Contra a corrente!

 

22dtc_A

 

Jesus não se interessa por sondagens ou estudos de opinião, mas há dias perguntou aos discípulos sobre o que ouviam dizer d’Ele. As respostas não foram unânimes, apesar de todas positivas. E surge nova questão: “e vós quem dizeis que Eu sou? ”
Jesus não tem problemas de identidade, não deseja avaliar o nível de conhecimento dos discípulos ou testar o seu grau de apoio e amizade, mas a resposta inspirada de Pedro é a ocasião para fazer um discurso de que ninguém estava à espera, descobrir um segredo até então bem guardado e propôr um caminho de vida boa, alegre e feliz.
Pelos vistos, não foi compreendido nem aceite o seu discurso, que mereceu da parte de Pedro forte contestação. Ontem, como hoje, parece ser proibido falar de certos assuntos!
“Renunciar a si mesmo, tomar a cruz…”, são expressões ao arrepio do que se pensa, quer e apregoa. “Quem perder a sua vida por minha causa há-de encontrá-la”, como diz Jesus, é proposta que também não atrai, objectivo que não compensa, verdade que não convence e projecto que não realiza.
Não se trata de fazer a exaltação do sofrimento, a apologia de um amanhã alienante ou de um presente hipotecado, nem de alimentar sentimentos de mera resignação e aniquilamento pessoal, antes é afirmação solene de que, se não compreendermos e aceitarmos à luz de Cristo a cruz dos nossos deveres, limites, doenças, contrariedades e fracassos, somos estéreis e infelizes e a nossa vida é vazia e sem sentido.

P. Fausto

in Diálogo 1573 (XXII Domingo do Tempo Comum – Ano A)

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

* Copy This Password *

* Type Or Paste Password Here *