“Fazei tudo…”

  Hoje participamos numa festa de casamento, para a qual foram convidados Jesus e sua Mãe, e nós também, dadas as nossas relações de convivência com Jesus. O ambiente era festivo e a mesa farta de boa comida e bom vinho. A certa altura, a Mãe de Jesus, apercebendo-se do nervosismo dos serventes, vem, com discrição, junto do Filho, dizer-Lhe que se esgotara o vinho. Jesus acedeu e tudo discretamente se resolveu. Com esta intervenção, Jesus quer anunciar, desde a primeira hora, um Deus próximo, alegre e compreensivo, que aprecia a festa e se compraz com a alegria dos homens, mas não nos poupa às dificuldades, nem nos livra de aflições. Na vida há momentos de tudo… e pode “faltar o vinho”, o vinho da alegria, do entusiasmo, do sonho, da paixão, da generosidade… E agora? Viver para o passado a que doentiamente nos agarramos? Resignarmo-nos a um presente sem horizontes, nem oxigénio? Baixar os braços de vencidos pelas contrariedades? Nada disto é sádio e não é da vontade de Deus. Para sair deste pântano, há que lembrar as palavras avisadas da Mãe de Jesus aos serventes, “Fazei tudo o que Ele vos disser”, e as de Jesus aos mesmos funcionários, “Enchei essas talhas de água… Tirai agora e levai ao chefe de mesa”. Se tivermos em conta a recomendação amorosa e sensata da Mãe de Jesus e se formos obedientes e diligentes como os serventes, não serão as dificuldades da vida, ainda que fortes, a roubar-nos o ânimo, a alegria e a frescura espiritual dos discípulos de Cristo. P. Fausto in Diálogo 1640 (II Domingo do Tempo Comum – Ano...

Learn More

Filho e Herdeiro de Deus !

    O Baptismo de Jesus, ministrado por João Baptista, não teve convidados, fotografias ou prendas. Não teve almoço, nem jantar. O lugar era deserto e o ambiente de grande austeridade. Mas houve festa, porque, enquanto Jesus orava, “o céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele, como uma pomba”. E fez-se ouvir uma voz, que impressionou fortemente João Baptista: “Tu és o meu Filho muito amado. Em ti pus toda a minha complacência“. Também sou baptizado. Desde aquele longínquo Dezembro de 46, aplicam-se a mim as palavras ouvidas por João Baptista, no deserto, quando baptizava Jesus. Posso, assim, dizer, com toda a segurança, que Deus me ama como amou Jesus de Nazaré, com a mesma intensidade e com a mesma ternura, e que, apesar das desilusões que Lhe causam as minhas resistências e distúrbios, Ele não se cansará de mim. Nunca. Apenas porque me ama. Desde esse momento único e original do Baptismo, sou, por graça e não por mérito, por adopção e não por natureza, Filho e Herdeiro de Deus para toda a eternidade. Saber a data do Baptismo é importante, celebrá-la, ainda melhor, mas viver a vocação baptismal como caminho de santidade é o grande desafio que a Festa do Baptismo de Jesus faz a mim e a todos os baptizados. P. Fausto in Diálogo 1639 (Festa do Baptismo do Senhor – Ano...

Learn More

“Dia de Reis”

