Começamos a Semana Santa, como sempre, de forma desconcertante, com palmas e hossanas festivos no Domingo de Ramos e a proclamação do Evangelho da Paixão e Morte de Jesus.
É grande esta semana, é a maior e mais santa e é por graça do que nela celebramos que o vale, que é a nossa vida, não deixando de ser de lágrimas e dor, se torna em “Vale dos redimidos” e não em “vale dos caídos”. Sim, continuando a viver como num “vale”, é graças à Páscoa do Senhor, que ousaremos olhar o alto e subir a vertente do monte, ainda que seja íngreme, ensanguentados e encharcados, até ao cume da montanha, onde Deus Se nos revela plenamente e aguarda com infinito amor.
Semana da Paixão de Cristo, esta é a semana de todas as paixões humanas: a traição de um companheiro, a negação de um amigo, a venda de um inocente pelas autoridades religiosas, a exigência de morte, pela populaça amotinada, a quem passou a vida a fazer só o bem, o abandono do mestre pelos discípulos, o riso e escárnio dos mirones e soldados que assistem à morte do inocente… por fim, só a mãe do condenado, um homem e umas poucas mulheres permanecem fiéis, em silencioso respeito e amorosa contemplação!
A nossa vida tem de tudo isto, mas a última palavra é a do Amor, que nos há-de surpreender na madrugada do primeiro dia da semana. Até lá vivamos piedosamente estes dias santos.
P. Fausto
in diálogo 1465 (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor – Ano B)
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