A procissão dos Ramos e a liturgia da Palavra fazem deste domingo um dia muito especial. E chamamos-lhe Domingo de Ramos e da Paixão. Dois momentos aparentemente desencontrados e contraditórios do Mistério Pascal, que tornam esta semana verdadeiramente única e santa, central na história e na fé. Por um lado, a procissão dos Ramos, com palmas e hossanas, a comemorar a entrada triunfal de Jesus, em Jerusalém, por outro, a liturgia da Palavra, que nos introduz explicitamente no mistério da Paixão do Senhor, que havemos de celebrar pormenorizadamente nestes dias. Semana surpreendente em que os mesmos que vitoriam Jesus neste domingo exigem, dias mais tarde, a Sua crucificação e morte. Semana de traições e de ódio, desespero e lágrimas, de gritos e silêncios, de contemplação amorosa, gratidão sincera e de adoração. É a última semana da vida terrena de Jesus, que somos convidados a seguir atentamente, dia a dia. É a Semana Maior. Vamos vivê-la e celebrá-la dignamente. P. Fausto in diálogo 1558 (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor – Ano A)...
Learn MoreEstamos a duas semanas da Páscoa e a Liturgia começa a introduzir-nos na contemplação e vivência da Paixão e Ressurreição de Jesus Cristo. Que Deus não é de mortos mas de animados e ressuscitados, diz-nos claramente o Profeta Ezequiel, ao falar-nos da ressurreição de Israel, que, deportado em Babilónia, vive uma profunda experiência de depressão, desalento e falta de perspectivas, qual “corpo morto e ossos ressequidos”. A este desalento, sem futuro nem esperança, responde Deus, pelo Profeta: “Vou abrir os vossos túmulos, deles vos farei ressuscitar, ó meu povo… Eu, o Senhor, digo e faço”. Palavras para ontem, confirmadas por Jesus no Evangelho da ressurreição de Lázaro, são para hoje e sempre, porque Deus é o mesmo e nem o tempo e os nossos pecados fazem esmorecer o Seu amor por nós. “Lázaro, sai para fora!… Desligai-o e deixai-o ir”. Só Jesus Cristo nos garante, desde já, a ressurreição de vida sem sentido e fútil, porque nos quer desamarrados e livres de túmulos cheios de ilusões mas vazios de Esperança e de Alegria. P. Fausto in diálogo 1557 (V Domingo da Quaresma – Ano A)...
Learn MoreO tema dominante da Liturgia da Palavra, neste domingo, é o Evangelho do cego de nascença, a quem Jesus restitui a vista num sábado e se torna, assim, o símbolo do homem, que no Baptismo é iluminado pela graça de Deus, transmitida por Cristo, a verdadeira Luz do mundo. Diante do miraculado, os fariseus revelam-se, mais uma vez, intransigentes na defesa e cumprimento escrupuloso da Lei, incapazes de reconhecerem e compreenderem a alegria de quem se sente definitivamente desamarrado, iluminado e feliz. Para os fariseus a glória de Deus está na observância da Lei sabática, mas Jesus Cristo, neste Evangelho, faz-nos acreditar que “a Glória de Deus é o Homem Vivo”, isto é, iluminado, perdoado, livre e feliz, imerso no Amor misericordioso de Deus. É neste contexto que vivemos a alegria deste quarto Domingo da Quaresma em que somos convidados, porque Jerusalém é a imagem da Igreja que somos todos, a cantar, logo no princípio da Missa: “Alegra-te, Jerusalém,… rejubilai… Exultai de alegria…” Que outros motivos precisamos, para vivermos em “jubilosa esperança”, além da certeza de sabermos que Deus está sempre do nossa lado, interessa-se por nós e nos quer verdadeiramente felizes? P. Fausto in diálogo 1556 (IV Domingo da Quaresma – Ano...
