A Misericórdia de Deus é, sem dúvida, um dos temas fundamentais da pregação de Jesus e hoje tão bem expressa na liturgia da Palavra no perdão ao Rei David e à mulher – “uma pecadora que vivia na cidade”.
Na 1ª leitura escandaliza-nos, por certo, o pecado de David, mas enternece-nos o Amor misericordioso de Deus, face ao humilde reconhecimento da culpa e ao verdadeiro arrependimento do santo rei. Quem dera, mesmo que não imitando David na queda, o imitássemos no arrependimento e na conversão!
E no Evangelho, Jesus parece dizer que a misericórdia e o perdão são questões de amor, de Deus pelos homens e destes para com Deus: “os seus numerosos pecados ficam perdoados, uma vez que manifestou tanto amor”. A chave das relações entre nós e Deus é, então, o amor, donde provém o verdadeiro arrependimento e, sendo “próprio de Deus ter compaixão e perdoar”, não pode ficar insensível a quem ama.
Enquanto David e a pecadora pública reconhecem os seus pecados, assumem o seu passado e se convertem, o fariseu mantém-se na postura típica de quem reduz a santidade e a perfeição ao cumprimento externo dos preceitos legais, não compreende a linguagem do amor e do perdão e esconde o pecado com a aparência de virtude. Vive irremediavelmente no equívoco insanável de pensar que conquista o coração de Deus, cumprindo, apenas, ainda que rigorosamente, os preceitos da lei, esquecendo-se que à santidade, a que todos somos chamados, só podem aspirar os pecadores arrependidos. A misericórdia e a salvação não são bens que se mereçam ou reivindiquem, apenas se esperam como dom do Amor infinito de Deus.
P. Fausto
in diálogo 1522 (XI Domingo do Tempo Comum – Ano C)
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