O Evangelho do 4° Domingo da Páscoa, conhecido também como o Domingo do Bom Pastor, tem palavras que ouvimos dos próprios lábios de Cristo a indicar como Ele, claramente, concebe e exerce o ofício de pastor: “chama as suas ovelhas cada uma delas pelo seu nome, caminha à sua frente e leva-as para fora”.Assim se revela Jesus, que nos conhece mais que nós mesmos e sabe do que somos capazes. Não nos julga e, em vez disso, chama-nos. Chama cada um pelo nome e leva-nos para fora. Para a liberdade. Para a felicidade.Assim é Jesus, o Bom Pastor. Não é um Deus de sacristia e recintos fechados, mas Pastor de liberdade, que não quer ninguém encerrado por medo, porque sabe que nunca se escolhe nada de relevante na vida por medo, por muito justificado que seja.O nosso Pastor caminha à nossa frente e não atrás. Não é um Pastor que espicaça, ralha ou ameaça para se fazer seguir, mas um Pastor que nos precede, que seduz com o seu caminhar, que fascina com o seu exemplo e, se paramos, senta-se e espera-nos sorridente.Este é o nosso Pastor, Jesus, o Ressuscitado, que caminha connosco e nos diz amorosamente quando caímos ou desanimamos: Vem daí, levanta-te e anda. “Eu estou sempre contigo.” P. Fausto in Diálogo nº. 1954 (Domingo IV da Páscoa (Domingo do Bom Pastor) – Ano...
Learn MoreDe Jerusalém a Emaús bastam duas horas de caminho em ritmo acelerado. Foi o tempo gasto por dois jovens, na tarde do Domingo de Páscoa, quando regressavam a casa desiludidos e com ar muito triste.Apesar de terem seguido com entusiasmo e escutado Jesus, com atenção, tantas vezes, agora, no coração, só há vazio, silêncio e perguntas sem resposta. Tudo parece ter acabado em sexta-feira.Tudo, porém, se alterou com a presença discreta e luminosa do forasteiro que os ajudou, enquanto caminhavam, a entender que a cruz não foi mero resultado de um processo iníquo ou ponto final numa existência de puro altruismo, mas plenitude do amor, que muda a compreensão de Deus e dos homens.A palavra, que lhes inflamou o coração no caminho, e o pão partido em casa, que lhes abriu os olhos, fizeram-nos voltar para Jerusalém. E a triste fuga de ambos torna-se agora jubilosa corrida. Já não há fadiga nem noite, apenas pressa em comunicar aos onze a BOA NOVA surpreendente de que ELE ESTÁ VIVO.Reconhecêmo-LO nós também, em cada domingo, na Missa em que participamos? P. Fausto in Diálogo nº. 1953 (Domingo II da Páscoa – Ano...
Learn MoreOs apóstolos, passados oito dias da primeira aparição do Ressuscitado que lhes ofereceu o dom da Reconciliação e da Paz, continuam vencidos pelo medo, mas, apesar das portas bem trancadas, Jesus visita-os de novo, com Tomé, desta vez, também presente.Sem delongas, depois da saudação pascal, Jesus dirige-se a Tomé: “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo mas crente“. Três verbos simples e concretos: olha, põe, toca! Não há recriminações nem sermões. Não há ordens. Apenas compreensão e disponibilidade para a mais bela e fecunda experiência.Aquele que antes duvidava e exigia a prova dos factos, passa agora da incredulidade ao êxtase: “Meu Senhor e meu Deus“.Na mão de Tomé, que certamente treme enquanto se aproxima dos sinais do amor, estão também todas as nossas mãos e as nossas dúvidas. Consola-nos, porém, a Bem-aventurança com que termina o Evangelho do Domingo da Misericórdia: “Felizes os que acreditam sem terem visto”. P. Fausto in Diálogo nº. 1952 (Domingo II da Páscoa (da Divina Misericórdia) – Ano...
