Aqui e acolá já se vêem sinais da época natalícia a convidar a parar diante das montras para ver, entrar e comprar. É assim todos os anos. Os cristãos, porém, vivem este tempo, procurando, por gestos e palavras, dar corpo à alegria que nos deve provocar a proximidade da festa do Natal.
A Igreja quer que os cristãos vivam sempre a felicidade de terem consigo o Salvador, porque sabe que, mesmo nas perseguições e nos momentos difíceis, o Senhor não nos abandona; por isso, apesar dos sinais em contrário, a alegria é possível e necessária, e nós somos chamados a ser o rosto mais genuíno e o porta-bandeira mais seguro dessa alegria que não é efémera, nem está sujeita às leis de mercado, porque nos vem do fundo do coração.
Sempre, mas especialmente no Advento, deixemos falar o profeta Baruc que, num belíssimo texto proclamado neste domingo, anuncia um mundo completamente novo, um mundo de paz e alegria, de justiça e misericórdia… Um mundo que, por tão diferente do nosso, nos pode parecer apenas sonho e miragem, mas não. Esse mundo novo e feliz, dom de Deus, sem dúvida, também nos compromete na sua realização, cabendo a cada um fazê-lo acontecer todos os dias na sua relação com os outros, consigo e com Deus.
Como a de João Baptista, também a voz, que se fez ouvir no deserto, ecoa ainda hoje forte, vigorosa e oportuna: “Endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus”. Há que aproveitar estes dias para retirar o que impede ou dificulta o caminho a Deus, sem deixar ninguém de fora.
P. Fausto
in diálogo 1495 (II Domingo do Advento – Ano C)
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