Há semanas que Jesus interpela directamente os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo. Desta feita fala-lhes do Reino dos Céus e compara-o a um rei que faz uma grande festa nupcial em honra de seu filho. E é tão grande a sua alegria que não poupa nos convites nem na ementa. Ninguém, porém, aparece à festa! A sala, completamente vazia, apresenta-se fria e muito triste. O rei não desiste, e, apesar de imensamente sentido com a atitude de quem amigavelmente convidara, diz aos servos: “O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos. Ide…convidai para as bodas todos os que encontrardes”. Os servos cumpriram, sem olhar a meios e caminhos, e a sala de banquete encheu-se de convidados! Agora, sim, era festa! Não sabemos se os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo perceberam o alcance da história que Jesus mais uma vez lhes contara. É belo pensar que o Deus anunciado por Jesus Cristo é Alguém que nos convida para a Festa de que ninguém se sente excluído pelo estatuto social, político ou religioso. Uma festa para todos, maus e bons, porque o convite não é prémio merecido, mas tão só demonstração da generosidade do rei. Uma festa que ocorre em salão de portas abertas, de entrada livre, sem empurrões nem tropeções, com mesa posta e abundante. Atenção, porém, às vestes: não têm que ser de marca ou novinhas, podem ser velhas e remendadas, mas limpinhas. P. Fausto in Diálogo nº1579 (XVIII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreJá no domingo passado as orelhas dos príncipes dos sacerdotes e dos anciãos do povo tinham ficado a arder com a parábola que Jesus contara. Neste domingo, porém, o puchão ainda é maior, a ponto de deixar feridas difíceis de cicatrizar. A história é relativa a um proprietário que não desiste, apesar das loucuras dos rendeiros. Tem direito às rendas e não cede, confiante no bom senso que, por fim, se haveria de impôr. Estava enganado. E o pior aconteceu: não respeitaram sequer a vida do próprio filho! “Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?” A resposta sai clara e sem hesitação: “mandará matar sem piedade esses malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entreguem os frutos a seu tempo”. Mais uma vez os destinatários, para quem a lei de talião é o ideal para repor direitos e fazer justiça, não vislumbram o alcance da história! Deus não se revê ao fazer justiça e não revela o Seu poder quando pune ou castiga exemplarmente os prevaricadores, mas quando perdoa e Se compadece. O sonho de Deus, que se vai realizando na história apesar das resistências, dúvidas, pecados e traições de muitos, avança para a plenitude, graças aos que fazem constar do seu programa de vida a caridade, a alegria, a paz, a paciência, a benignidade, a mansidão, a fidelidade, a temperança… Estes, e só estes, independentemente das pertenças e fronteiras geográficas e religiosas, é que são essa vinha nova, a Vinha do Senhor, que, ao produzir bons e saborosos frutos de vida eterna, fazem acontecer o Reino e são a alegria de Deus. P. Fausto in Diálogo 1578 (XXVII domingo do tempo comum – Ano...
Learn MoreHá muitas semanas que Jesus fala aos discípulos de sementes, vinhas e searas, mas hoje dirige a palavra aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo, para lhes contar uma história de que não descortinaram o alcance. Ontem como hoje, a parábola dos dois filhos, que à primeira vista parece desconcertante, é bem realista, concreta e actual. Uma boa maneira, própria de um grande pedagogo e comunicador, para falar de sinceridade e fidelidade, virtudes que vão escasseando… numa sociedade cada vez mais líquida. Trata-se de um homem que convida os dois filhos ao trabalho. Um diz que não e depois reconsidera e vai trabalhar, o outro diz que sim e não vai. Tudo muito simples. A quinta é familiar. Sob uma aparente rebeldia, pode existir um autêntico amor, generoso e fiel. É o caso do filho que se arrepende da resposta dada ao pai e vai trabalhar. Por outro lado, certas formas de docilidade, manifestadas por palavras e atitudes subservientes, como as do outro filho, não passam disso mesmo, porque não são expressão de quem ama, mas de quem apenas quer agradar ao patrão. A história que Jesus conta não tem tanto a ver com obediência, mas com amor e liberdade que tornam digno e credível, humano e divino, tudo quanto se faz. P. Fausto in diálogo 1577 (XXVI domingo do tempo comum – Ano A)...
