Inaugurada a Quaresma em quarta-feira de cinzas, a Igreja convida-nos a viver este tempo, inspirados no “retiro” de quarenta dias, com que Jesus iniciou a sua vida pública.Deserto, jejum, oração e tentações… são temas bem sugestivos para vivermos todo este período quaresmal. Com efeito, cada vez mais, precisamos de criar ambientes de silêncio para intensificarmos a oração, de praticar a austeridade para vivermos o Evangelho e vencermos as tentações. Sim, porque humanas, as tentações não foram apenas de Jesus, são de ontem e de hoje, e a quaresma é o tempo favorável para aprendermos a lidar com elas.“Manda a esta pedra que se transforme em pão”, sugere o diabo. Jesus responde que nem de pedras nem só de pão vive o homem, porque somos feitos para coisas maiores e ai daqueles que centram preocupações e projectos de vida em dinheiro e coisas… Mais importante que o pão para a boca é a Palavra de Deus.“Eu te darei todo este poder e glória e reinos… se te prostrares diante de mim”, promete o diabo. Não é subtil e também actual a tentação a que muitos cristãos se submetem para conquistar o poder ou defender a sua carreira…? E com que custos e consequências!Adora-se o diabo sempre que se escolhe o caminho da mentira, da duplicidade, do engano, da violência, da agressividade…, justificando-se os meios em função dos fins.E a que foi submetido Jesus no pináculo do Templo de Jerusalém, também não é actual? A tentação de um Deus milagreiro está sempre à espreita, quando surge uma doença, acontece um acidente ou uma catástrofe… e estranhamos que Deus não dê uma mãozinha e intervenha.Enfim, não faltam motivos para o nosso projecto de vida nesta Quaresma. P. Fausto in Diálogo nº1770 (Domingo I da Quaresma – Ano...
Learn MoreJesus, neste domingo, parece dirigir-se ao povo simples com palavras de sabor sapiencial, ao jeito de quem explica a sabedoria dos provérbios.Assim, quando fala do perigo de um “cego guiar outro cego”, quem descarta a necessidade de formação permanente, para cada um poder servir e cuidar melhor do outro? Porventura, não somos comunidade e todos corresponsáveis e cuidadores uns dos outros?Quando Jesus fala em limpar primeiro a vista para podermos limpar a dos outros, não nos quererá alertar para a tentação frequente em realçarmos os defeitos e omitirmos as qualidades alheias? Quem pode dizer que está imune a tentações como esta?O segredo está no coração. Há que cuidá-lo, porque “o homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, da sua maldade tira o mal…”Não precisamos de muitas mais palavras de Jesus para vivermos em paz. Formação, Sinceridade e Coerência são ingredientes indispensáveis para uma vida pacífica e feliz. P. Fausto in Diálogo nº. 1769 (Domingo VIII do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreOs ouvintes continuam numerosos e atentos ao discurso de Jesus. Nem dão pelo tempo a passar!O Evangelho de hoje, no seguimento das bem-aventuranças, constitui uma das páginas mais belas, e também mais exigentes e difíceis, da mensagem do Mestre, ao levantar ao máximo a fasquia da misericórdia.Jesus sabe que é difícil, mas nem por isso deixa de apontar a cada um de nós este ideal, que passa por amar e fazer bem mesmo aos que nos fazem mal, suportar serenamente as injúrias e esquecer as ofensas… E tudo de cara alegre. Sim, porque a caridade não pode ser praticada com olhar pesaroso e triste.Esta página do Evangelho constitui para os cristãos um programa de vida, tanto mais difícil quanto mais à nossa volta o egoísmo, a ambição e a vingança prevalecem sobre a compaixão e o perdão. Jesus sabe disto, repito, mas, ao apontar para o infinito Amor do Pai, que é Bom e Misericordioso, mesmo para os maus, desafia-nos a um santo e sadio inconformismo, confiantes sempre, apesar da nossa pequenez e miséria, na grandeza e magnanimidade do Seu Amor. P. Fausto in Diálogo nº 1768 (Domingo VII do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreAté agora são frequentes os banhos de multidão que Jesus aproveita para proclamar a Boa Nova. Trata -se, certamente, de pessoas simples, de mãos calejadas e de rosto queimado pelo sol intenso das jornas. Pessoas com vida dura e sofredora, sem grandes projectos nem futuro.