No Domingo passado Jesus disse que amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos resumia toda a Lei e os profetas.Esta semana, diante de uma grande multidão, não se poupa em palavras para dizer que é preciso ter cautela com as pessoas, como os fariseus e os escribas, que “atam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos homens, mas eles nem com o dedo os querem mover”, porque “tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens”.Pelos vistos, Jesus não suporta mesmo os hipócritas. São moralistas, inclinados à critica, severos com os outros, e sempre escondidos numa aparência de virtude, que não passa de máscara para justificar o seu poder e influência. São verdadeiros atores e homens de teatro de quem Jesus diz “não imiteis as suas obras, porque eles dizem e não fazem”. E há também outro grupo de pessoas de quem se recomenda muita cautela, a saber, os que se julgam sempre mais que os outros e que julgam ter sempre razão.O alerta de Jesus aos discípulos e a todos nós, para não nos deixarmos tratar por “Mestres”, nem “Doutores”, ajuda-nos a ter sempre presente a regra de oiro, que já tem mais de dois mil anos, “Aquele que for o maior entre vós será o vosso servo”. P. Fausto in Diálogo n.º1841 (Domingo XXXI do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreDeus não é ciumento. E amá-Lo sem medida, isto é, sobre todas as coisas e com todas as forças, não rouba o lugar ao marido, à esposa, aos filhos, aos pais, aos amigos, não distrai dos deveres e do cumprimento das nossas obrigações. Deus não rouba nada. É tudo uma questão de amor.À pergunta dos fariseus sobre qual o maior mandamento, Jesus responde que amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos é tudo o que Deus quer, porque, para Jesus, o próximo tem rosto, voz e coração semelhantes a Deus…Tudo o que Deus ensinou na Lei e recordou por meio dos profetas se reduz a este mandamento, que, apesar de bem sabido de cor, na realidade da nossa vida quotidiana, sentimos que Deus não ocupa tantas e tantas vezes o primeiro lugar no coração, que o nosso entendimento e a nossa memória estão absorvidos por pessoas e coisas a quem prestamos, mais ou menos explicitamente, culto, e amamos como se fossem Deus. Procedendo assim, vamos esquecendo que “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos” é o pleno cumprimento da Lei e o núcleo do nosso ADN cristão. P. Fausto in Diálogo n.º1840 (Domingo XXXD do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreJesus, que no contexto imediato respondia a uma pergunta insidiosa dos seus adversários, recorda-nos que, assim como temos deveres no campo religioso, também os temos no âmbito da sociedade civil.Este Evangelho devia levar-nos a reflectir sobre o modo como cumprimos os nossos deveres de cidadãos: o interesse pelas instituições públicas, o cumprimento esclarecido do direito e dever de votar, a participação nos acontecimentos que dizem respeito à comunidade, a atenção às causas da saúde, da educação… sem fugir aos impostos. Com efeito, para se ser cristão consciente e responsável não basta ser-se baptizado e bom cidadão, mas, não sendo bom cidadão, também não se é bom cristão.A resposta de Jesus aos herodianos e aos fariseus, partidos politicamente opostos mas unidos na artimanha da questão, é a chave de leitura para o projecto de vida em que a primazia de Deus supõe e exige o cumprimento das nossas obrigações cívicas. Só assim o mundo se torna melhor porque mais solidário, próspero e pacífico. P. Fausto in Diálogo n.