Mesmo os mais distraídos se dão conta que a Palavra de Deus hoje respira e transpira alegria e temos seguramente razões para fazer deste domingo o Domingo da Alegria. E quanto mais o tempo passa, mais certos ficamos de que a celebração do Natal, com alegria renovada, é penhor da outra celebração que esperamos viver, no encontro definitivo com Deus. Então é que será o Natal em pleno! É para aí que vivemos em jubilosa esperança. Enquanto, porém, o NATAL não chega, vivamos, apesar de não sabermos o dia, a hora e as circunstâncias do termo da caminhada, atentos às palavras sábias de João Baptista, quando diz aos que têm alimentos e bens materiais que o mais importante dos verbos é dar e que há muita gente com fome e com frio, aos cobradores de impostos que evitem exigir mais do que o previsto pela lei e, mesmo aos soldados, sem se intimidar, lembra que a força física é a arma dos fracos e que a valentia é questão de dignidade e honra e não de violência e haveres. O profeta Sofonias faz hoje coro com S. Paulo, ao alertar-nos para que a razão da nossa alegria não esteja na marca das sapatilhas, no telemóvel, no carro ou na casa em bairro de luxo… mas na certeza de sermos a Alegria de Deus, que vive feliz e apaixonado por nós. E João Baptista, em linguagem simples e compreensível, parece lembrar-nos que nunca devemos esquecer que “o muito sem Deus é nada” e “o pouco com Deus é muito”. Só aceita isto quem descobre que o Natal, a desejar de todo o coração, é o que nos dá Paz, Amor e Alegria. Tudo o resto, são bens transaccionáveis, mas nunca valores duradoiros. P. Fausto in diálogo 1496 (III Domingo do Advento – Ano...
Learn MoreAqui e acolá já se vêem sinais da época natalícia a convidar a parar diante das montras para ver, entrar e comprar. É assim todos os anos. Os cristãos, porém, vivem este tempo, procurando, por gestos e palavras, dar corpo à alegria que nos deve provocar a proximidade da festa do Natal. A Igreja quer que os cristãos vivam sempre a felicidade de terem consigo o Salvador, porque sabe que, mesmo nas perseguições e nos momentos difíceis, o Senhor não nos abandona; por isso, apesar dos sinais em contrário, a alegria é possível e necessária, e nós somos chamados a ser o rosto mais genuíno e o porta-bandeira mais seguro dessa alegria que não é efémera, nem está sujeita às leis de mercado, porque nos vem do fundo do coração. Sempre, mas especialmente no Advento, deixemos falar o profeta Baruc que, num belíssimo texto proclamado neste domingo, anuncia um mundo completamente novo, um mundo de paz e alegria, de justiça e misericórdia… Um mundo que, por tão diferente do nosso, nos pode parecer apenas sonho e miragem, mas não. Esse mundo novo e feliz, dom de Deus, sem dúvida, também nos compromete na sua realização, cabendo a cada um fazê-lo acontecer todos os dias na sua relação com os outros, consigo e com Deus. Como a de João Baptista, também a voz, que se fez ouvir no deserto, ecoa ainda hoje forte, vigorosa e oportuna: “Endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus”. Há que aproveitar estes dias para retirar o que impede ou dificulta o caminho a Deus, sem deixar ninguém de fora. P. Fausto in diálogo 1495 (II Domingo do Advento – Ano...
Learn MoreCom o 1º domingo do Advento começa o ano litúrgico. É caminhada que os cristãos recomeçam todos os anos, esforçando-se por abrir as portas do coração à Bondade infinita de Deus, que vem para nós. Convidados a olhar, sem medo, o futuro, para além do tempo, vamos viver estas semanas em expectante atenção pela aproximação do Natal. É um tempo que passa depressa por sabermos que não se espera em vão. “Erguei-vos e levantai a cabeça”. Apesar de dramática, a linguagem do Evangelho deste domingo não trata do fim do mundo, mas do sentido da história, porque, apesar do imenso mar de lágrimas em que se pode transformar a nossa existência, sabemos que sempre podemos contar com Deus. “Porque a nossa libertação está próxima”, não nos espera o abismo, nem estamos condenados ao extermínio, mas aguarda-nos a libertação total e definitiva por Deus e em Deus. E desta libertação participará toda a criação. Com os olhos no futuro, para além do tempo, cuidemos, neste tempo, o nosso coração, para que não se torne “pesado pela devassidão, embriaguez e preocupações da vida”… e, enquanto temos tempo, mantenhamos arregaçadas as mangas das mãos no trabalho. Não há melhor maneira de vivermos o tempo do Advento e todos os dias da nossa existência. Só assim a vida se torna luminosa e mostra ter sentido. P. Fausto in diálogo 1494 (I Domingo do Advento – Ano...
