A riqueza não é tudo !

Nestes últimos domingos somos brindados por Jesus com histórias que nos movem e incomodam. Na de hoje são protagonistas um rico, que vivia “à grande e à francesa”, e um pobre, que não tinha onde cair morto.Ao contrário do rico avarento, que não tem nome porque se identifica apenas com a sua riqueza, o pobre, apesar de não ter mesmo nada, tem dignidade, tem nome, Lázaro, que, por acaso ou talvez não, é o nome do grande Amigo de Jesus, que reside em Betânia.Mal vai a sociedade em que são os teres e haveres ou mesmo os saberes que conferem dignidade e respeito a cada um! A esta tentação também muitos cristãos não resistem…Por fim, o rico e o pobre morrem e têm destinos diferentes, porque, à hora de prestar contas, ninguém se pode esconder, desculpar ou dispensar… É assunto que só a cada um diz respeito.Ao rico não faltou nada na vida. Até nem era má pessoa. Não fazia mal a ninguém, porque mal tinha tempo para preparar as suas festas e viver o seu luxo. Fora dos muros do seu castelo ninguém existia e nada acontecia. Tudo lhe era indiferente. Até o pobre Lázaro.A riqueza facilmente torna o homem suficiente e insensível. Este foi o grande pecado do rico avarento. P. Fausto in Diálogo nº. 1791 (Domingo XXVI do Tempo Comum – Ano...

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Conciliação impossível!

Ao lermos o Evangelho deste domingo, surpreende-nos o elogio à esperteza dum administrador desonesto. Jesus não aprova tais comportamentos, mas, ao contar esta parábola, chama a atenção para a dimensão social dos bens e indica-nos que a vida não é mais feliz por termos muitas riquezas mas por termos muitos amigos. E isso é uma verdade que o administrador compreendeu bem cedo.Ainda que desconcertante, a parábola termina com uma frase que nunca devemos esquecer: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. Na verdade, quem se torna escravo do dinheiro privilegia verbos como acumular, contar e recontar, acrescentar, multiplicar…, pensando que está nisso o segredo da felicidade e a segurança do seu futuro. Mas engana-se, porque nada disso levará…Na hora da verdade, no momento de prestar contas, também entra pela “porta estreita” quem, sendo rico, faz o bem com o que tem. P. Fausto in Diálogo nº. 1790 (XXY Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Marta ou Maria ?

Jesus dirige-se para Jerusalém. A viagem é longa. Hoje a paragem é em Betânia, em casa de pessoas muito próximas e amigas, muito queridas mesmo.Dadas as boas-vindas, começa o alvoroço para preparar a refeição. Marta lidera o processo e desdobra-se num vaivém entre tachos e panelas, enquanto a sua irmã, Maria, sentada aos pés de Jesus, embebecida, nem dá pelo tempo a passar. Enquanto isto, Marta corre e sua, e, cansada, deixa escapar o desabafo: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me”. A resposta afectuosa de Jesus não se fez esperar: “Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária”.Jesus compreende o serviço e reconhece a generosidade de Marta, mas alerta para o esvaziamento interior e pobreza espiritual que traz todo o projecto de vida agitado e sob pressão, com demasiado trabalho, demasiadas coisas e muitas correrias… e pouco tempo para Deus, para os outros e para nós.Maria, pelo contrário, percebendo perfeitamente o primado do serviço da escuta e da pessoa em relação às coisas…, sentada aos pés do mestre, escolhe a melhor parte. P. Fausto in Diálogo nº. 1789 (Domingo XVI do Tempo Comum – Ano...

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“Faz isso e viverás.”

No Evangelho de hoje sobressai uma parábola, uma das muitas que Jesus conta para comunicar mais claramente a mensagem e, no centro da parábola, um homem assaltado, roubado e maltratado, a pedir desesperadamente auxílio.De passo apressado, um sacerdote desce pelo mesmo caminho, vê e passa adiante. E o mesmo comportamento tem um levita.Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto do homem, “encheu-se de compaixão, aproximou-se, ligou-lhe as feridas, colocou-o sobre a sua montada, levou-o para uma estalagem, cuidou dele” e assumiu todos os encargos do internamento.Tantos verbos para declinar, com exactidão, o verbo amar! O samaritano, sem o saber, soube fazê-lo. O sacerdote e o levita não. E nós?Não basta saber o que está prescrito, não basta saber o alcance da Palavra de Deus. É preciso pô-La em prática: “Fazer o mesmo”. Mas isto não é só para padres e freiras. É para todos os discípulos de Jesus Cristo. P. Fausto in Diálogo nº. 1788 (Domingo XV do Tempo Comum – Ano...

