“Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis compreender por agora”, dissera Jesus aos discípulos, na última Ceia.Jesus fez tudo, mas não disse tudo, e foi sem ter dito tudo. Ficou para o Espírito Santo essa missão: “O Espírito guiar-vos-á para a verdade plena“.É verdade que Jesus falou do Seu e nosso Pai e também do Espírito Santo, o Paráclito, mas não se adiantou muito mais; preferiu anunciar que Deus é Amor sem limites, Misericórdia, Alegria, Festa… Falou de Deus como Pai Bondoso, Amigo das crianças e com um “fraquinho” muito especial pelos pobres, doentes e pecadores… e deixou ao Espírito Santo a tarefa de nos fazer compreender o Mistério da Santíssima Trindade.Os teólogos bem se esforçam por nos fazer compreender que há um só Deus e três Pessoas Divinas, Pai, Filho e Espírito Santo, “Três pessoas iguais e distintas e uma só natureza”, como se aprendia na minha catequese de infância, com recurso à folha de trevo. Tudo bem, mas, por mais que aprofundemos, Deus continua Infinito, sempre para Além… Surpreendentemente. É sempre Mistério, enquanto houver espaço e tempo.Estudar é necessário, e os tratados teológicos são importantes se nos ajudam a fazer deste tempo, tempo de testemunho e não de apologética, como escreveu inspiradamente S. Paulo VI numa das Suas Exortações Apostólicas.E cá estamos nós, não para argumentar sobre a existência de Deus, mas para sermos testemunhas coerentes e fiéis do Deus revelado por Jesus Cristo. E isto só graças ao Espírito Santo. P. Fausto in Diálogo n.º 1784 (Solenidade da Santíssima Trindade – Ano...
Learn MoreNo último dia do Tempo Pascal, e à luz da Páscoa, a Igreja recorda especialmente a vinda do Espírito Santo, prometida e preparada por Jesus, e não cessa, hoje e sempre, de O invocar com vigor: “Enviai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a face da terra”. A esta terra, que nos foi dada para cuidar e tornar próspera… e que se nos apresenta tantas vezes cheia de loucuras, lágrimas e sangue !A esta terra, que nos parece inóspita e sem conserto, vem, Espírito Santo, com suave violência, e entra pelas fissuras das paredes, escancara as portas, ainda que bem trancadas, e abala os alicerces de todas as torres de babel !Vem, Espírito Santo, à Igreja e ao coração de cada crente, para que se responda com fidelidade e criatividade aos desafios de cada tempo. Porque estais sempre além do tempo, só Vós fazeis que a cultura, a espiritualidade, a arte…, ainda que diversas, não se suprimam, mas que em conjunto revelem na sua diversidade e criatividade o rosto surpreendente de Deus.Vem, Espírito Santo, porque, como rezava o Patriarca Atenágoras, sem Vós a Igreja é organização, a moral é canseira e os Sacramentos não passam de sinais vazios. E esta terra, a nossa terra, sem Vós, arrisca-se a ser uma enorme fábrica de ídolos, onde só o dinheiro e o poder são senhores absolutos. P. Fausto in Diálogo nº. 1783 (Solenidade de Pentecostes – Ano...
Learn More“Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi elevado ao Céu”. É assim que S. Lucas sucintamente descreve a Ascensão de Jesus, cuidadosamente preparada ao longo destas semanas e celebrada solenemente neste domingo.Na partida não há, da parte de Jesus, lamentos, juízos ou condenações, nem discursos de última hora; não parece também experimentar qualquer alívio ao partir, como aqueles que dizem baixinho “até que enfim” ou “fica-te mundo cada vez é pior”…, bem ao contrário. Jesus eleva as mãos e abençoa. Simplesmente.Assim, com um belo e sereno sorriso deixa ao mundo uma Bênção, uma Palavra Bendita carregada de confiança e de esperança, para dar sempre ânimo e coragem às testemunhas do Ressuscitado e arautos da misericórdia infinita de Deus.Os discípulos não perderam tempo e, pressentindo que chegara a sua hora e a responsabilidade da missão que lhes fora confiada, “voltaram para Jerusalém com grande alegria”. Hoje a Missão é nossa. P. Fausto in Diálogo nº.1782 (Solenidade da Ascenção do Senhor – Ano...
