Páscoa de Cristo e nossa também!

Depois de 40 dias de caminhada quaresmal, finalmente, a Festa da Páscoa de Jesus! A nossa está em curso, porque ainda não subimos ao Calvário, nem vivemos o nosso Tríduo. Entretanto, a Igreja convida-nos a acompanhar aquelas corajosas mulheres até ao sepulcro, no primeiro dia da semana, para completar no corpo de Jesus o que não puderam fazer antes. O carreiro pedregoso e a luz ainda escassa dificultam a caminhada, apenas superada pelo ardor e ansiedade de quem se quer reencontrar com alguém querido. E agora, quem havia de remover aquele pedregulho tão grande que tapava a entrada do sepulcro? – Ainda não tinham compreendido que para Deus não há coisas impossíveis e que é sempre d Ele a última palavra! Chegadas ao local, encontraram o sepulcro aberto, mas de Jesus nem sinal. A perplexidade e o medo fizeram-nas correr de volta a anunciar a Pedro a sua experiência. “Ressuscitou, não está aqui”, continua a dizer-nos o Anjo. E a Igreja não se cansa de fazer do Aleluia a expressão da alegria sincera dos cristãos, que, em Cristo Crucificado e Ressuscitado, têm a certeza da sua própria ressurreição. Que esta certeza encha de alegria o coração de todos os Paroquianos. P. Fausto in diálogo 1466 (Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor – Ano...

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Semana Maior!

Começamos a Semana Santa, como sempre, de forma desconcertante, com palmas e hossanas festivos no Domingo de Ramos e a proclamação do Evangelho da Paixão e Morte de Jesus. É grande esta semana, é a maior e mais santa e é por graça do que nela celebramos que o vale, que é a nossa vida, não deixando de ser de lágrimas e dor, se torna em “Vale dos redimidos” e não em “vale dos caídos”. Sim, continuando a viver como num “vale”, é graças à Páscoa do Senhor, que ousaremos olhar o alto e subir a vertente do monte, ainda que seja íngreme, ensanguentados e encharcados, até ao cume da montanha, onde Deus Se nos revela plenamente e aguarda com infinito amor. Semana da Paixão de Cristo, esta é a semana de todas as paixões humanas: a traição de um companheiro, a negação de um amigo, a venda de um inocente pelas autoridades religiosas, a exigência de morte, pela populaça amotinada, a quem passou a vida a fazer só o bem, o abandono do mestre pelos discípulos, o riso e escárnio dos mirones e soldados que assistem à morte do inocente… por fim, só a mãe do condenado, um homem e umas poucas mulheres permanecem fiéis, em silencioso respeito e amorosa contemplação! A nossa vida tem de tudo isto, mas a última palavra é a do Amor, que nos há-de surpreender na madrugada do primeiro dia da semana. Até lá vivamos piedosamente estes dias santos.   P. Fausto in diálogo 1465 (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor – Ano...

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Lógica estranha!

Estamos no 5.º Domingo da Quaresma. O ambiente é de tensão e Jesus já não anda com o à vontade de sempre pelos caminhos habituais e sobejamente conhecidos. O cerco vai apertando e a morte espreita, mas não se cala nem recua. Jesus sabe bem que a fidelidade é o preço do amor! Ao longo da Sua pregação, disse-nos muitas vezes que o Seu projecto de vida era apenas fazer a vontade do Pai, daí a tranquilidade e confiança com que vive cada momento da existência, consciente de que todas as coisas têm o seu lugar e que há sempre um tempo para fazer o que se deve, mesmo quando se pressente a morte próxima. Jesus vive assim, atento e sem stress de espécie alguma, cada hora. Mais uma vez O encontramos no templo a dirigir a Palavra ao povo, e alguns, não O conhecendo ainda, pedem uma entrevista. Como sempre, Jesus não se escusa, mas, longe de satisfazer curiosidades, aproveita para dizer, ao contrário dos que dizem que caminhamos para a noite e para a morte, que caminhamos, sim, para a luz e para a Vida, como o grão de trigo que cai na terra, morre e dá muito fruto. “A vida não acaba, apenas se transforma” e o sofrimento e a morte, não são perdas irreparáveis ou castigo de Deus, mas são para os crentes lucro e fonte de vida!   P. Fausto in diálogo 1464 (Domingo V da Quaresma – Ano...

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A alegria cristã!

