Estamos no Natal. Mais uma vez. E a guerra persiste, a fome atinge milhões, a vida humana é desconsiderada e desprotegida, as desigualdades são mais que muitas e gritantes… E as alterações climáticas que nos afectam a todos? Parece que este mundo está cada vez mais doente, apostado numa corrida desenfreada para o abismo…Foi, no entanto, para este mundo, que ELE veio, há 2.000 anos, com a mais bela das notícias, que só do céu podia vir: “Nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor…Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados”. A mensagem para todos só alguns a escutaram, porque “Veio para o que era seu, e os seus não O receberam”. Mas Ele não desiste, porque é EMANUEL.Vamos, mais uma vez, celebrar o Natal. Vamos juntar as nossas vozes às dos anjos, que, em Belém, anunciaram ao mundo o nascimento do Messias e não se cansam de convidar toda a humanidade para o Seu Reino de Paz, Alegria e Fraternidade.Porque está incompleto, cabe aos cristãos, especialmente, a tarefa de prolongar entre os homens a presença de Jesus e celebrar de uma maneira nova e verdadeira a Alegria de mais um Natal. P. Fausto in Diálogo nº. 1804 (Solenidade do Natal do Senhor – Ano...
Learn MoreEstamos a poucos dias do Natal e S. Mateus resolve falar de um personagem importante da vida de Jesus e de Sua Mãe, chamado José. Sabemos que era da linhagem de David, mais dado à contemplação e ao silêncio que ao discurso. Um homem de trabalho, de mãos calejadas e coração de ouro. Um homem verdadeiramente justo.Apaixonado por Maria, uma jovem da cidade, “de muito boas familias”, José foi surpreendido pela sua gravidez, antes de começarem a vida em comum. A lei era rigorosa, e, para não expôr aquela que tanto amava à condenação radical prevista, resolveu repudiá-la em segredo, pensando que era a melhor solução. O seu coração, porém continuava despedaçado, e nem de noite o deixava sossegar, até que um sonho lhe veio dar a paz de que precisava: “Não temas receber Maria, tua esposa, pois, o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo”.José, convicto de que o sonho era a vontade de Deus, confiou, obedeceu e recebeu a sua esposa. Venceu o medo. Seguiu o seu sonho e recobrou a Paz.Em todas as circunstâncias da vida, saibamos, como S. José, escutar os sonhos, os sonhos que Deus tem para a humanidade e que celebraremos no mistério do Natal. P. Fausto in Diálogo nº. 1803 (IV Domingo de Advento – Ano...
Learn More“És Tu Aquele que há-de vir ou devemos esperar outro?”João, tomado pela dúvida, quer a verdade, que liberta e sossega mesmo que doa, e manda emissários. Em resposta, Jesus não se explica, mas enumera factos: cegos, coxos, surdos, leprosos são curados e, em jeito de remate, diz: “Bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo”.É mais uma a acrescentar às bem-aventuranças proclamadas por Jesus, cujos milagres, apesar de não mudarem o mundo, são para o coração desassossegado de João Baptista, o sinal inequívoco da presença real do Messias na história.É à luz desta nova bem-aventurança que são também bem-aventurados os que não se escandalizam com a lentidão do Reino de Deus, nem se deixam afundar pelas vicissitudes trágicas da história humana, mas aprendem com o lavrador a aguardar o fruto da sementeira que cuidadosamente realizam. E não se cansam, mesmo que não colham.São também estes bem-aventurados os mais capazes de aceitar e reconhecer, sem escândalo, o Mistério de Deus Menino que celebramos no Natal. P. Fausto in Diálogo n.º1802 (Domingo III de Advento – Ano...