Learn MoreNa terceira semana da Quaresma, o tema central da Palavra de Deus é a água e, desde muito cedo, aproveitado para intensificar o programa de preparação para o Baptismo, a realizar na Vigília Pascal. Apesar de este ano não termos previstos Baptismos, este continua a ser o “tempo favorável “para prepararmos a renovação na Vigília Pascal, ainda com mais vigor e consciência, das promessas baptismais, que os nossos pais e padrinhos fizeram por nós. A primeira leitura, do Livro do Êxodo, lembra como Moisés, no deserto, fez brotar água do rochedo para saciar o povo. O deserto, o calor, as doenças, o cansaço da caminhada… tornam mais aguda a sede dos israelitas, a ponto de se revoltarem contra Moisés! Na nossa vida também há desertos, cansaços, desilusões e frustrações… Só Cristo nos pode dessedentar e fá-lo comunicando a Sua própria vida nos sacramentos. Recebemos o Baptismo, participamos na Eucaristia, “vamos à Confissão”, celebramos sacramentos… Será que são apenas rituais que repetimos rotineiramente ou encontros pessoais com Cristo, a verdadeira Fonte da Vida que nos sacia e transfigura? A palavra que Jesus dirigiu à Samaritana é também para nós: “se compreendesses o dom de Deus…!” P. Fausto in diálogo 1555 (III Domingo da Quaresma – Ano A)...
Learn MoreQuem mais luminoso que Jesus, que, hoje, no alto do monte, deixa transparecer a Pedro, João e Tiago, a glória da Sua divindade e os comove, absorve, assombra e extasia? É verdade que o Evangelho da Transfiguração é a marca deste segundo domingo da Quaresma, mas ao longo da história da salvação deparamo-nos com pessoas de cuja vida e exemplo irradia uma luz que os séculos não escurecem. Refiro-me a Abraão, a quem Deus convida a deixar a sua terra, o conforto e a sua segurança, e a dirigir-se para o desconhecido. As promessas são grandes, mas o presente imediato é uma incógnita. Para Abraão a única realidade que conta é a Palavra do Senhor, e, apenas fiado nela, põe-se a caminho. Modelo de Fé, Modelo do crente! Não deixemos de ter presente, no caminho de transfiguração que deve ser toda a nossa vida, Abraão, que não mede os planos de Deus, que não faz contas com Ele, nem pede explicações… Que Abraão inspire a nossa caminhada quaresmal de modo que, mais luminosos no olhar, nas palavras, gestos e pensamentos, no coração e no rosto, iluminemos de Jesus Cristo os nossos ambientes. P. Fausto in diálogo 1554 (II Domingo da Quaresma – Ano...
Learn MoreDepois da elevada fasquia que Jesus nos apresentou no último domingo, a mensagem deste anda à volta do Amor que Deus nos tem, inquebrantável e exclusivo. São apenas dois os versículos do profeta Isaías que compõem a primeira leitura, mas são densos e claros na afirmação solene de que Deus, nosso Pai, nos ama, para além de quanto se possa imaginar. Não se esquece de nós, não nos abandona, não se cansa de nos amar: “Poderá a mulher esquecer a criança que amamenta…? Mas ainda que ela se esquecesse, Eu não te esquecerei”. No Evangelho, em linguagem bela e poética, atual e oportuna, Jesus diz-nos que à medida que Deus for dispensado, a vida torna-se uma corrida aos saldos e o coração enche-se de ilusões, medos e frustrações. Jesus não recomenda a preguiça nem desvaloriza o trabalho do homem. Apenas nos quer dizer que, se tudo é de Deus e está nas Suas mãos, o que importa primeiro é procurar o Seu Reino e a Sua Vontade, sem dramatismos nem ansiedades. Livres e sempre confiantes. Só assim somos felizes. P. Fausto in diálogo 1552 (VIII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn More“Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar”, disse-nos Jesus, no domingo passado, não sem deixar um aviso sério: “Se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos Céus”. Fica claro que Jesus não se revê no comportamento de quantos pautam a sua relação com os outros na Lei do “olho por olho e dente por dente”, ou mesmo dos que se preocupam no mero cumprimento exterior da Lei de Moisés e vai mais longe, põe mesmo a fasquia no máximo: “Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”. Doravante, expurgada dos abusos e interpretações