Para termos Natal…

Com o Natal à porta, aumenta o ritmo de vida e parece não haver tempo para nada. Não deixemos, porém, que as iluminações, há muito acesas nas montras, ruas e praças, ofusquem a estrela que levou os Magos a Belém. Não deixemos que a correria às lojas e supermercados tire o tempo à preparação do coração para acolhermos o Deus – Menino. Não deixemos que a Noite Santa de Natal seja profanada pela expectativa das prendas e pelo afã no seu desembrulho, esquecendo quem as não tem e vive só. Não esqueçamos Deus na refeição de consoada… O Natal é e será sempre Mistério de Novidade, Poesia e Encanto, porque Deus se fez homem e entrou na nossa história… Bem-aventurados os que se alegram e não se escandalizam com a debilidade de Deus, que no Natal revela o Seu Amor inesgotável por cada um e por toda a humanidade. Que seria de nós, sem o Natal? Um Santo Natal e muito Boas Festas deseja a todos os Paroquianos a Equipa Sacerdotal. P. Fausto in Diálogo 1680 (IV Domingo de Advento – Ano...

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A alegria é possível!

    Num tempo em que tantos baptizados dão sinais de ansiedade, medo e até angústia, com teorias que anunciam o fim próximo do mundo, a pergunta dos discípulos de João Baptista, dirigida a Jesus, mantém-se actual: “És Tu, Aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?” Dois mil anos passados, podemos formular a questão de outra maneira: damos ouvidos ao Evangelho, como Boa Nova, ou às teorias milenaristas, que provocam tanto barulho e atemorizam tanta gente? Jesus não responde à dúvida de João Baptista, mas aponta factos que realizam os longínquos sonhos de Isaías, acerca do Messias: “os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados… e a boa nova é anunciada aos pobres”. Tudo sinais luminosos dum tempo novo, apesar das sombras que provo-cavam dúvidas no coração de João, então preso na cadeia. Como no tempo de Jesus, há guerras, injustiças, tropelias, gente de mau coração…, mas há também tanto bem feito, que, por tão discreto, não luz, mas torna o mundo melhor, apesar de não nos darmos conta. É verdade que é grande o rosário do sofrimento que afecta a humanidade e que pode trazer ao coração dúvidas, inquietações e angústia, mas é infinitamente maior a paciência e o Amor Misericordioso do nosso Deus que, não desistindo de nós, nunca nos abandona. É isto que Jesus anunciou e nós acreditamos. Por aqui passam também a alegria e a confiança em Deus, que nos desafia a viver este tempo, o nosso tempo, em Jubilosa Esperança. P. Fausto in Diálogo 1679 (III Domingo do Advento – Ano...

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Avé, Maria !

  Apesar de ser Advento, celebramos neste domingo, por especial privilégio da Santa Sé, a Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, Padroeira principal de Portugal, e fazemos nossas as exclamações de alegria e triunfo que a Liturgia coloca nos lábios da Virgem Maria, logo no princípio da Missa. Neste dia em que celebramos também como Paróquia a nossa Padroeira, com o título de Nossa Senhora da Glória, somos convidados não apenas a escutar com o máximo respeito e veneração a saudação do anjo, que A proclama “cheia de graça”, mas também a honrá-La como modelo de santidade, Mãe da Igreja e Advogada da própria humanidade. Não podemos então ficar apenas como ouvidores embebecidos com a saudação do anjo, mas há que tirar da celebração da Senhora da Conceição consequências práticas e diárias, para a nossa vida cristã pessoal e comunitária. Sendo portugueses que A têm como Padroeira e paroquianos de quem Ela é Titular, saudamos todos os dias Maria como a “cheia de graça”? Fomentamos em nossas casas uma saudável e terna devoção a Nossa Senhora e aceitamo-La como confidente e conselheira nas dificuldades e tensões da vida familiar? Não basta ter a Imagem de Nossa Senhora enfeitada nas nossas Igrejas ou mesmo em casa, não bastam as nossas promessas a Fátima, mesmo se cumpridas dolorosamente a pé, não bastam as festas e romarias marianas que, por vezes, pouco mais são que diversão e arraial, para nos afirmarmos devotos de Nossa Senhora, porque os verdadeiros devotos são os que se esforçam por imitá-La na escuta da Palavra, na obediência incondicional à vontade de Deus e na generosidade ao serviço dos irmãos. P. Fausto in Diálogo nº1678 (Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria (Domingo II de Advento) – Ano...

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“… e não deram por nada”!

