Com a Ascensão de Jesus entramos num tempo novo, o tempo da Igreja, o nosso tempo. Na verdade, este último acto da vida terrena de Jesus é o ponto de partida para os primeiros passos da Igreja, especialmente relatados no livro dos Actos dos Apóstolos, que meditámos ao longo do Tempo Pascal. Esta solenidade, que enche o nosso coração de alegria e fundamenta a esperança, traz-nos uma grande responsabilidade. Com efeito, ao contemplarmos a Ascensão de Jesus, num ambiente que deslumbra os discípulos, não podemos deixar de experimentar e celebrar a mesma alegria pela glória de Cristo Ressuscitado, que, ao ir preparar-nos um lugar no coração do Pai, fundamentando, assim, a esperança de que nos reserva a mesma glória, também nos responsabiliza pelo anúncio da Boa Nova, nos constitui testemunhas, em todos os tempos e lugares, e nos mandata para continuarmos a Sua obra, até que Ele venha glorioso, no fim dos tempos. Este é, portanto, o nosso tempo, metódica e pacientemente preparado por Jesus. Com a Ascensão começa o tempo da nossa responsabilidade, sempre “assessorados” pelo Paráclito prometido, o Espírito Santo. A mensagem dos dois homens vestidos de branco da 1ª leitura de hoje – “Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu?”- é clara: a Missão urge! A Missão agora é vossa! Não esqueçamos nunca que fermentar os ambientes do Evangelho é trabalho, sempre urgente e nunca terminado, que não dispensa ninguém que se diga discípulo de Jesus Cristo. Resta-nos pôr o coração em Deus e arregaçar as mangas, sempre dóceis ao Espírito Santo e atentos às formas de linguagem mais ajustadas ao anúncio da Boa Nova. P. Fausto in diálogo 1517 (Solenidade da Ascensão do Senhor – Ano...
Learn MoreO Tempo Pascal, de que estamos a viver as últimas semanas, oferece-nos a oportunidade para retomarmos as instruções de Jesus aos discípulos, os de então e os de todos os tempos, a catequese da última Ceia e as recomendações feitas durante os encontros depois da Ressurreição. Hoje, Jesus, vendo alguma ansiedade espelhada no rosto dos Seus, apressa-se a serenar -lhes o coração:” deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz” e recomenda que jamais se deixem intimidar pelas dificuldades, incertezas, perseguições, dúvidas e frustrações do presente. Que nada deste mundo perturbe os seus corações. E para não serem apanhados desprevenidos, diz estas coisas antes que aconteçam, com a promessa de voltar em breve, porque vai apenas preparar um lugar na casa de Seu Pai, que também é nosso. E como se isto não bastasse, recorda o Espírito Santo, o Paráclito, o Dom já prometido. Aquele que “o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse.” E é graças a Ele que continuamos a celebrar a Páscoa, sem nos cansarmos, especialmente em cada Domingo. Nunca a Igreja deixou de ter consciência que é o Espírito Santo que a mantém fiel a Jesus Cristo, procurando nas suas deliberações e discussões, como no Concílio de Jerusalém, estar atenta à Sua presença orientadora. Conscientes desta presença invisível mas real, devemos cultivar a docilidade à voz da Igreja, que, assistida pelo Espírito Santo, guarda intacto o depósito da Fé e é garantia segura de fidelidade ao Mandamento Novo do Amor, que Jesus nos deixou como marca indelével da nossa identidade cristã. P. Fausto in diálogo 1516 (Domingo VI da Páscoa – Ano...