Learn MoreCom a festa de Cristo, Rei do Universo, terminamos o ano litúrgico e recapitulamos nesta solenidade toda a acção redentora de Jesus em favor da humanidade e da criação. É, assim, o fim pleno, feliz e glorioso a que toda a criação aspira, mesmo sem consciência disso. Mas para não haver dúvidas ou tentações, logo no princípio da celebração, lembra-se que Jesus, Rei e Senhor, segue e propõe caminhos diferentes dos grandes do mundo, porque o Seu Reino vem de dentro, nasce e cresce no íntimo do coração e mostra-se pelo que cada um pensa, quer e age livremente; não está desligado da história, fora do tempo, mas realiza-se no tempo, não segundo a estratégia do poder, mas na lógica do serviço e do amor. Jesus é Rei e veio mesmo para reinar, disse diante de Pilatos, mas logo acrescentou, para não atemorizar o poder político, “o meu reino não é deste mundo”, não tem pretensões terrenas, nem entra em competição… É reino de verdade, de justiça, de fraternidade, de paz… Jesus não força ninguém a pertencer ao Seu reino; quer homens livres e renovados interiormente, porque a sua força não está nas armas, no dinheiro ou em qualquer outra forma de poder, mas tão só na força invencível do Amor. Isto não compreendeu Pilatos, nem tinha obrigação de compreender, mas sabemo-lo nós; por isso, é discípulo quem O segue livre e generosamente, tendo desde já assegurada a vitória. P. Fausto in diálogo 1493 (XXIV DT C – Solenidade de Nossos Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo – Ano...
Learn MoreDizemos isto tantas vezes que corremos o risco de nem pensar no que dizemos, mas é precisamente assim que Deus nos convida a viver cada dia, sempre condicionados pelas contingências, umas gostosas e outras não tanto, da existência. Quase no fim do ano litúrgico, os textos da Missa convidam-nos a reflectir, sem medo nem angústia, sobre o “fim dos tempos”. O que para alguém sem fé não tem sentido ou se evita pelo incómodo que provoca, para nós, cristãos, faz todo o sentido, porque, iluminados pela Palavra de Deus, aprendemos a valorizar o tempo, apesar dos seus limites, e a viver o momento presente, que jamais se repete. A certeza de que podemos contar sempre com Deus, que nos ama infinitamente, move-nos à confiança, inspira-nos serenidade e dá consistência à nossa esperança, sem nos dispensar do desconforto e sofrimento próprios da natureza, de que também não Se dispensou Jesus, ao Incarnar no seio da Virgem. Se é verdade que um dia “a lua não dará a sua claridade, o sol escurecerá…e as forças que há nos céus serão abaladas”, não é menos verdade que, depois da grande aflição,”virá o Filho do homem com grande poder e glória”. “Passa o tempo, e, com ele, as nossas vidas”. Passam as instituições e o cosmos. Tudo é passageiro e frágil. Só Deus é que não passa, e é só d’Ele a última Palavra. Temos razões de sobra para vivermos em “jubilosa esperança”. P. Fausto in diálogo 1492 (XXIII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn More“Inclinai o Vosso ouvido ao meu clamor”, como diz a antífona da entrada da Missa deste domingo, alimentou, com certeza, a vida das mulheres que nos são propostas à reflexão. Na verdade, Deus não resiste à oração simples, humilde e confiante, sobretudo quando sai de um coração que, à maneira de criança indefesa, pede a Deus tudo porque nada pode. São na verdade exemplares as mulheres hoje centrais na Palavra de Deus! Ambas viúvas e muito pobres, com um coração generoso à escala do mundo e que, atentas às necessidades, não dão das poupanças, mas do que necessitam para sobreviver. Sem hesitações, com simplicidade, discrição e confiança em Deus. Que belo exemplo! Por ser tão belo e grande, não escapa à gratidão do profeta Elias, nem à atenção e elogio de Jesus, nem tão pouco o pó da história o votará ao esquecimento! Jesus não condena as pessoas abastadas, que dão com abundância, mas não se regala com a grandeza das suas ofertas, porque o que O regala mesmo é o pouco dos pobres partilhado com alegria. As dádivas dos ricos têm o valor fácil, enquanto as dos pobres têm a grandeza do amor, alegre e generoso, próprio só de quem tem o coração pobre, humilde e solidário. P. Fausto in diálogo 1491 (XXII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreDe todos e com todos, canonizados ou não, na plenitude da comunhão com Deus, é a Festa de todos os Santos que celebramos neste domingo, em ambiente de profunda esperança e intensa alegria, porque um dia partilharemos da mesma felicidade. Com esta festa, somos transportados ao “fim dos tempos” para assistirmos à liturgia celeste, onde os Anjos e os Santos celebram os louvores de Deus, pela alegria inexcedível da plena comunhão de uns com os outros, independentemente dos laços de sangue ou de amizade que os tenham unido, do lado de cá da margem. Não se nasce santo, nem o santo se faz de repente, nem a santidade resulta de piedosos desejos ou ímpetos de fervor, mas é fruto duma caminhada ininterrupta de fidelidades e imperfeições, de avanços e recuos, de sonhos e ilusões, de quedas e recuperações…, sempre confiantes na misericórdia de Deus e comprometidos na solidariedade com todos os companheiros de jornada, rumo a esses “novos céus e nova terra”, onde os sonhos são realizados e os projectos conseguidos… e em que “Deus é tudo em todos.” Ao celebrarmos a Solenidade de todos os Santos, devemo-nos interrogar sobre se os nossos caminhos, hoje, levam a esse “Amanhã” que desejamos. E, se não, há que mudar de rumo, enquanto é tempo, sabendo que só as Bem-aventuranças são caminho seguro para a Pátria dos Sonhos, onde Deus e todos os Santos nos aguardam. P. Fausto in diálogo 1490 (Solenidade de Todos os Santos – Ano...