Learn MoreO tempo está a esgotar-se, mas Jesus não tem pressa. Ele faz em cada momento o que deve, isto é, a vontade do Pai. Já lá vão seis semanas que ressuscitou e o mais importante está conseguido: “recuperar” o grupo dos discípulos. Atingido plenamente este objectivo, graças aos encontros que, no primeiro dia de cada semana, lhes proporcionou, a tarefa, agora, é preparar a Sua partida eminente.Não parece que Jesus esteja preocupado com “a matéria” que deixou por dar… Propositadamente não disse tudo, mas disse tudo o que os discipulos podiam acolher. Não quis mesmo ter a última palavra. Deixou-a ao Espírito Santo e aos Apóstolos. Então e hoje também.Preocupou-se, isso sim, em dar-lhes, e a todos nós, a Sua Paz e a tarefa de a construirmos, na fidelidade à Palavra e ao Espírito Santo, com a garantia solene de que a Sua partida não é fracasso, desistência ou desinteresse, mas presença ainda mais íntima, inspiradora e permanente: “Não se perturbe nem se intimide o vosso coração… Vou partir, mas voltarei para junto de vós”.Ao desconforto compreensível de qualquer partida, Jesus contrapõe a Paz e a Alegria próprias de quem vive em comunhão com Deus, com os outros e consigo mesmo. Apesar das crises e tribulações. P. Fausto in Diálogo nº. 1781 (Domingo VI da Páscoa – Ano...
Learn MoreEntrámos na quinta semana após as mulheres encontrarem o sepulcro vazio. Desde então, Jesus apareceu sempre no mesmo dia, respondeu às dúvidas e venceu as resistências dos mais cépticos. Todos O reconhecem Ressuscitado.Agora o tempo é de preparar a partida e nada melhor que lembrar parte do discurso proferido na ultima Ceia Pascal: “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos”.Apesar de as circunstâncias em que foram proferidas não terem ajudado os discípulos a compreender as suas exigências, tais palavras ficaram para a história como verdadeiro testamento ou, se quisermos, Carta Magna para o agir cristão.Não é fácil o seu cumprimento, porque não se trata simplesmente de amar, mas de amar ao jeito de Jesus. Sem barreiras nem fronteiras. Sem ideologias nem simpatias. Gratuitamente. E sempre.Apesar de ser difícil amar como Jesus e impossível amar quanto Jesus, não podemos rasgar esta página do Evangelho. Se o fizermos, deixaremos de ser cristãos. P. Fausto in Diálogo n.º1780 (V Domingo da Páscoa – Ano...
Learn MoreNa empresa há objectivos a atingir e prazos a cumprir. Em casa há tarefas diárias, roupas, refeições, transporte dos filhos/netos às milhentas actividades, não falando dos compromissos sócio-religiosos pessoais… E o que resta para respirar? Muito pouco, com certeza.A esta sociedade de correrias, onde quem manda é o relógio e o tempo se torna cada vez mais escasso, onde não se educa para o silêncio, nem se valoriza a escuta, Jesus diz palavras no Evangelho de hoje, que nos parecem fora da realidade: “As minhas ovelhas escutam a minha voz… e elas seguem-Me”.Ainda que nos pareçam ao arrepio, não deixa o verbo “escutar” de ser do número dos verbos mais importantes, oportunos e difíceis de conjugar na gramática da vida. Não temos tempo para nada…Escutar alguém é dizer-lhe que o meu tempo é teu, é dizer-lhe que tu existes e és importante… Escutar torna-se, então, o primeiro dos serviços. E a Deus também, porque, se rezar é falar com Deus, quem não sabe escutar não sabe rezar, nem sabe responder…Rezar com o rei Salomão, que bem cedo percebeu o valor da escuta ao pedir a Deus, em vésperas de iniciar o seu reinado, “um coração que soubesse escutar”, é cada vez mais importante e necessário. P. Fausto in Diálogo n.º1779 (Domingo IV da Páscoa – Ano...
Learn MoreA Páscoa já vai na terceira semana e Jesus vai-se encontrando com os discípulos sempre no primeito dia, o Domingo. Desta feita é nas margens do mar de Tiberíades, na madrugada de uma noite de pesca, sem sucesso, que Jesus se apresenta aos discipulos. Era a terceira vez que o fazia, depois de ter ressuscitado dos mortos.Chegou discreto e ninguém O reconheceria, não fora a quantidade de peixes capturados que, surpreendentemente, punham em risco os próprios barcos… Em terra, Jesus prepara tudo, inclusivé as brasas e o pão, para o almoço matinal, que os trabalhos de uma faina tão prolongada merecem.A refeição correu saudavelmente bem disposta e amiga, mas a razão do encontro era outra. Jesus queria encontrar-se a sós com Pedro, na presença de todos, para que todos ouvissem a sua declaração de amor, indispensável ao serviço de guarda de todo o rebanho.Jesus, dirigindo-se a Pedro, não o condena, não o censura, não pede explicações, apenas o interpela três vezes, em jeito determinado mas doce: “Pedro, filho de João, amas-me?” Pedro comove-se com a insistência – talvez lembrado da tríplice negação do Mestre há três semanas atrás – e as lágrimas lavam-lhe mais uma vez o coração e os olhos e preparam-no para o serviço incondicional até ao fim. Até ao martírio. P. Fausto in Diálogo nº. 1778 (Domingo III da Páscoa – Ano...
