Jesus, senhor de uma palavra viva e sempre adaptada aos ouvintes, para chamar a atenção para as incoerências do nosso modo de proceder e convidar-nos a ser clarividentes na prática do bem, recorre a imagens simples da vida quotidiana, como o cego, guia de cegos, e a da trave e do argueiro.A imagem do cego faz-nos pensar na grave responsabilidade de quem tem a missão de informar e formar, porque não precisa apenas de saber o caminho e as normas do bom guia mas de viver de acordo com elas. De contrário, fica-se pelos bons conselhos e, quanto ao resto, “olha para o que eu digo, não olhes para o que faço”.Quanto à imagem do argueiro e da trave, ela pede-nos sinceridade e coerência connosco e com o próximo. De outro modo, merecemos justamente a repreensão do Mestre, que não hesita em chamar hipócritas àqueles que pensam que não têm telhados de vidro e pés de barro e se preocupam em denunciar o argueiro nos olhos dos outros esquecendo a trave que têm nos seus. P. Fausto in Diálogo nº. 1903 (Domingo VIII do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreNeste domingo, continuamos a ouvir a pregação de Jesus, começada na semana anterior com o Evangelho das Bem-aventuranças. A passagem de hoje, ao tratar sobretudo do amor aos inimigos e da misericórdia, torna-se uma das páginas mais belas, mas também mais exigentes, da mensagem do Mestre. Um verdadeiro programa que não é fácil de pôr em prática!É verdade que no ambiente em que vivemos, respiramos mais egoísmo, ambição e vingança, do que compaixão e perdão, mas, apesar de tudo, não estamos dispensados de procurar viver em conformidade com esta mensagem, ainda que no coração não se cultivem sentimentos de ódio e vingança.Que significam, então, para os cristãos de hoje, as expressões que Jesus utiliza neste evangelho: oferecer a outra face, deixar também a túnica, não reclamar… ?Apesar de difíceis, apesar de nem sempre respirarmos e transpirarmos as Bem-aventuranças, serão felizes os que por serem fiéis ao Evangelho são gozados, incompreendidos e até acusados. Isto nos garante o Mestre. E as Suas Palavras são de vida eterna. P. Fausto in Diálogo nº. 1902 (Domingo VII do Tempo Comum -Ano...
Learn MoreNeste domingo S. Lucas convida-nos a descer o monte e acompanhar Jesus rodeado dos apóstolos e de muitas pessoas. A multidão era enorme e vinha de longe e de perto para escutar Jesus, que sempre tinha palavras libertadoras e oportunas. Desta feita aproveita a ocasião para proclamar um sonho e propõe as Bem-aventuranças para quem quer ser feliz.Jesus crê num mundo feito de sinceridade, de bondade, de justiça, de alegria… num mundo completamente diferente de sermos homens, e que não vemos à nossa volta.Deus não bendiz a pobreza nem exalta a dor, mas, ao repetir quatro vezes a expressão “ai de vós”, quer-nos claramente dizer que são errados os caminhos de quem vive para acumular, de quem procura apenas o seu conforto e bem estar, de quem tem apenas como razão de viver a satisfação das suas necessidades e a realização dos seus sonhos, porque no coração destes não há lugar para os outros nem mesmo para Deus. P. Fausto in Diálogo nº. 1901 (Domingo VI do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreNa sua curta vida missionária Jesus teve de tudo, encontros e desencontros. Neste Domingo, porém, ao contrário do que sucedeu na sinagoga de Nazaré, foi belíssima a experiência. Todos se acotovelavam para ver e ouvir Jesus, que, para não ser sufocado, tem de subir para o barco de Pedro e afastar-se um pouco da margem. Entretanto, a Pedro e aos companheiros, que preparavam as redes para nova faina, cansados de uma noite sem apanhar nada, Jesus diz: “Faz-te ao largo, e lançai as redes para a pesca”. Sem expectativas mas confiantes, obedeceram. E as redes encheram-se. Simão, perplexo e admirado, fica