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Experiência radical !

No domingo passado, Jesus toma a decisão de se dirigir para Jerusalém e o seu discurso, sem endurecer, torna-se mais exigente. É assim que hoje convida 72 dos discípulos para uma experiência radical, quase de sobrevivência, “sem bolsa nem alforge nem sandálias”. Sem coisas, mesmo as mais úteis.E, de passo apressado, lá se foram os 72, levando apenas como bagagem a paz e a alegria, para cumprirem a missão, segundo as instruções de Jesus.No fim, cansados, “os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria”. A missão fora um êxito e encheu a todos as medidas…, até os demónios obedeciam.Jesus, porém, para evitar euforias fugazes e combater tentações de poder e de vaidade, sempre inconvenientes, remata: “não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus”. Como que a dizer aos discípulos, e a nós também, que a razão da alegria não deve assentar no êxito, mas no cumprimento da vontade de Deus. Só quando queremos e fazemos o que Deus quer, somos felizes e nos sentimos realizados. P. Fausto in Diálogo nº.1787 (Domingo XIV do Tempo Comum – Ano...

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“Seguir-te-ei”

Jesus não deixa ninguém indiferente. Tem sempre muita gente a escutá-Lo, uns com mais entusiasmo que outros. Para todos, porém, há sempre a palavra adequada, como, hoje, aos três rapazes, bem dispostos e descontraídos, com inquietações vocacionais e fome de felicidade.“Seguir-te-ei para onde quer que fores”, diz um deles, entusiasmado. Ao que Jesus, sem querer pôr “água na fervura”, recomenda calma e diz que não tem “eira nem beira”, mas apenas Deus, a quem se confia e em cujo coração descansa.A ninguém promete riqueza, carreira, poder, facilidades… mas garante felicidade, apesar das dúvidas e dificuldades do caminho, aos que, sem olhar para trás, não se deixem bloquear pelo medo, pelo círculo dos afectos familiares ou amarrar pela nostalgia.As palavras de Jesus, no Evangelho de hoje, mesmo que nos pareçam duras e humanamente incompreensíveis, não sendo para heróis, serão sempre desafio a quem sonha com horizontes de “vida+”, escancarados e largos, de alegria e felicidade. P. Fausto in Diálogo 1786 (XIII Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Quem sou Eu para ti ?

As perguntas que Jesus fez aos discípulos, e hoje também a nós, dominam a liturgia deste domingo: “Quem dizem as multidões…” e “Quem dizeis vós que Eu sou?” Jesus não confunde as questões, não parece interessado naquilo que a gente diz, nem pretende assentar a pregação em estudos de opinião…A resposta é pessoal. Não valem as fórmulas decoradas ou ressonâncias de pensamentos alheios. Não servem estudos, leituras ou catecismos, para a resposta sempre aberta, inacabada, a dar por cada um, condicionado pelas suas circunstâncias.Cristo não é o que pensam ou dizem dele, nem mesmo o que dele digo, mas do que dele vivo: “Quem sou Eu para ti?” Esta é a questão que se torna ainda mais actual ao reentrarmos no Tempo Comum, em que nos é indicada, desde logo, a condição para ser discípulo de Jesus: “Se alguém quiser vir comigo, tome a sua cruz todos os dias…”A linguagem é estranha e o convite não é simpático, mas, longe de ser apelo à resignação e exaltação do sofrimento, é alerta vigoroso para as dificuldades, momentos de desânimo e tentações de desistência, normais nas grandes aventuras. E a de seguir Jesus, sendo de todas a Maior, é a que traz mais alegria e dá felicidade. P. Fausto in Diálogo nº. 1785 (XII Domingo do Tempo Comum – Ano...

