Um breve olhar por este nosso mundo faz-nos concluir que o Evangelho deste domingo continua hoje a realizar-se. O cenário, porém, é bem mais dramático.Que dizer às pessoas massacradas em Gaza, Ucrânia, Síria e em tantas outras regiões? Será que merecem castigo?Será que Deus tomou o partido dos mais fortes e, definitivamente, desistiu da humanidade, deixando o cuidado do mundo a meia dúzia de lunáticos e poderosos?Nada mais errado. Deus não desistiu de nós, nem deixou os destinos da humanidade sujeitos aos caprichos e poder de alguns.Apesar da dificuldade em aceitarmos a bondade de um Deus criador perante a existência de tanto mal, apesar dos gritos e desespero das vítimas de todas as formas de violência, apesar de todos os apesares…, Jesus diz-nos que não é Deus o responsável pela desordem e pela violência, que parece dominarem o mundo, mas o homem, apenas o homem.Ao desvalorizar a vida e a dignidade da pessoa humana, ao esquecer o princípio de todos os princípios, que é o Mandamento Novo do Amor, o homem não resiste à tentação de se tornar senhor, juíz e dono do mundo, jogando, conforme os seus interesses e bel prazer, o poder que o dinheiro e as armas lhe conferem. Para estes não há palavra, não há regras, não há justiça, não há humanidade… não há Deus. P. Fausto in Diálogo nº. 1906 (Domingo III da Quarema – Ano...
Learn MoreA Transfiguração é a Festa do rosto belo de Jesus, que leva Pedro a dizer “Mestre, como é bom estarmos aqui ! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias”.Era tal a beleza do rosto transfigurado de Jesus e dos acompanhantes que, para Pedro, nada mais importava, como que a dizer: é bom e belo estarmos aqui, porque num outro qualquer lugar estamos sempre de fugida e apressados, e aqui, no alto deste monte, podemos descansar. De facto, junto de pessoas luminosas, nem damos conta do tempo a passar, tão absortos nos torna a sua presença.O nosso processo de transfiguração, porém, não é como o de Jesus, não é fácil, não é sempre linear e progressivo, tem altos e baixos, avanços e recuos, mas é possível. O Evangelho de hoje diz-nos que o estar coração a coração com Deus, no silêncio interior, mesmo sem dizer palavras, e às vezes com lágrimas, torna o rosto límpido e o olhar sereno e luminoso.Felizes os que se deixam transfigurar, porque a sua presença torna-se gratificante, exalam o perfume do amor e da misericórdia de Deus e à sua volta espalham luz e esperança. Destes é que a Igreja e o mundo precisam. P. Fausto in Diálogo nº. 1905 (Domingo II da Quaresma – Ano...
Learn MoreCom a quarta-feira de cinzas começa o tempo da Quaresma, verdadeiro retiro espiritual orientado pela Palavra de Deus e marcado pela oração mais intensa, pela caridade mais diligente e pela participação nos mistérios da renovação cristã, como recorda um dos prefácios deste tempo litúrgico.Como é habitual, o Evangelho do primeiro domingo da Quaresma começa com a narrativa das tentações de Jesus, no deserto, que são as tentações do homem de todos os tempos e lugares: ambição, vanglória, satisfação dos sentidos, individualismo…Desta realidade ninguém está imune, mas nos maiores decisores contemporâneos, estas tentações adquirem verdadeiramente dimensão universal e cósmica, pondo em risco a paz e o respeito pela soberania dos Estados, o desenvolvimento dos povos e a defesa comum desta terra, que Deus criou e oferece ao homem para cultivar e usufruir por todos.Para estes e também para nós, a Quaresma é especialmente um tempo precioso de conversão, para se realizar o sonho de Deus e cuidar o coração para a celebração das Santas Festas Pascais. Nada disto, porém, acontecerá, se não aprendermos com Jesus a vencer as tentações no quotidiano das nossas vidas. P. Fausto in Diálogo nº. 1904 (Domingo I da Quaresma – Ano...
