deus !

  O Natal é um tempo de sonhos. Sonhos de Deus, que respiram novidade e futuro. São projecto. Como aconteceu com outros personagens bíblicos, também é em sonhos que Deus fala aos Magos e os desafia a regressarem às suas terras e ocupações, por caminhos novos, assistidos pela estrela que os ilumina e transforma, a ponto de oferecerem tudo o que de mais belo e precioso têm. Assim, de coração cheio e feliz, “e avisados em sonhos”, iniciam a aventura do regresso à normalidade, “por caminhos diferentes“, tornando-se, para nós, exemplo de quem não cede à tentação do comodismo e da preguiça, nem desiste apesar das dificuldades. Que sejam também diferentes os nossos caminhos, para que o ano, há pouco começado, seja propício a escrevermos o nosso próprio “Magnificat“, pelas maravilhas que Deus nos tem para oferecer, ainda que às vezes nos pareça distante e em silêncio. Se nada quisermos aprender com o exemplo dos Reis Magos, arriscamo-nos a integrar o lote dos que tornam o Tempo de Natal apenas um tempo anual de “fantasia colectiva e consumista”. P. Fausto in Dialogo n. 1682 [Solenidade da Epifania do Senhor – Ano A]...

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S. José, o Sonhador !

  Em cada ano, o mesmo assombro e admiração pelo surpreendente, apesar de muitas maneiras anunciado, nascimento do Emanuel ! Ainda não refeitos do sobressalto e da alegria que o anúncio do anjo provocou, e contagiados pela atmosfera de felicidade e paz que se respira na gruta de Belém, eis que somos sacudidos pela notícia de que querem matar o menino. Há que sair rapidamente e deixar tudo para trás. “José levantou-se de noite, tomou o Menino e sua Mãe e partiu para o Egipto e ficou lá até à morte de Herodes”. Sem eira nem beira. Tudo era desconhecido. Na bagagem, apenas a certeza de que poderia contar com Deus e com as suas mãos, há muito calejadas pelo trabalho. José, que já sabia por experiência que do Céu só podem vir bons sonhos, não faz contas a medos ou fadigas, para se cumprir o que o anjo lhe revelara. S. José, que sempre fez seus os sonhos de Deus, a nada se poupando para os realizar, e tão bem cumpriu a missão que lhe fora confiada na “Família de Nazaré”, proteja, com a sua Esposa e Aquele a quem tratava por Filho, as nossas famílias e as famílias do mundo inteiro. P. Fausto in Diálogo n.º 1681 (Solenidade da Sagrada Família de Jesus, Maria e José – Ano...

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Para termos Natal…

Com o Natal à porta, aumenta o ritmo de vida e parece não haver tempo para nada. Não deixemos, porém, que as iluminações, há muito acesas nas montras, ruas e praças, ofusquem a estrela que levou os Magos a Belém. Não deixemos que a correria às lojas e supermercados tire o tempo à preparação do coração para acolhermos o Deus – Menino. Não deixemos que a Noite Santa de Natal seja profanada pela expectativa das prendas e pelo afã no seu desembrulho, esquecendo quem as não tem e vive só. Não esqueçamos Deus na refeição de consoada… O Natal é e será sempre Mistério de Novidade, Poesia e Encanto, porque Deus se fez homem e entrou na nossa história… Bem-aventurados os que se alegram e não se escandalizam com a debilidade de Deus, que no Natal revela o Seu Amor inesgotável por cada um e por toda a humanidade. Que seria de nós, sem o Natal? Um Santo Natal e muito Boas Festas deseja a todos os Paroquianos a Equipa Sacerdotal. P. Fausto in Diálogo 1680 (IV Domingo de Advento – Ano...

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A alegria é possível!

    Num tempo em que tantos baptizados dão sinais de ansiedade, medo e até angústia, com teorias que anunciam o fim próximo do mundo, a pergunta dos discípulos de João Baptista, dirigida a Jesus, mantém-se actual: “És Tu, Aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?” Dois mil anos passados, podemos formular a questão de outra maneira: damos ouvidos ao Evangelho, como Boa Nova, ou às teorias milenaristas, que provocam tanto barulho e atemorizam tanta gente? Jesus não responde à dúvida de João Baptista, mas aponta factos que realizam os longínquos sonhos de Isaías, acerca do Messias: “os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados… e a boa nova é anunciada aos pobres”. Tudo sinais luminosos dum tempo novo, apesar das sombras que provo-cavam dúvidas no coração de João, então preso na cadeia. Como no tempo de Jesus, há guerras, injustiças, tropelias, gente de mau coração…, mas há também tanto bem feito, que, por tão discreto, não luz, mas torna o mundo melhor, apesar de não nos darmos conta. É verdade que é grande o rosário do sofrimento que afecta a humanidade e que pode trazer ao coração dúvidas, inquietações e angústia, mas é infinitamente maior a paciência e o Amor Misericordioso do nosso Deus que, não desistindo de nós, nunca nos abandona. É isto que Jesus anunciou e nós acreditamos. Por aqui passam também a alegria e a confiança em Deus, que nos desafia a viver este tempo, o nosso tempo, em Jubilosa Esperança. P. Fausto in Diálogo 1679 (III Domingo do Advento – Ano...

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