Seguramente que não encontraremos ninguém que não queira ser feliz, mas há caminhos e caminhos… e nem todos respondem ao mais profundo dos nossos desejos.Jesus dá-nos a sua resposta no Evangelho de hoje, como de costume inesperada, contra a corrente, quase a deixar-nos sem fôlego: bem-aventurados os pobres, os mansos, os que lutam pela justiça, os promotores da paz, os puros, os que escutam pacientemente…As Bem-aventuranças parecem-nos poeticamente fascinantes, mas depressa nos apercebemos de que, nesta terra tão agressiva e dura, Jesus propõe o manifesto mais difícil e perturbador, mais em contramão, que se possa imaginar. No entanto, já é feliz quem não se escandaliza com esta proposta completamente diferente de ser homem, de um mundo feito de paz, de sinceridade, de justiça, de corações puros…O mundo não se manterá, sob a lei do mais forte e do mais rico, mas daquela multidão silenciosa, que, não vindo nos jornais, nem participando nos foros internacionais, constrói a paz no trabalho, em casa, nas instituições, perdoa e ajuda, tem fome de justiça para si e para os outros e cultiva a honestidade, até nas pequenas coisas…São estes e não os exércitos armados dos povos mais fortes que constroem o mundo com mais paz, justiça e fraternidade, porque, para este mundo que sonhamos, são construtores só os que fazem das Bem-aventuranças o seu programa de vida. P. Fausto in Diálogo nº. 1942 (Domingo IV do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreApresentado e batizado por João Baptista, Jesus, sem perder tempo, começa a percorrer a Galileia anunciando a Boa Nova e curando todo o tipo de doenças. A sua mensagem fresca, clara, feliz e radiosa, batia fundo no coração dos ouvintes.Não se estranha, pois, a pronta e generosa resposta dada por Pedro e por seu irmão André e, pouco mais à frente, por Tiago e João. Dois pares de irmãos, dois barcos e o mesmo convite: Vinde após Mim. Uns e outros deixaram tudo !Como Jesus não deixa ainda de convidar quem, apesar das suas debilidades, aceite dar rosto e voz à mensagem salutar do Evangelho, aproveitaremos mais intensamente esta Semana para pedir o dom das Vocações Consagradas.Num tempo em que os grandes disputam a casa comum entre si para mais facilmente a explorar, numa sociedade cada vez mais individualista em que a solidariedade, a justiça, o respeito de uns pelos outros… se tornam valores mais raros no vocabulário existencial de pessoas, instituições, povos e nações, a Boa Nova do Evangelho quer gente corajosa, feliz e generosa, para fazer chegar ao coração dos homens e mulheres deste tempo a novidade sempre radiosa da Mensagem de Jesus. P. Fausto in Diálogo nº. 1941 (Domingo III do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreNo domingo passado com a celebração do Baptismo de Jesus terminou o Tempo de Natal. E agora? Á questão responde João Baptista: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”.Repetidas sempre na Missa, estas palavras representam uma viragem total trazida por Jesus. Na verdade, em todas as religiões o homem sacrifica sempre algo por Deus, agora, porém, é Deus que se torna cordeiro, vítima, sacrifício pelo homem.Solidário e contemporâneo de todos os homens, é apresentado como Cordeiro que tira o pecado do mundo. O verbo não é passado ou futuro, mas presente.Aqui chegados, começa o “nosso trabalho de casa”: acompanhar a par e passo e aprender de Jesus regras de vida incomuns, que tiram o pecado do mundo, vencem as guerras, constroem a paz, promovem a fraternidade…Estamos dispostos a ouvir a Sua mensagem e a segui-Lo? Ninguém melhor nos pode ajudar nesta tarefa de todos os dias e de todos os tempos. P. Fausto in Diálogo nº 1940 (Domingo II do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreSim, “vimos a Sua estrela”, tivemos por estes dias mesa farta e casa aberta aos amigos. Apesar do frio, sentimos o calor da lareira e da amizade de uns com os outros. Trocámos prendas e tudo. Foi bom o Natal deste ano.E agora? Terá valido a pena tantos preparativos, canseiras e investimentos? O que fica de tudo isto?A lição dos Magos é para levar a sério. Há que regressar ao quotidiano “por outro caminho”. Se não for, tudo ficou na festa, sem nada ficar para a vida. Assim, adeus natal até ao ano.Para nós, cristãos, Jesus nasceu, mas estamos dispostos a ouvi-Lo, dispostos a segui-Lo, dando ouvidos à voz do Alto que neste Domingo nos convida a acompanhar e seguir Aquele que aceita o Baptismo de João no deserto?Preparemo-nos. A caminhada não será fácil, mas será exaltante, porque o final será de Ressurreição e Festa. P. Fausto in Diálogo nº. 1939 (Festa do Baptismo do Senhor – Ano...
