Estranha Realeza !

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O ano litúrgico termina com a Festa de Cristo Rei do Universo, que em S. Lucas é tudo menos apoteose e aclamação. Não seriam muitas as pessoas, mas todas muito barulhentas, no alto do calvário, enquadradas pelos chefes dos judeus, que nunca terão perdoado a ousadia, a coragem e a verdade da mensagem proclamada por Jesus, que, agora, crucificado entre dois marginais, estava absolutamente exposto e à mercê de todas as zombarias. Mesmo um dos crucificados, embalado na torrente de insultos, dizia sem pudor: “Não és tu o Messias? Salva-te a ti mesmo e a nós também”.
No alto do calvário o ambiente era de tensão e trevas, e entre a vozearia ergue-se uma voz suplicante: “Jesus, lembra-te de mim quando vieres com a tua realeza”. Era a de um dos crucificados!
O que terá aberto o coração ao ladrão arrependido para aceitar como merecido o castigo e reconhecer Jesus, também crucificado, verdadeiro Rei? Não foi certamente uma pregação ou um milagre de Jesus, nem o letreiro da sua cruz, mas a postura serena, verdadeiramente soberana, doce e pacífica de Jesus, que, sem nada ter praticado de condenável, sofria igual suplício.
Surpreendentemente o ladrão arrependido intuiu o que trouxera Jesus ao mundo, sentiu-se respeitado, apesar do seu passado, e descobriu finalmente que a vida só tem sentido e valor, quando for dada aos outros por amor. E Jesus era o exemplo perfeito dessa outra forma de ser Rei e Senhor, a cujo reino o condenado arrependido acabava de aderir definitivamente: “lembra-te de mim, quando vieres com a tua realeza”. E Jesus responde de forma solene e determinante: “Hoje estarás comigo no Paraíso”.

P. Fausto

in Diálogo 1676 (Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo – Ano C)

 

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