Learn MoreE Deus continua a surpreender-nos, porque os Seus caminhos são diferentes dos nossos e os Seus critérios também. Já o Profeta Isaías reconhecia claramente. A mensagem que nos é transmitida pelo Evangelho, com a parábola dos trabalhadores da vinha, deixa-nos, no mínimo, perplexos. Segundo a nossa justiça, quem trabalhou mais horas merece maior retribuição; por isso admiramo-nos e quase nos escandalizamos com o modo de proceder do proprietário, que paga a todos com o mesmo salário. Com esta parábola, Jesus quer realçar a magnanimidade de coração do proprietário, para quem não bastam as exigências meramente contratuais na relação com os seus assalariados. E ainda bem. Que seria de nós, se a relação de Deus connosco se limitasse aos critérios da justiça! Ainda bem que Deus é diferente, como cantamos no salmo responsorial, “é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade”. E a certeza de que “está perto de quantos O invocam” enche-nos o coração de confiança, gratidão e alegria e desafia-nos ao compromisso e à generosidade, porque sabemos que nunca perdemos. É o Deus revelado em e por Jesus Cristo, que sempre nos surpreende. É o nosso Deus ! P. Fausto in diálogo 1576 (XXV Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreO perdão é o tema dominante da Liturgia da Palavra deste domingo, e é de tal modo importante que Jesus no Evangelho, respondendo à dúvida de Pedro, afirma, de várias maneiras, a necessidade de perdoar não apenas algumas vezes, mas sempre. Não é fácil perdoar, esquecer as ofensas, amar quem nos ofendeu ou prejudicou. Talvez por isso Jesus tenha insistido tanto neste tema; basta lembrar as várias recomendações do “Sermão da montanha” (Mt. 6), a oração do Pai Nosso e a oração de pedido de perdão ao Pai, na alto da cruz, pelos que O condenaram e crucificaram… Neste mundo ninguém é credor. Todos somos devedores, uns mais que outros, é certo, mas todos imensamente devedores. A Deus e aos outros. Quem pode, pois, pagar algum dia o dom da vida, da família, dos amigos…? “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”, lembra Jesus, porque a medida do perdão é perdoar sempre. Como Deus. Eu sei que é difícil, dificílimo perdoar de todo o coração, mas sei também que a última palavra de Deus para mim, que jamais serei credor, será de compaixão e misericórdia. P. Fausto in Diálogo 1575 (Domingo XXIV do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreJesus não se interessa por sondagens ou estudos de opinião, mas há dias perguntou aos discípulos sobre o que ouviam dizer d’Ele. As respostas não foram unânimes, apesar de todas positivas. E surge nova questão: “e vós quem dizeis que Eu sou? ” Jesus não tem problemas de identidade, não deseja avaliar o nível de conhecimento dos discípulos ou testar o seu grau de apoio e amizade, mas a resposta inspirada de Pedro é a ocasião para fazer um discurso de que ninguém estava à espera, descobrir um segredo até então bem guardado e propôr um caminho de vida boa, alegre e feliz. Pelos vistos, não foi compreendido nem aceite o seu discurso, que mereceu da parte de Pedro forte contestação. Ontem, como hoje, parece ser proibido falar de certos assuntos! “Renunciar a si mesmo, tomar a cruz…”, são expressões ao arrepio do que se pensa, quer e apregoa. “Quem perder a sua vida por minha causa há-de encontrá-la”, como diz Jesus, é proposta que também não atrai, objectivo que não compensa, verdade que não convence e projecto que não realiza. Não se trata de fazer a exaltação do sofrimento, a apologia de um amanhã alienante ou de um presente hipotecado, nem de alimentar sentimentos de mera resignação e aniquilamento pessoal, antes é afirmação solene de que, se não compreendermos e aceitarmos à luz de Cristo a cruz dos nossos deveres, limites, doenças, contrariedades e fracassos, somos estéreis e infelizes e a nossa vida é vazia e sem sentido. P. Fausto in Diálogo 1573 (XXII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreHá palavras e palavras. Há as de conforto e solidariedade, de queixume e de acusação, de raiva e de aclamação… Há também as de silêncio. Mas todas de circunstância. O autor, o espaço e o tempo, ainda que importantes, roubam-lhes a eficácia. Não é assim com a Palavra de Deus, sempre viva e eficaz, mesmo que os efeitos não se captem imediatamente. O Evangelho da Missa deste domingo faz-nos desejar integrar a multidão que se comprimia, à beira do mar, para escutar atentamente as palavras encantadoras e sábias de Jesus, que ninguém queria perder. E Jesus não se cansava de comparar Deus a um semeador generoso, que lança