  Entrámos no Advento e um novo ano litúrgico começou, sem acertos de relógio, ou sinais significativos de mudança… Apesar de tudo algo mudou. Comer e beber, casar e dar em casamento não é mal, nem traz mal, mas, como no tempo de Noé, “Não deram por nada e o dilúvio a todos levou”. Para que outra coisa nos quer vigorosamente alertar S. Mateus, cujo Evangelho nos vai este ano iluminar, senão para o perigo das vidas apenas absorvidas com a gestão do quotidiano, sem horizontes nem profundidade, apenas vidas de superfície ? Os dias de Noé são os dias daqueles cujo projecto de vida pouco mais além vai que a satisfação das necessidades básicas, numa plataforma de comodismo e bem-estar. Este também pode ser o tempo de muitos cristãos que vivem sem saber porquê, nem para quê, e passam a vida sem dar por nada… mesmo que à sua beira haja quem chore ou seja vítima de violência, injustiça, fome, etc. É para esta surdez e desatenção que S. Mateus quer chamar, desde já e vigorosamente, a nossa atenção. E com muita oportunidade o faz, porque o Advento é o tempo para despertarmos do sono das nossas rotinas e, “acordados”, prepararmos o nascimento do Emanuel. P. Fausto in Diálogo 1677 (Domingo I do Advento – Ano...

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Estranha Realeza !

O ano litúrgico termina com a Festa de Cristo Rei do Universo, que em S. Lucas é tudo menos apoteose e aclamação. Não seriam muitas as pessoas, mas todas muito barulhentas, no alto do calvário, enquadradas pelos chefes dos judeus, que nunca terão perdoado a ousadia, a coragem e a verdade da mensagem proclamada por Jesus, que, agora, crucificado entre dois marginais, estava absolutamente exposto e à mercê de todas as zombarias. Mesmo um dos crucificados, embalado na torrente de insultos, dizia sem pudor: “Não és tu o Messias? Salva-te a ti mesmo e a nós também”. No alto do calvário o ambiente era de tensão e trevas, e entre a vozearia ergue-se uma voz suplicante: “Jesus, lembra-te de mim quando vieres com a tua realeza”. Era a de um dos crucificados! O que terá aberto o coração ao ladrão arrependido para aceitar como merecido o castigo e reconhecer Jesus, também crucificado, verdadeiro Rei? Não foi certamente uma pregação ou um milagre de Jesus, nem o letreiro da sua cruz, mas a postura serena, verdadeiramente soberana, doce e pacífica de Jesus, que, sem nada ter praticado de condenável, sofria igual suplício. Surpreendentemente o ladrão arrependido intuiu o que trouxera Jesus ao mundo, sentiu-se respeitado, apesar do seu passado, e descobriu finalmente que a vida só tem sentido e valor, quando for dada aos outros por amor. E Jesus era o exemplo perfeito dessa outra forma de ser Rei e Senhor, a cujo reino o condenado arrependido acabava de aderir definitivamente: “lembra-te de mim, quando vieres com a tua realeza”. E Jesus responde de forma solene e determinante: “Hoje estarás comigo no Paraíso”. P. Fausto in Diálogo 1676 (Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo – Ano C)...

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A última Palavra!

  Com o ano litúrgico a caminhar para o fim, são bem avisadas as palavras do Evangelho deste domingo, o XXXIII do Tempo Comum, ao dizer-nos que “dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra”. Não é ameaça, sintoma de impaciência ou sinal de arrependimento de Deus por nos ter criado, mas alerta oportuno, porque, como diz o povo, “quem nos avisa nosso amigo é”. Cada momento da história tem obstáculos e potencialidades, apresenta luzes e sombras, regista nascimentos e mortes. Em cada dia há um mundo que morre e outro que nasce, em processo mais dramático e doloroso pelos muros que se erguem, pelas trincheiras que se cavam, pelo desrespeito pela vida e dignidade do ser humano, pelo desleixo e abuso com que se “cuida” a casa comum, que é o nosso planeta, etc, etc. Há terramotos, inundações, tsunamis, fomes, pestes e outros acontecimentos trágicos, sim, mas também ódios que se alimentam, guerras que se promovem e injustiças que se fazem … num caldo de violência e de morte, de que somos responsáveis. No meio de tudo isto, porém, a última palavra é de Deus. Uma palavra de ternura e conforto que sustenta a nossa esperança, uma palavra reveladora de atenção permanente aos mais pequenos detalhes da nossa vida, porque nem um cabelo se perderá, se formos perseverantes. P. Fausto in Diálogo nº1675 (XXXIII Domingo do Tempo Comum – Ano...

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E depois ?