Learn More“Onde está, perguntaram os Magos vindos do Oriente, o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela… Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado”.Herodes vivia em Jerusalém, a pouca distância de Belém, tinha acesso às Escrituras, tinha possibilidade de interpretar os sinais do Messias, e, contudo, tudo lhe escapa. Ele não vê a estrela, nem ouve os anjos, porque olhará para o Menino como ameaça, apostado como está em eliminar todos os obstáculos ao seu poder.Ao contrário de Herodes, os Magos desinstalados, de coração desarmado, sábios e curiosos, lançam-se à aventura de caminhos desconhecidos, sempre atentos ao que se passa para lá das suas fronteiras. Como não aprender com estes personagens, que, deixando de ver a estrela, transformam as crises em expectativa, em abertura, em procura?Mais um ano à nossa frente. Haverá momentos de tudo, luminosos e sombrios quando nos parece que a estrela se esconde, mas o importante é não abandonarmos a viagem.Evidências e momentos luminosos fazem parte do nosso percurso, mas também os de obscuridade, de dúvidas e de fragilidades. Apesar de tudo isto, seguirá sempre à nossa frente a Luz Santa do Natal. P. Fausto in Diálogo nº. 1938 (Solenidade da Epifania do Senhor – Ano...
Learn MoreBem depressa o Natal se torna dramático, porque Herodes procura o Menino para o matar. E José, depois do sonho, “levantou-se de noite, tomou o Menino e sua Mãe e partiu para o Egipto“. Não há garantias de futuro, não há indicações sobre o caminho, nem data para o regresso.José, que não hesita nem pede para ver tudo claro, mas apenas se apressa porque a vida do Menino corre perigo, representa todos os justos da terra, homens e mulheres, que, sem contar medos e fadigas, se entregam por amor a cuidar dos outros.A fuga da Família Sagrada, de noite, para o Egipto, sugere-nos que Deus não veio para nos proteger ou livrar do deserto, mas garantir que nos nossos desertos e noites, nunca falte a força, a coragem e a confiança necessárias, para prosseguirmos na realização do sonho de Deus a respeito de cada um e de todas as famílias da terra.Para todas as Famílias, especialmente às da Paróquia, peço a abundância das Graças do Céu e formulo votos de um Abençoado ano de 2026. P. Fausto in Diálogo nº. 1937 (Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José – Ano...
Learn MoreEm pleno coração da “Semana do Ó” não passa despercebida a S. Mateus a figura de S. José, verdadeiramente central no Evangelho deste domingo, porque a sua noiva, antes de terem vivido em comum, engravidara.“Porque era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo”. Só o Amor ditava esta decisão que lhe destroçava o coração, mas evitava as consequências legais para aquela por quem estava ternamente enamorado e comprometido.Eis, S. José, o homem dos sonhos, de mãos calejadas pelo trabalho e com o coração justo, enternecido e ferido!Como não aprender com S. José que nunca fala, mas sabe escutar o mais profundo do seu ser e por isso permanentemente atento aos sonhos de Deus?“Não temas tomar Maria, tua esposa, porque o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo”. Ao despertar do sono, “José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa”.Porque Deus nunca mete medo, José é feliz, não porque realiza o seu sonho, mas o sonho de Deus, sem nunca se deixar vencer pelo medo. P. Fausto in Diálogo nº. 1936 (Domingo IV do Advento – Ano...
