Jesus, no domingo passado, apontou-nos o samaritano como modelo de quem vence distâncias, não olha a perigos e gastos, nem se deixa bloquear por preconceitos para se tornar próximo e fazer o bem. Hoje, os textos sagrados dizem-nos que a virtude da hospitalidade não passa despercebida a Deus, que recompensa quem acolhe com respeito e delicadeza, como Abraão. Jesus dir-nos-á noutra altura: “o que fizerdes ao mais pequeno… é a Mim que o fazeis” e “quem vos recebe a Mim recebe”. O evangelho, ao recordar a hospitalidade de Marta e Maria, põe-nos diante de duas maneiras de acolher, que, longe de se oporem, completam-se. Marta, desejosa de acolher bem, não se poupa aos cuidados da cozinha e Maria, atenta à pessoa do Mestre, começa por Lhe dar tempo e atenção e escuta-O com prazer. Há fome de muitas coisas… e não só de pão! Maria parece estar mais atenta à pessoa e Marta às circunstâncias. Para amigas tão sinceras Jesus tem palavras de elogio para uma e de alerta amoroso e compreensivo para outra, porque, sem darmos conta, o quotidiano frenético esvazia-nos e rouba sempre espaço a Deus, aos outros e a nós próprios. Deus deixa-Se encontrar tanto na cozinha, entre os tachos e panelas, como na oração, em capela de qualquer convento, desde que um e outro lugar não sejam refúgio e se tornem desculpa para não escutar Deus e dar primazia ao Amor. O alerta não é só para Marta e cada um sabe bem como se mantém actual. P. Fausto in diálogo 1527 (XVI Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreA parábola do samaritano, tão comovedora e bem conhecida, ajuda-nos a descobrir que é nosso próximo apenas aquele de quem nos aproximamos, viva em nossa casa, nas vizinhanças ou longe de nós. Cessem as palavras e falem as obras! Calem-se os teóricos…, porque a primazia não é a da retórica mas da prática. Não basta saber o que está escrito, não basta compreender o alcance da Palavra de Deus: é preciso “fazer o mesmo”, isto é, pô-la em prática. A 1ª leitura da Liturgia da Palavra deste domingo, ao falar-nos da Lei de Deus e dos seus preceitos, longe de nos fazer viver uma religião de temor, de ordens e prescrições, propõe-nos um projecto de vida de obediência amorosa a Deus, como única maneira de correspondermos ao amor que Ele nos tem. Tudo na vida é questão de Amor. A todos os níveis e em todas as situações. Quem é o meu próximo? A pergunta do doutor da lei também nós a fazemos às vezes para justificar as nossas hesitações e faltas de generosidade… Os problemas não se resolvem apenas com boas teorias, mas com boas obras. Os judeus tinham tudo escrito na lei acerca do amor a Deus e ao próximo. O doutor sabia tudo e respondeu bem a tudo. Só perguntou para experimentar Jesus, habituado como estava às discussões académicas e à casuística, e Jesus respondeu que o que verdadeiramente lhe faltava era passar da teoria à prática, do livro à vida. Ontem como hoje, a Palavra de Deus não é tanto para saber, mas para se fazer. “Faz assim e viverás… vai e faz o mesmo, tu também” ( Ev.) O desafio mantém-se actual e é dirigido a todos nós! P. Fausto in diálogo 1526 (XV Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreA Missa, especialmente ao domingo, deveria ser vivida em contexto festivo. Mesmo sem música. É encontro com a Palavra de Deus e com Cristo na Eucaristia. É verdade que um coro, acompanhado com bons instrumentistas e com cânticos adequados, é um óptimo apoio para a Assembleia cristã viver conscientemente, em ambiente de acção de graças, adoração e súplica e de “santa alegria”, cada Missa, como verdadeira antecipação, ainda que não plena, da Liturgia celeste. E razões não nos devem faltar para fazermos em cada domingo essa experiência. Ao fim de uma semana de trabalhos e dissabores, com alegrias e dores, projectos inacabados e desejos adiados…, não há lugar à Missa por obrigação. Deus nos convida ao descanso saboroso e merecido e a viver a Missa verdadeiramente como prelúdio da felicidade eterna. Como é, então, o nosso Domingo e nele a vivência da Missa? O Evangelho de hoje fala-nos do Reino de Deus, da actividade missionária da Igreja e do espírito que há-de animar os pregadores do Evangelho. Continuam a ser actuais as palavras de Cristo e a actividade missionária da Igreja continua a ser hoje tão actual quanto nos primeiros tempos. E para obra tão vasta continuam a ser poucos os trabalhadores. Para