Encontros…

Terminado o Tempo de Natal com a solenidade da Epifania, entramos no Tempo Comum, ao longo do qual celebramos o mistério de Cristo no seu conjunto. Particularmente atentos à Sua actividade apostólica, em cada Domingo, Dia do Senhor, somos desafiados a acertar o passo com o do Mestre, que, apesar de andar depressa, tem sempre tempo e paciência para nós. Como aprendizes que sempre seremos, dispomo-nos, logo à partida, a segui-lO com todo o interesse, como aconteceu com André e João, apresentados por João Baptista ao “Cordeiro de Deus”, junto do rio Jordão. Não sabemos bem o que se passou naquele dia, mas a verdade é que foi feliz, muito feliz, o encontro com Jesus, a avaliar pelo entusiasmo de André, partilhado, de imediato, com o irmão Simão: “Encontrámos o Messias”. E não descansou, enquanto não o levou a Jesus. Se é importante realçar a atitude de João Baptista em apontar o “Cordeiro de Deus” aos seus discípulos, não o é menos a prontidão e obediência reveladas por estes, que, seguindo Jesus por curiosidade, depressa se deixam fascinar pelo convívio com a pessoa excepcional, que tinham acabado de conhecer. Há encontros e encontros. Há encontros e encontrões. Quem se deixa encontrar por Jesus nunca se arrepende. Que o digam esta semana João e André. Que o diga também Pedro, a quem Jesus, olhos nos olhos, mudou o próprio nome. P. Fausto in Diálogo 1926 (II Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Pequenos/Grandes Gestos

    As manhãs apresentam-se bastante frias e as portas da nossa Igreja estão, como é habitual, abertas, permitindo observar a vida que corre e escorre no adro e na praça em frente. Tal facto não me distrai e até me sinto bem a celebrar a Eucaristia “no meio do mundo”, mesmo com o ruído do trânsito, que às vezes é bem grande. Entre tantos que no decurso da Missa passam pelo adro, há sempre quem pare e se benza. Não sei quem são, o que fazem e para onde vão, mas sei que, sem saberem, me ajudam duplamente a celebrar a Eucaristia. Gestos simples, breves, espontâneos e plenos de actualidade num ambiente cada vez mais diluído e rarefeito de Deus! Gestos de gente que não tem vergonha de mostrar que é cristã, mesmo quando corre para o trabalho e o tempo urge. Na festa do Baptismo de Jesus faz -nos bem tomar consciência de que para ser cristão não basta constar no livro de registos de Baptismos da Paróquia, pois de pouco nos vale, mesmo sabendo muito de religião e até de teologia, se não expressamos no quotidiano, mais pelo exemplo que pelo discurso, aquilo em que acreditamos. Não sei se algum dia poderei felicitar os que se benzem ou tiram reverentemente o chapéu quando passam pela Igreja, mas dou graças a Deus por gestos, que me edificam como estes, de quem não tem vergonha de mostrar que é cristão. P. Fausto in Diálogo 1725 (Festa do Baptismo do Senhor – Ano...

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A nossa Luz é Cristo

  O COVID 19 vergou a humanidade, alterou comportamentos, paralisou em grande parte a economia e fez-nos experimentar quão pequeno e frágil é o ser humano, que, apesar dos avanços da ciência, continua nu e desprotegido. Felizmente a ciência entendeu-se e os instrumentos financeiros apareceram para produzir resposta rápida ao combate de algo que, não sendo vivo, roubou tantas vidas e deixou sequelas tão graves. E apareceu finalmente a vacina! Damos graças a Deus por todo este caminho, mas não esqueçamos que a vacina não é a salvação do homem, nem mesmo a “luz ao fundo do túnel”, como dizem muitos. Com cobertura tão exaustiva em todos os meios de comunicação social, parece que a vacina é o verdadeiro messias recém-nascido, portador da salvação universal, ainda que faseada. É verdade que o acontecimento merecia destaque, mas, convenhamos, é obsessivamente grande a cobertura dada, como se aparecesse um guarda chuva eficaz e protector de todas as doenças e pandemias. Continuaremos, vencido o Covid, a ser frágeis e pobres e desiguais e egoístas e soberbos e violentos… e a viver na escuridão, se não tivermos em conta a Mensagem que nos vem da Verdadeira Luz do mundo, Jesus, nascido em Belém. Ao celebrarmos a solenidade da Epifania, aprendamos não com Herodes mas com os magos, que se aventuram, não desistem, mesmo quando deixam de ver a Estrela, e perguntemos-lhes o segredo para prosseguirem viagem até ao presépio e voltarem para a sua terra por outro caminho, com o coração cheio a transbordar de alegria e de paz. P. Fausto in Diálogo 1724 (Solenidade da Epifania do Senhor  Ano...

