Distraído ou Generoso ?

  Em sítio algum Jesus passa despercebido e cada vez tem menos tempo para estar só, e às vezes são verdadeiras multidões que se acotovelam para O ouvir. É o que acontece hoje, à beira-mar, segundo o Evangelho deste domingo. Muitos ouvem-nO com prazer, outros com reservas, e há mesmo quem não perca uma palavra à espera de motivos para O acusar. Jesus sabe tudo isto, e continua manso e humilde na Sua pregação. Sabe que não veio para fazer discursos agradáveis ou vender sonhos. Não tem agenda política ou religiosa. Veio para falar de Deus. E hoje fá-lo de modo muito criativo com palavras de sabor a campo. O centro da parábola não está nas condições do terreno em que caiu muita semente, mas no semeador que generosamente semeia, à esquerda e à direita, sem fazer contas aos gastos com a sementeira. Deus não é um semeador desleixado ou distraído, mas apenas generoso. Não semeia para ter e vender. E continua a semear à mão cheia. E não serão as pedras, os seixos, as silvas e os espinheiros que se vão amontoando ou crescendo desordenadamente no caminho da nossa vida, que O vão fazer desistir de continuar a semear, porque é o coração de cada homem o torrão de terra boa mais apto para dar vida às sementes de Deus. P. Fausto in Diálogo 1707 (XV Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Na Escola do Mestre!

  Parece que as coisas não andam a correr muito bem a Jesus. Muito bem humanamente, claro! A sua pregação cria resistências e tem palavras que suscitam críticas à esquerda e à direita. Jesus, porém, ancorado sempre no Pai, cuja intimidade procura em todas as circunstâncias, experimenta uma tal paz e liberdade, que circunstância alguma o demove de anunciar a Boa Nova do Reino. Neste domingo vemo-LO assombrado ao verificar como Deus revela grandes coisas aos “pequeninos”, aos últimos da fila, aos que são capazes de ver e entender com o coração, e esconde propositadamente aos “sábios e inteligentes” o acesso a verdades profundas. Não é que Deus queira dispensar o serviço da inteligência, mas há coisas a que os auto-suficientes nunca poderão chegar… E isto faz Jesus suspirar de assombro e exultar de alegria. Aos mais frágeis, afadigados, sobrecarregados, aos mais “pequeninos”, Jesus não promete apenas auxílio nas dificuldades, mas convida-os hoje a entrarem na Sua escola, onde não se aprendem leis, doutrinas religiosas e filosóficas ou técnicas de vendas de sucessos e sonhos com facilidades e sorrisos, mas lições de vida e para a vida. Jesus é o Mestre consumado. Ser manso e humilde de coração, à Sua semelhança, não significa viver no conformismo e na passividade, mas cultivar generosamente a bondade, a simplicidade, a justiça… virtudes importantes na vida dos discípulos e tão necessárias na sociedade de hoje. P. Fausto in Diálogo nº. 1706 (XIV Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Até um copo de água !

  Jesus, ao dizer no Evangelho deste domingo “quem ama o pai, a mãe, o filho ou a filha mais do que a Mim e quem não toma a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim…”, parece que se excede. Não é o que pretende, mas temos de O levar a sério, ainda que sintamos algum desconforto pela fasquia alta das exigências da vida cristã, que nos podem levar a dar a própria vida. As palavras de Jesus, ainda que duras, quando descontextualizadas, podem assustar, mas o verdadeiro drama do homem não está no sofrimento, na cruz, ou no martírio, mas em não ter nada, não ter ninguém por quem valha a pena abraçar a cruz e dar a vida. Essa é que é a maior tragédia, porque faltam as razões de viver. Parecendo demasiado exigente e radical, a Palavra de Deus chama a atenção para a hospitalidade. Dar hospitalidade, abrir as portas, acolher, convidar, partilhar…, não podem apenas ficar no léxico das nossas memórias, mas temos de inventar maneira de manter viva esta virtude tão humana e tão cristã, apesar dos perigos da pandemia. Até porque sabemos que não ficará sem recompensa um simples copo de água fresca, dado com graça. P. Fausto in Diálogo 1705 (XIII Domingo do Tempo Comum- Ano...

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Não temais !

