Só o Amor conta

No Domingo passado, o segundo da Páscoa, os discípulos, ainda fechados em casa, receberam a visita de Jesus, que teve para com Tomé uma especial atenção. Hoje, aparece na praia e convida os discípulos, cansados de uma faina sem sucesso, para a refeição. Desta vez, porém, havia uma surpresa para Pedro.“Simão, filho de João, tu amas-me mais do que estes?” Por três vezes, a pergunta lhe fora feita, na presença de todos. Pedro não resistiu, e, de lágrimas nos olhos, não soube senão responder: “Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo”. E mais não disse.Três perguntas, como na noite da traição, à volta da fogueira, no pátio de Caifás e, agora, da parte de Pedro, três declarações de amor. Sem acusações ou censuras, nem sequer um pedido de explicações, Jesus quer ajudar Pedro a descobrir que só o Amor justifica o serviço de confirmar os irmãos na fé e pastorear o Seu rebanho.Ao escolher Pedro, que certamente não era o mais santo e preparado para a missão, Jesus garante-nos que capacita sempre aqueles que chama, e que a santidade não consiste em nunca ter pecado, mas em renovar permanentemente o amor e a fidelidade a Jesus Cristo. Assim, a esta luz, alegra-nos e comove-nos saber que o Céu não está cheio de pessoas que nunca pecaram, mas de pecadores arrependidos e perdoados. P. Fausto in Diálogo nº. 1912 (Domingo III da Páscoa – ano...

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“Não sejas incrédulo”

O medo dos judeus leva os discípulos a trancarem-se em casa, desde muito cedo. Nada disto, porém, impede Jesus de aparecer no meio deles, na tarde do primeiro dia da semana. E depois de os saudar, “mostrou-lhes as mãos e o lado”. É Ele mesmo, não há dúvida, concluem, o Amigo Crucificado de sexta feira é o Ressuscitado que os visita.Tomé, porém, estava ausente e resistia ao testemunho radiante e feliz dos discípulos. Oito dias depois, chegou a sua vez: “Aproxima a tua mão e mete-a no meu lado e não sejas incrédulo mas crente”. Tomé, rende-se e passa da incredulidade ao êxtase: “meu Senhor e meu Deus”.A Ressurreição não fechou a ferida do lado, nem as das mãos e dos pés, porque a Páscoa não é a eliminação da Cruz, mas a sua consequência jubilosa, o seu fruto maduro.Bendita dúvida que, ao garantir que Jesus continua a vir ao nosso encontro sem violência e com toda a paciência, dá ao 2° Domingo da Páscoa a suavidade e a certeza da infinita Misericórdia do nosso Deus. P. Fausto in Diálogo nº. 1911 (Domingo II da Páscoa – Divina Misericórdia – Ano...

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O sepulcro vazio !

Acabamos de celebrar a Semana Maior dramaticamente centrada no corpo de Jesus, que começa por ser ungido e perfumado por Maria de Betânia, oferecido em alimento aos discípulos na Ceia Pascal, vexado e torturado de mil maneiras, pregado… e, por fim, descido e depositado num sepulcro novo.Foi tudo muito doloroso, iniquamente doloroso, e nem tempo houve para preparar devidamente o corpo, segundo a tradição!Ao amanhecer, mal se via, um grupo de amigas, que seguiram Jesus desde a Galileia, foram ao sepulcro e encontraram-no vazio. E agora? Perplexas e cheias de medo, obtiveram logo a resposta: “Porque buscais entre os mortos Aquele que está vivo? Não está aqui: ressuscitou”.E de volta correram, correram, a comunicar aos discípulos a novidade, que o coração já não podia conter. Todos, incluindo Pedro, acharam tudo exagerado, improvável e relatado com excessiva alegria.Passados todos estes séculos, o sepulcro vazio continua a convidar-nos a respirar e anunciar Cristo, Aquele que está vivo, que as mulheres comunicaram aos discípulos, com tanta alegria, naquela radiosa manhã de primavera. P. Fausto in Diálogo nº. 1910 (Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor – Ano...

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Das palmas à cruz !