Learn MoreO Tempo Pascal corre para o fim e damo-nos conta que a Igreja, impelida pelo Espírito Santo, caminha a passos largos em todas as direcções, não sem ter já experimentado a coroa do martírio, a carga das perseguições, o sabor da incompreensão de muitos, inclusive “de dentro”e todas as consequências do confronto com os interesses económicos, políticos e religiosos dominantes. As cidades não eram terra estranha, nem os caminhos das aldeias esquecidos; os ricos não eram desprezados e os da margem eram acolhidos. O importante era fazer chegar a BOA NOVA transparente, fiel e ousada, humilde e convicta, ao coração de todos, onde quer que se encontrassem. E o número dos discípulos aumentava e a Igreja organizava-se, sob a acção do Espírito Santo e o ministério dos Apóstolos, e as inevitáveis tensões internas, emergentes aqui e acolá, eram resolvidas em clima de oração, com respeito de uns pelos outros e em franco diálogo. Qual fermento, a Igreja impregnava de novidade evangélica a sociedade de então. Outra não é a missão da Igreja e outro não é o caminho, senão, como o da Igreja primitiva, vivermos a sério a novidade do Evangelho, que passa necessariamente pela prática da caridade. “Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos”. Continuam a ser estas as nossas verdadeiras credenciais. P. Fausto in diálogo 1515 (Domingo V da Páscoa – Ano...
Learn MoreSim, somente nas mãos de Deus estamos seguros e, segundo o Evangelho deste domingo, ninguém nos poderá delas arrebatar. Sabe-nos tão bem saber que não há força capaz de nos arrancar destas mãos que não sabem senão perdoar, curar, acariciar, abençoar e alimentar! Mãos do Bom Pastor. O Evangelho deste domingo é curto, mas expressivo e vigoroso ao dar a certeza de vida eterna àqueles que escutam Deus, a esses, diz Jesus, ”dou-lhes a vida eterna”, isto é, a vida para sempre em Deus, nas Suas mãos. Somos felizes porque sabemos que Deus tem coração e tem mãos sempre abertas que nos seguram para não cairmos, que nos afagam em momentos de solidão e desânimo, a que confiamos o coração para uma noite sossegada, que agarramos quando a cruz é mais pesada e um dia, já no calvário, quem nos estenderá as mãos? Só Deus, com mãos de compaixão e misericórdia. Era a certeza destas mãos sempre abertas de Deus que levava os discípulos, mesmo quando perseguidos e expulsos, a prosseguir a sua missão, cheios de alegria e do Espírito Santo, e outra segurança não temos para continuarmos, apesar de todas as dificuldades, a anunciar, hoje, com alegria e coragem, a Boa Nova de que Jesus Cristo é o Bom Pastor. P. Fausto in diálogo 1514 (Domingo IV da Páscoa (Bom Pastor – Ano...
Learn MoreJesus continua a encontrar-se com os seus, sem hora marcada mas sempre no primeiro dia da semana. São encontros surpreendentes e felizes, mas nem todos com o mesmo desfecho, como aconteceu com Tomé. Jesus compreende as dúvidas, as resistências, as perplexidades e interrogações que a Ressurreição provoca no coração e na mente dos homens, e do abandono dos discípulos, das negações de Pedro ou das dúvidas de Tomé, nem uma palavra de acusação, de censura, ou mesmo pedido de explicações. A hora é de paciência, de infinita paciência, e compreensão para o complexo e lento processo de conversão dos discípulos. Hoje aparece Jesus, de novo no 1º dia da semana, e desta vez junto ao mar de Tiberíades, onde os discípulos se encontravam em plena faina da pesca. O encontro foi com todos mas especialmente, no fim, dirigido a Pedro que, não contando com as perguntas, se sente publicamente embaraçado: ”Simão, filho de João, tu amas-me mais do que estes?” e uma e outra vez: ”Simão, filho de João, tu amas-me?” inseguro, Pedro não respondeu claramente, mas a insistência de Jesus, fazendo-o lembrar e assumir com humildade o passado recente, arranca-lhe do coração uma tríplice declaração de amizade, confiança e fidelidade, indispensável para lhe ser confiado todo o rebanho, pequenos e grandes. E é este mesmo Pedro, ontem diante do sinédrio, e hoje diante de todos os poderosos, que continua a proclamar vigorosamente a Ressurreição de Cristo e o primado absoluto de Deus, a que importa sempre obedecer em quaisquer circunstâncias. P. Fausto in diálogo 1513 (Domingo III da Páscoa – Ano C)...
