Verdades que doem!

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Entrámos na Quaresma, uma espécie de retiro de 40 dias, tantos como os de Jesus no deserto, no início da Sua vida pública. Não sendo chamados a fazer a mesma experiência, não podemos, porém, deixar de criar momentos de silêncio à nossa volta, para ouvirmos melhor a voz de Deus e Lhe falarmos na oração, senão corremos o risco duma vida sem sentido, reduzida apenas à marcha dos ponteiros do relógio, vazia e estéril.
A experiência de Jesus no deserto, não sendo propriamente um passeio, ensina-nos que a austeridade, palavra hoje proscrita e ” politicamente incorrecta”, é para os cristãos condição para se viver segundo o Evangelho, que nos pede atenção redobrada ao consumismo e à busca do bem-estar a qualquer preço, para se prover às necessidades dos outros.
Ainda que nos pareçam estranhas, as tentações têm muito a ver connosco, porque são de ontem e de hoje; quem as não sente? A quaresma é essa oportunidade, esse retiro em que aprendemos não a exorcizar as tentações, mas a enfrentá-las com as mesmas armas de Jesus no deserto: a oração, o jejum e a partilha, que hoje se deve traduzir especialmente nas obras de misericórdia.
À tentação de resumirmos os nossos sonhos a pão, dinheiro, poder ou bem-estar…, há que responder, agradecidos pelo pão de cada dia, que há um Pão Maior, que é a Palavra de Deus que não dispensamos, sob pena de vivermos sem norte e morrermos espiritualmente à míngua, e que o Deus em quem acreditamos não nos salva da dor, mas na dor, nem mesmo nos salva da cruz, mas na cruz, como fez com Jesus. Por mais que nos doa, e muitos não entendam, esta é a verdade.

P. Fausto

in diálogo 1505 (I Domingo da Quaresma – Ano C)

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