Os dias luminosos e aquecidos pelo sol já sem vergonha anunciam que a primavera espreita e com a quaresma já a meio e a Páscoa aí, a liturgia, não fugindo ao ritmo das estações do ano, dirige-nos, com verbos bem expressivos, o convite à alegria: “Alegra-te…rejubilai…exultai de alegria …” Hoje é o Domingo da Alegria! Mesmo que a vida corra bem e a saúde esteja em forma, não é razão sólida e bastante para os cristãos darem rosto à alegria, porque só à luz da Ressurreição de Jesus o sofrimento e o mistério da morte se aclaram, apesar da noite; mas há-de ser a certeza do Amor incansável de Deus pelos homens, como nos diz a 1ª leitura da Missa de hoje, a proporcionar-nos a experiência feliz do amor gratuito de Deus, sempre fiel à Aliança e a cada um de nós. Entre Deus e o mundo, entre Deus e a humanidade, entre Deus e cada um de nós, não há distâncias nem vazios; há apenas Amor. De Deus, claro! E é a certeza deste Amor, que não se cansa, nem desiste de nós, que dá ao cristão alento e coragem para ser o rosto da Alegria, mesmo com lágrimas nos olhos! P. Fausto in diálogo 1463 (Domingo IV  da Quaresma – Ano...

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Um Código sempre actual!

Este domingo é o terceiro de um tempo, que podemos considerar como viagem de 40 dias até à Páscoa, revisitando a História da Salvação; se o vivermos assim… poderemos renovar e actualizar a nossa Aliança com Deus, de forma consciente, solene e feliz, nas Promessas Baptismais, na noite santa da Vigília Pascal. E que melhor proposta para vivermos este tempo quaresmal que os mandamentos dados por Deus a Moisés e levados à perfeição por Jesus Cristo? Teremos melhor guia para o exame da nossa consciência? Próximos estão os dias em que o sacramento da Reconciliação nos é mais largamente oferecido, e melhor guião não temos para nos examinarmos. É na conformidade amorosa, livre e confiante da nossa vida com os preceitos dados por Deus a Moisés e aperfeiçoados por Jesus Cristo, que mostramos a nossa fidelidade ao Deus da Aliança, que nos convida sempre a trilhar os caminhos da comunhão de uns com os outros. Sempre por amor e não por temor. Sempre por amor e não calculismo. Sempre por amor e não legalismo. Pois tudo o que é feito sem amor se reduz ao patamar de lixo. P. Fausto in diálogo 1462 (Domingo III da Quaresma – Ano...

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Experiência marcante

Depois da experiência de deserto do domingo passado em que sentimos forte o apelo a entrar sem medo no período austero da quaresma e ao silêncio, para podermos melhor ouvir a voz de Deus, somos, neste domingo, convidados por Jesus, a subir com Pedro, Tiago e João, ao monte Tabor. O grupo é pequeno e a subida, por ser íngreme, requer cuidados, mas o risco e o esforço da caminhada foram plenamente recompensados. Pedro não queria mesmo outra coisa senão ficar ali, bem quieto, a contemplar o rosto radiante e luminoso do Mestre e o brilho das suas vestes. Era um assombro que até arrepiava, e dizia “como é bom estarmos aqui!” Só que a vida, tendo também momentos felizes, não é propriamente um mar de rosas, e não foi para ficarmos felizes, lá em cima, no monte, que Jesus nos convidara a subir, mas tão só para nos ajudar a compreender que o sofrimento e a morte, continuando a ser um mistério, não têm a última palavra e a glória da ressurreição, sem nos livrar das trevas da morte, vem dar sentido novo e jubiloso à vida do homem. Prosseguindo a nossa quaresma, aprendamos, como Abraão, a confiar, sem reservas, em Deus, e a cuidar ainda mais a nossa relação com Ele, para que, “de coração purificado”, possamos celebrar, com verdade, as Festas Pascais que se aproximam. P. Fausto in diálogo 1461 (Domingo II da Quaresma – Ano...

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Sem máscaras

Caídas as máscaras de carnaval, o rito da imposição de cinzas faz-nos entrar num tempo novo, o tempo da quaresma, período particularmente rico e significativo, em que a Igreja nos convida, como mãe e mestra, a fazer deserto. Sem máscaras, somos convidados a olharmo-nos bem de frente e, sem medos, a entrar no íntimo mais íntimo do santuário da consciência, para acolhermos a Boa Nova de que Jesus é portador, da parte do Pai: “Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho”. É para isto que serve o tempo de deserto a que a Igreja nos convida em cada quaresma e são felizes os que, no frenesim das ocupações habituais e das correrias diárias, conseguem espaço e inventam tempo para o fazer. Sendo tempo especial, a quaresma, como retiro espiritual orientado pela Palavra de Deus, há-de ser marcado “pela oração mais intensa, pela caridade mais diligente, pela participação nos mistérios da renovação cristã”, como reza o primeiro prefácio deste tempo, a fim de que,”na alegria do coração purificado”, possamos celebrar as festas pascais. E isto só será possível se formos capazes de fazer deserto, para descobrir Jesus, como verdadeiro Filho de Deus, a quem devemos escutar e seguir, sem máscaras nem medos. P. Fausto in diálogo 1460 (Domingo I da Quaresma – Ano...

