O evangelho deste domingo relata mais um encontro de Jesus com gente da margem, desta vez um homem, de nome Bartimeu, que pouco tinha que o recomendasse. Pedinte e cego, estava sentado à beira da estrada, à saída da cidade de Jericó. Para ele não havia sol, nem horizontes e o dia era sempre noite.
Invisual e dependente, mantinha-se sentado e abandonado à sorte, até ouvir dizer que Jesus passava e gritou, gritou até incomodar os transeuntes: “Jesus, Filho de David, tem piedade de mim”. E uma réstia de esperança nasceu!
O episódio deste evangelho repete-se hoje e o exemplo de Jesus mantém-se luminoso, e, ainda que não sejamos capazes de erradicar uma forma sequer de pobreza que afecte a humanidade, não podemos baixar os braços e fazer de conta que nada se passa…
Os cristãos não podem tomar a atitude daqueles que mandam calar o cego, para que não incomode e deixe livre o caminho. Devem sim imitar a atitude de Jesus: parar, escutar, tomar conhecimento e fazer o possível por responder à situação concreta. Não há outra maneira de manifestar hoje a vontade salvadora de Deus, nem de viver as Obras de Misericórdia, que continuam a ser para todos, crentes e não crentes, a tradução concreta do Evangelho.
P. Fausto
in diálogo 1489 (XXX Domingo do Tempo Comum – Ano B)
Comentários recentes