semente em todas as direções, mesmo com mato, silvas e pedras…, e, sem fazer contas, semeia, na expectativa confiante de futura colheita. E as pessoas não arredavam pé, tão belo e claro era o discurso de Jesus! É este Deus, anunciado por Jesus Cristo, que continua hoje, com infinita paciência, a semear, a dizer Palavras de vida eterna, em cada domingo, ainda que da nossa parte, tantas vezes, o coração seja mais parecido com um caminho de terra batida, ou terreno de silvas e pedras, que boa terra. P. Fausto in diálogo 1572 (XV Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreEnquanto a generalidade das escolas já encerrou o ano académico e a catequese paroquial interrompeu os seus trabalhos, na Escola de Jesus, apesar do verão nada se alterou. Não estranhemos, pois, que a mensagem da Palavra de Deus nos oriente neste domingo para esta Escola e nos faça desejar sempre ser bons alunos de um Mestre, que é essencialmente Bom. O ambiente desta Escola é de intensa alegria, vivida com liberdade e respeito de uns pelos outros, sem a sofreguidão das notas e o desespero pelo insucesso. Sabendo todos que o Mestre é “clemente e compassivo, lento para a ira, rico de misericórdia… e carinhoso para com todos”, ninguém vive à sombra de ninguém, escondido no conformismo e na passividade, e todos são chamados a dar o seu melhor, ainda que com diferentes resultados, porque a nota final é apenas dada em função do esforço e generosidade desenvolvidos ao longo de toda a vida. Parecendo elitista, esta Escola é para todos, ricos e pobres, arriscando ser “chumbado” apenas quem não cuidar do coração, que tem de ser manso, humilde e pobre, como o do Mestre. E isto é tarefa não de um ano, mas da vida inteira. É por isso que não encerra para férias. É uma Boa Escola, sem dúvida, a melhor que prepara para a Vida e para a Felicidade! P. Fausto in diálogo 1571 (XIV Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreA Liturgia da Palavra deste domingo faz-nos reflectir sobre o modo como acolhemos os irmãos e realça o valor da hospitalidade. É verdade que nos ambientes urbanos, e mesmo rurais, as pessoas aumentaram os níveis de segurança de casas e haveres, com o reforço de portas e instalação de campainhas com visores e câmaras de vigilância, discreta e eficientemente colocadas. Apesar de já não encontrarmos chaves na porta, como antigamente, com o morador ausente, não podemos deixar de combater as resistências e os medos que tendem a fazer desaparecer a virtude tão gostosamente humana e cristã da hospitalidade. Abrir as portas, acolher, convidar para entrar, promover o convívio de uns com os outros, não podem ser reminiscências do passado, mas modos concretos de nos mantermos fiéis a valores e gestos humanos e cristãos, sob pena de serem cada vez mais áridas, frias e calculistas, as relações de vizinhança. “Se alguém der de beber, nem que seja um copo de água fresca… não perderá a sua recompensa”, diz-nos Jesus. Bela maneira de dizer que no Evangelho o verbo “amar” se há-de traduzir sempre pelo verbo “dar”, nem que seja um copo de água! P. Fausto in diálogo 1570 (XIII Domingo do Tempo Comum – Ano A)...
Learn MoreAos profetas de todos os tempos, Deus pede coragem e fidelidade, mesmo com o sacrifício da própria vida, não lhes faltando jamais o conforto, que amorosamente Deus dispensa em todas as circunstâncias. Aconteceu a Jeremias, como relata a primeira leitura da Missa de hoje, a João Baptista, de quem celebrámos, há pouco, o nascimento, aos apóstolos e a todos os demais profetas, ontem e hoje. Continuam, pois, a ser preciosos os conselhos de Jesus referidos no Evangelho de hoje, porque diante das exigências da vida cristã e das dificuldades que surgem de todos os quadrantes, os cristãos podem ter a tentação de baixar os braços, desistir da luta e acomodar-se às circunstâncias e, deixando de ser profetas, tornam-se insignificantes, sem brilho, sem fulgor, sem sabor; tornam-se “cristãos não praticantes”. “Não tenhais medo dos homens… não temais os que matam o corpo… não temais: valeis mais que todos os passarinhos”, diz Jesus. São palavras claras, acompanhadas de um grave alerta, porque “àquele que me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante do Pai que está nos Céus”. Podemo-nos “queixar” de Deus por muitas coisas, mas não de uma, porque “até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados”. É assim o amor, a atenção e a solicitude de Deus por cada um de nós. Mesmo nos mais ínfimos pormenores! P. Fausto in Diálogo 1569 (XII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn More
Comentários recentes