Ao chegarmos quase ao meio da quaresma, a liturgia alerta–nos para a necessidade de redobrarmos o esforço de conversão, como condição para nos abrirmos a Jesus Cristo e vivermos a Páscoa.
A confiança que logo no início da celebração exprimimos em Deus, de Quem esperamos compaixão, é fundamental no caminho percorrido e a percorrer. A mesma solicitude, protecção e proximidade afectiva tem Deus hoje, como outrora teve com o Seu povo, pela mão de Moisés, que, contra tudo e contra todos, leva a cabo a grande “maravilha” que marcou a história de Israel: a passagem do Mar Vermelho, a travessia do deserto a caminho da pátria prometida e a renovação da Aliança.
Ao evocarmos a história da Salvação é porque acreditamos que Deus é fiel à Aliança, como outrora, não é de humores nem esgotou a paciência connosco, e, se é verdade que o futuro a Deus pertence, é no presente, neste tempo e neste ano jubilar de misericórdia, que Deus espera de nós um esforço maior de conversão, aproveitando as oportunidades de salvação que nos são proporcionadas.
Jesus no Evangelho parece lembrar-nos que o cuidado de Deus não está em livrar-nos do sofrimento e da morte, mas no de enxugar paciente e amorosamente as lágrimas de todos os homens, alertando ao mesmo tempo para o risco de vidas de medo, vazias e sem sentido, verdadeiramente mortas, a quem não aproveita bem o tempo de que não é dono e de que deve prestar contas.
A terceira semana da quaresma é tempo avançado neste processo de preparação próxima para a Páscoa. Não a desperdicemos.
P. Fausto
in diálogo 1507 (III Domingo da Quaresma – Ano C)
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