farisaicas, a nova Lei, última e perfeita, é a da Caridade. Sem limites de espaço, cultura, raça ou religião. Para Jesus não há inimigos e afastados, mas todos irmãos e próximos. Amar, orar, oferecer, bendizer, emprestar, fazer bem…, são verbos de cuja conjugação depende um projecto de vida belo, rico e feliz, como deve ser o dos cristãos. Apesar de a fasquia estar imensamente alta, não devemos desistir de a manter elevada, porque a perfeição a que Jesus nos desafia não é meta que se atinge, mas ideal que não se esquece. P. Fausto in diálogo 1551 (VII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreNo domingo passado a luz era o tema central da Palavra de Deus e neste parece ser a liberdade. O Deus em quem acreditamos, apesar de omnipotente, não é prepotente, não impõe a Sua vontade mas faz-nos propostas de vida, de vida em abundância. Não somos forçados a seguir os Mandamentos da Lei de Deus, mas, visto que amamos Deus nosso Pai, e sabemos que a obediência à Sua Lei é o caminho da vida, guardamos os Mandamentos e, ao fazê-lo, damos a melhor prova do bom uso da nossa liberdade. Se no Antigo Testamento o importante era o cumprimento material da Lei, no Novo o que glorifica Deus e nos dignifica é fazermos da obediência legal uma verdadeira relação de amor. É aqui que Jesus, ao retomar o tema da Lei de Deus, abre a porta para a novidade radiosa e surpreendente do cumprimento da Lei com amor e por amor. Com Jesus importa descobrir o espírito para além da letra. Cumprir bastava aos fariseus e doutores da lei, mas cumprir com amor e por amor é dos discípulos de Jesus. Com sinceridade e verdade. A escolha é livre, com resultados diferentes. A decisão é nossa. P. Fausto in diálogo 1550 (VI Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreA Liturgia da Palavra deste domingo anda à volta de um tema muito sugestivo – a luz. Desde a primeira leitura ao Evangelho, parece que o Senhor nos quer dizer que somos, por natureza, luz que deve brilhar no mundo, para ajudar os homens na sua caminhada. Outra não pode ser a nossa missão. Mais que palavras, os cristãos são chamados, pela vivência das “Obras de Misericórdia”, a ser no mundo, luz de Deus. “Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo.” Estas palavras vindas de Jesus, sendo o reconhecimento claro da nossa dignidade de criaturas e da graça de Filhos muito amados, não deixam de ser para nós também uma grande responsabilidade. Está nas nossas mãos ser luz do mundo e sal da terra e, se não formos, para nada prestamos senão para ser lançados fora e pisados…, porque perdemos a oportunidade e a graça de tornarmos luminosa, bela e sadia, a nossa existência. “Vós sois a luz do mundo”. Se não formos, frustramos os planos de Deus a nosso respeito e hipotecamos a realização do nosso mais profundo anseio de sermos plenamente felizes. P. Fausto in diálogo 1549 (V Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreAinda há pouco começou a vida pública e, sem perder tempo, Jesus expõe em síntese o que parecem propostas de felicidade, verdadeiro travejamento de suporte a um estilo de vida que realiza o Reino de Deus. Num mundo em que cresce o isolamento e se erguem muros, se exaltam nacionalismos e se torpedeiam direitos, em que se asfixia a liberdade e idolatra o poder financeiro…, vale a pena ser pobre, manso, puro, pacífico, misericordioso, respeitador da dignidade humana, numa palavra, vale a pena pautar a vida pelas Bem-Aventuranças? Sim! Embora as Bem-Aventuranças sejam para todos, mais que nunca, os cristãos devem ser os primeiros a assumi-las como programa de vida, se querem efectivamente contribuir para que o mundo – aqui e agora – seja mais justo, fraterno e pacífico e também mais divino. As leis que fazem o mundo “crescer”, segundo o projecto de Deus, não serão nunca as do mais forte, ou do mais rico, mas as que defendem a vida e promovem a liberdade, a justiça e a paz, e não há caminho mais seguro e credível que as Bem-Aventuranças para o realizar. P. Fausto in diálogo 1548 (IV Domingo do Tempo Comum – Ano...
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