assombrado, cai aos pés de Jesus e suplica “Afasta-te de mim, que sou um homem pecador”. O milagre do lago não é tanto as barcas cheias de peixe, cheias de pão para a família, o grande milagre é Jesus que não se deixa impressionar pelos defeitos e pecados de Simão e diz-lhe apenas “não temas. Daqui em diante serás pescador de homens”. E todos, tendo conduzido os barcos para terra, “deixaram tudo e seguiram Jesus”. Deixaram tudo mas para ter tudo. P. Fausto in Diálogo nº. 1900 (Domingo V do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreA celebração na sinagoga de Nazaré tinha tudo para ser uma experiência religiosa feliz, mas não foi. Conhecido por toda a gente, Jesus era aguardado com curiosidade. Toda a gente tinha nEle os olhos postos e era grande o entusiasmo.O povo, porém, queria ver milagres, feitos extraordinários, e pouco lhe interessava a mensagem libertadora, nova, luminosa e alegre de que Jesus era portador: “Faz também aqui na tua terra os milagres de Cafarnaúm”. Quão depressa muda o coração em Nazaré!Bem depressa se passou do entusiasmo à crítica e à agressão, ao querer lançar Jesus do alto do penhasco sobre que estava edificada a cidade. Tudo é entusiasmo quando a conversa convém: palmadinhas nas costas, sorrisos nas faces e até foguetes e música de festa !Era, afinal, o filho do carpinteiro, que, apesar de falar muito bem, não passava de um cidadão comum, sem perfil para ser messias e sem credenciais de orador sacro. E o povo, virando-lhe as costas, tentou silenciá-lo. P. Fausto in Diálogo nº. 1899 (Domingo IV do Tempo Comum – Festa da Apresentação do Senhor – Ano...
Learn MoreLucas, o Evangelista que nos vai guiar este ano, ao narrar-nos a cena inicial do ministério de Jesus, prende a nossa atenção, pelos pormenores relatados: Jesus, terminada a leitura, enrola o livro, entrega-o, senta-se, faz silêncio e olha para todos e todos têm nEle fixo o olhar. O momento é solene!E não seria para menos, porque se trata, antes demais, de anunciar o seu programa de vida, que traz alegria, liberdade, olhos verdadeiramente novos e libertação, a uma humanidade pobre, prisioneira, cega e oprimida, e, como se fosse pouco, em jeito de conclusão, vem “para proclamar o ano da graça do Senhor”. E nada de pesos, nada de leis, nada de castigos, nada de juizos éticos ou exigências morais!Se no domingo passado, para mostrar que Deus é festa e aprecia a nossa alegria, Jesus muda a água em vinho num casamento, em Caná da Galileia, hoje, na Sinagoga de Nazaré, com muito mais pormenores e solenidade, revela que DEUS NÃO É SÓ BOM, MAS É EXCLUSIVAMENTE BOM, INCONDICIO-NALMENTE BOM.E esta é a Boa Nova que a humanidade precisa de continuar a ouvir e ver testemunhada na vida de todos os discípulos de Cristo. P. Fausto in Diálogo nº. 1898 (Domingo II do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreÉ curioso que S. João ponha Jesus no princípio da sua vida publica a participar numa longa festa em Caná. E logo num casamento, que demorava, segundo os costumes, alguns dias!Com este acontecimento o evangelista quer-nos revelar, antes de mais, que Jesus é o rosto e a presença de um Deus que aprova, aprecia e compraz-se com a alegria dos homens. É um Deus de festa… e quando no casamento falta o vinho, elemento indispensável na mesa festiva, acolhe, sem reparos nem resistências, a observação de Sua Mãe, sempre atenta, delicada e discreta: “Não têm vinho”. E da “falta de vinho”, na nossa vida concreta, não estamos livres!E sempre que ao longo da vida nos faltar aquele “vinho” de alegria, de paixão, de entusiasmo, de vitalidade, de frescura, que dá qualidade e sabor mesmo às pequenas coisas… que fazer?O Evangelho parece sugerir-nos uma frase de Maria, Mãe de Jesus, também Ela convidada para a festa e sempre atenta e de nós