Com o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor começa a Semana Santa. Tempo forte, misterioso e solene.Semana de contradições, beijos e traições.Os mesmos que no princípio da semana aplaudem Cristo e cantam “Hossanas” nas ruas de Jerusalém são os que gritam na sexta-feira “Crucifica-o”. Até do seu círculo mais próximo há quem O negue e beije e na hora da verdade todos O abandonam!Vamos viver mais uma Semana Santa, como tempo para aprender a contemplar, com os olhos de coração, a cruz, como o sinal mais visível e sublime de vida entregue por Amor, em sintonia com o pensamento de Blaise Pascal: “O que me leva a crer é a cruz, mas aquilo em que acredito é a vitória da Cruz: A RESSURREIÇÃO”. P. Fausto in Diálogo nº. 1909 (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor – Ano...

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Todos com telhados de vidro !

O episódio do Evangelho de hoje mostra-nos que “o primeiro olhar de Jesus nunca se dirige para o pecado das pessoas, mas para o seu sofrimento”.Sentiu bem isto a mulher adúltera que, indefesa e envergonhada, era arrastada pela multidão preparada para a aplicação da lei. Ninguém estava inocente, mas todos tinham na bolsa pedras para atirar. Entretanto, Jesus, em silêncio, escrevia no chão não se sabe o quê nem por quanto tempo.A multidão, porém, querendo sangue e com a paciência da espera a esgotar-se, é surpreendida pelo desafio de Jesus: “Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra”. E continuou a escrever no chão. Todos se foram embora, a começar pelos mais velhos. E Jesus ficou só com a mulher pecadora ali no meio.Tudo isto nos faz pensar que Jesus não gosta mesmo dos que só sabem acusar e dos que apenas sabem ver pecados à sua volta e não no seu coração. P. Fausto in Diálogo nº. 1908 (Domingo V da Quaresma – Ano...

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O nosso Deus é assim !

Não há criança na catequese que não conheça a parábola do filho pródigo, ou melhor, a parábola do Pai bondoso. É a história mais bela, mais amorosa e mais humana, que Jesus, em palavras tão simples quanto sensíveis, conta, para nos falar de Deus, que nos ama desmedidamente, que respeita a liberdade, que espera sem cansar e não corta a ninguém as asas ao sonho.Um Deus diferente, absolutamente diferente do dos fariseus e dos escribas e até do de muitos cristãos !Apesar de não ter sido o arrependimento pela vida desregrada, que o levara à indigência total, a trazê-lo de volta à casa paterna, o pai, logo que avista o filho rebelde, corre ao seu encontro, e, entre lágrimas e abraços, beija-o ternamente. Não há tempo para justificações, não há tempo para censuras e castigos. Não há julgamentos. Há apenas o abrir portas para um futuro novo e diferente. E começou a festa.Assim é o nosso Deus, o Deus revelado por Jesus Cristo, tem alegria não em castigar mas em perdoar, pois “há mais alegria no céu por um só pecador que se converte do que por noventa e nove justos que não precisam de arrependimento.” P. Fausto in Diálogo n.º1907 (Domingo IV do Tempo da Quaresma – Ano...

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Deus não dorme !

Um breve olhar por este nosso mundo faz-nos concluir que o Evangelho deste domingo continua hoje a realizar-se. O cenário, porém, é bem mais dramático.Que dizer às pessoas massacradas em Gaza, Ucrânia, Síria e em tantas outras regiões? Será que merecem castigo?Será que Deus tomou o partido dos mais fortes e, definitivamente, desistiu da humanidade, deixando o cuidado do mundo a meia dúzia de lunáticos e poderosos?Nada mais errado. Deus não desistiu de nós, nem deixou os destinos da humanidade sujeitos aos caprichos e poder de alguns.Apesar da dificuldade em aceitarmos a bondade de um Deus criador perante a existência de tanto mal, apesar dos gritos e desespero das vítimas de todas as formas de violência, apesar de todos os apesares…, Jesus diz-nos que não é Deus o responsável pela desordem e pela violência, que parece dominarem o mundo, mas o homem, apenas o homem.Ao desvalorizar a vida e a dignidade da pessoa humana, ao esquecer o princípio de todos os princípios, que é o Mandamento Novo do Amor, o homem não resiste à tentação de se tornar senhor, juíz e dono do mundo, jogando, conforme os seus interesses e bel prazer, o poder que o dinheiro e as armas lhe conferem. Para estes não há palavra, não há regras, não há justiça, não há humanidade… não há Deus. P. Fausto in Diálogo nº. 1906 (Domingo III da Quarema – Ano...