É a esta gente, que se comprime para O ouvir, que Jesus abre o coração e revela o sonho de um mundo feito de bondade, de sinceridade, de paz, de justiça. Um mundo em tudo diferente de sermos homens.Para uns será mero exercício de utopia, para outros apenas fruto de ingenuidade, mas para os cristãos continua pleno de actualidade.Quem Deus ama é a pessoa, cada pessoa, e não a pobreza, o sofrimento e as lágrimas, que nos tornam a vida em calvário, mas Jesus, ao declarar felizes os que, apesar da sua penúria e sofrimentos, não dão espaço à inveja e ambição, pôem a sua confiança em Deus e esperam dEle a força para continuarem a lutar, propõe o ideal evangélico como único caminho de felicidade.Nada disto é fácil, mas é possivel e continua actual. Que o diga Francisco de Assis, que o digam tantos e tantas que ao longo da história da Igreja não se cansam de dizer que correm sérios riscos de insatisfação e frustração, os projectos de vida, sob aparência de felicidade, ancorados no dinheiro, no poder ou na violência. P. Fausto in Diálogo nº. 1767 (Domingo VI do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreJesus na sua vida pública viveu momentos belos e também os houve de desencontro e tensão. Neste domingo, nas margens do lago de Genesaré, a jornada foi em cheio. Eram tantos os que se comprimiam para ouvir a Palavra de Deus, que Jesus teve de se socorrer do barco de Pedro para não ser sufocado pela multidão.Entretanto Pedro, Tiago e João, depois de uma noite de trabalho e sem qualquer resultado, preparavam, apesar de cansados, tudo para nova faina. “Faz-te ao largo, e lançai as redes para a pesca”, diz Jesus. Mais por obediência que por convicção, Pedro aceitou o desafio. E as redes inexplicavelmente se encheram !Surpreendido, Pedro sente-se agraciado e indigno: “Senhor, afasta-te de mim, que sou um homem pecador” e Jesus, sem julgar, desculpar ou absolver, apenas lhe diz, olhos nos olhos, que não é por mérito que o escolhe e remata em seguida: “Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens”. E eles deixaram tudo e seguiram Jesus.Deus continua a chamar, independentemente do mérito ou das capacidades de quem é chamado. Chama quem entende, sem ter que dar contas, e capacita quem chama. O remate é o de sempre: “Não temas”. P. Fausto in Diálogo nº. 1766 (V Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreJesus mostra, desde o princípio, que não se deixa prender pela fama ou desanimar pela critica, não procura arruadas nem se deixa levar por sondagens.Isto mesmo acontece na sua primeira visita a Nazaré, onde, na sinagoga, expõe o seu programa de vida e assume pessoalmente a realização de todas as profecias messiânicas.Bem cedo Jesus aprende quão fácil é passar da admiração à crítica e do acolhimento à agressão! Nazaré é a prova. Com efeito, todos O ouviam, mas o que pediam verdadeiramente é que fizesse na sua terra o que fizera nas outras, sob pena de não passar de retórica piedosa a Boa Nova de Alegria, de Libertação e de Paz, proclamada como ninguém até então, e já anunciada por Isaías.“Nenhum profeta é bem recebido na sua terra”, responde Jesus às pretensões dos seus conterrâneos, que não querem ver nEle senão o filho de José, o carpinteiro, com mãos bem calejadas pelo trabalho e sem qualquer pergaminho familiar sócio-religioso que o recomendasse.Também nós, muitas vezes, como então os de Nazaré, queremos um Deus de milagres, um Deus que se imponha pelo poder e castigue quem prevarica, um Deus que nos facilite a vida e nos dispense do esforço da busca. E este não é o Deus anunciado por Jesus Cristo. P. Fausto in Diálogo nº.1765 (IV Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreEm maré de eleições todos os partidos, com mais ou menos visibilidade, se têm esforçado por passar a sua mensagem e dizer ao que vêm. Aproveitam cada momento para vincar diferenças, realçar lacunas, levantar suspeições uns sobre os outros… Tudo à “caça do voto” no próximo dia 30.Não foi assim com Jesus ao apresentar solenemente o seu programa numa celebração de sábado, na