Learn More“És Tu Aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro”? Eis a questão que João Baptista, entretanto na cadeia, faz chegar a Jesus. Na resposta, Jesus não dá explicações, não faz promessas de que vem para resolver os problemas da humanidade com uma explosão de milagres, mas enumera factos: cegos, coxos, surdos, leprosos… são curados. É verdade que os milagres enumerados não mudaram o mundo, não se erradicou o sofrimento, a fome e a pobreza, não se resolveram os conflitos, mas há uma onda positiva, uma Boa Nova que muda a vida e, ainda que pequenina, faz florescer a esperança e desafia à alegria. E Jesus acrescenta em jeito de comentário: “Bem-aventurado aquele que não encontrar em mim motivo de escândalo”. Uma visão ligeira do mundo basta para vermos como o mal prolifera, a acumulação escandalosa da riqueza é gritante, as assimetrias sócio-económicas são profundas e, enfim, estamos num mundo que nos parece cada vez mais indiferente e contrário ao projecto dAquele cuja festa de nascimento queremos celebrar. Este, porém, é o nosso mundo. Com este Domingo, encontramo-nos a meio do Advento e a Liturgia convida-nos, apesar dos sinais em contrário, a saborearmos já antecipadamente a alegria pela festa que se aproxima. E os cristãos, mais que os outros, têm razões de sobra para o fazer! P. Fausto in Diálogo n.º 1935 (Domingo III do Advento – Ano...
Learn MoreCom as imagens fortes do fogo e do machado, João Baptista não pretende semear medos. Ele bem sabe que o medo não leva a lado nenhum, não liberta do mal e não será também por medo que o leão há-de comer feno e o lobo conviver com o cordeiro.A frase central do Evangelho de hoje é: “Arrependei-vos, porque está perto o reino dos Céus”. É porque Deus está perto, que João Baptista, no deserto, dirige palavras talvez ásperas mas oportunas. Tão perto, que veio para ficar e estar connosco. É essa a força que nos move e comove, e que cresce dentro de nós, para construirmos uma sociedade que torne possível a harmonia do lobo e do cordeiro, do menino e da víbora, dos humanos entre si, homens ou mulheres, árabes ou judeus, muçulmanos ou cristãos, brancos ou negros… Esse é o sonho de Deus, que exige de cada um de nós conversão sincera não de aparências e palavras bonitas, mas de factos e compromissos audazes.Não estranhemos, pois, as palavras fortes mas sinceras de João Baptista, que, dirigidas no deserto aos fariseus e saduceus, são válidas também para nós, que nos preparamos para celebrar o Natal de Jesus. P. Fausto in Diálogo nº. 1934 (Domingo II do Advento – Ano...
Learn MoreCelebrada a Festa de Cristo Rei e Senhor, iniciamos novo ano litúrgico orientados pelo Evangelho de S. Mateus, que hoje põe Jesus a comentar com os seus discípulos a vida pacata e simples dos contemporâneos de Noé: “comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; e não deram por nada, até que veio o dilúvio que a todos levou”.Jesus não fala de pecados ou de injustiças, não fala de vícios nem de excessos, apenas do quotidiano, uma vida sem profundidade ocupada em satisfazer a lista básica das necessidades.“Os dias de Noé” são também os dias em que vivemos muitas vezes sem saber porquê, “sem darmos por nada”, imunes e insensíveis ao que se passa à nossa volta, esquecidos das vítimas da guerra, das crianças vitimas da fome, da violência, de abusos e abandono, de mulheres compradas, vendidas, violadas, de migrantes, de doentes, de desempregados… enfim, do mundo em que vivemos, para o qual Jesus veio e cuja festa de Nascimento queremos preparar.O tempo do Advento é precisamente o tempo para despertarmos do sono e da superficialidade em que muitas vezes vivemos escravizados pelos apetites incontrolados de consumo, que nos distraem dos rostos das pessoas com que diáriamente nos cruzamos.O Advento torna-se, então, esse Tempo precioso em que se “trabalha” melhor a atenção a Deus e aos outros a começar pelos de casa. P. Fausto in Diálogo nº. 1933 (Domingo I do Advento – Ano...
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