  Para todos o tempo vai passando… e a morte também chega. E depois? O que “vê” para “além” quem não tem fé? Nada, uma parede de betão, um precipício sem luz nem fundo? O que resta? Apenas saudade efémera, própria de memórias curtas? Com a fé abre-se uma janela para o futuro, a vida ganha sentido e a existência não esbarra com uma parede, nem termina num precipício, mas num encontro, num encontro pessoal com Deus, que amorosamente nos aguarda com generosidade e sem ressentimentos. É o que há-de acontecer, se o caminho das Bem-aventuranças também fôr o nosso caminho, trilhado todos os dias, apesar das nossas fraquezas, dúvidas e hesitações. A eternidade não é, pois, coisa para rir ou troçar, como faziam os saduceus, mas para levar a sério. É segredo que também não abarco, mas sei que não é coisa de somar ou subtrair, nem resulta de méritos pessoais ou direitos de posse ou propriedade, mas de intensidade de amor de Deus e em Deus e de comunhão de uns com os outros. É isto a plenitude de vida. E é para esta plenitude que me ultrapassa, que sei que os batentes da porta da morte se abrem. Definitivamente. P. Fausto in Diálogo nº 1674 (XXXII Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Queria ver Jesus…

  Jesus no seu caminho para Jerusalém passa por Jericó, onde O aguarda um verdadeiro banho de multidão. Todos querem ver e ouvir Jesus. No meio deles há um homem de pequena estatura, mas com um enorme coração. Era muito rico e desempenhava um cargo de topo na hierarquia dos cobradores de impostos. Chamava-se Zaqueu. Socialmente nem bem visto nem querido e religiosamente marginal, alimentava o desejo profundo de ver Jesus, mas a sua pequena estatura não o permitia. E ei-lo em cima de uma árvore para satisfazer o que não era só curiosidade, mas necessidade de encontrar alguém que lhe apontasse um sentido para a vida, o olhasse como homem e o respeitasse, apesar de não pertencer a qualquer elite religiosa ou social. E Jesus, ao passar, levanta os olhos, e com grande familiaridade e infinito respeito apenas diz “Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa”. “Ele desceu rapidamente e recebeu Jesus com alegria”. E sem lugar a juízos, condenações, prédicas ou sermões, aconteceu a Festa, apenas a Festa, porque “Zaqueu também é filho de Abraão”. Num tempo em que as relações são apenas utilitárias e pouco gratuitas e o medo do futuro parece tolher o sonho, será que Jesus deixou de despertar curiosidade e gerar empatia, ou deixámos nós de O procurar ver e ouvir, para darmos em qualquer circunstância razões da nossa esperança? P. Fausto in Diálogo 1673 (XXXI Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Conversa fiada !

  A oração continua a ser o tema da catequese de Jesus, ao comentar o comportamento de dois homens na Sinagoga. Um era fariseu e o outro publicano. Duas pessoas de condição social e religiosa bem diferente. O fariseu passava o tempo da sua oração a informar Deus dos seus méritos: eu jejuo, eu cumpro, eu pago, eu não sou como os outros, a começar por aquele ali atrás, e o publicano, pelo contrário, só pede misericórdia. Enquanto o fariseu se ufana das suas virtudes, o publicano, sem ousar levantar sequer os olhos, bate no peito, ao ver o filme da sua vida com misérias sem fim. Ambos foram ao templo para orar, mas só um saiu justificado. E adivinhamos facilmente quem foi. Quanto menos na oração empregarmos a palavra “eu”, mais agradável esta se torna aos olhos de Deus. Repare-se que no Pai Nosso, modelo de todas as orações, nunca encontramos “eu” ou “meu”, mas sempre “teu” e “nosso”. O fariseu da história regressou a casa convicto das suas virtudes e presumida santidade, cheio de água benta, mas não purificado. O publicano, pelo contrário, não ousa comparar-se, não se justifica, assume o passado com humildade e reencontra-se consigo mesmo e com Deus. E regressa a casa em paz. P. Fausto in Diálogo 1672 (XXX Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Orar Sempre ?

  Um belo dia um dos discípulos pediu a Jesus: “Senhor, ensina-nos a orar, como João também ensinou os seus discípulos”. E ensinou-lhes o Pai Nosso. Hoje, para nos falar de oração, convida-nos para a escola de uma mulher pobre e viúva, que pede insistentemente ao juiz corrupto que lhe faça justiça. Jesus propõe-na como modelo porque, apesar de frágil e indefesa, tem consciência da sua dignidade, não se conforma com a injustiça, não cede à arrogância do juiz, nem desanima com o passar do tempo. É uma mulher que sabe o que quer e luta pelo que quer, mesmo que tudo aconselhe a desistir. É uma lutadora! Na nossa vida há altos e baixos. Há momentos em que tudo parece ruir. E Deus em silêncio, parecendo mesmo desinteressado da nossa situação e indiferente à nossa sorte, apesar dos nossos pedidos e orações! Precisará mesmo Deus de ouvir os nossos pedidos, ou não teremos nós de aprender a “orar sempre sem desanimar”? Não são as orações e pedidos que fazem da nossa vida uma oração, mas a consciência de que somos de Deus e vivemos com e para Ele. Quando rezamos é para pedir coisas a Deus, mas o que Deus verdadeiramente nos quer dar é a Si Mesmo. E é isso que nos faz falta. E é isso que não pedimos. P. Fausto in Diálogo nº1671 (XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano...

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