Learn MoreJesus, senhor de uma palavra viva e sempre adaptada aos ouvintes, para chamar a atenção para as incoerências do nosso modo de proceder e convidar-nos a ser clarividentes na prática do bem, recorre a imagens simples da vida quotidiana, como o cego, guia de cegos, e a da trave e do argueiro.A imagem do cego faz-nos pensar na grave responsabilidade de quem tem a missão de informar e formar, porque não precisa apenas de saber o caminho e as normas do bom guia mas de viver de acordo com elas. De contrário, fica-se pelos bons conselhos e, quanto ao resto, “olha para o que eu digo, não olhes para o que faço”.Quanto à imagem do argueiro e da trave, ela pede-nos sinceridade e coerência connosco e com o próximo. De outro modo, merecemos justamente a repreensão do Mestre, que não hesita em chamar hipócritas àqueles que pensam que não têm telhados de vidro e pés de barro e se preocupam em denunciar o argueiro nos olhos dos outros esquecendo a trave que têm nos seus. P. Fausto in Diálogo nº. 1903 (Domingo VIII do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreNeste domingo, continuamos a ouvir a pregação de Jesus, começada na semana anterior com o Evangelho das Bem-aventuranças. A passagem de hoje, ao tratar sobretudo do amor aos inimigos e da misericórdia, torna-se uma das páginas mais belas, mas também mais exigentes, da mensagem do Mestre. Um verdadeiro programa que não é fácil de pôr em prática!É verdade que no ambiente em que vivemos, respiramos mais egoísmo, ambição e vingança, do que compaixão e perdão, mas, apesar de tudo, não estamos dispensados de procurar viver em conformidade com esta mensagem, ainda que no coração não se cultivem sentimentos de ódio e vingança.Que significam, então, para os cristãos de hoje, as expressões que Jesus utiliza neste evangelho: oferecer a outra face, deixar também a túnica, não reclamar… ?Apesar de difíceis, apesar de nem sempre respirarmos e transpirarmos as Bem-aventuranças, serão felizes os que por serem fiéis ao Evangelho são gozados, incompreendidos e até acusados. Isto nos garante o Mestre. E as Suas Palavras são de vida eterna. P. Fausto in Diálogo nº. 1902 (Domingo VII do Tempo Comum -Ano...
Learn MoreNeste domingo S. Lucas convida-nos a descer o monte e acompanhar Jesus rodeado dos apóstolos e de muitas pessoas. A multidão era enorme e vinha de longe e de perto para escutar Jesus, que sempre tinha palavras libertadoras e oportunas. Desta feita aproveita a ocasião para proclamar um sonho e propõe as Bem-aventuranças para quem quer ser feliz.Jesus crê num mundo feito de sinceridade, de bondade, de justiça, de alegria… num mundo completamente diferente de sermos homens, e que não vemos à nossa volta.Deus não bendiz a pobreza nem exalta a dor, mas, ao repetir quatro vezes a expressão “ai de vós”, quer-nos claramente dizer que são errados os caminhos de quem vive para acumular, de quem procura apenas o seu conforto e bem estar, de quem tem apenas como razão de viver a satisfação das suas necessidades e a realização dos seus sonhos, porque no coração destes não há lugar para os outros nem mesmo para Deus. P. Fausto in Diálogo nº. 1901 (Domingo VI do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreNa sua curta vida missionária Jesus teve de tudo, encontros e desencontros. Neste Domingo, porém, ao contrário do que sucedeu na sinagoga de Nazaré, foi belíssima a experiência. Todos se acotovelavam para ver e ouvir Jesus, que, para não ser sufocado, tem de subir para o barco de Pedro e afastar-se um pouco da margem. Entretanto, a Pedro e aos companheiros, que preparavam as redes para nova faina, cansados de uma noite sem apanhar nada, Jesus diz: “Faz-te ao largo, e lançai as redes para a pesca”. Sem expectativas mas confiantes, obedeceram. E as redes encheram-se. Simão, perplexo e admirado, fica assombrado, cai aos pés de Jesus e suplica “Afasta-te de mim, que sou um homem pecador”. O milagre do lago não é tanto as barcas cheias de