Ao aproximar-se o termo do ano litúrgico, somos convidados a ver “para além das nuvens” e a reflectir sobre o fim dos tempos, sabendo que a nossa vida é um caminhar ao encontro de Cristo, com sobressaltos de vária ordem. Em tudo isto, porém, não estamos sós. Podemos sempre contar com a presença confortante e consoladora de Jesus, que nos garante assistência permanente e recompensa acrescida, como Juiz supremo e Salvador, que tem a nosso respeito desígnios de paz e não de desgraça. Esta certeza, porém, não nos dispensa de levar a sério a profecia de Malaquias, na primeira leitura, porque o destino dos “soberbos e malfeitores” não é o mesmo de quem teme o nome Senhor e “procede rectamente”, e de escutar S. Paulo na carta que escreve aos cristãos de Salónica, perturbados e divididos por causa da vinda do Senhor e que, de mão caídas, descuravam os seus deveres quotidianos: “quem não quer trabalhar, também não deve comer” e aos ociosos e “ocupados em coisa inúteis…. ordenamos que trabalhem tranquilamente…”. As preocupações espirituais e as devoções não podem afastar os cristãos dos princípios simples em que assentam a vida e a dignidade humanas. Sem medos nem atropelos, mas de mangas arregaçadas e sempre atentos, ousemos, sem deixar de olhar o céu, cumprir os nossos deveres com zelo, alegria e fidelidade. É o caminho seguro da salvação. P. Fausto in diálogo 1537 (XXXIII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreDepois de uma semana intensamente vivida e enriquecida pela experiência de comunhão que a solenidade de Todos os Santos e a comemoração dos Fiéis Defuntos nos proporcionam, a liturgia deste domingo fala-nos da vida para além da morte. São várias as afirmações do segundo livro dos Macabeus que escutámos na primeira leitura, à cerca da ressurreição: “O Rei do universo ressuscitar-nos-à para a vida eterna” e “vale a pena morrermos às mãos dos homens, quando temos a esperança em Deus que havemos de ser ressuscitados por Ele”. Estas e outras palavras, proferidas pelos sete jovens irmãos diante do rei da Síria, dão-lhes coragem para enfrentarem o martírio e à sua mãe o apoio seguro na esperança de os reencontrar em Deus. Faz-nos sempre muito bem celebrar a memória daqueles que nos lembram que o martírio faz parte do ADN cristão e em todos os tempos e lugares há homens e mulheres, velhos e crianças, leigos e ministros ordenados, perseguidos, torturados e mortos por causa da fé. Jesus, ao falar da ressurreição com os saduceus que apenas queriam brincar com coisas sérias, vai-lhes dizendo que na ressurreição ninguém é posse de ninguém e não há lugar ao meu e ao teu, seja de coisa ou pessoa, mas apenas ao Amor, ao Amor pleno em Deus, de Deus com cada um e de cada um com todos os demais. Sem limites nem nostalgias. É a realização plena dos sonhos e utopias. Até lá há que viver em jubilosa esperança os desafios da fidelidade no quotidiano da vida, porque a de Deus está garantida. P. Fausto in diálogo 1536 (XXXII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreO encontro de Jesus com Zaqueu é dos mais comentados na catequese e conhecido pelas crianças. A Igreja convida-nos hoje a acompanhar Jesus a casa deste cobrador de impostos, para compreendermos, bem atentos ao que se passa, a riqueza da Boa Nova que Jesus em pessoa nos trouxe. Não se trata de uma parábola, mas do relato de um encontro pessoal com Zaqueu, chefe de publicanos, rico e com secreto e sincero desejo de conhecer Jesus e se aproximar d’ Ele. Salta à vista, desde logo, a bondade do coração de Cristo, que, atento, se abre com inesgotável humanidade a Zaqueu, toma a iniciativa e provoca o encontro de salvação para toda a família: “hoje entrou a salvação nesta casa“. Pelos vistos, o encontro que encheu de alegria o coração de Zaqueu e lhe libertou ondas de generosidade a favor dos pobres, caiu mal aos fariseus, escandalizados pela sua hospedagem em casa de um pecador, mas inteligentemente aproveitada por Jesus, para dizer alto e bom som ao que vinha da parte de Deus Pai: “O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido“. É nesta certeza que assenta o nosso louvor e gratidão ao cantarmos o Salmo 144. Neste ano pastoral em que nos comprometemos a celebrar mais festivamente Jesus Cristo, o rosto da Esperança (e da Misericórdia), que Maria faça caminho connosco, e nos ajude a levá-Lo com alegria ao coração das pessoas e de todas a famílias da Paróquia. P. Fausto in diálogo 1535 (XXXI Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreA liturgia da Palavra deste domingo convida-nos a cultivar a humildade com Deus e com o próximo. Sendo verdade que “o Senhor não faz acepção de pessoas, a oração dos humildes atravessa as nuvens” e chega sempre ao coração de Deus. No Evangelho, Jesus conta a história de um publicano e de um fariseu, que vão ao Templo para orar. O fariseu, zeloso, piedoso e cumpridor da Lei, julga-se com direitos diante