º1839 (Domingo XXIX do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreJesus continua a contar histórias dirigidas especialmente aos importantes e sábios, para entenderem, uma vez por todas, a mensagem alegre e feliz de que era portador.Assim, compara o Reino dos Céus, isto é, o sonho de Deus para a humanidade, a uma festa de anos que um rei prepara cuidadosamente para o seu filho, com um convite especial aos amigos, que, no próprio dia, declinam o convite, pelos seus múltiplos afazeres. Tudo está pronto. O ar é de festa, mas a sala mantém-se vazia, triste e fria. O rei, porém, não desiste, porque a sua alegria é ter uma mesa farta e cheia a abarrotar…Ide pelos caminhos e convidai todos os que encontrardes, insiste com os servos, independentemente da condição social, religiosa, cultural ou financeira. E o salão encheu-se de festa. De todos menos um, que, a um canto, procurava ocultar a sua presença, por não se apresentar com vestes apropriadas.Todos somos convidados para a Festa, não em virtude dos méritos e pergaminhos, desde que se leve roupa a condizer. Pode ser usada e remendada, mas sempre cheirosa e lavadinha, porque no festim não têm só lugar os santos, mas também os pecadores arrependidos e perdoados. P. Fausto in Diálogo n.º1838 (Domingo XXVIII do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreJesus continua a mostrar a fidelidade, o amor e a misericórdia de Deus através de histórias, que hoje conta aos líderes e sábios mais importantes do povo.Apesar dos direitos que tinha, o proprietário da vinha, bem tratada e a seu tempo arrendada a uns rendeiros, que, na hora das colheitas nem o seu filho respeitaram, recusou a vingança capital e exemplar, aplicada sem dó nem piedade aos incumpridores malvados, como defendiam os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo. Só assim se cumpria a justiça, pensavam, e se resolviam os problemas pela raiz.Não é essa, porém, a conclusão que Jesus quer que tiremos, porque não é assim que Deus age connosco, apesar das vezes em que o nosso projecto de vida não corresponde aos sonhos de Deus.Deus não se rende, apesar das nossas resistências e fracassos, nem desiste de sonhar para nós um mundo sem gritos de oprimidos e sangue derramado, um mundo, qual vinha bem tratada, e a nós confiada, para dar frutos não amargos mas saborosos como a paz, a justiça, a liberdade… e a misericórdia. P. Fausto in Diálogo n.º1837 (Domingo XXVII do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreHá muito que Jesus conta histórias relacionadas com a vida do campo, deixando aos ouvintes a liberdade de tirar conclusões. Desta vez fala-nos do comportamento de dois filhos convidados pelo pai para o trabalho da vinha. Um disse logo que não, mas reflectiu, arrependeu-se, e foi, o outro, ao contrário, disse que sim, mas não foi.O primeiro, na sua rebeldia, cumpriu. O segundo, servilmente, preferiu refugiar-se na obediência aparente.No princípio de mais um ano pastoral, com os desafios habituais, acrescidos este ano com mais alguns, somos todos convidados para a vinha, que, sendo de Deus, é também nossa. Não faremos todos o mesmo, mas o que Deus pede a cada um é que faça o seu melhor ao serviço da comunidade.Deus não é um patrão. Ninguém perde com Ele. Deus é o Pai que nos convida para a vinha, sabendo fazer, no final, as contas, conforme a generosidade e o amor da resposta de cada um. P. Fausto in Diálogo nº.1836 (Domingo XXVI do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreO cap. XIII de S. Mateus continua a surpreender-nos com parábolas relacionadas com o Reino dos Céus. Os personagens centrais de hoje são um camponês e um comerciante. Ambos descobriram algo que lhes mudou a vida. Aquele, num campo que não era seu, achou um grande tesouro e este, freguês habitual de feiras e casas de antiguidades, uma pérola muito rara.A alegria foi enorme e ambos venderam tudo para adquirir tão valioso achado. Tudo mesmo, sem se sentirem defraudados ou empobrecidos pelo que venderam, face à riqueza que adquiriram. Venderam tudo, é verdade, mas para ganhar mais. Deixaram tudo para encontrar tudo o que lhes deu alegria, energia e fôlego para o futuro… Em suma, fizeram o melhor dos negócios.Assim são os cristãos, que, podendo não ser melhores que os outros, são mais ricos. Têm razões de sobra para serem sonhadores e lutadores. Quando se descobre que Deus é o Tesouro, e não um dever, estorvo ou açaime, abundam a alegria e a liberdade… a vida ganha sentido, unidade e valor. Sentimo-nos realizados. P. Fausto in Diálogo n.