  Em plena quadra natalícia, celebramos a Epifania do Senhor, tradicionalmente conhecida como “Dia de Reis”. E faz esta solenidade todo o sentido, pois, enquanto no Natal Jesus se revela “aos da casa”, pobres e marginalizados pastores, na Epifania revela-se “aos de longe”, isto é, a toda a humanidade, representada pelos “Reis magos”, que reconhecem ser aquele Menino, pelos presentes que Lhe oferecem, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Não sabemos a identidade, profissão ou origem destes misteriosos personagens, mas sabemos que são cultos, ricos, dos lados do Oriente, de muito longe, e que, na procura do segredo da estrela que os atraía, resolveram dúvidas e perplexidades e ultrapassaram grandes obstáculos, até com risco da própria vida. Ficam, assim, para o futuro, como referência para alguém que, sempre atento aos sinais dos tempos, alimenta a espera messiânica e a fome de absoluto, que não são exclusivas do povo judeu, nem de uma determinada religião, nem se esgotam em qualquer momento da história. A conduta dos astrólogos do oriente, que procuram afanosamente Deus, sem outra luz que a pálida luz de uma estrela rara, é modelo para os peregrinos da fé e da esperança de todos os tempos, e para nós não deixa de ser também um forte desafio, se queremos viver a sério a nossa Vocação Baptismal. P. Fausto in Diálogo 0638 (Solenidade da Epifania do Senhor – Ano...

Learn More

A Grande Lição de Nazaré !

  Três dias à procura de um filho perdido geram no coração dos pais sentimentos de angústia profunda. Assim aconteceu com os Pais de Jesus no fim da peregrinação, que, todos os anos, faziam, em família, a Jerusalém. Quando se aperceberam que Jesus não vinha com os homens, nem com as mulheres, regressaram a toda a pressa, indagaram toda a gente, foram a todos os cantos e, ao terceiro dia, encontraram-nO entre os doutores, no Templo. “Ao vê-lo, ficaram admirados”. Nas suas caras era enorme a aflição e também a estranheza: “Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura”. E a angústia virou assombro sem passar pela repreensão, ameaça ou castigo. Não há ressentimentos nem acusações, mas somente a necessidade de compreender o porquê… e, por fim, pai e mãe acolhem, em silêncio, a resposta incompreensível do filho de 12 anos. Graças ao seu grande Amor, Maria e José venceram mais esta crise. Com o Seu Filho regressaram a casa, onde sempre se cultivou o diálogo, o respeito, a confiança e a liberdade. Bendita Família, em que o Amor teve sempre a primeira e última palavra! Por isso é que venceram todas as crises. Que a Sagrada Família de Nazaré inspire e abençoe todas as nossas famílias. P. Fausto in Diálogo 1637 (Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José – Ano...

Learn More

A maior das prendas !

  Estamos em vésperas de Natal, Solenidade do Nascimento de Jesus, que marca a história da humanidade. Crentes e não crentes tornam este acontecimento verdadeiramente singular e mágico. E não é para menos, porque, apesar de tão desejado e anunciado, colheu de surpresa toda a gente. Quem diria que Belém, “casa do pão”, pequena e humilde cidade, perdida algures, na Judeia, seria o local para Jesus nascer? Quem não se surpreende pela escolha de duas mulheres do povo, ambas misteriosamente grávidas, reconhecerem, agradecidas, o Dom da Maternidade, porque “a Deus nada é impossível”? Deus, o nosso Deus, é deveras surpreendente! E continua a surpreender-nos. É Vida. É Alegria. É Ternura. É Paz. É Salvação. Tudo isto celebramos em cada Natal. Não se estranhe, pois, que João Baptista tivesse estremecido de Alegria, ao pressentir o fruto bendito do seio de Maria. Que a celebração do Natal traga a todas as famílias a Alegria e a Paz, que os Anjos anunciam, e que Deus dá abundantemente em Seu Filho Unigénito, a Sua mais bela e importante prenda para toda a humanidade. P. Fausto in Diálogo 1636 (IV Domingo do Advento – Ano...

Learn More

“Que devemos fazer” ?