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Deus é Mistério…

“Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis compreender por agora”, dissera Jesus aos discípulos, na última Ceia.Jesus fez tudo, mas não disse tudo, e foi sem ter dito tudo. Ficou para o Espírito Santo essa missão: “O Espírito guiar-vos-á para a verdade plena“.É verdade que Jesus falou do Seu e nosso Pai e também do Espírito Santo, o Paráclito, mas não se adiantou muito mais; preferiu anunciar que Deus é Amor sem limites, Misericórdia, Alegria, Festa… Falou de Deus como Pai Bondoso, Amigo das crianças e com um “fraquinho” muito especial pelos pobres, doentes e pecadores… e deixou ao Espírito Santo a tarefa de nos fazer compreender o Mistério da Santíssima Trindade.Os teólogos bem se esforçam por nos fazer compreender que há um só Deus e três Pessoas Divinas, Pai, Filho e Espírito Santo, “Três pessoas iguais e distintas e uma só natureza”, como se aprendia na minha catequese de infância, com recurso à folha de trevo. Tudo bem, mas, por mais que aprofundemos, Deus continua Infinito, sempre para Além… Surpreendentemente. É sempre Mistério, enquanto houver espaço e tempo.Estudar é necessário, e os tratados teológicos são importantes se nos ajudam a fazer deste tempo, tempo de testemunho e não de apologética, como escreveu inspiradamente S. Paulo VI numa das Suas Exortações Apostólicas.E cá estamos nós, não para argumentar sobre a existência de Deus, mas para sermos testemunhas coerentes e fiéis do Deus revelado por Jesus Cristo. E isto só graças ao Espírito Santo. P. Fausto in Diálogo n.º 1784 (Solenidade da Santíssima Trindade – Ano...

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Vem, Espírito Santo!

No último dia do Tempo Pascal, e à luz da Páscoa, a Igreja recorda especialmente a vinda do Espírito Santo, prometida e preparada por Jesus, e não cessa, hoje e sempre, de O invocar com vigor: “Enviai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a face da terra”. A esta terra, que nos foi dada para cuidar e tornar próspera… e que se nos apresenta tantas vezes cheia de loucuras, lágrimas e sangue !A esta terra, que nos parece inóspita e sem conserto, vem, Espírito Santo, com suave violência, e entra pelas fissuras das paredes, escancara as portas, ainda que bem trancadas, e abala os alicerces de todas as torres de babel !Vem, Espírito Santo, à Igreja e ao coração de cada crente, para que se responda com fidelidade e criatividade aos desafios de cada tempo. Porque estais sempre além do tempo, só Vós fazeis que a cultura, a espiritualidade, a arte…, ainda que diversas, não se suprimam, mas que em conjunto revelem na sua diversidade e criatividade o rosto surpreendente de Deus.Vem, Espírito Santo, porque, como rezava o Patriarca Atenágoras, sem Vós a Igreja é organização, a moral é canseira e os Sacramentos não passam de sinais vazios. E esta terra, a nossa terra, sem Vós, arrisca-se a ser uma enorme fábrica de ídolos, onde só o dinheiro e o poder são senhores absolutos. P. Fausto in Diálogo nº. 1783 (Solenidade de Pentecostes – Ano...

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E Abençoou-os

“Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi elevado ao Céu”. É assim que S. Lucas sucintamente descreve a Ascensão de Jesus, cuidadosamente preparada ao longo destas semanas e celebrada solenemente neste domingo.Na partida não há, da parte de Jesus, lamentos, juízos ou condenações, nem discursos de última hora; não parece também experimentar qualquer alívio ao partir, como aqueles que dizem baixinho “até que enfim” ou “fica-te mundo cada vez é pior”…, bem ao contrário. Jesus eleva as mãos e abençoa. Simplesmente.Assim, com um belo e sereno sorriso deixa ao mundo uma Bênção, uma Palavra Bendita carregada de confiança e de esperança, para dar sempre ânimo e coragem às testemunhas do Ressuscitado e arautos da misericórdia infinita de Deus.Os discípulos não perderam tempo e, pressentindo que chegara a sua hora e a responsabilidade da missão que lhes fora confiada, “voltaram para Jerusalém com grande alegria”. Hoje a Missão é nossa. P. Fausto in Diálogo nº.1782 (Solenidade da Ascenção do Senhor – Ano...

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