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À luz do Natal

  O Natal é uma festa muito especial, que provoca no coração, mesmo dos não crentes, os mais belos sentimentos. Para os cristãos, porém, não se trata de mera festa sentimental, é a revelação do novo ordenamento de toda a criação, porque Jesus, o Filho Unigénito de Deus, ao entrar no mundo a partir do ponto mais baixo, não deixa ninguém de fora e a todos alcança pelo mesmo abraço de amor. O Criador que tinha moldado o homem, no jardim, com o pó da terra, faz-se ele próprio, no mistério da Encarnação, argila do mesmo pó de que somos feitos, e, assim, Criador e criatura se abraçam e unem para sempre na partilha da humana natureza. Para que ninguém se sinta prejudicado ou favorecido. Em dignidade somos todos iguais. Logo a seguir ao Natal, vem a festa da Sagrada Família, que o Papa Leão XIII, em 1892, instituiu para levar as famílias cristãs a olharem para a Família de Nazaré, a fim de imitarem os seus exemplos, e, desse modo, contribuírem para a santificação da sociedade, que já sentia fortes dificuldades em torno da instituição familiar. Cem anos passados, a situação não melhorou. Importa, pois, mais que nunca, celebrar a Festa da Sagrada Família de Nazaré, invocar a Sua protecção e imitar o Seu exemplo, porque o panorama familiar apresenta-se bem carregado e mais sombrio. P. Fausto in Diálogo 1723 (Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José – Ano...

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Está a chegar…

  Quase na véspera do Natal, este último domingo do Advento convida-nos à preparação imediata da festa. A Palavra de Deus que nos orienta, a oração insistente que fazemos pessoalmente e em família, a participação fervorosa e consciente na Eucaristia, são outros tantos meios que nos ajudarão a preparar e a viver o Natal. E se com tudo isto nos deixarmos seduzir pelo exemplo de Nossa Senhora, então a nossa preparação para o Natal é verdadeiramente admirável, porque ninguém melhor soube conjugar os verbos que tornaram possível a Encarnação e Nascimento do Salvador. É o que nos diz o Evangelho deste último domingo do Advento. Com efeito, a Virgem de Nazaré, contra todas as expectativas e projectos pessoais de vida, ao dar sem reservas o assentimento à mensagem que o Arcanjo Gabriel lhe comunica, torna-se misteriosamente Mãe do Verbo de Deus. Porque incondicionalmente acreditou e livremente consentiu no cumprimento de quanto lhe foi revelado, é o modelo acabado para quem deseja preparar e celebrar o Natal. P. Fausto in Diálogo 1722 (IV Domingo de Advento – Ano...

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Alegrai-vos !

Com este Domingo começa a segunda fase do tempo do Advento, em que a Igreja nos orienta para a Alegria do Natal, mas não necessariamente para a da noite de consoada. Ainda que importante, e os promissores avanços da ciência e o aligeiramento das medidas de saúde pública permitam que a mesa da consoada se alargue, o momento que vivemos pede prudência e cuidados, e João Baptista não se cansa de nos convidar a viver o Advento, conjugando sabiamente a sobriedade de vida com a solidariedade activa a favor dos pobres. O que não pode faltar também é a Alegria, mesmo sem consoada e mesa alargada. Sim. Não deixemos, então, que nenhuma pandemia, com todos os seus dissabores, nos roube a Alegria, porque “o Senhor está perto”. Ainda que Deus nos pareça, às vezes, distante, clandestino ou em silêncio, nunca está longe e desatento. São certezas como estas que levam S. Paulo a dizer aos cristãos de Tessalónica: “Vivei sempre alegres, orai sem cessar, dai graças em todas as circunstâncias”. Palavras sábias para todos e para todos os tempos. E também para o Advento. P. Fausto in Diálogo nº. 1721 (III Domingo de Advento – Ano...

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A voz oportuna !

  O tempo corre e já estamos na segunda semana do Advento. E muitos, alertados pelo acendimento das iluminações da época, já se desdobram em cuidados com os presentes de Natal. Para os cristãos, porém, há outros trabalhos mais urgentes e importantes. Quem o diz é João Baptista, voz determinada e inconfundível, no deserto: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”. Ao dar voz a este pregão, João Baptista não se limita a replicar uma mensagem ou a dar um recado aos do seu tempo, mas torna-se, para todos os tempos, exemplo claro de quem vive em Advento e prepara a vinda do Messias. Dois mil anos passados, não se volta ao deserto e ao estilo de vida do Precursor, mas não deixa de ser oportuno e necessário escutarmos o seu alerta vigoroso, para que a sobriedade de vida, como escolha livre e responsável que devemos fazer, nos permita ter uma expressão solidária mais significativa nesta quadra. É o que nos sugere também o Papa Francisco. Com efeito, a sobriedade, a solidariedade e a oração serão sempre trempe vigorosa em que deve assentar o projecto de vida de quem quer viver o Advento e celebrar cristãmente o Natal. P. Fausto in Diálogo 1720 (II Domingo do Advento – Ano B)...