  Estamos na 3ª semana do Advento, com João Baptista a dizer-nos claramente que o seu tempo está a esgotar-se e que vive preparado para saborear, no silêncio e na sombra, a alegria de ser voz de Boas Novas, voz incómoda e nunca rendida, apesar do “deserto”. “Está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias”, avisa, face às dúvidas e expectativas do povo. Entretanto, é um corrupio de gente inquieta, que acorre ao deserto, à espera de uma palavra iluminadora. Entre os anónimos, há gente rica, soldados, publicanos e cobradores de impostos, a perguntar também: “Que devemos fazer?” A uns lembra que não é grande quem tem mais poder ou dinheiro, um guarda roupa variado e de luxo ou celeiros bem fartos, mas o que aprende na escola do amor a conjugar generosamente o verbo dar. A outros, que fazem jus à sua posição social e aos seus pergaminhos, acertadamente João lembra que o caminho para Deus não é questão de retórica, mas de humildade, apenas percorrido por quem sabe apagar-se no momento oportuno, sem constrangimentos nem ressentimentos. Aqui está João Baptista, o Profeta que não dá receitas a gosto, mas, sem apontar caminhos únicos, continua a dirigir a cada um a palavra sábia, para vivermos com redobrada alegria estes poucos dias que antecedem o Natal. Todos baptizados, todos profetas, e enquanto nos preparamos para “as Novidades” anunciadas por Deus, ocupemos o “advento” a tornar o nosso pequeno mundo mais fraterno, justo e feliz. Para isso não são precisos discursos. Basta ( tantas vezes!) um sorriso, uma saudação, um abraço, um pedido de desculpa… É uma verdadeira arte pôr amor nas coisas pequenas de todos os dias! P. Fausto in Diálogo 1635 (III Domingo do Advento – Ano...

Learn More

Todos Profetas ?

  Deus não sofre de stress, não tem pressas, nem esgota a paciência com a humanidade, apesar das nossas histórias desencontradas, desvios, perversões e até escândalos. Por isso, em todos os tempos, houve quem, mesmo neste “deserto”, fosse voz da Boa Nova da Salvação de Deus. Assim aconteceu com João Baptista, que não se cansava de dizer: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas, aplanai os obstáculos…” ou, bem perto de nós, com o Papa Paulo VI, quando discursava na sede das Nações Unidas, em 1965, dizia à humanidade: “Nunca mais a guerra! Nunca mais a guerra! Se vós quereis ser irmãos, deixai cair as armas das vossas mãos…” Mas não só enviou Deus a estes a Sua Palavra e os constituiu profetas, no seu tempo. Também a nós Deus escolheu e tornou profetas pelo Baptismo. Ainda que a nossa voz não ecoe tão longe ou não seja por todos escutada, nenhum baptizado se pode, porém, dispensar de ser, no ambiente em que vive e no espaço que ocupa, pela profissão que exerce ou serviço que presta, voz e presença deste Reino, que se realiza na história e caminha para a plenitude, atingindo em Cristo o seu cume. A II semana do Advento merece um redobrado esforço para aplanarmos caminhos tantas vezes retorcidos da nossa vida e construirmos mais pontes consolidadas no diálogo, na solidariedade, no perdão e na paz… e assim, mais livres, sem máscaras e sem medos, seja a nossa mensagem cada vez mais cristalina e credível. P. Fausto in Diálogo 1634 (II Domingo do Advento – Ano...

Learn More

“Erguei-vos !”

Terminámos o ano com o Evangelista Marcos e, com o Advento começamos outro, pela mão de Lucas, sempre com o horizonte num futuro violentamente carregado. Aos olhos incautos parece que Deus se compraz com a tragédia, aprecia ambientes depressivos e quer que vivamos de modo severo e austero, tornando mais pobres os dias da nossa existência. Nada disso! Quem acreditaria num Deus assim? Quem teria prazer em preparar a Sua vinda? Que acolhimento merecia a Sua mensagem? Não é apavorados que Deus gosta de nos ver, nem paralisados pela angústia do futuro, mas quer-nos atentos e vigilantes, aproveitando o Advento como tempo belo e precioso para o exercício da virtude da Esperança, apesar dos gemidos da humanidade e das convulsões da história. Como a mulher, prestes a dar à luz, vive a alegria antecipada por quem vai nascer, apesar do desconforto próprio do momento, também assim devemos viver em alegria e esperança o Advento. Para quem ousa ver além da borrasca, facilmente dará conta que o Evangelho não tem por objectivo descrever o fim do mundo e provocar o pânico, mas ajudar a descobrir o sentido da história. E esse sentido último, para o qual tudo se encaminha e converge, é Deus. Por isso, “Erguei-vos e levantai a cabeça”. O Advento é esse tempo belo e propício para meditar e deixar vir ao de cima “estas coisas”. P. Fausto in Diálogo 1633 (Domingo I do Advento – Ano...