Learn MoreDepois de uma semana tão intensa, eis – nos a viver um tempo belo em que a liturgia nos leva a saborear o Mistério Pascal de Jesus, a contemplar Cristo Ressuscitado, e, a partir d’Ele a olhar para a Igreja e para a vida dos cristãos, que , por vocação e missão, devem ser testemunhas do que “se passou em Jerusalém nestes dias”. Como aos discípulos, ontem, cabe-nos hoje a missão de anunciar jubilosamente a Ressurreição de Jesus, a partir do testemunho de vida alegre, generosa e fraterna dos membros da comunidade de Jerusalém, que tinham no amor ao próximo uma das suas mais reconhecidas características. Tal estilo de vida não passou despercebido. Hoje o mandato de Jesus mantém-se actual e a urgência da missão, só credível pelo exercício da caridade, é cada vez maior. Há que assumir as Obras de Misericórdia, quer espirituais quer corporais, como a tradução mais genuína do Mandamento Novo do Amor, sempre, mas especialmente no Tempo Pascal, em que o Ressuscitado aparece saudavelmente aos Seus conservando no Seu Corpo glorioso as marcas do Amor que O levou à Cruz. P. Fausto in diálogo 1512 (Domingo II da Páscoa (Divina Misericórdia) – Ano...
Learn MoreO sepulcro está vazio! E agora? – Tudo passou pelo coração das mulheres que, ainda muito cedo, foram ao sepulcro para ungir o corpo de Jesus: perplexidade, medo, embaraço por serem apanhadas àquela hora junto do sepulcro…. Mas, contra todas as expectativas, o sepulcro está vazio: “Porque procurais entre os mortos Aquele que está vivo? Não está aqui: Ressuscitou!” Com o coração a rebentar correram a dar a notícia aos apóstolos. Coisas de mulheres, desvarios, dizem eles. Pelo sim e pelo não, Pedro tirou-se dos cuidados e, dominado pela curiosidade, foi ao sepulcro, que estava escancarado, debruçou-se e “viu apenas as ligaduras e voltou para casa admirado”. Tudo se passara de noite e só esta é testemunha da Ressurreição, que faz da Vigília Pascal aurora de todos os dias, ainda que haja noites, porque o sepulcro, definitivamente, não contém um corpo, mas apenas retém os sinais da presença do Crucificado, que está Vivo, Aquele que o granito mais duro ou o corpo de guardas mais forte não foram capazes de impedir o Amor de vencer a morte. Na Vigília Pascal, tornamo-nos, para sempre, arautos e testemunhas alegres de Cristo Ressuscitado, que faz dos nossos dias, ainda que molhados pelo sofrimento, verdadeiramente Dias Pascais. Uma Feliz e Santa Páscoa para todos. P. Fausto in diálogo 1511 (Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor– Ano...
Learn More“Hoje estamos aqui reunidos para darmos início, em união com toda a Igreja, à celebração do mistério pascal do Senhor, isto é, da sua Paixão e Ressurreição”. Assim abre a liturgia do Domingo de Ramos, que é caracterizada por dois momentos difíceis de entender e aparentemente desencontrados: a procissão dos ramos, em ambiente de triunfo, e a proclamação da Paixão, que nos transporta a sexta-feira santa. Ao participarmos na procissão dos ramos, não podemos esquecer a outra procissão que, dias mais tarde, Jesus realiza para o calvário, com a cruz às costas. Dois momentos profundamente diferentes, vividos ao longo desta semana, só possíveis pela curta memória colectiva e pela inconstante carga emocional da natureza humana. Como é curta a memória, que tão facilmente faz passar dos hossanas e palmadinhas nas costas às vaias desbragadas da rua! E Jesus sabe-o bem! Ao longo desta semana vamos fazer a memória de tudo isto. Esta é a semana santa, a semana “maior”, não porque tenha mais dias ou estes tenham mais horas, mas porque nela se evocam os acontecimentos maiores da História da Salvação: a Morte e Ressurreição de Cristo. Deus, que Se torna presente na Eucaristia e nos lava os pés, morre crucificado por amor do homem; a cruz, que não se entende e tantas vezes se rejeita, é contemplada e adorada; o silêncio que a morte proporciona torna-se convite ao recolhimento agradecido e cheio de esperança; por fim, gritamos a nossa fé na Ressurreição de Jesus e não na cruz, de peito cheio, a transbordar, pela Alegria que nos vem da certeza do sepulcro vazio para sempre. Motivos não faltam para vivermos santamente esta Semana Santa. P. Fausto in diálogo 1510 (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor– Ano C) ...
