Maria Madalena, em pleno coração da noite, no primeiro dia da semana, sai de casa e vai ao sepulcro. S. João diz que vai sozinha e nada leva nas mãos, nem sequer um pau para se amparar no íngreme caminho do Calvário. No seu coração só há lugar para um momento misterioso de solidão e comunhão com o seu Amor Crucificado. “E viu a pedra retirada do sepulcro”. E ninguém por perto.“Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predilecto de Jesus”, que, de imediato e a toda a pressa, se dirigiram também ao sepulcro e confirmaram a versão de Maria Madalena.E assim começou uma manhã, que se antevia de dor e saudade, misteriosamente transformada em alvoroçada certeza de um Mundo Novo, porque O CRUCIFICADO É O RESSUSCITADO. O SEPULCRO está VAZIO PARA SEMPRE.Cabe-nos a nós, hoje, celebrar, testemunhar e alimentar o alvoroço dessa manhã, para que a Ressurreição de Jesus Cristo seja alegria e esperança no coração de todos os homens. P. Fausto in Diálogo nº. 1862 (Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor – Ano...
Learn MoreO relato da paixão e morte de Jesus na cruz, que se proclama na “Missa de Ramos”, introduzindo-nos na semana central do ano litúrgico, a “Semana Santa”, não é apenas auxiliar da memória, mas forte apelo à nossa participação no Mistério que, especialmente, celebramos neste tempo.Porque a agonia de Jesus se perpetua em cada homem que sofre, a crucifixão continua em todos os seus irmãos bombardeados na Ucrânia, na Síria, na Palestina…, esfomeados no Sudão, no Iémen, no Haiti, em Gaza…, explorados em tantos países incapazes de defender os seus recursos das potências ricas e hegemónicas. E os náufragos do Mediterrâneo? E o cortejo infindável de vítimas de toda as formas de violência? Tudo isto não actualiza a paixão de Jesus Cristo?A esta luz, rezar o Evangelho da Paixão torna-se não apenas a melhor introdução ao Mistério de Amor pleno e universal de Jesus Cristo por toda a humanidade, mas o melhor guião que ajuda cada um a viver mais profundamente esta Semana, que é por natureza a mais Santa. P. Fausto in Diálogo nº. 1861 (Domingo de Ramos na paixão do Senhor – Ano...
Learn MoreO Evangelho de hoje mostra-nos Jesus em Jerusalém, no templo, poucos dias antes da Paixão e alguns gentios curiosos para verem Jesus. Pela resposta dada, não parece que os tenha atendido: “Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto… e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna”.Discurso estranho e desconcertante, só entendido no contexto dramático da Paixão, que, podendo originar uma certa religiosidade fundada no sacrifício, no sofrimento e na renúncia, não deixa de ser uma proclamação vigorosa de que o sofrimento não é fatalidade e a morte não tem a última palavra, porque tudo se encaminha para frutos abundantes.Apesar de difícil, o discurso de Jesus vai-nos dizendo, contra a lógica corrente, que o que torna a vida rica e luminosa não é o que retemos para nós, mas o que damos aos outros; por isso, são fracassados os projectos de vida num mundo onde prevalece o mais astuto, o mais rico e o mais forte. Quem alinhar por estes critérios torna a sua vida fútil e sem futuro, porque, apesar de estranhas e duras, as Palavras de Cristo são de vida eterna. P. Fausto in Diálogo nº. 1860 (Domingo V da Quaresma – Ano...
Learn More“Deus amou tanto o mundo que entregou o Seu Filho Unigénito”, e, mais à frente na Sua catequese a Nicodemos, Jesus dá a razão: “Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele”. E o mundo não são apenas os homens, mas também os animais e as plantas. Toda a criação. É a este mundo que Jesus foi enviado por amor e que Deus continua a amar.A esta luz não somos cristãos porque amamos Deus, mas porque acreditamos que Deus nos ama, ao ponto de nos enviar o Seu Filho Unigénito. É esta a razão fundamental da nossa alegria.Os cristãos crêem, então, no Amor, porque só no amor há condições para o mundo ser mais equilibrado, harmonioso e feliz. Se assim não for, o individualismo, a competição, o poder, a força… tornam cada vez mais desordenado, injusto, desigual e imundo, o que foi criado por Deus para todos. P. Fausto in Diálogo nº.1859 (Domingo IV da Quaresma – Ano...
Learn MoreJesus tem pouco a ver com a imagem doce de certas pagelas. Sempre houve a tentação de “domesticar” Deus e aqueles que se aproximam de Deus…Jesus, porém, tem história, é judeu, pertence a um povo e a sua vida confunde-se com a vida habitual dos seus contemporâneos. Assim é o Deus cristão. Como nos ensinam as Escrituras, é um Deus que se fez carne.Hoje temos Jesus de chicote na mão! Alguém imagina tal cena, tão habituados a ver Jesus de rosto sempre rosado, de cabelos encaracolados, olhos vivos e azuis…? Esquecemos, porventura, as suas mãos calejadas, a sua voz determinada e firme e a sua vida próxima da vida das pessoas que vai encontrando no caminho?Jesus não é subserviente e não raro usa linguagem que faz estalar o verniz social e até escandalizar muitos. Sabe dizer “NÃO” quando é preciso, a ponto de pegar nas cordas para pôr em ordem as pessoas que fazem do templo um mercado onde pouco se reza e tudo se vende e troca. O que Jesus disse e fez no templo, diz hoje a cada um de nós: Não façais da vida um tempo em que o verbo amealhar prevalece sobre o dar, nem penseis que a dignidade de um homem depende da sua fortuna, pois, se os pobres não levam nada, os ricos deixam cá tudo. Então, apenas vale a CARIDADE, O AMOR QUE TRANSFORMA. P. Fausto in Diálogo nº. 1858 (Domingo III da Quaresma – Ano...
