A parábola do samaritano, tão comovedora e bem conhecida, ajuda-nos a descobrir que é nosso próximo apenas aquele de quem nos aproximamos, viva em nossa casa, nas vizinhanças ou longe de nós. Cessem as palavras e falem as obras! Calem-se os teóricos…, porque a primazia não é a da retórica mas da prática. Não basta saber o que está escrito, não basta compreender o alcance da Palavra de Deus: é preciso “fazer o mesmo”, isto é, pô-la em prática.
A 1ª leitura da Liturgia da Palavra deste domingo, ao falar-nos da Lei de Deus e dos seus preceitos, longe de nos fazer viver uma religião de temor, de ordens e prescrições, propõe-nos um projecto de vida de obediência amorosa a Deus, como única maneira de correspondermos ao amor que Ele nos tem. Tudo na vida é questão de Amor. A todos os níveis e em todas as situações.
Quem é o meu próximo? A pergunta do doutor da lei também nós a fazemos às vezes para justificar as nossas hesitações e faltas de generosidade… Os problemas não se resolvem apenas com boas teorias, mas com boas obras.
Os judeus tinham tudo escrito na lei acerca do amor a Deus e ao próximo. O doutor sabia tudo e respondeu bem a tudo. Só perguntou para experimentar Jesus, habituado como estava às discussões académicas e à casuística, e Jesus respondeu que o que verdadeiramente lhe faltava era passar da teoria à prática, do livro à vida. Ontem como hoje, a Palavra de Deus não é tanto para saber, mas para se fazer. “Faz assim e viverás… vai e faz o mesmo, tu também” ( Ev.) O desafio mantém-se actual e é dirigido a todos nós!
P. Fausto
in diálogo 1526 (XV Domingo do Tempo Comum – Ano C)
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