Learn MoreNeste tempo de Advento emerge uma figura extravagante, diríamos, com hábitos próprios e voz de trovão, em pleno deserto da Judeia, aonde acorria muita gente para o ouvir.E João não se calava diante de ninguém, fosse quem fosse, saduceu ou fariseu. Para todos a mensagem era clara, talvez mesmo agressiva, mas as imagens do fogo e do machado, frequentes na pregação, não pretendiam incutir medo mas acentuar a urgência da mudança: “Arrependei-vos, porque está perto o Reino dos Céus”.E este apelo, em jeito de pregão, chega também a nós, com igual ardor e urgência: “Convertei-vos”, porque, senão, o sonho de Deus, que Isaías descreve na primeira leitura deste domingo, tarda a realizar-se: “o lobo viverá com o cordeiro, e a pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos…”Este é o sonho de Deus, de que Deus não desiste, apesar das nossas resistências e negligências. Este é o nosso futuro, o futuro de toda a criação, que se vai realizando no coração e na vida de quantos, apesar dos sinais em contrário, não desistem deste sonho de Deus. É isto que nos motiva a viver mais seriamente o tempo litúrgico do Advento. P. Fausto in Diálogo nº. 1801 (Domingo II do Advento – Ano...
Learn More“Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento… e não deram por nada”. Palavras de Jesus, no Evangelho deste 1° Domingo do Advento, em jeito de alerta para todos nós, relativas aos tempos de Noé.Jesus não faz juízos de valor, não fala de pecados, de injustiças e de guerras, mas apenas do quotidiano. Nada de vícios ou excessos, mas apenas de vida sem profundidade, mera gestão corrente, sem futuro. É para isto que Jesus nos alerta, depois de um longo tempo litúrgico comum.“Os dias de Noé” são os nossos dias, quando lutamos apenas pela satisfação básica das nossas necessidades, desinteressados pelo que se passa no mundo e, até mesmo, à nossa porta. Dias vividos absorvidos nos nossos projectos, necessidades, desejos e dificuldades, que facilmente nos desligam dos outros, absorvem e desviam a atenção, de tal modo que vivemos sem darmos por nada, e, até, sem sabermos porquê.O Tempo do Advento que hoje iniciamos é uma campainha a alertar-nos para o Nascimento de Jesus, que veio inaugurar para nós um Tempo Novo de fraternidade, de justiça e de paz. Vivê-lo é desafio de todos os dias para celebrarmos o Mistério do Natal. P. Fausto in Diálogo nº. 1800 (Domingo I do Advento – Ano...
Learn MoreO ano litúrgico termina com a solenidade de Jesus Cristo, Rei e Senhor do Universo, que ocorre neste domingo, segundo S. Lucas, sem nada de régio, de opulência, de triunfo ou de glória.Na colina do calvário são frequentes as execuções pela cruz, dos mais reles criminosos, que juntam sempre muita gente que opina, grita, chora e diverte-se. Aconteceu também com a crucificação de Jesus e com a dos malfeitores que Lhe faziam companhia. Desta vez, porém, algo diferente aconteceu, só percebido por um dos condenados, que suplica “Jesus, lembra-te de mim, quando vieres com a tua realeza.”O que converte este malfeitor não é a pregação de Jesus ou qualquer milagre, mas o Seu sofrimento, que, sendo igual ao dos outros, é vivido pelos outros com amor. Sem uma palavra de ódio, rancor ou vingança. Nem sequer um grito de inocência!Foi esse Jesus, de rosto doce, sereno e pacífico, que converte o ladrão “justamente” condenado, e, ao garantir-lhe “Hoje mesmo, estarás comigo no paraíso”, Se revela, na cruz, como Senhor da vida e da morte e Único Árbitro do homem e do seu destino. E isto só de um Verdadeiro Rei e Senhor do Universo! P. Fausto in Diálogo nº. 1799 (Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo – Ano...
