Felizes os misericordiosos

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Com o fim próximo da Quaresma, os textos litúrgicos já nos projectam para os tempos novos, inaugurados pela Morte e Ressurreição de Jesus, e convidam-nos especialmente a olhar o futuro com o optimismo que, séculos antes, experimentava Isaías. Sim, sem amarras ao passado e sem medo do futuro, eis-nos homens e mulheres que dão rosto à esperança, vivida na certeza da fidelidade de Deus.
Pode parecer estranha esta dose de optimismo profético, mas a verdade é que precisamos de avivar, como o Povo de Deus ao longo da sua história, a memória pessoal e colectiva, para dar consistência à esperança e reforçar a nossa fidelidade, tanto mais quanto a existência se mostra agressiva e dolorosa.
Se no Domingo passado ficámos embevecidos pela parábola do Pai bondoso, hoje reconhecemos que Jesus não é apenas um bom contador de histórias, mas, ao fazer o que prega, Se revela mestre insigne e pedagogo eminente na arte de recuperar quem está “em baixo” e indefeso, e denunciar corajosamente quem só sabe apontar o dedo acusatório,
Neste sentido, assistimos a uma cena comovente, e desta vez com uma mulher apanhada em adultério e condenada à morte. Sem condenações nem sermões, Jesus perdoa e manda a mulher em paz, lembrando-lhe apenas os seus telhados de vidro e o cuidado para não cair, mas aos acusadores, sempre atentos aos pecados dos outros mas não aos seus, que se apressavam a atirar as pedras, sem primeiro baterem com elas no peito, a esses, Jesus denuncia-lhes a hipocrisia e desafia-os a serem coerentes. E todos saíram, a começar pelos mais velhos!
Cenas como esta repetimo-las sempre que julgamos e condenamos… Como os escribas e os fariseus, esquecemo-nos que também são de vidro os nossos telhados e que é bem perigoso “atirar pedras”!

P. Fausto

in diálogo 1509  (V Domingo da Quaresma – Ano C)

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