o anúncio da Boa Nova não basta falar bem de Jesus, ler nacos de bom e suculento discurso teológico, organizar tertúlias de temática religiosa ou recorrer a artes de encenação… porque, embora tudo isso seja importante e se tenha de cuidar, o que mais importa é que a vida dos mensageiros, que são todos os baptizados, se identifique com a Palavra celebrada e com a Vida do Cristo comungado. Só assim seremos a prova de que o Reino de Deus está no meio dos homens. É para isso que servem os planos e as estratégias pastorais. P. Fausto in diálogo 1525 (XIV Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreNo domingo passado, o desafio foi radical: “se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-me”. Não sendo obrigatório, é dirigido a todos. Sem papas na língua. Face a isto, alguma dose de medo, hesitação …é compreensível, mas, longe de escamotear o problema ou suavizar o apelo, Jesus, hoje, não baixa a fasquia, nem omite nada do que anteriormente dissera. E foi absolutamente claro nas respostas dadas no Evangelho. Para Jesus não há vocações de primeira e de segunda, nem lugar a juízos de valor sobre o que quer que seja. O que Jesus nos diz neste domingo tem a ver com generosidade, determinação, confiança e fidelidade ao desafio que Deus faz a cada um. Qualquer que seja o caminho a que Deus nos chame é sempre caminho de santidade e não há vida cristã sem exigência … Assim, se o matrimónio é a vocação a que Deus chama, há que se entregar com fidelidade e sem reservas; Se é o serviço eclesial, ordenado ou não, que Deus nos pede, há que o assumir com coragem e confiança … Em circunstância alguma, o que não vale mesmo é olhar para trás, pôr condicionantes ou fazer cálculos à espera de outra recompensa, além da que Deus, na riqueza da Sua Misericórdia, reserva a quantos, de coração sincero, se confiam e entregam com generosidade. Não seremos felizes e santos por sermos padres, religiosos ou leigos, casados ou solteiros, mas sê-lo-emos tanto mais quanto mais fiéis ao projecto que Deus tem em relação a cada um e para o qual nos capacita e chama com amor. P. Fausto in diálogo 1524 (XIII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreJesus não está preocupado com sondagens, quando pergunta: “Quem dizem as multidões que Eu sou”; sabia bem que a opinião das pessoas Lhe era francamente favorável, que a verdade não é questão de moda, de tendências, de oportunidade e daí a questão: “e vós, quem dizeis que Eu sou”? Cada qual deve dar a sua resposta, sem recurso a fórmulas aprendidas de memória, sem pensamentos pensados ou escritos por outros. O que Jesus quer é o que vai no coração, é o que cada um vive e sai espontaneamente sem preconceitos ou discursos rebuscados e teologicamente fundamentados. A questão posta é respondida de coração a coração: “Quem sou eu para ti?” Com a tua história de luzes e sombras, de fracassos e entusiasmos, com medos e esperanças, sonhos e frustrações… a resposta não é de livros ou universidades, mas de vida. Se fôssemos hoje com a mesma questão para a rua, as respostas acerca de Jesus continuariam certamente bem positivas, mas não basta para ser cristão ser baptizado e manifestar simpatia e admiração por Cristo, é necessário renegar-se a si mesmo, tomar a cruz todos os dias e segui-Lo… É isto que têm de fazer os amigos para serem discípulos e não perderem o jogo da vida. P. Fausto in diálogo 1523 (XII Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreA Misericórdia de Deus é, sem dúvida, um dos temas fundamentais da pregação de Jesus e hoje tão bem expressa na liturgia da Palavra no perdão ao Rei David e à mulher – “uma pecadora que vivia na cidade”. Na 1ª leitura escandaliza-nos, por certo, o pecado de David, mas enternece-nos o Amor misericordioso de Deus, face ao humilde reconhecimento da culpa e ao verdadeiro arrependimento do santo rei. Quem dera, mesmo que não imitando David na queda, o imitássemos no arrependimento e na conversão! E no Evangelho, Jesus parece dizer que a misericórdia e o perdão são questões de amor, de Deus pelos homens e destes para com Deus: “os seus numerosos pecados ficam perdoados, uma vez que manifestou tanto amor”. A chave das relações entre nós e Deus é, então, o amor, donde provém o verdadeiro arrependimento e, sendo “próprio de Deus ter compaixão e perdoar”, não pode ficar insensível a quem ama. Enquanto