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” Vigiai ! “

  O domingo a seguir à Solenidade de Jesus Cristo, Senhor do Universo, inicia sempre o ano litúrgico e introduz-nos num tempo também novo, o Advento. Para muitos cristãos, porém, só as luzes acesas nas montras, praças e ruas, que cheiram a natal e puxam pelo consumo, é que despertam para a mudança. Conscientes ou não, o calendário litúrgico muda, e um tempo novo começa, para prepararmos o Natal dAquele que há-de vir, “como Juiz dos vivos e dos mortos” e que nasceu em Belém para ser nosso Salvador. Ao iniciarmos mais um ano litúrgico e, sobretudo, o Advento, não deixaremos de atender ao que Jesus pede no Evangelho, e que S. Marcos, que nos vai acompanhar ao longo de todo o ano, sintetiza: “O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!” O dever de vigilância não impõe cuidados acrescidos de defesa pessoal, não pede reforço e blindagem de portas… Apenas nos pede uma maior atenção à vida. Sim. Atenção a Deus, aos outros e a nós mesmos. Num tempo em que a tudo se fazem contas em função de objectivos, é tão fácil andarmos distraídos. Sempre a correr, não temos tempo para nos olharmos nem paciência para nos ouvirmos, não temos tempo para a família, para os amigos, nem para nós próprios. E, certamente, também para Deus o tempo é escasso. Assim, não preparamos o Natal, nem temos a qualidade de vida que só Deus nos oferece. P. Fausto in Diálogo 1719 (Domingo I o Advento – Ano...

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O rosto de Deus !

  Com a Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, chegamos ao fim do ano litúrgico. O ambiente é de majestade e dignidade. Trata-se, nada mais nada menos, que o Juízo Final, de cuja sentença não há recurso. O desfecho não é igual para todos. Para uns abrem-se plena e definitivamente as portas para a Felicidade: “Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado…” Para outros, também convocados, as portas abrem para a solidão e desespero: “Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno…”. Qual o critério que decide a sorte de uns e outros? Qual a culpa dos condenados? Eles não fizeram mal aos pobres, não maltrataram ninguém… É verdade. Simplesmente acharam desperdício o tempo dado aos outros, especialmente aos da margem. E apresentaram-se de mãos vazias. O seu caderno diário só tinha omissões. Muitas vezes nos questionamos: Onde está Deus? Jesus, no Evangelho de hoje, dá-nos a resposta. É Seu o rosto dos famintos, dos desempregados, dos doentes, dos sós,… Está onde se sofre. Por isso, no Juízo Final, o Rei e Senhor do Universo abrirá o Livro da Vida no capítulo das “Obras de Misericórdia” para bênção e consolação de uns e condenação e desespero dos outros. P. Fausto in Diálogo 1718 (Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo  Ano...

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Sem medo !

  O termo do ano litúrgico aproxima-se e a Palavra de Deus aponta cada vez mais claramente para o fim dos tempos. Assim sucede em mais este Domingo. Sem ambiguidades. Todos somos diferentes, e, como a todos foram dados talentos, igualmente preciosos e necessários na construção harmoniosa e equilibrada da sociedade e da Igreja, a parábola do Evangelho de hoje, largamente conhecida, é, sobretudo, um convite a não termos medo, mesmo do medo de errar, a não metermos medo e a libertarmo-nos do medo. Porque o medo atrofia, paralisa e motiva a escondermos o talento, sob a capa de uma falsa prudência e segurança. Com esta parábola, Jesus quer libertar-nos até do medo de Deus, que não é um senhor ganancioso, que pretenda enriquecer à custa dos talentos confiados, mas Alguém que generosamente devolve aos servos tudo o que largamente distribui, acrescido do que ganham. Este é o nosso Deus, que só sabe dar, e dar em abundância, sem nada reservar para si, porque de nada tem falta. Qualquer que seja o dom recebido, pequeno ou grande, o essencial é valorizá-lo, porque, na hora das contas, Deus não olha aos números, mas à diligência, à confiança, à ousadia, à criatividade, numa palavra, ao amor que se põe no serviço que se presta. Deus concede a todos talentos, a uns mais que outros, é verdade, mas a todos concede a graça de os multiplicarmos. Fazê-lo ou não, está na nossa liberdade, mas não se queixem da sorte final os que, sob falsa prudência e segurança, se limitam a apresentar o talento que, por medo, enterraram. P. Fausto in Diálogo nº 1717 (DOMINGO XXXIII DO TEMPO COMUM – Ano...

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