Learn MoreA semana da Paixão do Senhor foi intensa e dramática. Houve de tudo, e, oito dias passados, as marcas eram ainda bem visíveis.O sepulcro vazio, apesar do testemunho jubiloso de algumas mulheres, mergulhou na perplexidade uns e na incredulidade outros, e em todos provocou uma grande insegurança, a ponto de se barricarem em casa, com medo dos judeus.As mulheres, essas não se cansavam de dizer que tinham visto o Mestre e Amigo, agora Ressuscitado. Mas o seu testemunho nem pelos discípulos era levado a sério.O tempo também cura, mas ainda não curou o suficiente para encher de paz e de alegria o coração de todos os discípulos. Tomé era o mais resistente.Oito dias depois de o sepulcro ter sido encontrado vazio, Jesus vem de novo, estando as portas fechadas, e desta vez todos estavam presentes. No seu rosto não há queixumes, acusações, sermões ou castigos, apenas luz, serenidade e paz. E depois de breve saudação, sem perder tempo, dirigindo-se a Tomé, convida-o a tocar as chagas, como que a dizer: Eu sou o CRUCIFICADO E RESSUSCITADO que conheceste. E Tomé rende-se, com a bela Profissão de Fé: “Meu Senhor e meu Deus”.Não sabemos se tocou ou não o corpo de Jesus, mas, passando da incredulidade ao êxtase, Tomé tornou-se luz e conforto para as nossas dúvidas e exemplo para os discípulos de todos os tempos. P. Fausto in Diálogo n.º 1777 (Domingo II da Páscoa – Ano...
Learn More“Estamos aqui reunidos para darmos início à celebração do mistério pascal do Senhor, isto é, da Sua Paixão e Ressurreição”.É com estas palavras que se abre a liturgia do Domingo de Ramos e da Paixão e se inicia uma semana em que é difícil ser-se mero espectador.Semana de contradições, de hossanas e apupos, de mentiras e acusações, de beijos e de traições, de julgamentos e execuções sumárias…Todos os dramas da humanidade estão presentes nesta semana em que Jesus nos mostra que a cruz se torna verdadeiro pesadelo, se não for levada com amor. É por isso que a contemplamos e adoramos, mesmo sem a compreendermos.A crueldade, os gritos, os gemidos, as lágrimas… e a própria morte, podem parecer uma derrota, mas, se estivermos unidos ao Crucificado, temos o poder, mesmo sem o sabermos, de fazer estremecer a pedra que fecha cada um dos sepulcros, por maior que seja, como na manhã radiosa, no primeiro dia da semana, em Jerusalém.Que nos sirva de inspiração, para vivermos este tempo, o que escreve Pascal: “o que me leva a crer é a cruz, mas aquilo em que acredito é a vitória da Cruz: A RESSURREIÇÃO”. P. Fausto in Diálogo nº. 1775 (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor – Ano...
Learn MoreO cerco aperta-se cada vez mais e Jesus já não sai de Jerusalém ou das cercanias do Templo, sempre rodeado de povo a quem continua a anunciar, com desassombro, a Boa Nova. Os fariseus e os escribas, esses apenas espreitam a ocasião para O acusar e condenar.A mulher surpreendida em adultério é o pretexto para realizarem os seus intentos: “Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?” Jesus diante da mulher, a tremer de medo e de vergonha e despudoradamente exposta à multidão, nada responde, nem sequer lhe pergunta se está arrependida. Apenas se inclina e escreve misteriosamente no chão, bem mais sensível ao sofrimento que disposto a pôr a nu o seu pecado. Não acusa. Não julga. Apenas escreve no chão.“Quem de entre vós estiver sem pecado, atire a primeira pedra”. Com esta resposta, com que ninguém contava, Jesus lembra claramente que o exemplo deve começar por cima e que os defensores da Lei devem ser os primeiros a praticá-la. “E foram-se todos embora, a começar pelos mais velhos”.“Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou? Ninguém, Senhor”. “Nem Eu te condeno”.Sem repreensões, ameaças ou castigos, Jesus manda a mulher em paz, como que a dizer aos que só sabem julgar e condenar, sempre com pedras escondidas no bolso ou na mão para atirar, que estão a mais e não podem ser Seus discípulos. P. Fausto in Diálogo n.º1774 (V Domingo da Quaresma – Ano...
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