Caídas as máscaras de carnaval, o rito da imposição de cinzas faz-nos entrar num tempo novo, o tempo da quaresma, período particularmente rico e significativo, em que a Igreja nos convida, como mãe e mestra, a fazer deserto.
Sem máscaras, somos convidados a olharmo-nos bem de frente e, sem medos, a entrar no íntimo mais íntimo do santuário da consciência, para acolhermos a Boa Nova de que Jesus é portador, da parte do Pai: “Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho”. É para isto que serve o tempo de deserto a que a Igreja nos convida em cada quaresma e são felizes os que, no frenesim das ocupações habituais e das correrias diárias, conseguem espaço e inventam tempo para o fazer.
Sendo tempo especial, a quaresma, como retiro espiritual orientado pela Palavra de Deus, há-de ser marcado “pela oração mais intensa, pela caridade mais diligente, pela participação nos mistérios da renovação cristã”, como reza o primeiro prefácio deste tempo, a fim de que,”na alegria do coração purificado”, possamos celebrar as festas pascais. E isto só será possível se formos capazes de fazer deserto, para descobrir Jesus, como verdadeiro Filho de Deus, a quem devemos escutar e seguir, sem máscaras nem medos.
P. Fausto
in diálogo 1460 (Domingo I da Quaresma – Ano B)
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