“E o Verbo fez-se carne”…

  Foi graças ao sim humilde, confiante e corajoso de Maria, que Deus se tornou um de nós. E nada ficou como dantes. Pela primeira vez, Deus fez depender a realização da Sua vontade de um sim humano e nunca criatura alguma respondeu com tanta prontidão e generosidade aos desígnios insondáveis de Deus: “Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”. E completado o tempo, “Maria deu à luz o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura”. Era o único lugar disponível! Convidados pelos anjos, vão os pastores a Belém, contemplam o Menino, adoram Deus e agradecem o sim generoso daquela jovem mãe, que, de olhos surpreendentemente lindos, fixam, absortos, com os de José, seu esposo, o mistério de Deus, a ambos confiado. Fazia muito frio e nada havia de conforto naquele refúgio de pedra, mas respirava-se uma paz dulcíssima e uma intensa luz rasgava as trevas daquela noite original. Ao longe, ouviam-se vozes, que pareciam vindas do céu, a convidar todos à festa, porque, discreta e finalmente, Deus se fizera homem e a Paz descera à terra. P. Fausto in diálogo 1589 (IV Domingo do Advento – Ano...

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“Vivei sempre alegres”!

  No meio do Advento, praticamente a uma semana do Natal, a Liturgia convida-nos, ainda com mais insistência, a prepararmos com alegria a festa que se aproxima. Outra não é a conclusão, a partir das expressões com que começa a antífona da entrada da Missa: “Alegrai-vos… Exultai de alegria”. A razão da nossa alegria não vem do estímulo das luzes das praças e montras, por mais vistosas e convidativas que sejam, e se olharmos à nossa volta ou nos centrarmos nos noticiários, poucos sinais vemos da utopia do profeta Isaías e poucas razões temos para dar rosto à alegria a que nos convida S. Paulo. A razão verdadeira da nossa alegria vem da certeza de que Jesus, que já veio, continua a fazer história connosco e jamais se há -de afastar de nós. É essa alegria, fruto do Espírito Santo, que importa testemunhar, porque é o segredo da nossa esperança e o alento dos nossos dias, mesmo dos mais cinzentos. P. Fausto in diálogo 1588 (III Domingo do Advento – Ano...

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Voz de aviso !

Já há muito que não ouvíamos falar de João Batista. Vigoroso na palavra, acutilante na denúncia, austero no trage e sóbrio no alimento, eis o homem de quem se fala neste belo e generoso tempo do Advento. Pouco dado aos holofotes, não deixa de ocupar um lugar de relevo na liturgia deste tempo. Dele, mais tarde, Jesus dirá: “Quem fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Um homem luxuosamente vestido? Fostes ver alguém que é mais que profeta…” Guiados por estas palavras de Cristo, procuramos compreender o testemunho de João, que vivia no dia a dia o que dizia a todos: “Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu…” Ele próprio e o seu estilo de vida se tornam verdadeira e eficaz mensagem para todos os que desejam preparar o Natal. Não precisamos de ir para o deserto, nem de chegar a tanta austeridade, mas temos de cultivar o espírito de desapego de muitas coisas que nos podem criar sérias dificuldades para vivermos, de facto, o Natal. P. Fausto in diálogo 1587 (II Domingo do Advento – Ano B)...

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Recomeçar…

Com este domingo, começa o ano litúrgico. Como a vida humana está marcada por ritmos, naturais ou convencionais, que escalonam o desenrolar do tempo e a nossa existência, também a nossa vivência religiosa e a expressão da fé têm ritmos e tempos, que se organizam em cada ano à volta do Mistério Pascal de Jesus. E tudo recomeça com o Advento a desafiar-nos à preparação para o Natal, mas a lembrar-nos também que o Messias, esperado durante tantos séculos, há-de vir em plenitude e majestade, no fim dos tempos. É esta vinda, gloriosa e definitiva, que importa aguardar e preparar com cuidado, vivendo cada tempo… atentos e vigilantes. Não estranhemos, pois, no Evangelho da Missa de hoje, a ordem do Senhor: “Acautelai-vos e estai alerta”! São expressões nossas conhecidas e plenas de actualidade. Quem vigia, vive em atitude permanente de atenção ao cumprimento dos seus deveres, não anda distraído, sonolento ou entretido com coisas que nos amarram e desviam do essencial, como nos tem dito Jesus, em parábolas, nas últimas semanas. Este tempo que começamos é belo e generoso. Vamos vivê-lo individualmente, em família e em Paróquia, à volta do Presépio, que vamos construindo em casa e na Igreja, mas especialmente atentos aos mais necessitados. P. Fausto in Diálogo 1586 (I Domingo do Advento – Ano...

