“Hoje estamos aqui reunidos para darmos início, em união com toda a Igreja, à celebração do mistério pascal do Senhor, isto é, da sua Paixão e Ressurreição”. Assim abre a liturgia do Domingo de Ramos, que é caracterizada por dois momentos difíceis de entender e aparentemente desencontrados: a procissão dos ramos, em ambiente de triunfo, e a proclamação da Paixão, que nos transporta a sexta-feira santa.
Ao participarmos na procissão dos ramos, não podemos esquecer a outra procissão que, dias mais tarde, Jesus realiza para o calvário, com a cruz às costas. Dois momentos profundamente diferentes, vividos ao longo desta semana, só possíveis pela curta memória colectiva e pela inconstante carga emocional da natureza humana.
Como é curta a memória, que tão facilmente faz passar dos hossanas e palmadinhas nas costas às vaias desbragadas da rua! E Jesus sabe-o bem! Ao longo desta semana vamos fazer a memória de tudo isto. Esta é a semana santa, a semana “maior”, não porque tenha mais dias ou estes tenham mais horas, mas porque nela se evocam os acontecimentos maiores da História da Salvação: a Morte e Ressurreição de Cristo.
Deus, que Se torna presente na Eucaristia e nos lava os pés, morre crucificado por amor do homem; a cruz, que não se entende e tantas vezes se rejeita, é contemplada e adorada; o silêncio que a morte proporciona torna-se convite ao recolhimento agradecido e cheio de esperança; por fim, gritamos a nossa fé na Ressurreição de Jesus e não na cruz, de peito cheio, a transbordar, pela Alegria que nos vem da certeza do sepulcro vazio para sempre. Motivos não faltam para vivermos santamente esta Semana Santa.
P. Fausto
in diálogo 1510 (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor– Ano C)
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