próxima: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. E os serventes fizeram. E houve vinho em abundância e muito bom. E a alegria voltou ao rosto e ao coração de todos os convivas. P. Fausto in Diálogo nº. 1897 (Domingo II do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreNeste domingo, a seguir à Epifania, celebramos a festa do Baptismo de Jesus, com que se encerra o ciclo das manifestações do Senhor, que principiaram com a solenidade do Natal.E “o céu abriu-se, enquanto orava”, e uma voz se fez ouvir: “Tu és o meu Filho muito amado; em Ti pus toda a minha complacência” . O Pai dá testemunho do Filho e o Espírito Santo manifesta-se em forma sensível. E João Baptista atesta tudo isto.Com esta revelação, o Senhor inaugura o Seu ministério no meio dos homens e a Igreja faz-nos passar da celebração das festas natalícias à contemplação global do mistério de Cristo, que celebramos ao longo do ano. E será S. Lucas, o Evangelista da Misericórdia, a ajudar-nos a celebrar e a viver este ano jubilar da Esperança, em que nos propomos ser Comunidade mais Eucarística, mais Mariana e mais Samaritana. P. Fausto in Diálogo nº. 1896 (Festa do Baptismo do Senhor – Ano...
Learn MoreAssim escreve S. João no seu Evangelho, proclamado em dia de Natal.Se no princípio Deus cria o homem do pó da terra, em Belém Deus revela-se menino que sorri e chora, verdadeira carne como a nossa, porque criador e criatura estão enlaçados de tal modo que, naquele recém-nascido, homem e Deus são uma e mesma pessoa, a quem foi posto o nome de Jesus.O Menino-Deus, nascido em Belém, apesar de muitas vezes e modos anunciado, e por poucos, então, reconhecido, continua a ser para muitos desconhecido, estorvo, objecto decorativo e até mero produto de mentes insanas, mas não deixa de ser reconhecido e adorado pelos Magos que, vindos de longe e vencidas mil dificuldades, O adoram e oferecem os seus presentes.Buscar Deus não é fácil e chegar a Belém é grande desafio e comporta riscos. Há momentos de ânimo e desânimo, mas, não tendo as dificuldades abalado a fidelidade dos Magos, antes estimulado a prosseguirem a sua caminhada ao encontro do Menino, a certeza de que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” nos alenta e desafia a caminhos sempre renovados de esperança jubilosa. P. Fausto in Diálogo nº. 1895 (Solenidade da Epifania do Senhor – Ano...
Learn MoreAinda fresco o anúncio dos Anjos aos pastores e já celebramos festivamente neste Domingo a Sagrada Família de Nazaré, fonte inspiradora e modelo acabado para todas as famílias, em qualquer tempo e circunstância.Terminada a peregrinação anual a Jerusalém, pela Páscoa, Maria e José, de volta a casa, dão-se conta da ausência de Jesus e procuram-no ansiosamente por toda a parte. Só ao terceiro dia O encontram no templo a dialogar, apesar dos seus 12 anos, com os doutores.No coração de Maria e José a angústia dá lugar ao assombro e admiração, sem passar pela reprovação e castigo. Maria não censura Jesus, mas quer compreender e pergunta: “Filho, porque procedeste assim connosco?”Belíssimo modelo de diálogo, sem ressentimentos, que sabe interrogar sem acusar, mas que também sabe aceitar uma resposta incompreensível e guardá-la no íntimo do coração: “Não sabíeis que eu devia estar na casa de meu Pai?”Que diz a Sagrada Família de Nazaré, que experimentou momentos de crise e de angústia como este, às nossas famílias, com tantas fragilidades e sonhos? Diz, sem dúvida, que a vocação à família é santa como a do sacerdócio, como a da vida consagrada religiosa ou secular ou como a de um monje ou monja na sua clausura. Basta que apenas nos mova o Amor, como na Família Sagrada de Nazaré. P. Fausto in Diálogo nº. 1894 (Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José – Ano...
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