Learn More“No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro”. Assim começa o Evangelho de S. João, neste Dia de Páscoa, sem rodeios nem comentários.No coração desassossegado desta mulher, à saudade por Aquele que a libertara do poder demoníaco, vem juntar-se a escuridão pela ausência de respostas diante do sepulcro vazio: “levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o puseram”. E começou o alvoroço.A festa da PÁSCOA é a FESTA, por excelência, que a Igreja vive com especial fervor ao longo de 50 dias, porque nela celebra o ponto culminante da obra redentora de Jesus Cristo. E ao longo do ano tornamos a revivê-la no primeiro dia de cada semana, o Domingo, como Dia do Senhor.Que a alegria dos Aleluias que enchem as nossas Igrejas na Vigília Pascal, ecoando pelo ano fora, encha o coração de todos nós, pois, sem a Páscoa, a vida seria desilusão e inutilidade. P. Fausto in Diálogo nº. 1951 (Domingo de Páscoa d Ressurreição do Senhor – Ano...
Learn MorePara os cristãos esta é uma semana especial, é a semana central da história e da fé, porque, entre este Domingo e o próximo, somos chamados a seguir dia a dia, quase hora a hora, a última semana da vida de Jesus.A semana de todas as dores, que começa em Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, torna-se, assim, entre todas a Maior, a mais Santa e Misteriosa Semana, em que o Filho de Deus lava os pés aos apóstolos e dá-lhes o seu corpo a comer, é por eles abandonado e por um atraiçoado, e, não Lhe bastando, deixa-se desnudar, prender e içar na Cruz, para que, de braços abertos, todos se possam sentir abraçados e acolhidos.Entendeu isto, não um discípulo, mas um estranho, que, habituado por profissão a situações de tortura, sofrimento e morte, não resiste, diante do Crucificado, a fazer uma autêntica profissão de Fé: “Este era verdadeiramente Filho de Deus!”Na verdade, morrer assim, morrer de amor por todos é só “coisa” de Deus! O centurião compreendeu-o muito bem e o seu testemunho ficou para memória futura. P. Fausto in Diálogo nº 1950 (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor – Ano...
Learn MoreO V Domingo da Quaresma é conhecido pelo povo como Domingo de Lázaro. Tudo se passa em Betânia, desta vez junto do túmulo deste amigo de Jesus, passados já quatro dias da sua morte. O ambiente é de tristeza, dor e lágrimas no rosto de todos os presentes. Até Jesus se comove profundamente!De todo o Evangelho, esta é a página em que mais se manifestam todas as emoções de Jesus: comove-se, perturba-se, chora e brada, mostrando, assim, aos presentes, a profunda amizade que nutria por Lázaro e pelas irmãs.As palavras de Marta, que nos parecem quase de amorosa censura pelo atraso do Amigo, são aproveitadas por Jesus para dizer algo que transcende o tempo: “Eu sou a Ressurreição e a Vida”, e, junto ao túmulo, manifestar que é o Senhor dos vivos e dos mortos: “Lázaro, sai para fora, desligai-o e deixai-o ir”. Contra toda a esperança, assim aconteceu!O que se passou com Lázaro, passa-se também connosco todas as vezes em que desistimos, bloqueamos e nos deixamos paulatinamente morrer, fechados na gruta vazia e obscura duma vida em que já nada vale a pena. P. Fausto in Diálogo nº. 1949 (V Domingo da Quaresma – Ano...
Learn MoreJesus, no templo, dá de caras com um cego de nascença e cura-o. Ninguém, pelo relato do Evangelho, sente pena pelos olhos vazios do cego ou se mostra solidário pela sua penúria e dependência, nem a sua cura provoca qualquer gesto de admiração e alegria. Bem pelo contrário!Face ao espanto e à alegria de um homem que vê pela primeira vez o sol, as flores, o rosto de sua mãe…, os fariseus, que conhecem bem as regras, que conhecem o que é bom e o que é mau, nada sentem, porque só lhes interessa a lei e não o homem feliz. E assim se comportam como verdadeiros funcionários e guardiões do sagrado, mas analfabetos de coração.Para estes, os coxos, os mendigos, os cegos, os leprosos, etc, etc, porque pecadores, devem resignar-se à sua condição, desde que o sábado seja respeitado. Para Jesus, ao contrário, a glória de Deus não está no preceito observado, mas no homem feliz, livre e de coração convertido.É este o Deus revelado que nos convida a abrir o coração ao Seu Amor Misericordioso, para podermos saborear e celebrar a Alegria que nos vem da certeza da Páscoa. P. Fausto in Diálogo nº. 1948 (Domingo IV da Quaresma – Ano...
