Até agora são frequentes os banhos de multidão que Jesus aproveita para proclamar a Boa Nova. Trata -se, certamente, de pessoas simples, de mãos calejadas e de rosto queimado pelo sol intenso das jornas. Pessoas com vida dura e sofredora, sem grandes projectos nem futuro.
É a esta gente, que se comprime para O ouvir, que Jesus abre o coração e revela o sonho de um mundo feito de bondade, de sinceridade, de paz, de justiça. Um mundo em tudo diferente de sermos homens.
Para uns será mero exercício de utopia, para outros apenas fruto de ingenuidade, mas para os cristãos continua pleno de actualidade.
Quem Deus ama é a pessoa, cada pessoa, e não a pobreza, o sofrimento e as lágrimas, que nos tornam a vida em calvário, mas Jesus, ao declarar felizes os que, apesar da sua penúria e sofrimentos, não dão espaço à inveja e ambição, pôem a sua confiança em Deus e esperam dEle a força para continuarem a lutar, propõe o ideal evangélico como único caminho de felicidade.
Nada disto é fácil, mas é possivel e continua actual. Que o diga Francisco de Assis, que o digam tantos e tantas que ao longo da história da Igreja não se cansam de dizer que correm sérios riscos de insatisfação e frustração, os projectos de vida, sob aparência de felicidade, ancorados no dinheiro, no poder ou na violência.
P. Fausto
in Diálogo nº. 1767 (Domingo VI do Tempo Comum – Ano C)
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