Com Setembro, depois da ida a banhos chega a hora do regresso e dos recomeços. Também o nosso boletim paroquial “Diálogo” não foge ao ritmo do tempo, nem às vicissitudes da história que passa, e assim se vai constituindo, dinamicamente.
Com todo o dinamismo, chega-nos também um Deus em movimento, em saída, um Pai à espera para sair, para abraçar e fazer festa. No Ano Santo que vivemos, assentando-nos que nem luva, este Cristo, o rosto da misericórdia e da esperança, assegura que ninguém está irremediavelmente perdido.
É riquíssimo este texto, uma das páginas mais belas da Escritura, e seria quase um atentado não ler a página toda, a versão longa, a fim de que a loucura, postura e a ternura de Deus que se perde atrás de um só, nos atinja em cheio e por inteiro.
Atingidos seremos se nos colocarmos no sítio certo para receber a profundidade da Palavra. Sim, por muito que gostemos de nos rever na imagem do filho mais novo, talvez sejamos muitas vezes, o filho mais velho. À primeira vista, o aviso é claro: tanto nos perdemos longe de casa como dentro dela, ou então, a rebeldia torna-nos escravos, mas a falta dela também nos pode tornar. Todavia ficará sempre aquém a lição se não ficarmos assombrados com a loucura da misericórdia desse Pai. No fundo, é a imagem que temos de Deus que a parábola nos ajuda questionar. Portanto: quem é Deus para mim? Pai ou patrão?
Nesta hora dos recomeços, também do ano pastoral, como não ver na atitude da saída do pastor, a razão e o motivo, a inspiração e o mandato para uma saída permanente? Ir e sair ao encontro, individual ou comunitariamente, será o caminho de quem quer ser fiel a Cristo. Afinal, somos todos ovelhas ou dracmas perdidas e encontradas, reencontraras e reunidas pela misericórdia do Senhor.
P. JAC
in diálogo 1528 (XXIV Domingo do Tempo Comum – Ano C)
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