David e a pecadora pública reconhecem os seus pecados, assumem o seu passado e se convertem, o fariseu mantém-se na postura típica de quem reduz a santidade e a perfeição ao cumprimento externo dos preceitos legais, não compreende a linguagem do amor e do perdão e esconde o pecado com a aparência de virtude. Vive irremediavelmente no equívoco insanável de pensar que conquista o coração de Deus, cumprindo, apenas, ainda que rigorosamente, os preceitos da lei, esquecendo-se que à santidade, a que todos somos chamados, só podem aspirar os pecadores arrependidos. A misericórdia e a salvação não são bens que se mereçam ou reivindiquem, apenas se esperam como dom do Amor infinito de Deus. P. Fausto in diálogo 1522 (XI Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreDesde sempre, Deus gosta de nós, olha-nos com amor, atende-nos com atenção e nunca perde a paciência connosco, mesmo quando perdemos a paciência com Ele. Quando queremos que Deus faça a nossa vontade e não nos conformamos com a Sua, nem aguardamos a Sua hora, impacientamo-nos, e muitos até dizem que perdem a fé, quais crianças zangadas quando os pais não lhes fazem a vontade. A 1ª leitura ao relatar-nos a ressurreição do filho de uma viúva de Sarepta, que acolhia habitualmente o profeta Elias, e o Evangelho que nos fala da ressurreição do filho de uma viúva de Naim, operada por Jesus, mostra que Deus não é insensível à gratidão, à delicadeza e, sobretudo, ao sofrimento, especialmente quando se trata do mistério da morte. Ele não nos quer ver sofrer, nem a morte é o nosso destino. Porque é Deus da vida, aprecia a vida e nos quer felizes, jamais estará ausente da nossa história. Não serão tão espectaculares como os casos de ressurreição da 1ª leitura e do Evangelho de hoje, mas também dão vida, porque são de vida, os gestos que matam a fome ou a sede ou dão roupa a quem precisa, que proporcionam alegria aos tristes e coragem aos desanimados, que tornam prioritárias as causas da justiça e da paz, enfim, quando se faz das obras de misericórdia cartilha do agir diário. Passa por aqui, hoje, a presença de Deus, a favor do Seu povo, através de tantos e tantos gestos de solidariedade e atenção aos outros. E só deste modo, em gestos simples e passos pequenos, se vão construindo os “novos céus e a nova terra” e fazendo avançar o Reino de Deus entre nós. P. Fausto in diálogo 1521 (X Domingo do Tempo Comum – Ano...
Learn MoreA Europa vive uma grave crise, sem fim à vista, com os refugiados, que, todos os dias e em circunstâncias trágicas, e tantas vezes fatais, aportam às suas costas, em demanda de um futuro melhor. A liturgia da Palavra deste domingo, ao centrar-se no “estrangeiro”, não pode deixar de trazer ao de cima o “drama dos refugiados”, com que há anos se debatem especialmente os países da União Europeia. A hipocrisia de uns, a defesa do bem-estar de outros, o “medo de contágio” de muitos, etc, fazem das conversações, mais que procura de respostas eficazes e justas, momentos de discussão que permitam janelas de oportunidade para países e instituições. E o drama continua, sem fim à vista, enquanto falarem mais alto os interesses nacionalistas, financeiros e económicos, dos países que integram esta Europa de raízes cristãs! Não nos cabe individualmente a procura de soluções para tão grave problema, mas não esqueçamos o que é da nossa responsabilidade e está ao nosso alcance, porque o “estrangeiro” pode ser o emigrante, o turista, o refugiado, o exilado e, porque não? o marginalizado. Todas estas pessoas, fora da sua terra e com diferenças religiosas e culturais, se tornam estranhas, estrangeiras, se não criamos condições de acolhimento e integração, sempre no respeito pela sua dignidade. Salomão, na 1ª leitura da Missa de hoje, no Templo, pedia a prosperidade para o seu povo, sem esquecer também os estrangeiros, lembrando-se, de certo, de Deut. 10,18-19: “o Senhor faz justiça ao órfão e à viúva, ama o estrangeiro e dá-lhe o pão e o vestuário; vós que fostes estrangeiros no país do Egipto, amai o estrangeiro”. Esta atitude, confirmada pelo agir de Jesus em favor dos estrangeiros e relatado neste domingo, reflecte bem, e já no Antigo Testamento, a vontade de Deus que quer salvar todos os homens a quem confiou a terra para tratarem e serem felizes. P. Fausto in diálogo 1520 (IX Domingo do Tempo Comum – Ano C)...