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E depois ?

    Chegámos ao último domingo do ano litúrgico, sempre com a solenidade de Cristo Rei do Universo a lembrar-nos que, para além desta etapa terrena, se abrem as portas dum Reino, que Jesus veio implantar e para o qual nos convida definitivamente : “Vinde tomar parte do reino que vos está preparado…” Vislumbramos, antevemos, mas ainda não o gozamos plenamente. O que dele sabemos, porém, é que se trata de algo que nos torna já muito felizes, porque “não haverá mais morte, nem lágrimas, nem luto… não haverá ninguém infeliz”… Mas, atenção: só há um caminho para lá chegar e a credencial de entrada é apenas a do capítulo 25 do Evangelho de S. Mateus: “Tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, não tinha roupa e me vestistes…” Seremos, então, julgados pela maneira como amámos ou como abandonámos o próximo. Os que amaram… pertencem ao Reino. Os que se fecharam em si mesmos e desconheceram os outros, serão excluídos. E nem lhes vale como defesa não terem feito nada de mal, porque simplesmente nada fizeram de bem. Com a solenidade de Cristo Rei do Universo termina o ano litúrgico e a Sua Vinda gloriosa abre-nos as portas para a plenitude da Comunhão com Deus e com todos os que, no lado de cá, souberam traduzir em actos concretos o mandamento novo do Amor. P. Fausto in Diálogo 1585 (Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo – Ano...

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Só um talento ?

  “Estai preparados”, dizia Jesus no domingo passado, “porque o Senhor virá,” responde-nos hoje. Na verdade, os textos da Missa, sobretudo a Carta aos Tessalonicenses e o Evangelho, falam-nos da manifestação de Cristo no fim dos tempos e procuram fomentar em nós sentimentos de expectativa, vigilância e fidelidade, vivendo o dia-a-dia ao jeito da dona de casa, que sabe valorizar os seus gestos e ocupações comuns. Sabendo que o Senhor “há-de vir, em sua glória”…, ousaremos viver atentos à rotina que banaliza cada momento, no que tem de original, único e irrepetível. No Evangelho ouvimos a parábola dos talentos. Segundo os dados da parábola, Deus não exige impossíveis, apenas espera que tenhamos feito render a nossa vida, em proporção com os dons que recebemos. Não vale, pois, a preguiça ou o medo, sob o pretexto de prudência, para quem não soube apreciar quanto recebera e não agiu como pessoa responsável. Alegra-me saber que Deus não faz contas de somar ou subtrair, não faz investimentos calculados e sem risco, mas liberta-nos do medo que bloqueia, inclusive do medo de errar… Este é o Deus, revelado por Jesus Cristo, que não nos pede que salvemos o mundo, mas que contribuamos com o nosso talento, mesmo que seja apenas um, para que o mundo seja mais fraterno, justo e feliz. Desta responsabilidade ninguém se pode dispensar. P. Fausto in Diálogo 1584 (XXXIII Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Enquanto é tempo !

  Aproximamo-nos a passos largos do fim do ano litúrgico e a liturgia deste domingo, especialmente o Evangelho, exorta-nos a viver como quem está à espera de alguém muito importante. A parábola que Jesus conta hoje é a das jovens convidadas para uma festa nupcial.Ninguém se poupou a cuidados e despesas para se apresentar a preceito. Umas, porém, são ajuizadas e prudentes, outras descuidadas, mas todas deslumbrantes. O esposo, propositadamente, no cartão de convite diz tudo, menos a hora do começo da festa. As prudentes repararam no pormenor, mas houve quem negligentemente, nem se desse a tal trabalho. A lição que Jesus quer que tiremos deste texto é muito simples: ninguém tem duas vidas e é preciso valorizar cada momento. Não podemos imitar o desleixo das virgens descuidadas, que se deixaram dormir, e não tinham azeite para as candeias. O mal não está em adormecer, mas em não se prestar atenção aos deveres pessoais e às responsabilidades do estado de vida. Encontrar-se com a candeia apagada é o mesmo que apresentar-se diante de Deus, de mãos vazias. Então, enquanto temos tempo, valorizemos o tempo, e nada melhor que viver cada tempo com “o coração em Deus e mãos no trabalho”. Porque cada momento é único e irrepetível. P. Fausto in diálogo 1583 (XXXII  Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Aparências!