Learn MoreO Evangelho de hoje revela-nos Jesus entre os samaritanos, entre gente de outra tradição e religião, como verdadeiro mestre em humanidade e pedagogo admirável. Contra todas as regras sociais, jurídicas e religiosas, encontra-se com uma samaritana, que vem ao poço comunitário buscar água para consumo da casa. O calor apertava e a sede e o cansaço aconselhavam uma paragem.Jesus, sentado na borda do poço, estabelece um verdadeiro diálogo com esta mulher samaritana, que, surpreendida com tal encontro, sente-se respeitada e compreendida. Sente-se renovada por dentro. E abandona o cântaro como se fosse um vestido velho de que já não precisa e corre ao povoado a comunicar boas notícias. Torna-se missionária.Também nós, como a mulher da Samaria, que vai ao poço buscar água para o consumo de casa e dele regressa rica de céu, se acolhermos Deus, rico em Misericórdia, teremos o coração luminoso e preparado para celebrarmos as próximas solenidades pascais. P. Fausto in Diálogo nº. 1947 (Domingo III da Quaresma – Ano...
Learn MoreDo deserto de pedras ao monte da luz. Da tentação à transfiguração. Eis o caminho que nos indica o Evangelho dos dois primeiros domingos da Quaresma, para que esta seja, mais que tempo de luto e penitência, conversão à luz.Agora é o tempo favorável da nossa transfiguração, o tempo de nos virarmos para a LUZ !A LUZ não é nossa, mas se nos expusermos e montarmos a nossa tenda diante de Cristo Luminoso, a escuta da Palavra, a Oração mais fervorosa e a Caridade mais diligente, tornar-nos-ão também luminosos, como os apóstolos.Se assim for, estaremos, ao fim da Quaresma, mais preparados para celebrar a Páscoa, que fará rolar a pedra e cantar a certeza de que a noite foi vencida para sempre. P. Fausto in Diálogo nº. 1946 (Domingo II da Quaresma – Ano...
Learn MoreNo Evangelho do 1° Domingo da Quaresma somos sempre convidados a acompanhar Jesus ao deserto, onde, tentado pelo demónio, jejuou 40 dias, teve fome e passou frio. Apenas o Espírito Santo estava presente.Tentação, palavra fora de moda, que a publicidade usa a propósito de coisas fúteis, tem um significado muito importante e actual: significa escolher como viver, ordenar as próprias escolhas, pois é escolhendo que somos livres.Com a primeira tentação, Jesus quebra a ilusão de que os bens, por si só, enchem a vida. O pão é um bem inquestionável, é verdade, mas Jesus aumenta a parada ao dizer que “nem só de pão vive o homem”. O pão é bom, contudo melhor é a Palavra de Deus, que suscita no coração humano sede e fome de céu.Mas não se fica por aqui o diabo, que, de Bíblia na mão, no pináculo do templo, desafia: “atira-te daqui abaixo”, pois Deus tomará conta de ti. Aquilo que parecia o mais elevado acto de fé e confiança em Deus, não passa de uma caricatura, uma pura busca do próprio proveito.Por fim, o diabo eleva ao máximo a parada: “tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares”. O diabo, ao contrário de Deus, entra em negociações com o homem e promete-lhe dinheiro fácil, uma poltrona cómoda, um pouco de poder. Tudo efémero, a troco, tantas vezes, do desrespeito pela dignidade da própria pessoa! P. Fausto in Diálogo nº. 1945 (Domingo I da Quaresma – Ano...
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