peixe, cheias de pão para a família, o grande milagre é Jesus que não se deixa impressionar pelos defeitos e pecados de Simão e diz-lhe apenas “não temas. Daqui em diante serás pescador de homens”. E todos, tendo conduzido os barcos para terra, “deixaram tudo e seguiram Jesus”. Deixaram tudo mas para ter tudo. P. Fausto in Diálogo nº. 1900 (Domingo V do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreA celebração na sinagoga de Nazaré tinha tudo para ser uma experiência religiosa feliz, mas não foi. Conhecido por toda a gente, Jesus era aguardado com curiosidade. Toda a gente tinha nEle os olhos postos e era grande o entusiasmo.O povo, porém, queria ver milagres, feitos extraordinários, e pouco lhe interessava a mensagem libertadora, nova, luminosa e alegre de que Jesus era portador: “Faz também aqui na tua terra os milagres de Cafarnaúm”. Quão depressa muda o coração em Nazaré!Bem depressa se passou do entusiasmo à crítica e à agressão, ao querer lançar Jesus do alto do penhasco sobre que estava edificada a cidade. Tudo é entusiasmo quando a conversa convém: palmadinhas nas costas, sorrisos nas faces e até foguetes e música de festa !Era, afinal, o filho do carpinteiro, que, apesar de falar muito bem, não passava de um cidadão comum, sem perfil para ser messias e sem credenciais de orador sacro. E o povo, virando-lhe as costas, tentou silenciá-lo. P. Fausto in Diálogo nº. 1899 (Domingo IV do Tempo Comum – Festa da Apresentação do Senhor – Ano...
Learn MoreLucas, o Evangelista que nos vai guiar este ano, ao narrar-nos a cena inicial do ministério de Jesus, prende a nossa atenção, pelos pormenores relatados: Jesus, terminada a leitura, enrola o livro, entrega-o, senta-se, faz silêncio e olha para todos e todos têm nEle fixo o olhar. O momento é solene!E não seria para menos, porque se trata, antes demais, de anunciar o seu programa de vida, que traz alegria, liberdade, olhos verdadeiramente novos e libertação, a uma humanidade pobre, prisioneira, cega e oprimida, e, como se fosse pouco, em jeito de conclusão, vem “para proclamar o ano da graça do Senhor”. E nada de pesos, nada de leis, nada de castigos, nada de juizos éticos ou exigências morais!Se no domingo passado, para mostrar que Deus é festa e aprecia a nossa alegria, Jesus muda a água em vinho num casamento, em Caná da Galileia, hoje, na Sinagoga de Nazaré, com muito mais pormenores e solenidade, revela que DEUS NÃO É SÓ BOM, MAS É EXCLUSIVAMENTE BOM, INCONDICIO-NALMENTE BOM.E esta é a Boa Nova que a humanidade precisa de continuar a ouvir e ver testemunhada na vida de todos os discípulos de Cristo. P. Fausto in Diálogo nº. 1898 (Domingo II do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreÉ curioso que S. João ponha Jesus no princípio da sua vida publica a participar numa longa festa em Caná. E logo num casamento, que demorava, segundo os costumes, alguns dias!Com este acontecimento o evangelista quer-nos revelar, antes de mais, que Jesus é o rosto e a presença de um Deus que aprova, aprecia e compraz-se com a alegria dos homens. É um Deus de festa… e quando no casamento falta o vinho, elemento indispensável na mesa festiva, acolhe, sem reparos nem resistências, a observação de Sua Mãe, sempre atenta, delicada e discreta: “Não têm vinho”. E da “falta de vinho”, na nossa vida concreta, não estamos livres!E sempre que ao longo da vida nos faltar aquele “vinho” de alegria, de paixão, de entusiasmo, de vitalidade, de frescura, que dá qualidade e sabor mesmo às pequenas coisas… que fazer?O Evangelho parece sugerir-nos uma frase de Maria, Mãe de Jesus, também Ela convidada para a festa e sempre atenta e de nós próxima: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. E os serventes fizeram. E houve vinho em abundância e muito bom. E a alegria voltou ao rosto e ao coração de todos os convivas. P. Fausto in Diálogo nº. 1897 (Domingo II do Tempo Comum – Ano...
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