Learn MoreNo Domingo passado, Jesus, depois da sua experiência de 40 dias no deserto, dizia-nos, alto e bom som, “Convertei-vos e acreditai no Evangelho”, e hoje, 2° domingo da Quaresma, chegam-nos ao coração as palavras ouvidas pelos três apóstolos convidados a acompanhar Jesus ao monte: “Este é o meu Filho muito amado: Escutai-O”.Neste verbo se resume tudo o que é necessário para vivermos a Quaresma e prepararmos a Páscoa.O que dizemos, porém, para a Quaresma, podemos dizê-lo em qualquer circunstância da nossa vida, pois, nos momentos mais altos ou nos mais baixos, Deus está sempre do nosso lado e Jesus é sempre o nosso Mestre.Escutá-Lo não significa só ouvi-Lo, mas fazer nossas as Suas escolhas, as Suas preferências e o Seu jeito de viver e servir. Só assim, nos tornamos também luminosos. P. Fausto in Diálogo nº. 1857 (Domingo II da Quaresma – Ano...
Learn MoreNa quarta-feira a Igreja inaugurou já a Quaresma, com o rito penitencial das Cinzas. Contudo, para a grande parte dos fiéis é a celebração deste domingo que os integra neste tempo sagrado, até porque, infelizmente, para muitos, o carnaval continua com os seus festejos, com a ajuda da meteorologia.A propósito da Quaresma, convém ter presente que não é a mera observância de certos costumes tradicionais ou a participação em algumas celebrações religiosas habituais que tornam santa a Quaresma, mas a Palavra de Deus ouvida com mais frequência, a oração pessoal e comunitária com mais insistência e a caridade praticada com maior diligência.Apesar do ritmo de vida desenfreado a que nos obrigam tantos compromissos, não nos dispensemos do esforço em encontrar momentos mais adequados para a meditação da Palavra de Deus e para a Oração, aprendendo com Jesus o segredo para vencermos os obstáculos e as dificuldades de que a vida é tão fértil. E não temos outro tempo mais favorável que a Quaresma. Vivê-lo, desde o princípio, é o desafio para quem se quer preparar para a Páscoa. P. Fausto in Diálogo nº. 1856 (Domingo I da Quaresma – Ano...
Learn MoreA ninguém Jesus vira as costas ou evita o encontro. Desta vez é um encontro muito especial contra todos os princípios da Lei. Um encontro com um leproso, cuja doença o obrigava a afastar-se da família e da comunidade e a viver fora do acampamento. Amaldiçoado por Deus, era um proscrito da sociedade, sem direitos nem dignidade. Era como um animal. Apesar de tudo, veio e prostrou-se diante de Jesus: “SE QUISERES, PODES CURAR-ME”.Com delicadeza e sem explicações, vendo tão grande humildade e a confiança também, Jesus, contra todas as regras, medos e fronteiras, toca o leproso e responde: QUERO. E ele ficou limpo.Não faremos milagres como Jesus e nem sempre podemos curar, mas podemos sempre ajudar. E às vezes basta um sorriso, uma palavra amiga, uns momentos de companhia serena e confortante… enfim, pequenos gestos e serviços que, tornando mais suportável a cruz de quem sofre, fariam da nossa Paróquia uma comunidade mais atenta, próxima e solidária.O Serviço Paroquial dos Doentes e Idosos é um Serviço cada vez mais urgente a “ressuscitar”. P. Fausto in Diálogo nº. 1855 (Domingo VI do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreUm dia cheio, uma jornada-tipo, descrita no Evangelho de S. Marcos, em que Jesus se dedica a curar, rezar e anunciar. Um verdadeiro Mestre a quem ninguém, como há dias em Cafarnaúm, poupa elogios !Todos Lhe falam das suas maleitas, todos esperam uma palavra sábia, todos aguardam a cura das suas doenças. E nem tempo tem para descansar: “Todos te procuram“.A jornada, porém, não terminara, e, “de manhã, muito cedo, levantou-se e saiu. Retirou-se para um sítio ermo e começou a orar“.“Vamos a outros lugares“, responde Jesus aos discípulos, porque há muito a fazer, pessoas a acolher, doentes a curar e muitos a quem anunciar Boas Notícias. E o tempo é breve e a messe é grande.Rezar para que haja mais trabalhadores para a messe está acessível a todos e é o mínimo que podemos fazer nesta semana de oração pelos Consagrados. P....
Learn MoreÉ sempre um prazer encontrar pessoas que não se limitam às palavras gastas, aos lugares comuns, ao que leram ou ouviram dizer. Ainda que simples, a palavra é acesa e sai viva, porque nasce de dentro e toca o centro da vida. É autorizada.Assim acontecia com Jesus, a acreditar na reacção dos habitantes de Cafarnaúm, que, assombrados e maravilhados, não se poupavam a elogios. Ao contrário, os escribas e doutores da lei limitavam-se a debitar fórmulas e enunciar princípios decorados mas distantes do coração. Eram apenas caixas de ressonância da palavra que sabiam mas não praticavam. E isto era percebido pelo povo.E agora, numa sociedade de palavras baratas, ocas e sincopadas, o que é que confere autoridade às palavras de um discípulo de Cristo?Tomando nota do conselho de S. Francisco de Assis, “só quem está bem com o silêncio, de vez em quando também pode falar”. E quando falar, fale do que sente, acredita e vive, isto é, diga e pratique o Evangelho.Se a todos os discípulos de Cristo fosse reconhecida esta autoridade, a Igreja estaria bem diferente e a humanidade também ! P. Fausto in Diálogo nº. 1853 (Domingo IV do Tempo Comum – Ano...
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