“Quem tem ouvidos…”

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Mais uma vez a Palavra de Deus nos fala em dinheiro e bens materiais. Tanto o Profeta Amós como Jesus na parábola do rico avarento, falam claramente sobre a riqueza e pobreza, sem jamais emitirem um juízo de valor sobre uma e outra. Nem a pobreza é bendita nem a riqueza diabolizada. Jesus não condena a riqueza pela riqueza, mas o uso egoísta que dela se faz; por isso, nada no texto do Evangelho diz que o pobre era boa pessoa e o rico mau ou desonesto.
O rico não é então condenado por ser rico, ou por ter comportamentos agressivos em relação ao pobre, mas apenas, e sobretudo, pelo facto de o ignorar. Para o rico da parábola o pobre era insignificante, simplesmente não existia. É a pior das condenações e a que faz mais doer na relação com os outros.
“Quem tem ouvidos para ouvir ouça”. Tenhamos nós a coragem de ouvir, reflectir e tirar as devidas conclusões da Palavra que celebramos. Assim como Deus não desiste de nós, também não esquecerá os gemidos e gritos de dor dos injustiçados, abandonados e perseguidos…. É isto que nos arranca do coração a força para cantar “Ó minha alma louva o Senhor”, porque é d’Ele sempre a última Palavra e essa Palavra há-de realizar-se plenamente na eternidade.

P. Fausto

in diálogo 1530  (XXVI Domingo do Tempo Comum – Ano C)

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