de Deus, ao passo que o publicano, cobrador de impostos e explorador, se mostra humilde e reconhece que peca e nem “se atreve a levantar a cabeça“. Ambos foram ao Templo para orar, com intenções diferentes e com desfechos diferentes. O fariseu não foi para se encontrar com Deus, mas para desabafar a sua vaidade e lembrar as suas virtudes e boas obras, mas o publicano, consciente dos seus pecados, apenas implorava misericórdia e força para se libertar. Para o fariseu contava o seu eu, escondido numa fachada de aparente virtude, para o publicano apenas a piedade e a misericórdia para a sua miséria. Ambos foram ao Templo para orar, mas só o publicano voltou para casa justificado. Encontrara-se com Deus, rico de Misericórdia. P. Fausto in diálogo 1534 (XXX Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreNão é a primeira vez que a liturgia da Palavra aborda um tema sempre necessário e sempre actual na vida do cristão: a oração. A primeira leitura, ao mostrar-nos Moisés em jeito de súplica a rezar pelo povo, chama a atenção para o valor dos gestos e atitudes corporais e mostra que o nosso corpo também reza. Às vezes não rezamos… porque não nos apetece, estamos cansados, não encontramos palavras, o pensamento foge, etc. Em casos como estes, talvez não tenhamos outra maneira de rezar senão colocarmo-nos diante de Deus, numa atitude humilde, com simplicidade e confiança. Com Moisés, que ora sem palavras e de mãos erguidas, aprendemos a valorizar os gestos e atitudes que a Igreja nos sugere na liturgia, porque não é indiferente nem inútil estar de pé, sentado, de joelhos, bater no peito, inclinar-se…. tudo atitudes externas que fomentam e correspondem a sentimentos internos, que valorizam a oração individual e comunitária. No Evangelho o tema da oração é de novo abordado, e desta feita por Jesus, que conta a história do juiz iníquo e injusto, que, devido à insistência da pobre viúva, resolve fazer-lhe justiça. Se tal juiz assim procede, pergunta Jesus, como será a resposta de Deus Pai, que nos ama infinitamente e nos compreende com misericórdia, à nossa oração, se humilde, confiante e perseverante? O que nos leva a não desanimar na oração, mas a insistir, é a certeza garantida por Jesus de que Deus não fecha os Seus ouvidos e o coração às nossas palavras, por vezes sofridas e desatentas, mas sempre confiantes. P. Fausto in diálogo 1533 (XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreA primeira leitura e o Evangelho deste domingo referem pessoas afectadas pela lepra, uma doença terrível e, nos tempos passados, fortemente marcada por interdições sociais e religiosas. Tanto o general Naamã como os leprosos do Evangelho foram limpos por intervenção especial de Deus, mas o que se pretende realçar é a gratidão. Naamã, sírio e pagão, limpo depois de se ter banhado no rio Jordão, a mando do Profeta Eliseu, não deixa de voltar atrás para dar graças pela sua cura e de reconhecer o Deus de Israel como Senhor do céu e da terra e digno de todo o culto. O Evangelho ao narrar-nos o encontro de Jesus com dez leprosos que lhe suplicam, à distância regulamentar, misericórdia, evidência também a virtude da gratidão. Todos foram curados, mas apenas um voltou atrás para agradecer e, curiosamente, era samaritano. A Jesus não passou despercebido tal comportamento e louvou a atitude do estrangeiro. “Não foram dez os que ficaram curados? Onde estão os outros nove?”. Dos dez curados fisicamente só um foi curado pessoalmente: “Levanta-te; a tua fé te salvou.” Como então vemos, para além da bondade de Jesus e da fé dos leprosos, é evidente a gratidão de que só o samaritano deu provas. Dar graças a Deus e saber ser grato na relação com os outros, requer humildade e delicadeza, indispensáveis ao desenvolvimento do clima de confiança e de fraternidade que, mais que ninguém, os cristãos são chamados a fomentar na sociedade. P. Fausto in diálogo 1532 (XXVIII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreJesus, depois de tantas catequeses aos discípulos, hoje centra-se na Fé, a ponto de arrancar do coração dos mesmos um forte desejo formulado em oração urgente: “Senhor aumenta em nós a Fé” na verdade a Fé move montanhas, diz-se frequentemente, mas, ainda que as não mova, dá à vida uma tonalidade diferente, faz-nos “ver” mais claro e mais longe, e até ao olharmos a natureza, a Fé nos ajuda a encontrar a mão maravilhosa do Criador e a descobrir todos os dias uma mensagem de amor de Deus para nós. Bem precisamos, hoje e sempre, de pedir ao Senhor, como outrora os discípulos, que nos aumente a Fé. Não é questão de metros ou de pesos, mas de qualidade da nossa relação com Deus, com base na confiança plena abandono total e compromisso radical a que a Fé, dom de Deus, nos pode levar, dando qualidade à vida mesmo quando sofrível. É sobretudo nas adversidades que mais precisamos da força e da luz que vêm da Fé para ancorarmos a nossa