A 1ª leitura da Missa de hoje fala-nos dum momento marcante da vida do Povo de Deus: o momento em que, depois do cativeiro, o povo se reuniu na praça para ouvir a Lei e os Profetas. O ambiente era fervoroso e festivo, tão grande a alegria e comoção de quantos ouviam a Palavra de Deus! Palavra bem dita e proclamada, clara e distintamente, pelos Leitores e devidamente explicada. Todos escutavam com entusiasmo e todos respondiam em uníssono com um Amem jubiloso e audível pelos campos em redor. Era uma verdadeira Festa!
E a festa não se confinou à celebração, mas prolongou-se na alegria da refeição abundante, partilhada e inclusiva, para fazer de cada sábado o Dia por excelência festivo e consagrado ao Senhor.
Também para Jesus a Palavra de Deus era central e hoje encontramo-Lo a proclama-la na Sinagoga da Sua terra, rodeado por conterrâneos ávidos e atentos às Suas palavras, que revelam pela primeira vez o seu projecto de vida: “anunciar a boa nova aos pobres, a proclamar a libertação aos cativos, e a vista aos cegos, a mandar em liberdade os oprimidos…”. É um “Tempo Novo” que Jesus vem inaugurar, sem preceitos nem pesos que tornem penosa a existência, mas apenas disposto a oferecer à humanidade pobre, cega, oprimida e prisioneira a Liberdade dos Filhos de Deus.
Hoje, Deus continua a falar-nos de muitos modos e em muitas ocasiões, mas a Sua Palavra é às vezes tão mal tratada por quem A lê, que até nos custa a acreditar que seja verdadeiramente Palavra de Deus.
P. Fausto
in diálogo 1502 (III Domingo do Tempo Comum – Ano C)
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