Deus é Mistério…

Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis compreender por agora”, dissera Jesus aos discípulos, na última Ceia.
Jesus fez tudo, mas não disse tudo, e foi sem ter dito tudo. Ficou para o Espírito Santo essa missão: “O Espírito guiar-vos-á para a verdade plena“.
É verdade que Jesus falou do Seu e nosso Pai e também do Espírito Santo, o Paráclito, mas não se adiantou muito mais; preferiu anunciar que Deus é Amor sem limites, Misericórdia, Alegria, Festa… Falou de Deus como Pai Bondoso, Amigo das crianças e com um “fraquinho” muito especial pelos pobres, doentes e pecadores… e deixou ao Espírito Santo a tarefa de nos fazer compreender o Mistério da Santíssima Trindade.
Os teólogos bem se esforçam por nos fazer compreender que há um só Deus e três Pessoas Divinas, Pai, Filho e Espírito Santo, “Três pessoas iguais e distintas e uma só natureza”, como se aprendia na minha catequese de infância, com recurso à folha de trevo. Tudo bem, mas, por mais que aprofundemos, Deus continua Infinito, sempre para Além… Surpreendentemente. É sempre Mistério, enquanto houver espaço e tempo.
Estudar é necessário, e os tratados teológicos são importantes se nos ajudam a fazer deste tempo, tempo de testemunho e não de apologética, como escreveu inspiradamente S. Paulo VI numa das Suas Exortações Apostólicas.
E cá estamos nós, não para argumentar sobre a existência de Deus, mas para sermos testemunhas coerentes e fiéis do Deus revelado por Jesus Cristo. E isto só graças ao Espírito Santo.

P. Fausto

in Diálogo n.º 1784 (Solenidade da Santíssima Trindade – Ano C)

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