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“Quem vê caras não vê corações!”

Assim diz o povo e é verdade, porque muitas vezes ficamos pelas aparências e não atendemos à pessoa que, independentemente do seu estatuto económico, social, religioso, familiar ou grau de saúde, é sempre credora da nossa maior consideração. Grande lição nos dá Jesus neste domingo! Já demos conta que grande parte do dia-a-dia de Jesus é passado junto das pessoas doentes e atribuladas, mas hoje vai mais longe, mesmo contra todos os princípios e leis vigentes, ao aproximar-se do leproso, sem preconceitos, apenas por ser pessoa e esta não perder a dignidade por estar doente. À súplica confiante e delicada do leproso, responde Jesus com magnanimidade e prontidão: “quero: fica limpo”. Liberto da enfermidade e do estado de humilhação permanente a que a doença o submete, o leproso reencontra-se consigo mesmo, com a sociedade e com Deus. É um homem novo! Não temos o poder taumatúrgico de Jesus, mas não esqueçamos que também podemos curar. E às vezes basta um olhar, uma palavra, um sorriso e até a presença silenciosa…! P. Fausto in diálogo 1459 (Domingo VI do Tempo Comum – Ano...

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Um dia em cheio!

Assim eram os dias de Jesus, sempre cheios, cheios como um ovo! Sem pressas nem intervalos, para todos havia um olhar de compreensão, uma palavra de coragem, uma oração de bênção ou um gesto de cura. Ninguém era estranho para Jesus, nem dEle se afastava indiferente. “Todos te procuram”, dizia Simão, num misto de inquietação, impaciência e admiração. E Jesus, com simplicidade, lembra que não veio para exercer medicina ou enfermagem, mas para dizer a todos que cada pessoa, apesar do sofrimento por mais doloroso, nasceu para ser feliz e que o sofrimento jamais deverá ser considerado castigo de Deus e obstáculo ao Seu amor. Por isso, respondeu logo a Simão: “vamos a outros lugares… a fim de pregar aí também”. Tão grande era a Boa Nova a comunicar e tantas as pessoas que se acotovelavam para O ver, ouvir e tocar, que não deixava de fazer de noite o que não podia fazer de dia: rezar. Assim O encontram neste domingo a aproveitar para tal o necessário tempo de descanso! Como discípulos, importa descobrir que há um só verbo a aprender a conjugar bem – SERVIR; outra ambição Jesus não tem, nem outro projecto também. Por aqui passa o segredo da Sua autoridade. E da “nossa” também. P. Fausto in diálogo 1458 (Domingo V do Tempo Comum – Ano B)...

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Haja profetas!

De muitos modos falou Deus pelos profetas e, por último, falou-nos por Seu Filho, diz–nos S. João, e continua a falar-nos, porque não emudeceu, nem cansou de tanto insistir e esperar, nem desistiu irritado pelos atropelos e atrocidades que se cometem. Em tempos difíceis, como os nossos, ainda são mais precisos profetas que transmitam a Palavra e a vontade de Deus e os cristãos devem estar na primeira linha no exercício desse profetismo, apesar de a vida de muitos baptizados pouco corresponder ao ideal que Jesus aponta e que é claramente reconhecido como segredo do êxito da Sua pregação. No tempo de Jesus havia Escolas Bíblicas e muitos especialistas nas Sagradas Escrituras, mas faltava-lhes a autoridade que vem do testemunho alegre, feliz e coerente da vida; o mesmo não acontecia com Jesus, que era escutado com respeito e admiração e seguido com entusiasmo, porque falava ” como quem tem autoridade” e não como os escribas. A Palavra e a autoridade de Jesus continuam na Igreja, na medida em que os Baptizados – Bispos, Padres, Religiosos/as e Leigos – digam e sobretudo pratiquem o Evangelho, tornando as suas vidas verdadeira e feliz notícia. Quem dera se pudesse dizer sempre de cada cristão que faz o que diz e diz o que faz! Se assim fosse, a Igreja seria mais santa e o mundo mais humano, pacífico e fraterno. P. Fausto in diálogo 1457 (Domingo IV do Tempo Comum – Ano...

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