º1835 (Domingo XVII do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreO cap. XIII de S. Mateus continua a surpreender-nos com as Catequeses de Jesus, à beira mar, rodeado por grande número de pessoas. Como no domingo passado, também o assunto é relativo à vida do campo.Desta feita, o lavrador prepara a terra e esmera-se na sementeira, com expectativas de boa colheita, mas, apesar dos cuidados, aparecem no meio do trigo, larica, papoilas e outras ervas não semeadas.E agora, que fazer? Os servos propõem-se arrancar as ervas daninhas e o lavrador não aprova e recomenda calma, “porque correríeis o risco de arrancar também o trigo”.Dois modos de ser e proceder: Os servos vêem, antes de mais, as ervas daninhas e o lavrador vê em primeiro lugar o trigo.Para os de coração áspero, intolerante e farisaico, face aos defeitos e asneiras…, a atitude é “cortar o mal pela raiz”; para Deus, pelo contrário, a não violência, pacientemente assumida, é a atitude recomendada para se fazer caminho e superar fragilidades. Até à colheita.A vida não é linha recta, sem curvas e sempre a subir e tem escolhos, zonas cinzentas e até escuras. Tem de tudo. Não há homens sem joio, sem defeitos, mas são justos aqueles que se esforçam por cobrir o mal com o bem que fazem, mesmo pecando “sete vezes ao dia”. P. Fausto in Diálogo nº. 1834 (Domingo XVI do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreEm maré de ceifas, o Evangelho de hoje fala-nos de um lavrador que não se cansa de semear generosamente.Criados à imagem e semelhança de Deus, cada um de nós é esse torrão de terra boa apta para dar vida à sementeira que amorosamente Deus vem fazendo em nós, desde o princípio. A nossa história, porém, diz-nos que as pedras e os seixos, o mato e as silvas que tantas vezes deixamos crescer, tornam a nossa existência um caminho de terra batida e inculta, onde a semente, ainda que de boa qualidade, não enraiza, não cresce, não floresce e não frutifica.O calendário de vida a que nos obrigamos não contempla paragens, tira-nos tantas vezes tempo para escutar o silêncio, para escutar Deus e os outros, e torna-nos terreno seco, pedregoso e pouco profundo, incapaz de reter a humidade indispensável à fecundidade.O Evangelho alerta-nos e merece da nossa parte maior atenção e fidelidade, se queremos ser felizes. Apesar de tudo, Deus não se cansa de semear, mesmo que estejamos em férias. P. Fausto in Diálogo nº, 1866 (Domingo XV do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreDepois dos desafios aos apóstolos, condensados no capítulo 10 de S. Mateus, que poderão ter provocado também em nós algum desconforto, somos por Jesus brindados, neste domingo, com um apelo suave: “Vinde a mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei”. Sem obrigações nem proibições. Apenas a certeza consoladora de paz.Sem cobrar nem exigir contrapartidas, Jesus propõe alívio e paz para a vida tão stressada e sofrida como a nossa, bastando, para isso, responder ao convite dirigido a todos, independentemente da idade, profissão e estatuto: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas”, isto é, aprendei o meu modo de viver e de amar, para servir e sorrir… Sem arrogância nem violência.Há tanta gente que se diz católica a buscar desesperadamente a paz e o equilíbrio interior no ginásio, no espiritismo, na bruxaria e em tantas outras propostas de cariz religioso, e até caminhos desviantes, quando temos tão perto Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, que nos faz crescer harmoniosamente por dentro, com naturalidade e verdade, bastando sermos Seus discípulos em formação permanente. P. Fausto in Diálogo nº. 1832 (Domingo XIV do Tempo Comum – Ano...
Learn More
Comentários recentes