Learn MoreUm dia virá em que de todas as obras de arte e engenharia, catedrais e lugares de culto, trincheiras, palácios ou conventos, “não ficará pedra sobre pedra”, diz-nos Jesus, hoje, no Evangelho.Não há construção humana alguma que seja eterna, por mais sólida e defendida que esteja, mas o homem, sim, é eterno, apesar dos terramotos, inundações e guerras. No fim, temos a promessa de nem um só cabelo da nossa cabeça se perder. Tudo passa, mas a última palavra é sempre de Deus.Jesus, não responde à curiosidade dos discípulos sobre o dia do fim do mundo, mas alerta para a nossa responsabilidade, enquanto por cá andamos. O cristão está no mundo, não foge do mundo, mas cuida dele, neste processo permanente de nascer e morrer.Para lá das guerras, do ódio e cataclismos, para lá da própria morte, temos um Deus, que se preocupa connosco, não nos abandona e nos garante amorosamente a Sua fidelidade e atenção aos mais insignificantes pormenores da vida. Esta certeza, que nos dá paz e inspira confiança, não nos desresponsabiliza da tarefa de cuidarmos deste mundo, de modo a tornar-se cada vez mais a casa comum, onde todos se deveriam sentir mais felizes. P. Fausto in Diálogo nº. 1798 (Domingo XXIII do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreNa vida pública de Jesus há encontros e desencontros, debates sinceros e questões armadilhadas, como a que hoje Lhe põe um grupo de saduceus, acerca da Ressurreição.A questão, posta para ridicularizar a vida para além da morte, dá a Jesus oportunidade para afirmar, mais uma vez, que Deus, o nosso Deus, é dos vivos e quer-nos plenamente vivos, ainda que essa plenitude de vida, que não é mera continuidade desta, só se atinja para lá do tempo e do espaço.Na história do Céu, continua Jesus, não há meu nem teu, não há lugar a gestos de tomar ou de ter, ninguém é posse de ninguém, marido, esposa, ou filhos, não há grupos, mas todos possuídos plenamente por Deus, que a todos Se dá plenamente, para seremos todos plenamente felizes, uns com os outros, sem invejas, exclusões, limites ou nostalgias. Eternamente.Se assim não fosse, a vida para além da morte seria mais do mesmo. E isto não seria Vida Plena e Feliz. P. Fausto in Diálogo nº. 1797 (Domingo XXXII do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreJesus por onde passa deixa sempre a sua marca. Ninguém fica indiferente. Uns pela curiosidade, outros com más intenções e muitos com o coração aberto, acotovelam-se para ouvir Jesus, como hoje, na sua passagem por Jericó.Não havia música a tocar, foguetes no ar ou bandeirinhas a acenar, mas aguardava-O a multidão ávida de uma palavra, de um gesto de cura ou de uma bênção, que nem deu conta de um homem, bem conhecido na terra, correr à frente e subir a uma árvore. Era Zaqueu, o chefe de publicanos da cidade, que fica como exemplo de quem luta criativamente pelas coisas que se desejam, que não desiste, apesar da sua pequenez física, nem se deixa amarrar com medo da multidão. Queria apenas ver Jesus. Certamente era o único que verdadeiramente O queria ver.“Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa”. Ao olhar de Jesus, que apenas pede, não julga, não condena, nem humilha, responde estupefacto Zaqueu com a descida apressada, escancarando-Lhe a porta de casa e o coração a rebentar de alegria.Em semana dos Seminários não é demais rezar para que aqueles a quem Jesus continua a chamar respondam, como Zaqueu, sem medo e com generosidade. P. Fausto in Diálogo nº. 1796 (Domingo XXXI do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreNestes últimos domingos, Jesus tem falado da oração. No domingo passado disse-nos que é preciso “orar sempre e sem desanimar” e convidou-nos para a escola de oração de uma pobre viúva, que não se calou enquanto um juíz corrupto não lhe fez justiça.Hoje põe-nos em confronto com duas pessoas. Um era fariseu e o outro publicano. Ambos foram ao templo para orar. O fariseu, de pé, não se calou enquanto não desfiou completamente o rol das suas obras e virtudes, como que a lembrar Deus dos seus méritos… Não precisava de Deus nem de ninguém. Só ele contava… e todos os outros eram uma desgraça.O publicano, pelo contrário, à distância, de olhos baixos e a bater no peito, apenas rezava “Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador”. E nada mais dizia.De regresso a casa, o publicano saiu justificado e o fariseu saiu pior do que entrara, rematou Jesus. É que a nossa oração, além de perseverante, tem que ser humilde e confiante para chegar ao coração de Deus. P. Fausto in Diálogo nº. 1795 (Domingo XXX do Tempo Comum – Ano...
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