Learn MoreCom o fim próximo da Quaresma, os textos litúrgicos já nos projectam para os tempos novos, inaugurados pela Morte e Ressurreição de Jesus, e convidam-nos especialmente a olhar o futuro com o optimismo que, séculos antes, experimentava Isaías. Sim, sem amarras ao passado e sem medo do futuro, eis-nos homens e mulheres que dão rosto à esperança, vivida na certeza da fidelidade de Deus. Pode parecer estranha esta dose de optimismo profético, mas a verdade é que precisamos de avivar, como o Povo de Deus ao longo da sua história, a memória pessoal e colectiva, para dar consistência à esperança e reforçar a nossa fidelidade, tanto mais quanto a existência se mostra agressiva e dolorosa. Se no Domingo passado ficámos embevecidos pela parábola do Pai bondoso, hoje reconhecemos que Jesus não é apenas um bom contador de histórias, mas, ao fazer o que prega, Se revela mestre insigne e pedagogo eminente na arte de recuperar quem está “em baixo” e indefeso, e denunciar corajosamente quem só sabe apontar o dedo acusatório, Neste sentido, assistimos a uma cena comovente, e desta vez com uma mulher apanhada em adultério e condenada à morte. Sem condenações nem sermões, Jesus perdoa e manda a mulher em paz, lembrando-lhe apenas os seus telhados de vidro e o cuidado para não cair, mas aos acusadores, sempre atentos aos pecados dos outros mas não aos seus, que se apressavam a atirar as pedras, sem primeiro baterem com elas no peito, a esses, Jesus denuncia-lhes a hipocrisia e desafia-os a serem coerentes. E todos saíram, a começar pelos mais velhos! Cenas como esta repetimo-las sempre que julgamos e condenamos… Como os escribas e os fariseus, esquecemo-nos que também são de vidro os nossos telhados e que é bem perigoso “atirar pedras”! P. Fausto in diálogo 1509 (V Domingo da Quaresma – Ano...
Learn MoreA alegria desta celebração anda ligada à ideia de reconciliação proclamada na Liturgia da Palavra deste domingo. Antes de celebrarmos a Páscoa evocada na primeira leitura, temo-nos de reconciliar com o Pai e os irmãos, se queremos compreender e saborear a alegria de que o Senhor Ressuscitado nos quer tornar participantes. De contrário, a Páscoa será um tempo a proporcionar umas curtas férias, ainda que merecidas, ocasião para cumprir tradições mais ou menos presentes nos roteiros turísticos ou ainda para a “visita” dos afilhados aos padrinhos…; mas nada disto é a Festa que durante a Quaresma devemos preparar. Alegria, deslumbramento, confiança, entre outros, são sentimentos que brotam espontaneamente no coração de quem escuta, reza e medita esta parábola do Evangelho de hoje. É das mais belas páginas da Escritura em que, por palavras simples e breves, Jesus revela o coração de Deus face ao nosso proceder errático e orgulhoso, qual vagabundo à procura da felicidade, ou calculista, frio e farisaico do cumprimento legal das obrigações. O centro da parábola é o pai bondoso que ama por igual medida ambos os filhos, sem ressentimentos nem julgamentos, e tão generosamente que nos parece ilógico e injusto o seu amor. Respeita a liberdade, sem nunca a limitar, mesmo quando dela se faça mau uso e não deixa de reconhecer a boa conduta pelo cumprimento das obrigações, mas ama, ama sem medida cada um dos filhos. Acredita que a violência não leva a lado nenhum, o medo e o remorso não libertam, não condena nem absolve o passado, apenas Lhe interessa o presente e este é de festa. Só a experiência do amor incondicional e a alegria da festa nos resgatam do passado sombrio e nos dispõem para o futuro de comunhão e de paz. Ah, se acreditássemos verdadeiramente neste Deus revelado por Jesus Cristo, não mostraríamos tantas vezes um rosto cansado, desiludido, amargurado e sem esperança! P. Fausto in diálogo 1508 (IV Domingo da Quaresma – Ano...
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