  Cuidado, muito cuidado, parece dizer Jesus na Sua catequese semanal à multidão e aos discípulos, àcerca do comportamento dos fariseus e dos escribas. E o caso não é para menos, pois, “atam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos homens, mas nem com o dedo os querem mover”, e Jesus continua: “tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens”. Comportamentos destes, que não são apenas de ontem, mas também de hoje, justificam da nossa parte cuidados e cautelas, conforme diz Jesus: “Fazei e observai tudo quanto vos disserem, mas não imiteis as suas obras, porque eles dizem e não fazem”. Os que verdadeiramente indispõem Jesus não são os pecadores, mas os hipócritas. Estes são perigosos, porque não são o que parecem. Exímios na arte de representar, não vivem o que ensinam. Não são autênticos. Cultivam uma máscara e trabalham para a fotografia… Jesus não pode mesmo nada com estes! Para os pecadores, ao contrário, há sempre uma palavra de consolação, de esperança e misericórdia. “Ao banquete de manjares suculentos” todos são convidados, mas os hipócritas não entram, ficam de fora, porque o banquete não é baile de máscaras. P. Fausto in Diálogo 1582 (XXXI Domingo do Tempo Comum – -Ano...

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Dois em Um !

  A liturgia da Palavra deste domingo está resumida na breve passagem do Evangelho, onde Jesus, em resposta a uma questão embaraçosa, colocada por um doutor da lei, declara solenemente O Primado do Amor: “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito… Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Tudo vai e vem dar aqui.Tudo o que Deus ensinou na Lei e recordou por meio dos profetas se reduz a estes dois mandamentos. Tudo o que Jesus realiza e diz nas Suas catequeses tem este centro. E nós? Nós temos bem decorada esta síntese, mas na realidade da nossa vida, sentimos que Deus não tem sempre o primeiro lugar no coração, que a nossa atenção anda centrada em pessoas e coisas e que há deuses a quem prestamos culto… Jesus diz-nos que Deus não vem roubar nada, não disputa o lugar a ninguém e a ninguém dispensa do cumprimento das suas obrigações. Tudo na vida é uma questão de amor, cabendo-nos, apenas, procurar dar ao Senhor o lugar que Lhe compete no nosso dia-a-dia, nos planos e nas decisões, e deixarmos que seja o coração a guiar-nos. P. Fausto in Diálogo 1581 (XXX Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Deus e César !

  Jesus continua a ter muitos ouvintes, mas já lá vai o tempo em que era notório o entusiasmo pelo seu belo e profundo discurso. O ambiente, agora, já é de tensão. Como não anda, porém, ao sabor de sondagens, nem pretende cativar o voto dos ouvintes, Jesus não se refugia em respostas vagas e de circunstância, mesmo nas questões ardilosamente colocadas pelos fariseus: “É lícito ou não pagar tributo a César?” – A questão é tudo, menos inocente! “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, responde Jesus, com equilíbrio e sabedoria de Mestre. Com esta resposta ninguém contava. Mas não é de política que se trata, mas tão só, pela leitura de uma das faces da moeda imperial, ocasião para lembrar os circunstantes do cumprimento dos deveres cívicos – “dai a César o que é de César”, não deixando de proclamar o primado de Deus sobre as coisas e pessoas, mesmo dos imperadores. Somente a Ele cabe a centralidade do coração e da vida dos homens. Deus e César não se excluem, porque assim como temos deveres no campo religioso, também os temos no âmbito da sociedade civil, e destes, como daqueles, não nos devemos dispensar. Este Evangelho deve levar os cristãos, mais uma vez, a reflectirem sobre o modo como cumprem os seus deveres de cidadãos, porque, se é verdade que para ser cristão não basta ser um bom cidadão, também não é cristão quem não for bom cidadão. Não se trata de fazer política, mas de traduzir a máxima que Jesus deixou; “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. P. Fausto in Diálogo 1580 (XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano...

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