  Ao lermos o Evangelho deste domingo, até parece que Jesus se dirige directamente aos homens e mulheres do século XXI. É que, diante das exigências da vida cristã e das dificuldades, o cristão pode ter a tentação de se retirar, confinar, adaptar-se ao sofá, com a justificação compreensível, hoje do contágio pelo coronavírus e amanhã de qualquer outro problema. Como então aos apóstolos, também hoje o Senhor Jesus nos encoraja a não termos medo e diz-nos: não tenhais receio dos homens… não temais os que podem matar o corpo… não temais, valeis muito mais que os passarinhos… Sabemos, por experiência, que as dificuldades amedrontam, nos põem à defesa e até nos bloqueiam. Jesus compreende os nossos medos. Também os experimentou. Nunca deixou, porém, que O impedissem de cumprir em tudo a vontade do Pai, mesmo na hora da agonia ou no alto da cruz. Desanimar é duvidar da palavra do Senhor que nos assiste e nunca nos abandona. Temer… ou envergonhar-se de ser cristão é correr o risco de não termos, no fim da meta, quem, junto do Pai, nos reconheça como discípulos de Jesus Cristo. P. Fausto in Diálogo 1704 (XII Domingo do Tempo Comum – Ano...

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“Encheu-se de compaixão”

  No Evangelho deste 11° Domingo do Tempo Comum, Jesus, “ao ver as multidões, encheu-se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor”. E chamou 12 dos Seus discípulos e enviou-os em missão, com tarefas precisas. “Curar os enfermos, ressuscitar os mortos, sarar os leprosos, expulsar os demónios, dar sem esperar recompensa…” são tarefas exercidas não por doutores, mestres ou pastores, mas só por quem tem um coração compassivo. Com efeito, em todos os tempos, e no nosso também, há males incuráveis, há feridas crónicas, há situações inexplicáveis e dramáticas, há um cortejo sem fim de infortúnios, mas não há nada, absolutamente nada que não possa ser partilhado, mitigado, suavizado e aliviado. Foi essa a missão primeira que Jesus confiou aos discípulos e para a qual não valem as letras, a carteira recheada ou o brasão de família, mas o coração compassivo. Na história da Igreja continua actual o convite do Mestre dirigido a todos os baptizados. Não seremos todos missionários da mesma maneira, mas todos devemos participar na missão confiada por Jesus Cristo à Sua Igreja. Que faço eu neste sentido? Alimentar o medo, estimular a cultura do sofá contribuirá para a resposta que nos cabe dar? Rezar é bom, é muito bom e necessário para que aumente o número de sacerdotes e religiosos/as, mas não esgota a nossa responsabilidade de discípulos de Cristo na construção da comunidade cristã e na vivência hoje do Evangelho. P. Fausto in Diálogo 1703 (XI Domingo do Tempo Comum – Ano...

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“Deus é Amor”

  Deus é Uno e Trino. Um só Deus em três Pessoas. Iguais e Distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. Era assim que na minha catequese de infância se propunha o Mistério da Santíssima Trindade, em fórmula obrigatoriamente decorada. E por mais explicações, todos ficávamos com cara de termos percebido pouca coisa da matéria, mesmo com a ajuda da comparação habitual com a folha do trevo. Era Mistério, arrematava piedosa e pacientemente a Mestra. Passaram muitos anos, e com a luz de muitas páginas de boa doutrina, “Deus Uno e Trino” continua a ser o Mistério Fundamental da Fé. Não se podendo negar o caminho da razão para se chegar a Deus, o melhor e mais directo, segundo S. João, é o do coração, é o da experiência, porque “Deus é Amor”. Da cátedra pode vir um belo discurso sobre Deus e do púlpito um sermão bem inflamado, mas ninguém pode apresentar suficientemente Deus, sem amor. Assim fez Jesus a Nicodemos no Evangelho de hoje: “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito…, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele”. E tudo isto, apenas e tão só, porque “Deus é Amor”. É esta certeza que dá à vida calor, beleza, poesia e sentido. P. Fausto in Diálogo 1702 (Santíssima Trindade – Ano...

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No quinquagésimo dia…

    Cinquenta dias depois da Páscoa aconteceu algo que muda radicalmente a vida dos Apóstolos. O processo de recuperação de cada um e de todos os discípulos, realizado por Jesus ao longo destas semanas, atinge agora a sua plenitude, pois, os mesmos que constituíam um grupo desiludido, amedrontado e barricado em casa, demonstram agora uma força, alegria, audácia e entusiasmo, que os faz passar aos olhos dos circunstantes como gente embriagada. De famílias humildes, sem qualificações académicas religiosas ou filosóficas, os apóstolos apenas podem exibir como credenciais o exercício honesto da profissão de pescadores. Mas não era isso que os movia, nem era disso que falavam. Movia-os uma força interior que não podiam conter e diziam-se portadores de uma Mensagem que, não sendo da sua autoria, não podiam calar. A alegria apesar dos castigos, a audácia apesar das proibições, a Fracção do Pão e a dos pães de uns com os outros, especialmente com os mais pobres, não passavam despercebidos a ninguém. Eram homens e mulheres felizes. Aquilo que sucedeu, cinquenta dias depois da Páscoa em Jerusalém, continua a suceder na Igreja, para que cada baptizado tenha a força e a coragem de sair do conforto do sofá, para se tornar no seu ambiente testemunha viva e alegre de Jesus Cristo. P. Fausto in Diálogo 1701 (Domingo de Pentecostes – Ano...