Learn MoreO evangelho deste domingo relata mais um encontro de Jesus com gente da margem, desta vez um homem, de nome Bartimeu, que pouco tinha que o recomendasse. Pedinte e cego, estava sentado à beira da estrada, à saída da cidade de Jericó. Para ele não havia sol, nem horizontes e o dia era sempre noite. Invisual e dependente, mantinha-se sentado e abandonado à sorte, até ouvir dizer que Jesus passava e gritou, gritou até incomodar os transeuntes: “Jesus, Filho de David, tem piedade de mim”. E uma réstia de esperança nasceu! O episódio deste evangelho repete-se hoje e o exemplo de Jesus mantém-se luminoso, e, ainda que não sejamos capazes de erradicar uma forma sequer de pobreza que afecte a humanidade, não podemos baixar os braços e fazer de conta que nada se passa… Os cristãos não podem tomar a atitude daqueles que mandam calar o cego, para que não incomode e deixe livre o caminho. Devem sim imitar a atitude de Jesus: parar, escutar, tomar conhecimento e fazer o possível por responder à situação concreta. Não há outra maneira de manifestar hoje a vontade salvadora de Deus, nem de viver as Obras de Misericórdia, que continuam a ser para todos, crentes e não crentes, a tradução concreta do Evangelho. P. Fausto in diálogo 1489 (XXX Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreApesar da intensa e já prolongada catequese de Jesus aos discípulos, Tiago e João não dão mostras de ter mudado o coração. E os outros dez também não. A tentação do poder, das luzes, do palco… é grande e espreita mesmo os mais virtuosos. Como é difícil trabalhar na sombra, nos bastidores e aceitar ser apenas andaime que se desmonta e amontoa terminada a construção! Jesus vem, hoje, no Evangelho, dizer aquilo que já não era novidade: “o Filho do Homem não veio para ser servido, veio para servir…” Na verdade, nunca alimentara outra ambição, nem tivera outro projecto. E os discípulos sabiam-no bem; apesar de tudo, a preocupação pelos primeiros lugares era comum, e se possível logo à direita e à esquerda, bem junto ao Mestre. Sempre “dá mais jeito”! E a tentação… não é só dos apóstolos. Há e haverá sempre cristãos que não entendem a mensagem de Jesus e não tornam seu o Seu projecto, mas cabe a nós levar por diante a alternativa cristã, que não passa pelo poder, domínio e sucesso… mas pelo serviço humilde e generoso, feito com liberdade e amor. “O Filho do Homem não veio para ser servido, veio para servir e dar a vida pela redenção de todos”. O que Jesus disse aos apóstolos diz também a cada um de nós, porque é esta a fonte de honra e glória a que devem aspirar os discípulos e que os torna verdadeiramente grandes. P. Fausto in diálogo 1488 (XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreEra uma vez um rapaz simpático, cumpridor, bem prendado, de vida desafogada e de boas famílias… um bom partido para qualquer judia. Tinha tudo, mas queria algo mais que a lei, para se realizar e ser feliz: “Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?” E Jesus, de resposta pronta, fixando-lhe os olhos, vai da obrigação à opção, do devido ao generoso, da observância dos mandamentos à pobreza voluntária. Até ao limite. Bastava apenas renunciar a todos os seus bens em favor dos pobres, com a garantia de um tesouro nos céus. Quando toda a gente pensava que era aposta ganha, o jovem, “de semblante anuviado por estas palavras, retirou-se entristecido”. O desafio lançado não era um juízo de valor sobre a riqueza, mas condição para, de coração livre e indiviso, poder seguir Jesus. Como sempre lhe tinham ensinado, se a riqueza era recompensa, prova de amizade e bênção de Deus, porquê renunciar aos bens? E na cabeça do jovem tudo era confuso! Deixar tudo foi o desafio feito por Jesus particularmente a este jovem, mas desapegar o coração das riquezas, e até das pessoas, é para todos. E todos nós sabemos como isso é difícil. Mas é a condição para o prometido tesouro nos céus. P. Fausto in diálogo 1487 (XXVIII Domingo do Tempo Comum – Ano...
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