Learn More

Um Rei diferente !

  Com a Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, encerramos o ano litúrgico. E fazêmo-lo, assistindo ao interrogatório de Pilatos a Jesus, no pretório, num frente a frente revestido de intenso dramatismo, perturbado pelo eco das vozes da turba que aguarda, na praça, impaciente, o desfecho do julgamento. De um lado, bem protegido por vigoroso corpo da guarda, versátil na lógica do poder e apoiado no direito, está Pilatos; do outro, Jesus, de rosto empastado por sangue ressequido, só e indefeso, mas de postura digna e nobre, a ponto de desarmar o seu interlocutor: “Tu és o Rei dos judeus?” Sim, “é como dizes: sou rei”, mas não é dos judeus, nem deste mundo, apressou-se a responder serenamente Jesus. Não tenhas, pois, medo, porque o meu Reino não recruta mercenários, nem se defende pelas armas. O meu Reino é constituído por homens e mulheres livres, comprometidos apenas na fraternidade, na paz e na justiça…, em que ninguém manda mas todos servem, porque se sentem iguais em dignidade e Filhos de Deus, que é meu Pai. Como vês, Pilatos, o meu reino não é deste mundo, embora nasça no coração de cada pessoa e se realize em cada tempo. Não venho, pois, competir com ninguém, mas tão só mostrar e criar uma história completamente diferente, baseada na lógica do Serviço e na força do Amor. O discurso de Jesus não terá convencido Pilatos, mas continua actual e a merecer de todos nós, baptizados, o maior empenho nas tarefas da construção, aqui e agora, dos “Novos Céus e da Nova Terra”. É desse Reino de que Jesus é verdadeiramente Rei. P. Fausto in Diálogo 1632 (Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo – Ano...

Learn More

E depois ?

  Estamos a aproximar-nos do final do ano litúrgico e a Palavra de Deus, em linguagem pouco habitual, alerta-nos para uma realidade que ninguém pode evitar: o futuro. E DEPOIS ? Se há questões de que não temos resposta, esta é uma delas. Por mais que se explique, muito mais fica por explicar… E Jesus também não desvenda o mistério, não porque o desconheça, mas porque o mesmo ultrapassa os limites da nossa humana natureza. A verdade, porém, é que se trata de uma crise universal, de uma ruptura que altera estruturalmente todos os elementos humanos e cósmicos e a que nenhuma força pode resistir. Se as palavras de Jesus para anunciar a Sua vinda nos alertam para a tragédia e nos sabem a drama, não pretendem inculcar o medo e matar a esperança, mas garantir-nos a presença consoladora de Deus que não desiste de nós, mesmo no limite dos nossos limites. O Deus que Jesus nos revela não se compraz com o sofrimento, nem o Seu projecto é de morte. São de paz os Seus pensamentos, de felicidade o Seu projecto e de amor a Sua aliança. No entanto, à crise ninguém escapa. Que fazer? Vivamos cristãmente o presente, hoje e cada dia, no cumprimento dos nossos deveres e confiemos o futuro à Providência Amorosa de Deus. Isto é o que está nas nossas mãos. “Quanto ao dia e à hora”, não é das nossas contas. P. Fausto in Diálogo 1631 (XXXIII Domingo do Tempo Comum – Ano...

Learn More