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Sempre convosco !

O Tempo Pascal está a esgotar-se e “alguns ainda duvidaram”. As dúvidas já não são sobre a Ressurreição, mas algumas incertezas quanto ao futuro, apesar do esforço de Jesus ao longo destas semanas, ainda deixam marcas sombrias no horizonte de vida de uns tantos discípulos. Com todo o poder no Céu e na terra, Jesus quer, porém, continuar a Sua obra, com os homens e com as mulheres que O acompanharam nos últimos anos de vida, apesar das fragilidades próprias da natureza humana, ainda que redimida no sangue vertido na cruz. É a estes que vai confiar doravante o Seu Evangelho e é com estes que conta para servirem com amor e iluminarem com esperança a humanidade dilacerada. Como aos que “ainda” duvidavam, Jesus confia-nos, também, hoje, apesar dos nossos medos, infidelidades e teimosias, o mundo, como espaço, sem barreiras nem fronteiras, para anunciarmos a Boa Nova e baptizarmos “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Até agora os discípulos viam, falavam, comiam e bebiam com Jesus, mas, a partir da Ascensão, a Sua presença está para além das formas, porque está dentro deles. Com a solenidade da Ascensão, Jesus não Se ausenta, nem esconde para lá das nuvens, mas aproveita para dizer em cada tempo: Cumpri plenamente a vontade de Meu Pai. Agora é a vossa vez. “Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos”. P. Fausto in Diálogo nº. 1700 (Solenidade da Ascensão do Senhor – VII Domingo do Tempo Pascal – Ano A)  ...

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“Não vos deixarei”

    Já é o VI Domingo desde que o túmulo foi encontrado vazio e que Jesus aproveita uma vez mais para se encontrar com os discípulos. Cada encontro tem o sabor a festa e deixa sempre no coração a alegria e a paz. Jesus não esquece, porém, que o tempo está a esgotar-se e é preciso preparar os discípulos para a fase seguinte. É o que faz hoje, transmitindo parte das recomendações e confidências que já lhes fizera na véspera da Paixão, e prometendo enviar-lhes o Espírito Santo, que é Defensor, Espírito de verdade, presença amiga que nos acompanha sempre. É por isso que não ficamos sozinhos, mesmo nas tempestades da vida. “Não vos deixarei órfãos: voltarei para junto de vós”. Como os apóstolos esperaram e não ficaram confundidos, também nós, cristãos, temos a certeza de que o Espírito de Deus continua no meio de nós. A questão é querermos ser-Lhe dóceis e atender ao que Jesus disse: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos”. Jesus não impõe, não diz “deveis observar”. Apenas constata que, quando se ama, a vida transforma-se, ganha sentido, alegria, entusiasmo e encanto. É o que muitas vezes parece faltar na vida de muitos cristãos, que, tolhidos pelas dificuldades do presente e bloqueados pela insegurança do futuro, se esquecem das palavras de Jesus. P. Fausto in Diálogo nº1699 (VI Domingo da Páscoa – Ano...

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Programa em 3 palavras !

    Este é o 5° Domingo do Tempo Pascal e Jesus continua a escolher o domingo para se encontrar com os discípulos. Era, na verdade, necessário recuperá-los, refrescar-lhes a memória, consolidá-los na unidade… e dispô-los para a missão. Sempre atento, Jesus já não vê nos olhos dos discípulos sinais de medo ou sombra de dúvidas, mas era indisfarçável um certo desconforto, pois, em relação ao futuro, não se falava de um guião, de uma espécie de manual de instruções, um “plano pastoral”… A resposta de Jesus não se fez esperar, com palavras proferidas na última ceia: “Não se perturbe o vosso coração… Em casa de meu Pai há muitas moradas… Vou preparar-vos um lugar”. Para Tomé, porém, era preciso mais, e à pergunta: “Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho”, Jesus responde: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Três palavras. Apenas. Sem alternativa. Certamente não compreendidas em pleno por Tomé e seus companheiros, ficam para a história como afirmação solene de que ninguém pode ser perfeitamente feliz, sem passar por Jesus. Para sermos felizes, não precisamos de mapas de estrada, manuais de instruções ou planos de pastoral… O que verdadeiramente todos precisamos é de aprender com Jesus o seu jeito de amar e servir. Sempre. Mesmo que doa. P. Fausto in Diálogo n.º 1698 (V Domingo da Páscoa – Ano...

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