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O rosto belo de Jesus

A Transfiguração é a Festa do rosto belo de Jesus, que leva Pedro a dizer “Mestre, como é bom estarmos aqui ! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias”.Era tal a beleza do rosto transfigurado de Jesus e dos acompanhantes que, para Pedro, nada mais importava, como que a dizer: é bom e belo estarmos aqui, porque num outro qualquer lugar estamos sempre de fugida e apressados, e aqui, no alto deste monte, podemos descansar. De facto, junto de pessoas luminosas, nem damos conta do tempo a passar, tão absortos nos torna a sua presença.O nosso processo de transfiguração, porém, não é como o de Jesus, não é fácil, não é sempre linear e progressivo, tem altos e baixos, avanços e recuos, mas é possível. O Evangelho de hoje diz-nos que o estar coração a coração com Deus, no silêncio interior, mesmo sem dizer palavras, e às vezes com lágrimas, torna o rosto límpido e o olhar sereno e luminoso.Felizes os que se deixam transfigurar, porque a sua presença torna-se gratificante, exalam o perfume do amor e da misericórdia de Deus e à sua volta espalham luz e esperança. Destes é que a Igreja e o mundo precisam. P. Fausto in Diálogo nº. 1905 (Domingo II da Quaresma – Ano...

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Nem só de pão…

Com a quarta-feira de cinzas começa o tempo da Quaresma, verdadeiro retiro espiritual orientado pela Palavra de Deus e marcado pela oração mais intensa, pela caridade mais diligente e pela participação nos mistérios da renovação cristã, como recorda um dos prefácios deste tempo litúrgico.Como é habitual, o Evangelho do primeiro domingo da Quaresma começa com a narrativa das tentações de Jesus, no deserto, que são as tentações do homem de todos os tempos e lugares: ambição, vanglória, satisfação dos sentidos, individualismo…Desta realidade ninguém está imune, mas nos maiores decisores contemporâneos, estas tentações adquirem verdadeiramente dimensão universal e cósmica, pondo em risco a paz e o respeito pela soberania dos Estados, o desenvolvimento dos povos e a defesa comum desta terra, que Deus criou e oferece ao homem para cultivar e usufruir por todos.Para estes e também para nós, a Quaresma é especialmente um tempo precioso de conversão, para se realizar o sonho de Deus e cuidar o coração para a celebração das Santas Festas Pascais. Nada disto, porém, acontecerá, se não aprendermos com Jesus a vencer as tentações no quotidiano das nossas vidas. P. Fausto in Diálogo nº. 1904 (Domingo I da Quaresma – Ano...

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Parecer não basta

Jesus, senhor de uma palavra viva e sempre adaptada aos ouvintes, para chamar a atenção para as incoerências do nosso modo de proceder e convidar-nos a ser clarividentes na prática do bem, recorre a imagens simples da vida quotidiana, como o cego, guia de cegos, e a da trave e do argueiro.A imagem do cego faz-nos pensar na grave responsabilidade de quem tem a missão de informar e formar, porque não precisa apenas de saber o caminho e as normas do bom guia mas de viver de acordo com elas. De contrário, fica-se pelos bons conselhos e, quanto ao resto, “olha para o que eu digo, não olhes para o que faço”.Quanto à imagem do argueiro e da trave, ela pede-nos sinceridade e coerência connosco e com o próximo. De outro modo, merecemos justamente a repreensão do Mestre, que não hesita em chamar hipócritas àqueles que pensam que não têm telhados de vidro e pés de barro e se preocupam em denunciar o argueiro nos olhos dos outros esquecendo a trave que têm nos seus. P. Fausto in Diálogo nº. 1903 (Domingo VIII do Tempo Comum – Ano...

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