esperança no meio do quotidiano, que às vezes mais parece um vale de lágrimas que antecâmara para a plenitude da comunhão com Deus e nós uns com os outros. É isto que nos leva sempre a confiar em Deus, que não está longe nem desinteressado de nós, mesmo quando nos pareça distante e em silêncio. P. Fausto in diálogo 1531 (XXVII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreMais uma vez a Palavra de Deus nos fala em dinheiro e bens materiais. Tanto o Profeta Amós como Jesus na parábola do rico avarento, falam claramente sobre a riqueza e pobreza, sem jamais emitirem um juízo de valor sobre uma e outra. Nem a pobreza é bendita nem a riqueza diabolizada. Jesus não condena a riqueza pela riqueza, mas o uso egoísta que dela se faz; por isso, nada no texto do Evangelho diz que o pobre era boa pessoa e o rico mau ou desonesto. O rico não é então condenado por ser rico, ou por ter comportamentos agressivos em relação ao pobre, mas apenas, e sobretudo, pelo facto de o ignorar. Para o rico da parábola o pobre era insignificante, simplesmente não existia. É a pior das condenações e a que faz mais doer na relação com os outros. “Quem tem ouvidos para ouvir ouça”. Tenhamos nós a coragem de ouvir, reflectir e tirar as devidas conclusões da Palavra que celebramos. Assim como Deus não desiste de nós, também não esquecerá os gemidos e gritos de dor dos injustiçados, abandonados e perseguidos…. É isto que nos arranca do coração a força para cantar “Ó minha alma louva o Senhor”, porque é d’Ele sempre a última Palavra e essa Palavra há-de realizar-se plenamente na eternidade. P. Fausto in diálogo 1530 (XXVI Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreA liturgia de hoje acautela-nos para a tentação que se apresenta ao homem convencido de encontrar a felicidade no dinheiro e cujo projecto de vida se resume a enriquecer, e quanto mais depressa melhor, mesmo à custa da paz da consciência e dos direitos dos outros. Para este tipo de gente os fins justificam os meios, desde que se enriqueça! A tentação, que não afectava apenas um grupo de pessoas no tempo de Amós e de Jesus, revela-se hoje de modo subtil, criativo e sofisticado, torna cada vez mais difícil o exercício da justiça e faz aumentar o número dos que pensam que o crime compensa. Há, pois, que ter cuidado, porque a honestidade enfraquece com a preocupação de fazer crescer a riqueza. O trecho do Evangelho, ao chamar a atenção para a esperteza do administrador desonesto, podendo suscitar dúvidas e perplexidades, e até provocar rejeição por parte de algumas pessoas, não é elogio à aldrabice, à desonestidade e ao roubo, mas um apelo à esperteza e inteligência no bom uso do tempo e dos bens. Na hora da verdade, na hora de se prestar contas da qual nunca se sabe a hora, não valem as contas bancárias, os investimentos altamente rentáveis ou a carteira imobiliária, mas somente o bem feito com os bens de que, afinal, somos meros administradores. P. Fausto in diálogo 1529 (XXV Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreCom Setembro, depois da ida a banhos chega a hora do regresso e dos recomeços. Também o nosso boletim paroquial “Diálogo” não foge ao ritmo do tempo, nem às vicissitudes da história que passa, e assim se vai constituindo, dinamicamente. Com todo o dinamismo, chega-nos também um Deus em movimento, em saída, um Pai à espera para sair, para abraçar e fazer festa. No Ano Santo que vivemos, assentando-nos que nem luva, este Cristo, o rosto da misericórdia e da esperança, assegura que ninguém está irremediavelmente perdido. É riquíssimo este texto, uma das páginas mais belas da Escritura, e seria quase um atentado não ler a página toda, a versão longa, a fim de que a loucura, postura e a ternura de Deus que se perde atrás de um só, nos atinja em cheio e por inteiro. Atingidos seremos se nos colocarmos no sítio certo para receber a profundidade da Palavra. Sim, por muito que gostemos de nos rever na imagem do filho mais novo, talvez sejamos muitas vezes, o filho mais velho. À primeira vista, o aviso é claro: tanto nos perdemos longe de casa como dentro dela, ou então, a rebeldia torna-nos escravos, mas a falta dela também nos pode tornar. Todavia ficará sempre aquém a lição se não ficarmos assombrados com a loucura da misericórdia desse Pai. No fundo, é a imagem que temos de Deus que a parábola nos ajuda questionar. Portanto: quem é Deus para mim? Pai ou patrão? Nesta hora dos recomeços, também do ano pastoral, como não ver na atitude da saída do pastor, a razão e o motivo, a inspiração e o mandato para uma saída permanente? Ir e sair ao encontro, individual ou comunitariamente, será o caminho de quem quer ser fiel a Cristo. Afinal, somos todos ovelhas ou dracmas perdidas e encontradas, reencontraras e reunidas pela misericórdia do Senhor. P. JAC in diálogo 1528 (XXIV Domingo do Tempo Comum – Ano...
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