Sinagoga de Nazaré, em que declara que as profecias messiânicas se cumprem integralmente nEle. Não fala em pecadores, não inventa preceitos, nem acrescenta pesos aos muitos que o povo já carregava. A sua linguagem não é moralista, mas proclamação alegre e vigorosa de uma Boa Nova de Liberdade, de Luz e de Paz da parte de Deus, que tem um Amor preferencial pelos pobres e aflitos.Com uma mensagem desde o princípio tão luminosa, prenhe de paz, justiça e liberdade, não admira que tenha provocado no coração dos ouvintes tão grande fama e respeito. E ainda por cima tudo de graça e sem contrapartidas…O programa de Jesus continua a ser o da Igreja, cabendo a cada um dos batizados realizá-lo, com ardor, criatividade e ousadia. P. Fausto in Diálogo nº 1764 (Domingo III do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreÉ impensável ver João Baptista a participar numa festa de casamento, mas Jesus, logo no início da sua vida pública, fê-lo em Caná, fazendo-se acompanhar pelos seus discípulos. A alegria era enorme e os convivas estavam felizes. Nos bastidores, porém, as coisas não eram tanto assim.Maria, Mãe de Jesus, também convidada, apercebendo–se de que algo importante começava a faltar, com discrição e resoluta confiança sussurrou ao Filho “não têm vinho”. E mais não disse. Nem precisava. Apenas aos serventes recomenda “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Cumprida a ordem, ninguém deu por nada, a não ser que o vinho servido era bem melhor.Caná é convite a saborearmos os momentos de alegria verdadeira, sem nunca esquecermos que Deus não está ausente e Nossa Senhora distraída quando a vida não parece sorrir. P. Fausto in Diálogo nº. 1763 (Domingo II do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreNeste Domingo já não vemos o presépio, nem a mensagem dos Céus é a da noite de Natal, porque uma voz no deserto, vigorosa e determinada, aponta para um jovem que na fila dos penitentes aguarda vez para ser “baptizado”: Jesus de Nazaré, filho de Maria e também conhecido por filho do carpinteiro.Com uma experiência familiar em tudo feliz, começa, por volta dos trinta anos, uma nova etapa do seu projecto de vida e escolhe o deserto para ouvir, como tantos outros, da boca de João Baptista, palavras sábias e apelos fortes à conversão. De nada disto precisava, mas, ao fazê-lo, permitiu-nos ouvir a mais bela e universal das mensagens celestes: “Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência”.“Cristo não recebeu o Espírito Santo para Si, mas antes para nós em Si, pois é por Ele que recebemos todos os bens, como escreve S. Cirilo de Alexandria” (sec.V).E que bem maior e notícia mais bela tem o Pai do Céu para nos dar que declarar-nos realmente, em Cristo, no dia do nosso Baptismo, Seus Filhos? Ainda que por adopção nunca deixaremos de ser verdadeiramente filhos, por mais voltas que a vida der, e sempre amados, por maiores que sejam os nossos fracassos. P. Fausto in Diálogo nº. 1762 (Festa do Baptismo do Senhor – Ano...
Learn MoreOito dias passados do Natal, celebrámos a Festa da Sagrada Família e agora a Solenidade da Epifania. Quase não temos tempo para saborear os encantos que o Tempo de Natal proporciona, mas continuamos a celebrar o mistério da Encarnação, ao evocarmos uma das manifestações do Senhor, como é a deste domingo.Enquanto no Natal Jesus se revela aos “da casa“, hoje revela-Se sobretudo aos que “vêm de longe“, representados nos Magos, verdadeiras “primícias da nossa vocação e da nossa fé“, como lhes chama S. Leão Magno. Estes homens misteriosos, que vieram de longe para adorar o Menino, são exemplo de boa-vontade e constância em corresponder ao apelo que Deus dirige a todos os homens. As dificuldades, longe de abalar a sua fidelidade, bem pelo contrário, estimularam-nos a prosseguir a caminhada até encontrarem o Senhor.O exemplo destes homens há-de inspirar-nos permanentemente na nossa caminhada de fé, apesar das dúvidas que sempre se misturam, sem nunca desistirmos do ideal, mesmo com desilusões e obstáculos. P. Fausto in Diálogo nº. 1761 (Solenidade da Epifania do Senhor – Ano...
Learn More
Comentários recentes