Learn MoreNeste Domingo retomamos o Tempo Comum, convictos de que é no quotidiano da nossa existência que jogamos o desafio da fidelidade a Deus, aos outros e a nós mesmos, e nada mais nos ajuda que a celebração numa só festa das Três Pessoas de Deus, “o Mistério da Santíssima Trindade”. Foi Jesus quem nos revelou o mistério da vida divina. Falou-nos do amor infinito do Pai e da Sua grande misericórdia; Ele próprio se apresentou como Filho, o enviado pelo Pai, e anunciou a vinda do Espírito Santo para continuar a Sua obra. “Um só Deus em três Pessoas”. Não se trata de uma fórmula abstracta e matemática, mas de um Mistério de Amor, de Comunhão Trinitária, modelo para toda a Igreja e inspiração para todo o agir humano. É mistério de Comunhão a construir-se todos os dias na família, no grupo apostólico, na paróquia, na diocese, no trabalho e entre vizinhos, em todos os âmbitos da existência, e que será plena na eternidade, quando o “Filho do Homem vier em poder e majestade…” “Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não podeis comportá-las por agora”. Jesus não disse tudo nem fez tudo. Enviou, como prometera, o Espírito, para clarificar, consolidar e comprometer a Igreja na continuação do Seu projecto. Cabe-nos, agora, no tempo comum da existência, sob o impulso do Espírito Santo, fazer a nossa parte, que é nada mais nada menos que dar testemunho da Ressurreição de Jesus Cristo e construir a fraternidade entre os homens, porque todos, amados por Deus, foram criados à Sua imagem e semelhança. Mistério fundamental da Fé, o mistério da Santíssima Trindade, sem dispensar a compreensão intelectual e o discurso teológico, é desafio permanente a que a nossa Paróquia se torne “verdadeira Ilha de misericórdia”, como deseja o Papa Francisco, e as nossas famílias sejam cada vez mais “comunidades de vida e amor”, verdadeiras Igrejas domésticas. Isto é tarefa nunca acabada de todos nós e todos os dias. P. Fausto in diálogo 1519 (Solenidade da Santíssima Trindade – Ano...
Learn MoreNo último dia do Tempo Pascal, a Igreja recorda especialmente a vinda do Espírito Santo. Enquanto nos cinquenta dias que decorreram desde a Festa da Páscoa, toda a nossa atenção esteve centrada na alegria da Ressurreição e na glória de Jesus, hoje celebramos o Dom do Espírito que Jesus prometera aos apóstolos, que O aguardavam em oração, no Cenáculo. Ao longo destas últimas semanas, também nos fomos dispondo para reviver esse acontecimento como realidade presente na vida da Igreja, e de cada um de nós, tanto mais que na nossa Paróquia é habitual nesta solenidade ministrar-se o Sacramento do Crisma aos Jovens e Adultos que se tenham preparado. Assim, a Igreja reunida à volta dos Apóstolos, e com Maria, continua a ser a mesma Igreja, que, inspirada e dinamizada pelo mesmo Espírito derramado, então, efusivamente, no coração dos Apóstolos, se mantém, hoje, fiel a Jesus Cristo, na construção da comunidade e na transformação do mundo, segundo o projecto de Deus. É graças ao Espírito Santo que a Bíblia não é repositório inconsequente de palavras humanas mas Palavra de Deus, vital e salvadora. É graças ao Espírito Santo que a moral não é colete-de-forças para ninguém ou conjunto de preceitos ao alcance apenas de uns poucos para serem salvos. É graças ao Espírito Santo que a Igreja é Mistério de comunhão de Deus connosco e de nós uns com os outros em Cristo e por Cristo. Sem Ele a Igreja não passaria de organização humana e piramidal, qual monarquia, mera ONG bem organizada e eficiente mas sem vida, porque os Sacramentos seriam sinais vazios de conteúdo. “Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso Amor… e renovareis a face da terra.” P. Fausto in diálogo 1518 (Solenidade do Pentecostes – Ano...
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